Archive for março, 2009

Ensaio sobre a cegueira

terça-feira, março 31st, 2009

            O filme Ensaio Sobre a Cegueira dirigido pelo cineasta brasileiro Fernando Meirelles, baseado no romance de José Saramego (Nobel da Literatura) é no mínimo intrigante. Ao terminar o filme senti desejo imediato de ler o livro. Sabemos que Saramego é um escritor cuja marca é intrigar, fazer-nos sair do senso comum. Sua obras são muito filosóficas. O filme segue este mesmo caminho.

            Respeitando a classificação indicativa de 16 anos o filme é um excelente instrumento de análise da humanidade na atualidade. Nos coloca diante de temas como: luxuria, poder; limites fisiológicos; meio ambiente; prostituição; infidelidades, enfim todas as mazelas humanas que nos remete ao estado de cegueira.

            Nossas cegueiras nos colocam diante da tão frágil humanidade.

            Na noite em que assisti ao filme, havia uma festa rolando ao lado de minha casa e na pracinha da mesma rua um grupo de jovens bebiam cervejas sob a proteção de seus pais (ou cegueira deles). Na manhã seguinte de um belo domingo, a pracinha estava cheia de latinhas de cervejas, contei 14, para 3 jovens. Pratos de bolo e pedaços bolos espalhados pela grama. Ali, ao meu lado, uma cegueira. Nem para limparem a sujeira aqueles jovens se prestaram. Depois fui à praia e ao fazer minha inspirada caminhada fiquei meditando sobre as minhas próprias cegueiras. No caminho deparei-me com pelo menos 20  águas-vivas, que segundo oceanógrafos o crescente número de água-viva no oceano é resultado da poluição oceânica. A água-viva se alimenta da poluição. Daqui a pouco nem na praia poderemos nadar.

            Vale a pena assistir ao filme.      

*Gerson Abarca é Psicólogo e Diretor do Pensamento – Instituto de Psicologia e Pedagogia

Legalizar drogas não acaba com o crime – afirma ONU

segunda-feira, março 30th, 2009

“A Humanidade deveria aceitar a pedofilia e o tráfico de pessoas ou dar armas por um senso ingênuo de que é inevitável ou intratável?” Nos questiona o chefe do escritório das Nações Unidas contra a droga e o crime (UNODC), Antônio Maria Costa.

            Para Antônio, a legalização das drogas não vai resolver o problema do crime. Na reunião anual da Comissão de Narcóticos da ONU, realizada no mês de março 2009 em Viena foi apontado o aumento da influência dos narcotraficantes em compras de partidos políticos, eleições, onde se observa a relação direta com o poder.

            No mundo aproximadamente 208 milhões de pessoas consomem drogas pelo menos uma vez por ano, 4,9% da população mundial entre 15 e 64 anos.

            A posição da ONU soa conservadora para alguns países, que diante do descontrole sobre o consumo de drogas passam a pensar em formas menos radicais e mais conciliadoras para as ações públicas em torno desta questão.

            Este debate faz-me lembrar de uma situação em que fui colocado na “sinuca”, quando em uma roda de profissionais liberais o assunto era a discriminação das drogas, daí a pouco surge uns cigarretes da maconha e os adeptos começam a usar no meio de todos. Levantei voz e questão perguntando para aqueles adeptos de qual traficante eles tinham adquirido aquela maconha, em menos de cinco minutos a droga desapareceu. Nunca mais fui chamado a freqüentar festa de “bacanas”. Com certeza antes de aceitar perguntaria se haveria droga ilícita rolando.

            Nesta semana, só no município que resido de pouco mais de 110 mil habitantes, três jovens foram eliminados por traficantes. Eram usuários de Crack e com certeza estavam endividados.

            A liberdade das drogas é um caminho que institucionalizará oficialmente os cartéis do narcotráfico como entidades idôneas no Brasil.

            Quem sabe isto já não seja indicio de uma outra profecia, que dentre em breve estaremos sendo governados por bondosos narcotraficantes.

            Se a humanidade for liberar todo tipo de comportamento desviante que encontra-se em continuo aumento de prática, estará decretando por antecipação o seu fim. Bem mais cedo do que alguns cientistas já previram.

