Archive for janeiro, 2009

O QUE LEVAREMOS DESTA VIDA

segunda-feira, janeiro 26th, 2009
Escultura de ennio Bernardo

Escultura de Ennio Bernardo

* Gerson Abarca

Meu domingo de 25 de janeiro de 2009, foi marcado por velórios de três pessoas conhecidas do meu cotidiano: Cida ( Ministra da Eucaristia da Paróquia que participo) e o casal Marino e Aparecida ( cooperados da mesma escola em que meus filhos estudam).

Cida sofreu um AVC e não conseguiu ser socorrida em tempo para procedimentos mais especializados. Pessoa de ampla participação na Igreja, onde exercia a função de Ministra da Eucaristia juntamente com seu esposo. Com apenas 44 anos, sem indícios de complicações de saúde, sua morte pega a muitos de surpresa. Os acidentes neurológicos chegam na maioria de suas vítimas de surpresa. Não saímos aí à toa fazendo exames neurológicos, só quando surge algum sintoma, mas no caso do AVC, o sintoma pode ser fatal, como no caso da Cida. Durante o sepultamento seu esposo expressou seu sentimento de perda, mas nos deixou uma bela lição: “Perdi minha esposa para Jesus, pois sou testemunho de sua fé e sei que estará bem próxima do pai, este é meu consolo”.

O casal Marino e Aparecida foram vítimas de mais um acidente automobilístico na BR 101-ES. Desta vez por imprudência de um motorista de carreta que transporta eucaliptos para a Aracruz Celulose. São muitos os episódios de acidentes provocados por motoristas destas carretas. Parece-me que não estão sendo monitorados no processo de direção defensiva, ou se estão não colocam em prática. Logo pela manhã do sábado de 24 de janeiro, o casal sai para passear com seus filhos, dois rapazes, e pela imprudência deste motorista que não parou após o acidente para prestar socorro, são forçados a jogarem o carro pelo acostamento caindo pela ribanceira em direção ao rio. Muitos visinhos e outros motoristas tentaram socorrer só saindo com vida os filhos que estavam no banco traseiro. Marino, servidor público da Petrobrás, com um grande envolvimento no município, sempre colaborando. E sua esposa Aparecida, sempre presente na educação dos filhos. Uma família na qual somos testemunhas da idoneidade e zelo pela ética e moral.

Mortes que nos deixam estagnados, pois se trata de situações em que todos nós podemos passar. Acidente vascular cerebral, que pode pegar a qualquer um sem menos esperar; acidente automobilístico em que basta estar na estrada, principalmente na BR 101, para ser vítima, mas sempre chega quando menos esperamos.

Destes que velamos no dia 25 de janeiro, boas lembranças temos de sobra para contar. E é neste ponto que me despertou inspiração para escrever este artigo – O QUE LEVAREMOS DESTA VIDA –

Aproveitar o dia, a cada dia. Vigilantes e atentos para que quando nossa hora chegar possamos levar uma alma pronta para se encontrar com Deus. Por isto uma alma leve, livre dos bens materiais; cheia de lembranças das parcerias de solidariedade vivida durante nossa existência na terra; ávida em ver ao Pai; clara como clara é a prática do bem na qual deixamos marcados nosso encontro do cotidiano. LEVESA, SOLIDARIEDADE, AVIDEZ, CLAREZA. Enfim, poder estar preparado para levar aos céus uma alma carregada de AMOR vivido e testemunhado.

Este caminho de estar preparado a cada dia para quando chegar a morte convidando-nos a partir, parece que soa como um viver a própria vida esperando só a morte. Mas ao contrário, estar vigilante é estar ativo para a vida, com a diferença de estarmos preparados para que pelo menos nossa alma siga seu caminho. Pois do contrário, se vivermos atolados pelas preocupações, produções, poder, perseguições, amarrados pelo mal, apegados no ter, contando patrimônios, nossa alma não conseguirá seguir ao encontro do Pai. Pois estará Amarrada no apego terrestre. O próprio Pai nos alertou por intermédio de Jesus que é preciso vigiar e orar porque não sabemos o dia e nem a hora que seremos chamados.

No Domingo, recebia telefonemas de parentes das vítimas para que os orientasse em relação aos filhos que ficaram. Alertava aos familiares que nestas horas a Psicologia têm muito pouco a contribuir, que neste momento de dor pela perda o melhor caminho é o encontro afetivo dos entes queridos. O que fica nos pêsames dos parentes e amigos quando perdemos um parente, não são as palavras, mas sim o abraço carinhoso, este sim diz tudo. Outro fator que consola e muito, aliás , que mais consola, é a Fé, pois esta trás a esperança da vida para uma nova vida. Aí, o que vale é a prática religiosa. Por isto que alertava as famílias da necessidade de chamar os amigos de Fé e de caminhada daqueles jovens, os filhos que ficaram.

