SEMANA NACIONAL DA VIDA - OITAVO TEMA - APRENDENDO A ENVELHECER

Ontem foi o oitavo dia da Semana Nacional da Vida. Como o tema é “Aprendendo a Envelhecer”, deixei para refleti-lo hoje, por ser o dia do idoso.

Hoje já consigo projetar-me idoso. Contemplo-me no futuro com meus noventa anos atendendo o dia todo em meu consultório. Projeto-me ouvindo as dezenas de histórias e ajudando pessoas a trilhar seus inconscientes. E olha que quando vou a congressos de psicanálise, vejo muitos analistas beirando os noventa com o maior pique de trabalho. Em minha última supervisão, meu supervisor já estava com 86 anos e parecia ter cinquentão.

Mas sabemos que o envelhecer não é tão simples assim. Nossa estrutura urbana não está preparada para acolher os envelhecidos. O sistema de saúde não dá conta de atender se quer os recém nascidos. Dias atrás, um senhor idoso fez uma sábia reflexão. Comparou a situação de uma emergência de vida e morte entre um idoso e um jovem, em situações de se ter no hospital apenas um médico para socorrer: “Quem você acha que será escolhido para ser salvo?”. Fiquei com receio de responder o que havia pensado. Mas como este senhor era muito sábio, ele logo falou: “não se preocupe Gerson, sei que você é uma pessoa educada, mas sei que como eu, você pensou que o médico escolheria o jovem para tentar socorrer”.

Como estamos pouco estruturados para acolhermos os que envelhecem, tendemos a fugir da velhice. Somos absorvidos pela cultura do culto à juventude e se não tomarmos cuidado negamos nossa cronologia para assumirmos um perfil jovial. Quando isto acontece fica ridículo. O jovem forçado.

A melhor forma de envelhecer é encontrar-se com a idade que se têm e traçar um projeto pessoal para aproveitar todos os anos vividos na construção de algo que valha a pena. Chegar na velhice para ficar vendo o tempo passar e esperando a morte chegar, não é nada atrativo. Da angústia.

Mas precisamos construir condições em nossas comunidades para que os velhos tenham seus espaços valorizados. Em culturas milenares, o velho é ancião, que carrega a história de seu povo. Na nossa cultura ocidental, o velho é visto como um estorvo.

Os clubes da terceira idade que conheço, acabam banalizando a velhice, pois propõem apenas forró, comes e bebes. Tratam os idosos como se não tivessem memória, como se só soubessem dançar ou só precisassem arrumar parceiros. Os espaços para os idosos não devem se transformar em guetos de inválidos, mas em espaço de produtividade. Gosto de ver as iniciativas das universidades da terceira idade, onde os velhos são potencializados para o conhecimento e reconhecimento da própria história.           

Uma sociedade que cultua os envelhecidos na condição de portadores da história e protagonistas de sonhos e esperanças para a juventude, é um estímulo motivacional para qualquer cidadão não temer a velhice.

Não é a toa que desejo a velhice, pois sempre convivi com idosos altamente produtivos na profissão. Sou um privilegiando, pois a Psicologia é uma profissão que valoriza o tempo, a experiência. Ficamos melhores quanto mais velhos. A Psicologia é a ciência que ajuda a envelhecer com alegria, pois seus maiores mestres são pessoas envelhecidas.

Falando em envelhecimento, visite um asilo de velhos. Há muitos velhos abandonados esperando por você. 

One Response to “SEMANA NACIONAL DA VIDA - OITAVO TEMA - APRENDENDO A ENVELHECER”

  1. Maria Inês disse:

    Gerson.

    Hoje gostaria de colocar um sonho que sonhei acordada!

    13 anos da minha vida de casada morei numa chácara de propriedade e visinho de um Asilo, cuidado por Religiosas Carlista.
    Imagine a cena …na frente deste Asilo tem um grande jardim…que as minhas crianças 7 na época brincavam com “velocípedes, depois o skate…mil brincadeiras…tendo por espectador muitos dos velhinhos.Nas festas lá estava eu com as crianças e para os velhinhos a festa era sempre mais animada de ver meus filhos correndo por ali…
    Lembro de um natal Hélder tinha 6 meses, ele era afilhado de consagração à Nossa Senhora de Irmã Mercedes, (que foi uma bela cerimônia depois da Missa,na Capela do Asilo, por um Padre carmelita Frei Walmir;num dia consagrado â Nossa Senhora, com fotos… Então, neste ano na festa de Natal tive uma idéia sentar ao lado de cada “senhorinha”, para que ela carregasse uma criança,o meu filho Hélder.
    Pode se imaginar a alegria dessas senhorinhas…seus olhinhos brilhavam…quem sabe o que se passou naquelas cabecinhas, ao carregar uma criança!

    Agora o sonho: eu imaginei um local como aquele que eu morava (uma chácara com muitos pés de arvores,animais, tinha cachorro, papagaio,passarinho, galinha,cabra, bode,cavalo a mãe e o filho …
    Mas o sonho era transformar este local numa “escola especial para crianças de 5 a 10 anos” que frequentam um período do dia a escola normal e no outro período se as mães trabalham tem dificuldades de acomoda los. Pensei que seria um local para acolhe los aproveitando esses “especialistas da vida como professor…ou melhor como “avós” pois quantas crianças não tem esse contato… ali se faria lições de casa, reforço escolar, noções da vida no campo, uma hortA para cuidar…brincar na terra, Coisas que a minha geração teve naturalmente e hoje não se tem…Mais com certeza um sonho desse pode acontecer em todas as cidades, e certamente os pais não teriam dificuldades para arcar com as despesas, já que os benefícios seriam muito vantajosos! e pensava que funcionaria os períodos manhã e tarde de acordo com o horário escolar da criança…

    Como neste mês a frase da Palavra de Vida que procuro por em prática é “Dai e vos será dado. Uma medida boa, socada, sacudida e transbordante será colocada na dobra da vossa veste”. (Lc 6,38) partilho este sonho!

    Maria Inês

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