 

 

*Gerson Abarca é Psicólogo e Diretor do Pensamento – Instituto de Psicologia e Pedagogia

O PAPA ESTÁ CERTO - CONFIRMA PESQUSADOR DE HARVARD

segunda-feira, março 30th, 2009

Página do Dr. Edward Green, no site da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos

“Eu sou um liberal nas questões sociais e isso é difícil de admitir, mas o Papa está realmente certo. A maior evidência que mostramos é que camisinhas não funcionam como uma intervenção significativa para reduzir os índices de infecção por HIV na África.”

Esta é a afirmação do médico e antropólogo Edward Green, uma das maiores autoridades mundiais no estudo das formas de combate à expansão da AIDS. Ele é diretor do Projeto de Investigação e Prevenção da AIDS (APRP, na sigla em inglês), do Centro de Estudos sobre População e Desenvolvimento da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Uma das instituições educacionais mais prestigiadas do mundo.

Na terça-feira, 17 de março, em entrevista concedida a jornalistas no avião papal rumo à África, Bento XVI afirmou que a AIDS não vai ser controlada somente com a distribuição de preservativos. Para o Pontífice, a solução é “humanizar a sexualidade com novos modos de comportamento”. Por estas declarações, o Papa foi alvo de críticas.

Dr.  Edward Green,  com 30 anos de experiência na luta contra a AIDS, tratou do assunto no site National Review Online (NRO) e foi entrevistado no Ilsuodiario.net.

O estudioso aponta que a contaminação por HIV está em declínio em oito ou nove países africanos. E diz que em todos estes casos, as pessoas estão diminuindo a quantidade de parceiros sexuais. “Abstinência entre jovens é também um fator, obviamente. Se as pessoas começam a fazer sexo na idade adulta, elas terminam por ter menor número de parceiros durante a vida e diminuem as chances de infecção por HIV”, explica.

Green também aponta que quando alguém usa uma tecnologia de redução de risco, como os preservativos, corre mais riscos do que aquele que não a usa. “O que nós vemos, de fato, é uma associação entre o crescimento do uso da camisinha e um aumento dos índices de infecção. Não sabemos todas as razões para isto. Em parte, isso pode acontecer por causa do que chamamos ‘risco compensação'”.

O médico também afirma que o chamado programa ABC (abstinência, fidelidade e camisinha – somente em último caso), que está em funcionamento em Uganda, mostra-se eficiente para diminuir a contaminação.

O governo de Uganda informa que conseguiu reduzir de 30% para 7% o percentual de contaminação por HIV com uma política de estímulo à abstinência sexual dos solteiros e à fidelidade entre os casados. O uso de camisinhas é defendido somente em último caso. No país, por exemplo, pôsteres incentivam os caminhoneiros – considerado um grupo de risco – a serem fiéis às suas esposas.

 

TUDO O QUE VOCÊ QUER SABER SOBRE SEXO - OBA!

sábado, março 21st, 2009

– SEXO É SEXO…

– COMO ASSIM?

– É O QUE ESTÁ SECCIONADO.

– CONTINUO NÃO ENTENDENDO.

– É O MASCULINO E O FEMININO.

– MAS COMO ASSIM?

FAZENDO A SEGUINTE PERGUNTA: QUAL É TEU SEXO?

– O MEU! É FEMININO.

-SEXO É ISTO, SIMPLESMENTE.

– AH! AH! AÍ NÃO VALE…

– SABIA QUE VOCÊ ESTAVA PENSANDO NAQUILO!!! MAS AQUILO NÃO É SEXO, É RELAÇÃO SEXUAL GENITAL. O PROBLEMA É QUE NO CAMPO DA SEXUALIDADE A GENTE TENDE A QUERER COMPLICAR AS COISAS.

Leia mais nos artigos deste blog na categoria sexualidade.

*Gerson Abarca é psicologo e diretor do Pensamento – I. P. P

TRANSTORNOS EMOCIONAIS TÊM CURA

sábado, março 21st, 2009

 

Tenho recebido uma média de 700 visitas

diariamente neste blog. Pelo menos 60% destes

leitores entram nos artigos da Categoria

Transtornos Emocionais, visando tirar dúvidas

sobre os sintomas e quais os meios para

tratamento.