O que estarei fazendo quando a morte chegar? Perguntaram a Santo Agostinho o que ele faria se soubesse que a morte o chamaria dentro de cinco minutos. Ele respondeu com muita tranqüilidade que continuaria fazendo o que estivesse fazendo, pois sabia que seu tempo estaria sendo dedicado às coisas do Pai. Assim a morte para ele representava apenas mais um episódio de passagem, de uma vida que continuará seguindo seu ciclo.

* É Psicólogo, psicoterapeuta. Diretor do Instituto Pensamento

OBAMA E A AUDÁCIA DA ESPERANÇA

quinta-feira, janeiro 22nd, 2009

OBAMA E A AUDÁCIA DA ESPERANÇA

*GERSON ABARCA

Em 20 de janeiro de 2009, o planeta terra e seus habitantes assistem a posse do novo Presidente dos Estados Unidos Barack Obama . Acompanhando diversos jornais impressos ou televisivos e lendo diferentes comentaristas, observei que há uma grande expectativa positiva em torno deste acontecimento. Por muitos motivos e singularidades: o primeiro negro a tomar posse como presidente da nação mais poderosa do planeta; um líder político que é eleito pela força da palavra, palavras que encaixam com o desejo da população mundial pela paz, solidariedade e justiça social. Já no seu primeiro dia como presidente, Obama congela os salários do primeiro e segundo escalão de seu governo para que o exemplo de contenção de despesas e coerência com a população em tempos de crise econômica venha de cima.

Puro jogo de publicidade? Ou como alertou o presidente da Venezuela Hugo Chaves “…não podemos esquecer que o império americano tem sede de domínio”, como se ele não sofresse desta síndrome, quando novamente lança um plebiscito para se perpetuar no poder. Mas a maioria dos líderes políticos ou religiosos no mundo apontam com bons olhos a era Obama.

Sou um cidadão que desde a adolescência participou de atividades políticas, desde grêmios estudantis até partido político. Carrego a formação do socialismo democrático, tendo como mestres os cristãos Plínio de Arruda Sampaio e Hélio Bicudo. Gosto de ressaltar estes como cristãos porque criou-se a idéia que a ideologia socialista era coisa de ateus. Sempre estive envolvido com processos políticos e movimentos sociais, e com o tempo a aridez do embate social por justiça e direitos iguais foi conduzindo-me a ver a nação americana como um império com sede de poder e domínio. Na trajetória de muitos presidentes, pelo menos daqueles que fui relacionando a partir de meu crescimento como cidadão, não tive tanta sorte assim. Entre atores, folclóricos e sanguinários, vi poucas ações verdadeiramente solidárias da mais poderosa nação do mundo. E com isto, o grande erro que os impulsos juvenis acabaram por consolidar, era de considerar que todo o povo americano é semelhante ao comportamento de seu presidente. Até para aprender inglês eu criei uma resistência cultural.

Mas, alguns amigos que trabalham e estudam nos Estados Unidos foram mostrando-me que a relação comportamental entre presidente e povo americano, não se dá nesta relação direta e unilateral, o que comprova pela eleição de Obama. Assim , passei a observar com mais critério o sistema eleitoral à presidência deles. Até então pensava que aquele povo era tão alienado que não comparecia às urnas em massa, pensava: se eles são tão evoluídos, como não vão às urna escolher seu presidente em massa? Mas na verdade, o longo processo eleitoral que começa com as disputas internas dos partidos, percorre uma agenda de amplos debates, onde o dia da eleição é apenas um detalhe, parece ser apenas um referendo de uma decisão já tomada pelo povo. Comparando hoje com o sistema eleitoral brasileiro não tenho dúvidas que temos muito que aprender com eles.

Mesmo assim, os resultados nem sempre foram os mais favoráveis. Mas desta vez parece que o processo fugiu a uma tendência das últimas eleições um tanto atrapalhadas. Obama surpreendeu à todos, com certeza menos a ele. Depois de ler seu livro “ A audácia da Esperança – Reflexões sobre a reconquista do Sonho Americano”, passei a ter a certeza que o Presidente Americano de hoje é um homem pragmático em seu pensar e agir , e há sinceridade, transparência e audácia em seu pensamento. No livro, Obama nos convida a fazermos uma bela viagem no sistema político Americano a partir de sua trajetória pessoal, desde familiar até política, perpassando pelas experiências como líder comunitário e profissional em advocacia. O estímulo a seguir a carreira política foi a percepção de que seus compatriotas estavam perdendo a identidade de um povo que cresceu pelas conquistas e sonhos por uma nação soberana.