 

O MELHOR CAMINHO

Procure um profissional de Psicologia ou Psiquiatria e solicite uma avaliação a partir dos seus sintomas. Cuidado para que os profissionais sejam Médicos ou Psicólogos devidamente registrados nos seus Conselhos de Classe.

TÊM CURA SIM

Os transtornos emocionais bem diagnosticados, e com acompanhamento medicamentoso e psicoterapia continuada , podem evoluir para uma alta, onde o paciente já terá superado os sintomas e terá desenvolvido critérios para manusear futuras crises quando surgirem.

 

O MELHOR TRATAMENTO É AQUELE QUE NÃO PROMETE CURA, MAS QUE POTENCIALIZA O PACIENTE A APRENDER LIDAR COM SEUS SINTOMAS

TEMPO DE TRATAMENTO

No mínimo dois anos de monitoramento medicamentoso com psicoterapia continuada, para começar a ver alguns sintomas de melhora.

TRANSTORNOS MAIS COMUNS DA ATUALIDADE

Síndrome do pânico ; TOC ; Bipolar ; Ansiedade Generalizada .

 

* Gerso Abarca Psicologo e diretor do Pensamento – Instituto de Psicologia e Pedagogia infantil

A MANIA DE MENTIR DE MUITOS POLÍTICOS É ANTIGA

quinta-feira, março 19th, 2009

´

* Gerso Abarca

Ao estudar o livro do Êxodo entre os capítulos 7 e 11, podemos observar que aos políticos a tentação da mentira e enganação é uma das mais difíceis de serem superadas. E olha que o Êxodo narra a  saída de Israel do Egito por volta de 1250 aC. São nada mais nada menos que 3250 anos em que temos relatos históricos da prática de se prometer e não cumprir.

No Êxodo temos as cenas de negociações de Moisés e Aarão com o faraó, o chefe maior do Egito, para que o povo de Israel pudesse partir para adorar ao Senhor e oferecer sacrifícios. Durante as 10 pragas que Deus manifestou contra o Egito para mostrar Seu poder, o faraó assustado prometia liberar o povo de Israel mas assim que Moisés eliminava a praga imposta por Deus,  recuava na sua promessa impedindo o povo de partir.

Hoje é o que podemos observar na prática da maioria dos políticos que ocupam cargos executivos ou de legisladores. Prometem o mundo e fundo, principalmente que irão governar e legislar em benefício dos menos favorecidos ( pois estes são a maioria absoluta dos que votam neste país ), mas quando assumem o poder recuam e acabam legislando por causa própria ( veja a recente tentativa do Congresso Nacional em aumentar novamente o salário dos Deputados e Senadores em plena crise econômica mundial). Ou os Executivos, Prefeitos e Governadores que na sua maioria transformam as repartições públicas em um grande trem da alegria de amigos políticos.

Estamos carentes de lideranças como  Moisés e Aarão no meio de nós. Eles no Êxodo desafiaram o faraó, podendo sofrer o martírio. Há bem pouco tempo, o Bispo de Goiás Dom Tomas Balduino declarara que uma Igreja sem Mártires era uma igreja sem profetismo. Denuncia e anúncio são realidades de qualquer ação missionária Cristã. Como no Êxodo, Moisés lidera o povo de Israel à terra Prometida, nos dias de hoje precisamos continuarmos o caminho rumo a Parusia ( volta gloriosa de Jesus Cristo ).

Uma Religião que busca apenas os benefícios pessoais é a tentação que têm lotado templos de seitas pentecostais.

A Igreja de Cristo não foje do compromisso de promover a paz, esperança, solidariedade, justiça. Somos novos Moisés a caminho. Do contrário estaremos apenas fazendo manter os políticos nas suas tramas da corrupção, e conduzindo o povo a sua destruição.

O melhor é não fugirmos de uma mesa de negociação política como entre Moisés e o faraó. E veja que Deus os faz irem juntos ( comunidade ). Mas melhor ainda é não acreditar em palavras cujo vento as dissolve pelo ar.

É por mero jogo político que hoje milhões de trabalhadores estão desesperados em suas casas pela perda de emprego. A política internacional não criou um decreto que garanta a proteção do emprego e do salário em todos os paises do mundo. Só nesta questão temos um grande embate político para provocarmos e lutarmos. Para vermos os bens desta terra enfim repartidos.