Alguém, destes intelectuais de universidade que costumam acreditar que o melhor é só aquilo que é produzido dentro da universidade, fez uma brincadeira de mal gosto e com uma leve pitada de inveja: “Mas quem escreveu este livro foi a equipe técnica dele” ; comentários deste tipo também são feitos por docentes universitários em relação ao nosso Presidente Lula: “mas ele não sabe nem escrever”. Parece que temos uma semelhança, respeitadas as suas proporções culturais: Obama um negro, Lula um nordestino operário e os comentários preconceituosos.

Cruzando os discursos de Obama, com algumas atitudes em público e seus pensamentos publicados, posso dizer sem medo de errar – vale a pena acreditar que estamos vendo acontecer um novo tempo para o povo Americano, que com certeza trará bons resultados para o fortalecimento da cultura da paz e do diálogo na diversidade entre as nações do planeta terra – . Sabemos que não haverá um salvador, um milagreiro. O próprio Jesus Cristo disse: “Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”. Administração pública não é uma atividade religiosa. Mas se a liderança política de uma nação carrega em si o foco na esperança, milagres podem acontecer.

Quem viver verá !

* É Psicólogo – Psicoterapeuta. Diretor do Instituto Pensamento. Conselheiro Efetivo no Conselho Regional de Psicologia -ES

CAMINHOS PARA O SUCESSO CONJUGAL

segunda-feira, janeiro 19th, 2009

*Artigo pelos 18 anos de vida matrimonial que celebro hoje com minha esposa Maria Celina

Como garantir que um casamento tenha sucesso?

Esta pergunta norteia a vida de milhares de noivos que pretendem se casar. Aliás, por mais que as pesquisas dizem que há um aumento de casais se separando, as pessoas continuam querendo se casar. Mesmo aqueles que se separam acabam sonhando com um novo relacionamento, na expectativa da felicidade conjugal. Esta tendência da humanidade revela a grande força que há no casamento e prova que a instituição familiar é inabalável. Sabemos que a família tem como alicerce o casal. Mesmo com a emergência de novas formas de se constituir famíla, é do casal a base para a instituição familiar. Por que será que uma separação conjugal imatura ( 99% delas são), leva de 25 a 30 anos para ser elaborada emocionalmente ? Exatamente porque o casamento carrega em si a expressão institucional familiar que é milenar. Não é a toa que “Deus se fez Carne…”  (Jo,1) em um casal – Maria e José – .

Mas o caminho que leva ao sucesso conjugal requer detalhes e cuidados:

1) Ter sido um encontro amoroso de duas pessoas inteiras, amadurecidas;

2) Ser cultuado o ramance conjugal, através dos carinhos, carícias e poesia. A manutenção da expressão afetiva do amor  sentido um pelo outro;

3) Estar atento às diferenças de um e de outro, não caindo na tentação de querer fazer que o outro seja igual a você. Lembre-se sempre, que foi o algo diferente que atraiu vovês;

4) Saber que há escolhas pessoais e que devem ser partilhadas, onde deve-se constituir-se planos em comum. O casal em si possui objetivos em comum, e os objetivos pessoais devem estar interdependentes deste objetivos em comum. Ao se consagrarem ao matimônio, o casal assume a constituição de uma nova família;

5) Cuidar do parceiro (a) para que o corpo e sua potencialidade erógena seja cultivada ao longo do casamento, pois o prazer sexual conjugal é um dos presentes oferecidos por Deus para que o casal tenha o ápice da manifestação do amor vivenciado um pelo outro. Por isto memo que a Igreja Católica preconiza aos casais o uso do Planejamento Natural da Família, que comprovadamente ajuda no cuidado do corpo potencialmente orgástico;

6) Ter na casa, o templo de configuração da família, e no quarto do casal o espaço sagrado da manifestação das intimidades, desde as de partilha das particularidades mais íntimas até a expressão do prazer sexual;

7) Preservar a convivência de ajuda mútua, em que a parceria nas ações sejam vividas no clíma de fraternidade. O fazer juntos as atividades do lar, e com os filhos, dividindo tarefas;

8) Ter nos filhos a responsabilidade da paternidade e maternidade, mas sabendo que Deus os coloca na vida conjugal por um período muito curto da existência conjugal. Lembre-se que Jesus aos trinta anos foi para sua Missão. Filhos existem na dinâmica conjugal enquanto responsabilidade direta até quando eles ainda estão se amadurecendo. Mas depois eles crescem, e o casal permanece. O zelo pelo casal ajudará para que não aconteça a “simdrome do ninho vazio”;

9) Ter na pessoa de Jesus Cristo o Centro da constituição matrimonial. Por isto mesmo Matrimônio, se não seria só casamento, ou quem sabe acasalamento. Lembre-se que os animais se acasalam e nada mais. Em Jesus temos a certeza  que há a proteção Divina. Não se esquecendo que em Nossa Senhora, temos a grande intercessora, que nos conduz à Jesus em seu Manto Sagrado;

10) Que nosso matrimônio é uma missão para sempre, como nos tornamos Sacerdotes, Profetas e Reis pelo Batismo, com o Sacramento do Matrimônio nos tornamos missionários em defesa da Família. Pelo casamento, sabermos diariamente que  nosso testemunho é sinal de vida , é sal na terra, é luz para o mundo.