* Psicologo e diretor do Pensamento – Instituto de Psicologia e Pedagogia infantil

NA CRISE PESSOAS SÃO PEÇAS DESCARTÁVEIS

quarta-feira, março 18th, 2009

*Gerson Abarca

 

Não é verdade que os bens que a humanidade produz são para a alegria e felicidade de todos?

Não é verdade que trabalhamos tanto para termos alguns benefícios de bem estar?

Não é verdade que este planeta terra é dominado pela espécie humana, pois a ela foi dado a capacidade de pensar, criar e multiplicar?

Não é verdade que se pertencemos a uma mesma espécie,  não somos estranhos uns dos outros?

NÃO É VERDADE…NÃO É VERDADE…NÃO É VERDADE!!!!

Na história da colonização brasileira  os portugueses adentraram territórios das terras de Santa Cruz, destruindo culturas indígenas e cometendo genocídios, graças aos guias também indígenas.

Na Africa, negros eram acorrentados com destino ao continente americano, graças aos guias negros daquele continente.

E hoje, os Tesoureiros das grandes empresas, quando se deparam com esvaziamento dos cofres econômicos, penalizam de antemão seus irmãos trabalhadores nas demissões em massa.

O Capital gerado no mundo, em crise, afeta diretamente aos humanos.

A “lorota” dos gurus em Gestão de Pessoas, de que o maior patrimônio intelectual de uma empresa são seus colaboradores, só funciona em tempos de “vacas gordas” nos cofres das empresas. Nas “vacas magras”, este patrimônio intelectual é o primeiro a ser dispensado.

Nos três primeiros meses deste ano, ja são mais de 800 mil desempregados só no Brasil. Na Grã- Bretanha, chega a casa dos 2 milhões.

Na crise, mais importante que as pessoas, é o dinheiro. A maior prova de que pessoas são peças descartáveis.

 

*Psicólogo e diretor do Pensamento – Instituto de Psicologia e Pedagogia Infantil

COM OS FILHOS NO ESTÁDIO DE FUTEBOL - ENTRE PALAVRÕES E RAIVAS

sábado, março 14th, 2009

*Gerson Abarca

Hoje fui ao estádio de futebol com meus filhos Davi e Helder. Nosso time São Mateus-ES está em primeiro lugar no campeonato estadual da primeira divisão. Fomos conferir esta boa sequência de vitórias do time. Também porque ir ao estádio nos coloca diante de milhares de pessoas que normalmente não encontramos em nosso cotidiano. É um exercício para além de antropológico.

Porém nosso dilema é o de ter que conviver com uma torcida raivosa, e que nos contamina também, principalmente se o time é fraquinho, mesmo estando em primeiro lugar. Mas o pior é ter que conviver com os palavrões.

Meu menino Hélder de 6 anos, ficava o tempo todo pedindo para os adultos ao seu redor pararem de falar aqueles palavrões. Mas daqui a pouco ele também começava a gritar como todos, efeito papagaio. Daí o Davi de 11 anos logo o repreendia. Eu tinha que intervir dizendo que alí as pessoas muitas vezes falavam aquelas coisas mas sem malícia. Quando quer ver o gol do São Mateus, ai foi aquela euforia.

Saimos do estádio de alma lavada, e os meninos só comentando sobre os palavrões. Lógico que alí era um espaço catártico ( de jogar as emoções para fora ), e a convivência com as diferentes realidades nos ajuda a estarmos emergidos no mundo sem necessariamente sermos absorvidos por ele. No caso das criança, eles se sentem muito bem em ir ao estádio, pois lá vivem as vibrações mais do que humanas. Com a presença adulta e monitoramento, em tudo poderemos tirar proveito, como desta tarde onde a garotada está até agora na rua comentando dos lances, também dos palavrões, mas com certeza da nossa convivência familiar no estádio de futebol.

Hoje lembrei-me de meu pai Manoel já falecido, que nos levava ao estádio de futebol para assistirmos ao bom time da Associação Riopardense – São José do Rio Pardo – SP. Meu pai era um grande palhaço no estádio, e sempre lançava piadas engraçadas, em momentos que o jogo estava morno. Ele tinha o apelido de Mané trapalha, e achavamos aquilo o máximo.

Que bom poder estar proporcionando isto aos meus filhos. Pois no estádio de futebol uma coisa aprendemos, lá ficamos todos iguais, com os nervos à flor da pele. Não é a toa que o Futebol é um vício mundial.

Engraçado foi que após as correções do Helder aos adultos , um deles começou a dizer: ” em nome de Jesus, faz este gol seu miserável…”

 

*É psicólogo e diretor do Pensamento – Instituto de Psicologia e Pedagogia Infantil

O TRIGO E A PALHA

segunda-feira, março 9th, 2009
*Gerson Abarca

“Ele traz a pa em sua mão para limpar a eira, a fim de guardar o trigo no celeiro; mas a palha, ele queimará num fogo que não se apaga” ( Lucas 3,17 ).

João Batista anuncia a vinda do Senhor. Neste anúncio deixa claro que o crivo para estar junto ao Pai por intermédio de Jesus, não é dos mais fáceis. Anuncia a vinda de Cristo, mas com Ele a certeza do fogo eterno (inferno).

Se procuramos a Jesus para que tenhamos paz, e bem estar pessoal, João Batista anuncia que o caminho para sermos separados em celeiros como trigos de qualidade passa pela solidariedade, reconhecimento das providências de Deus, simplicidade na forma de ser e ter, prática da justiça, respeito às diferenças ( Lucas 3, 10-14 ).

O trigo têm  essência, por isto será guardado. A palha, que dava a aparência, será queimada no fogo eterno.

Neste texto, que meditamos  hoje no estudo bíblico em família, dispertou-me sobre a prática Cristã. Levou-me a pensar seriamente se estou sendo palha, casca, que um dia poderá ser queimada, ou se em mim manifesta o ser trigo, essência.

Ser Cristão sem compromisso com os irmãos, sem estar contextualizado em uma realidade sócio-política-cultural ( LUCAS 3,1-3) , sem ser sal na terra e Evangelizar na cultura; é sermos condenados a virarmos palhas. É vivermos de aparência. Tudo bem que por um bom período de sua axistência, o trigo necessitou de toda a sua estrutura fisiológica, ficando no fim a semente (trigo).

Vivermos de aparências, pode-nos conduzir a uma sobrevivência no meio social, pode até nos projetar como boa imagem entre os irmãos. Mas é do que somos interiormente que nos conduzirá de fato à vida eterna ( grãos selecionados). As palhas dão volume, enche seitas, mas o que dará sustentabilidade para a vivência Cristã, é nosso envolvimento e comprometimento com nossos irmãos.

Assim, comecei a coçar minhas palhas externas: Preocupações salariais, isolamento com as realidades dos povos e das nações, calúnias e murmúrios, distanciamento da prática da justiça, pouco olhar aos empobrecidos. Minha tentação foi de imediato acreditar que estou realizando tudo isto, lógico, sempre tendemos a onipotência da certeza de conquistar a vida eterna. Mas retomei minhas ações pessoais com foco no anúncio de João Batista, e passei a ter uma posição mais crítica em relação à minha prática de vida pessoal, e encontrei muitas lacunas a serem superadas. Afinal, o paraíso é como um tesouro, que para chegar nele e conseguir usufruir, necessitará muito esforço. Se bem que conheço poucas pessoas que conseguiram achar um tesouro. Este caminho realmente não é tão fácil assim. A quaresma é desta forma um grande momento para pensarmos nossa prática cotidiana.

Não é por acaso que sabiamente a CNBB a cada ano nos convoca a meditarmos sobre um tema da Campanha da Fraternidade, para que não nos acomodemos em uma prática Cristã avolumada em palhas.

*É Psicólogo e Diretor do “Pensamento – Instituto de psicologia e pedagogia”

O Nascimento da responsabilidade na Criança

sexta-feira, março 6th, 2009

Gerson Abarca*

A responsabilidade é um conceito em que os pais estão sempre preocupados no processo educacional dos filhos. Levar as crianças a ter noção de responsabilidade é a grande missão educacional da modernidade. Escolas que vendem a idéia que farão das crianças pessoas responsáveis, acabam tendo grande simpatia dos pais. Estes por sua vez, procuram estruturar a agenda dos filhos com muitos compromissos, que às vezes chega ao nível de estresse infantil. É aula de várias modalidades esportivas, música, dança inglês, além da escola e das tarefas. Já ouvi de professores que uma boa forma de despertar a responsabilidade nas crianças é enchê-las de tarefas escolares. O mesmo defende alguns pais, que procuram não deixar tempo vazio na agenda dos filhos com o intuito deles terem postura de responsabilidade.