* Entre também nos blogs “Sermulher” e “Parceirosdavida”. Aqui mesmo no site da Canção Nova

MANGUE, O SUSPIRO DO MAR

quinta-feira, janeiro 15th, 2009
Pedro de Bauru-SP e Davi de São Mateus-ES no mangue de Conceição da Barra

Pedro de Bauru-SP e Davi de São Mateus-ES no mangue de Conceição da Barra

Uma das praias mais belas do litoral Capixaba é no município de Conceição da Barra. Situada ao norte do município, recebe as águas do rio preto onde forma um grande mangue. Pode-se banhar no rio e ao mesmo tempo na praia. Um cenário maravilhoso, onde nos trás a tranquilidade com as crianças, pois na maré baixa o delta do rio fica muito raso e possibilita que as crianças fiquem livres e soltas. Todos os turistas  nossos amigos que projetam viagem para o sul da Bahia, de passagem pala BR 101, acabam atracando em casa, São Mateus-ES, e Barra Mares (nome ao qual damos o local) é roteiro marcado em nosso cardápio turístico.

Mas, nem tudo é maravilha. Onde têm gente é diferente. Ao passearmos pelo mangue, e caminharmos por entre as raizes aeróbicas característico de  sua vegetação, observamos um grande número de lixo com pouca estrutura biodegradável, como garrafas e saquinhos de plástico.

Como o mangue é o suspiro do mar, ele alimenta a biodiversidade marítima, tudo o que é gerado nele vai ao mar e vice-versa. Também acontece com o lixo produzido pelo ser humano na praia, quando não recolhido , vai ao mar e para no mangue. Meu filho Davi Tainã, indignado ao ver tanto lixo no mangue, imaginava que as pessoas despejavam o lixo diretamente no mangue, como se fosse um grande lixão. Mas não, disse-lhe que era todas as porcarias que depositamos na areia da praia e que retornavam para o mangue.

O problema disto tudo, é que o mangue é o alimento para o mar. Com o lixo que vai sendo absorvido por entre as raízes da vegetação, teremos o processo de poluição fazendo cumprir seu ciclo. Assim o mangue deixa de ser produção de biodiversidade para o mar e passa a sustentar e manter a poluição marítima.

Uma simples ação transforma esta cruel realidade dos turistas do litoral brasileiro – É SÓ NÃO JOGAR LIXO NA AREIA DA PRAIA – simples não?

Mas enquanto isto o ser humano vai cumprindo sua vocação auto-destrutiva.

Hoje, meu sobrinho Pedro, da cidade de Bauru-SP, que está passando férias em São Mateus-ES, estava se esbaldando na praia de Guriri- Balneário da cidade, quando vejo ele colocando um saco plástico deixado por turista na sua sunga. Perguntei para ele o que estava acontecendo e ele respondeu lembrando-me da aula que recebeu no passeio que fizemos no mangue de Barra Mares.

Olha, criança é assim mesmo, se a contagiamos,

Mangue de Conceição da Barra-ES

Mangue de Conceição da Barra-ES

sensibiliza-se e começa a agir. Parece-me que o caminho é por aí. Como já nos lembrava Jesus Cristo:”Vinde a mim as criancinhas, pois é delas o reino de Deus”.

AS FÉRIAS DAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES

quarta-feira, janeiro 14th, 2009

Nossas férias estão reduzidas. Nossas crianças e adolescentes entram em férias aproximadamente por dois meses no ano todo. Enquanto que na Itália elas ficam de férias por quatro meses.

Mas se formos pensar que o Brasil é um país turístico, teremos consciência de que nosso ano escolar não está adequado ao potencial turístico que a nação possui. Assim também ocorre com o calendário escolar em regiões agrícolas, quando chega a safra do café, muitas famílias se dedicam exclusivamente à colheita e com certeza teriam nos filhos um ganho a mais . Não que as crianças trabalhariam, mas colaborariam na organização dos procedimentos para o período de colheita.

Já vi municípios realizaremo calendário escolar agrícola, mas ainda estou para ver algum município que organize o calendário escolar turístico.

O problema de aumentar o tempo de férias, está em o que fazer com a criançada. Os pais trabalham, poucos tiram férias, e poucos possuem recursos para guardar dinheiro extra . O resultado é uma enorme pressão dos pais para que as férias sejam mais curtas, mais do que já são. Pois não sabem onde colocar as crianças e adolescentes, e no final das contas eles ficam incomodando muita gente pelas ruas, pela casa, e salve o computador . Nas férias as crianças ficam restritas às telinhas ou dos computadores ou televisores.

Meios para se potencializar o período de férias existem. É necessário vontade política das instituições educacionais, tanto particulares como públicas. Afinal de contas, pagamos as mensalidades de nossos filhos da mesma forma; os professores por sua vez não tiram férias coletivas; e as administrações públicas poderiam potencializar seus programas para atingir o maior número de crianças e adolescentes em atividades criativas . Pena que poucos vêem com bons olhos atividades que não sejam só direcionadas a processos educacionais ou de aprendizado de conteúdos. Educação é sala de aula e basta. O sistema está “burro”.

Por isto, que enquanto não temos um amplo sistema público de aproveitamento das férias associada com nosso grande potencial turístico brasileiro, o caminho é sermos criativos como pais, para que no final das férias escolares nossos filhos não estejam estressados por não terem feito nada além do que jogar eletrônicos.

ESPÉCIE AUTO DESTRUTIVA

quarta-feira, janeiro 14th, 2009

ESPÉCIE AUTO DETRUTIVA

Acabo de ler o maravilhoso livro “ A menina que roubava livros”, nele o jovem escritor australiano Markus Zusak consegue unir a ficção com a realidade. A ficção de uma menina que se estimula à leitura através da arte de roubar livros com a história real do período obscuro do nazismo, que eliminou milhões de civis. Na apresentação do livro “Quando a Morte conta uma história, você deve parar de ler.”, nos aterroriza de saber que quem está contando a história é a morte, que está lado a lado com a menina que roubava livros, sem no entanto a menina morrer. Parece ser ela o sinal da vida diante das atrocidades das guerras humanas.

Mas, enquanto terminava mais esta leitura fantástica, os telejornais anunciavam a morte de centenas de civis na faixa de Gaza , no conflito entre Israel e Palestina. Sobra novamente para crianças e mulheres, cidadãos comuns. No afã destrutivo do ser humano em estado de ódio, não existe convenções internacionais capazes de conter a voracidade humana. A ONU ( Organização das Nações Unidas ), novamente fica como mera instituição figurativa. Nada consegue deter a cegueira humana pelo desejo de poder. Aliás, foi pelo poder que Adão e Eva introduziram o pecado na humanidade, pelo poder de dominar a arvore da ciência do bem e do mal. Este legado estamos até hoje carregando em nosso arsenal genético, ou em nosso inconsciente coletivo. O pecado do poder, que fez Caim matar Abel, que continua fazendo a humanidade ser capaz de destruir sua imagem e semelhança.

Só com muita oração poderemos ver surgir um novo homem e uma nova mulher. Só com ações de vida em comunidade e fraternidade poderemos destituir o ser humano de sua sina pelo domínio, pelo poder. Não é a toa que Jesus conclamava as criancinhas, pois delas é o Reino de Deus. Façamos de nossos meios e convívios um compromisso de educação para a paz e o amor, em que construamos uma nova civilização, a civilização do amor. Vivamos em comunidade e fraternidade.

Mas enquanto isto, Palestinos e Israelitas se confrontam, e quem continuam morrendo são as criancinhas.

É como termina o texto de Markus Susak : “Os seres humanos me assombram”.

Provisão da Criança na Saúde e na Doença

quinta-feira, janeiro 8th, 2009

Gerson Abarca*

Quando pensamos neste tema de provisão, remeto-me a visualizar a cena da criança que no dia de natal, ao acordar vê ao lado de sua cama um lindo pacote de presente. Ao abri-lo detecta que seus pais o presentearam com aquilo que realmente ele imaginava querer ganhar. Vê neste ato, o quanto seus pais são sensíveis a ele e o observam e o nutrem na sua necessidade.

Estes pais estão revelando ser suficientemente bons na medida em que estão atentos à necessidade do filho. Estão suprindo de condições de saúde física e emocional, onde podem oferecer um brinquedo (condição social); cultuam a cultura (consciência do existir no mundo), provocam a espera (remontando a espera satisfatoriamente gratificada do ato de mamar na época de bebê), atenção às necessidades do filho (é observado e amado). Outras situações sociais onde as famílias não têm o mínimo a ser gerado para a sobrevivência dos filhos, o papai noel representará uma maldade cruel no imaginário tanto dos pais (que não poderão dar presentes) quanto da criança (que poderá associar a situação como falta de atenção dos pais).

Tanto nas condições das famílias com estrutura social como as excluídas socialmente, a provisão terá sua condição estruturante na capacidade dos pais em serem continência afetiva adaptado à realidade social em que estão inseridos. Na família com estrutura social, o natal ou outras festas poderão ser o representativo de uma troca comercializada de presentes sem nenhuma conotação afetiva. Já na família sem estrutura social, os vínculos afetivos podem estar em um alto nível de integração que faz superar as necessidades estruturais da criança. A provisão é uma questão emocional mais que social.

Mas para nosso foco temática, o que nos interessa, é de sabermos que cabe aos pais serem mãos de provisão às necessidades fisiológicas e afetivas(egóicas) do filho. Mãos que acalentam e direcionam o desenvolvimento da criança. Sabendo que no primeiro ano de vida cabe com mais intensidade esta tarefa à mãe, que poderá contar com a sensibilidade de seu esposo para ser contingência dela nas suas necessidades elementares, para supri-la e estar em condições de exercer a maternagem com suficiente condição de integração humana. Como se o esposo (pai) reabastecesse a mãe (esposa).

“Prover para a criança é por isso uma questão de prover o ambiente que facilite a saúde mental individual e o desenvolvimento emocional… Se saúde é maturidade, então imaturidade de qualquer espécie é saúde mental deficiente”. (Winnicott – 1962). A maturidade em foco, pode ser observável em cada etapa de desenvolvimento, conforme o que se espera destas etapas.É observável mesmo ao público mais leigo em psicologia, que uma criança de 8 anos com habito de fazer xixi na cama todos os dias, está com um comportamento que reflete uma imaturidade para sua idade. Aqui temos um sintoma que pode representar um bom sinal aos pais de que há algo fora de lugar. E se estes pais estiverem também fora de lugar para enxergarem a necessidade deste filho, não estarão provendo a criança na doença. Pois uma criança mesmo provida na saúde pode adoecer, e se adoecer o processo de percepção da realidade dos pais será o mesmo, a atenção suficientemente boa, para que haja percepção dos fatores desencadeantes da doença e conseqüente acerto dos procedimentos cotidianos em vista de uma superação. Imagine se no dia de natal, ao abrir o pacote de presente a criança tivesse um efeito surpresa negativo, por ver a insensibilidade dos pais de terem oferecido algo que não estivesse no desejo da criança?

Para as mães, é necessário que sejam vivaz no manuseio cotidiano do filho mas que por sua vez consigam envolver o filho neste cotidiano. Não haverá a necessidade de que saiba tudo o que precisa fazer a cada dia e a cada ano, simplesmente é necessário estar atenta e observar as necessidades que emergem de cada dia, no momento certo. As mães robotizadas e padronizadas na forma de educar (algumas seguem até manuais de condutas), tornam-se pouco provisoras e transformam o processo educacional em condição desencadeante de imaturidades e doenças. Não é a toa que vemos emergir muitos adolescentes altamente dependentes de seus pais no que e como fazer as coisas. Precisam até que os pais os informe sobre o que estudar e que hora estudar para escola, geralmente resultantes educacionais de processos sitematizados em formas de cartilhas educacionais e não adaptados às necessidades cotidianas, sentidas e interagidas com a criança. Os pais, cujos filhos são educados por mães funcionais, são geralmente auditores do sistema educacional familiar, chegam sempre cobrando pelas tarefas realizadas e as censuram em caso de não terem suprido a contento. Estas mães atuam até com medo do esposo que passa a cobrar cotidianamente sobre suas condutas, e na relação com os filhos são ausentes.

A criança precisa ser tratada como criança que é, e não como adulto. Ser provisão no respeito da faixa etária em que a criança se encontra. Pois quando os pais querem do filho mais do que a idade dele pode dar, estarão revelando a insensibilidade e falta de percepção real de quem é o filho que educam.

* É Psicólogo – Psicoterapeuta. Diretor do Instituto Pensamento.

Integração, Personalização e Relações de Objetos

quinta-feira, janeiro 8th, 2009

                                                                                                                Gerson Abarca*

No mundo do bebê recém nascido, é que move os processos de estruturação do ego. Nesta fase se dá o vínculo somático, onde a pele é a membrana limitante. Aqui o bebê deve ser visto como um ser que se encontra no “pique de sofrer uma ansiedade inimaginável”(Winnicotti – 1962), que está relacionado com as gratificações que receberá ou não do ambiente que supostamente estaria pronto para lhe oferecer. A ansiedade é evitada na medida em que a mãe desenvolve sua capacidade de se colocar no lugar do bebê, sabendo do que ele necessita. Na vivência da ansiedade inimaginável, poderá desenvolver variedades de sentimentos vivenciais que vai desde desintegração, sentimento de se estar caindo para sempre, ausência de conexão com o corpo e falta de orientação, o que pode se configurar nas bases das ansiedades psicóticas. Assim, uma mãe suficientemente boa, tende a caminhar na configuração de uma estrutura de ego da criança para que seja superada as ansiedades que potencializam fixações desestruturantes para futuras fases do desenvolvimento humano.                                             

A estruturação do ego na criança passa por três aspectos de cuidado: INTEGRAÇÃO, em que o ambiente está provido das percepções das necessidades básicas do bebê através da mãe suficientemente boa; PERSONALIZAÇÃO onde pelo manejo das necessidades básicas por quem cuida, o bebê integrará a estrutura do corpo (física) com o eu (ser); RELAÇÃO DE OBJETOS onde a mãe não só proverá o bebê nas suas necessidades fisiológicas mas o colocará interagido na vivência satisfatória das necessidades fisiológicas gratificadas, como acontece quando a mãe oferece os seios ou a mamadeira em uma interação afetiva, e não simplesmente obrigatória, tipo: dar a mamadeira com o bebê deitado no berço e deixa-lo mamando por ele mesmo, ou dar o peito desenvolvendo outra atividade sem a devida atenção ao ato de amamentar.                        

Podemos dizer que a integração do ego no desenvolvimento do bebê está diretamente relacionado a capacidade da mãe em suprir as necessidades fisiológicas do filho dentro de um encontro afetivo, isto é , fazendo com que o bebê potencialize necessidades fisiológicas das necessidades egóicas. O bebê integra corpo e mente. O ambiente que não favorece  esta integração remete a fragmentação da estrutura do ego da criança pré-dispondo-a a processos de desintegração do ego e configurando-se nas bases para estruturações patológicas da personalidade e também para processos psicossomáticos. Nos casos psicossomáticos, soa como defesa do bebê a uma ameaça de perda da integração corpo e mente criada pelo ambiente vacilante e não suficientemente bom em que o corpo passa a ser sacrificado pela ausência da gratificação do ego. Parecido com os processos de auto flagelo ou mecanismos de destruição corporal apresentadas por alguns casos de psicose ou transtornos emocionais.                 

Quando observamos pacientes com quadros intensos de desestrutura da personalidade, já no nível de perda do controle egóico, devemos rastrear a trajetória de vida afetiva construída pelo paciente na relação com a pessoa da mãe ou de quem se fez mãe. Base das chaves para uma boa evolução terapêutica estará na percepção das perdas destes vínculos afetivos que se repetem no momento presente de forma inconsciente. Por isto que leva à desintegração emocional e configuração de patologias emocionais. ´

*É Psicólogo – Psicoterapeuta. Diretor do Instituto Pensamento.

FELIZ 2009 COM CRISE

segunda-feira, janeiro 5th, 2009

Feliz 2009 com Crise

Gerson Abarca*

 

 

Estamos terminando 2008 com um único sentimento, CRISE. O sentimento da crise não é nada agradável, é parecido com o da dor, é sinônimo de sofrimento.

Tudo indica que a “marolinha” prevista pelo Presidente Lula não vai ficar só nisto , vai virar tempestade. Nesta semana estava em uma cafeteria e o assunto era a crise econômica. A conversa meio descontraída, gerava uma sensação desagradável em nossos corações – algo meio angustiante – eta! cafezinho amargo… O médico dizia que já estava sentindo a baixa dos pacientes de convênios, principalmente com as descontratações das terceirizadas das empresas que dependem do mercado internacional; o empresário da área de materiais de construção dizia que em novembro e dezembro não executara nenhum pedido, sendo que no mesmo período do ano passado tinha batido recorde de pedidos; e eu só imaginando como que a crise impactará na busca por psicoterapia ou de assessorias empresariais para gestão de pessoas.

O índice de desemprego já bate a casa dos 7%. As artimanhas do Governo Federal em criar mecanismos para sobreviver à crise internacional parece ir esgotando seus últimos recursos. O momento fez-me lembrar da época de meu cursinho pré-vestibular em 1985, em que o professor de história falava que a forma de não errarmos nenhuma questão de história do Brasil era sempre assinalar as questões de múltiplas escolhas que tivessem a palavra CRISE. E sabe que nesta matéria sempre tirava 10. Como conviver com CRISES é algo intrínseco à brasileiros, não tenho dúvidas que nesta CRISE não vai ser diferente, só que esta é internacional.

Diante da CRISE, comecei a pensar em como potencializar comportamentos de superações, daí remeti a reelaborar algumas perdas que a psicologia tem estudado ao longo das etapas do desenvolvimento humano que podem ajudar a entender o lado bom da Crise. Em todas as etapas do desenvolvimento humano só avançamos para novas etapas quando sujeitamo-nos às perdas: no parto o bebê precisa cortar o cordão umbilical para poder configurar-se em um ser que construirá vida própria; quando sai das fraldas, a criança aprende a controlar a glândula esfíncter responsável para dar o sinal ao cérebro na hora de defecar ou urinar; já aos sete anos a entrada na primeira série anuncia uma trajetória de busca pelo conhecimento; aos doze anos a despedida da infância para a adolescência; para aos vinte e dois anos a entrada definitiva na vida adulta. Em todas estas etapas, acontece a CRISE existencial pela perda das regalias e proteções vividas na etapa anterior e entrada em uma nova etapa de mistérios, dúvidas e incertezas. Desta forma podemos entender que só crescemos na medida em que passamos por CRISES, ou só pela CRISE crescemos.

Recebi um texto circular de uma empresa de roupas, que alertava seus clientes em potencializar a CRISE motivando-os a tirar o S da palavra CRISE e utilizar a palavra CRIE. É desta forma que podemos ver valor na CRISE, pois muitas vezes, quando estamos em situações de regalias, abundâncias ou estabilidades, tendemos à acomodação. Passamos a repetir ações e vivenciamos a grande tendência humana “de ser gente para papagaio em um passo”. Estava ficando incomodado com o orquestrado discurso da estabilidade econômica brasileira. Das pessoas adquirindo veículos em longas prestações fixas, como que reproduzindo (copiando o modelo americano) de estimulação ao consumo. E olha aí o efeito papagaio, que ainda não foi mais catastrófico por causa da agilidade da atual equipe econômica do Governo Federal, que têm pautado em estabelecer um modelo econômico com foco na realidade local e menos dependente da ciranda internacional. Mas a CRISE mundial causa-nos um olhar para o próprio umbigo de mantermos solidez nos procedimentos econômicos. Quem chegou 2008 sem dívidas ou financiamentos impagáveis, e com uma certa “estabilidade” profissional, entrará em 2009 com um gás à mais, para transitar no próximo ano sem a “corda no pescoço”. Do contrário, quem foi engolido pelo marketing do consumo, iludido com o crescimento econômico brasileiro, estará passando um Réveillon com um gosto amargo de champanhe Francesa.

Desta forma, o melhor caminho é revisitar-se. Visitar a si mesmo neste ano que se finda de 2008, enumerando todos os potenciais que você possui para superar este tempo de CRISE real. Enumerar todas as ações tomadas em 2008 que foram frutos de ações impensadas, movidas pelo efeito papagaio, para que em 2009 saiba como não repeti-las. Projete-se para 2009 com clareza do seu próprio horizonte, pois se só pensas em chegar até no próximo ano ou se vives com um olhar muito curto para o futuro, qualquer CRISE será motivo de desespero. Mas se tens clareza do que pretende estar fazendo em 2050, verás que 2009 será mais um ano, que se bem vivido fortalecerá seus projetos à longo prazo.

O Instituto Pensamento é uma empresa de prestação de serviços especializada em gerenciar CRISES, pessoais, institucionais e empresariais. Sabemos que toda CRISE é bem vinda, pois só por ela nos mobilizamos em buscar caminhos CRIATIVOS para o bem viver. Entramos 2009 celebrando 10 anos de existência. Em janeiro de 1999 começávamos a empreitada de sermos uma referência para a psicologia na América Latina. Graças aos nossos usuários e parceiros comerciais, estamos entrando em 2009 com muita expectativa de sonhos realizados e a serem realizados, com o grande diferencial de termos nos estruturado pela qualidade, ética e respeito às diferenças. Caminhamos para nossa perenidade, decorrente de ações maduras e sólidas, onde partilho nesta coluna por mais este ano com todos os nossos leitores. Em 2009 estaremos firmes toda terça-feira na coluna Pensamento & Vida do jornal Tribuna do Cricaré, despertando sempre a capacidade criativa de pensar.

Feliz CRISE, feliz 2009. CRIE com a CRISE.

*É Psicólogo – Psicoterapeuta. Diretor do Instituto Pensamento.

 

MISSIONÁRIOS CANÇÃO NOVA EM TERRAS CAPIXABA

segunda-feira, janeiro 5th, 2009

O casal Marquinhos e Fabiana Azambuja e seus filhos Paulinho e Maria Tereza ( e João Gabriel na barriga), estiveram em São Mateus-ES durante uma semana. Puderam curtir a quente praia de Guriri e conviverem com diferentes famílias. O Marquinho revelou seu talento culinário, só para deixar-nos com água na boca, ele sabe tudo de macarronadas e vinhos. Na passagem de ano fez um belo estrogonofe.

Além de termos oferecido a eles uma “santa mini férias”, eles nos retribuiram com momentos de oração de intercesão; terço em família e muita música. Uma sadia convivência de famílias cristãs e renovadas!

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