Porém, responsabilidade não se adquire através de regras, normas, ou compromissos. A responsabilidade é resultado da vivência psico- afetiva já nos primeiros meses de vida da criança. Ela nasce através do sentimento de culpa, onde a criança ao se perceber atacando seu objeto de amor (os seios materno) no ato de amamentar, se culpabiliza e consequentemente procura caminhos para reparar seu dano, provocando a ansiedade pela ambivalência de se usufruir e reter objetos bons e ao mesmo tempo destruí-los. Os seios que oferece o alimento e por isto é intensamente procurado pelo bebê (objeto bom) se transforma em um objeto destruído pelo bebê que morde. Neste ato destrutivo surge a culpa e a reaproximação do bebê junto à mãe. Ele se preocupa em buscar se reencontrar com o objeto destruído, reparando para resgatar o objeto de amor original.

A configuração da preocupação do bebê, encontrando um ambiente materno capaz de dar suporte e potencialidade à reparação dele, fará com que o mesmo aprenda a se reconstruir na relação, dando-se assim a base estruturante psico-afetiva para a responsabilidade. Ele torna-se “responsável por aquilo que cativa”, graças ao ambiente maternal suficientemente bom que acolheu sua busca de reparação.

Podemos exemplificar este processo em situações em que a criança comete uma ação desaprovadora aos pais. De imediato é repreendida com castigo e fica em uma posição ambivalente, parece que angustiada ou deprimida (aquele rostinho de choro). Logo em seguida, a criança se aproxima dos pais como que querendo reparar o erro, de forna afetiva. Os pais, proporcionando uma capacidade de ambiente de acolhida, aceitarão afetivamente este retorno da criança, mas continuarão mantendo postura sobre o castigo definido à criança, porém o ambiente estará afetivamente acolhedor. Assim, a criança terá clareza do motivo da correção dos pais e passará a se preocupar em manter o vínculo saudável com os mesmos procurando não cair no mesmo erro. O ambiente de acolhida proporcionou a reparação, e consequentemente à capacidade de reconstrução de vínculo positivo. A fixação do sentimento destrutivo de ódio foi superada para dar lugar ao restabelecimento do vínculo.

Do contrário, se os pais punissem a criança pelo erro cometido e mantivessem postura rígida sem acolher afetivamente a criança, no lugar da preocupação em reparar o dano a criança desenvolveria ansiedade e um sentimento de ódio fugaz. Quando as crianças não conseguem ter a acolhida para que reparem seus erros cometidos, tornam-se transgressoras, agressivas.

Segundo Winnicotti (1963) “… a capacidade de se preocupar está na base de todo brinquedo e trabalho construtivo”. Quando o ambiente maternal é capaz de levar a criança a se preocupar com sua recomposição a objetos danificados, está sendo construída a capacidade de responsabilidade, de cuidado. Cuidamos daquilo pelo qual depositamos sentimentos e vemos benefícios pessoais, não é por acaso que crianças agressivas tendem a destruir seus brinquedos, também possuem muita dificuldade em criar formas de brincar. Uma criança que pouco brinca ou que pouco cuida de seus brinquedos está revelando grande dificuldade de estabelecimento de vínculo, pois está polarizada no ódio decorrente das energias psíquicas que descarregou aos objetos que eram bons. Isto é, vive na prevalência da manifestação de ódio. Por isto mesmo que dizemos que o amor e o ódio caminham juntos, a diferença é que a polarização do amor é condição para aqueles que no decorrer da vida tiveram ambiente bom para reparar e reconstruir as ações provenientes do ódio, reencontrando-se com o amor.

A culpa, tão necessária para a percepção do objeto danificado, é propulsora do ato responsável. Temos responsabilidade de cuidar daquilo que da retorno emocional positivo.

Assim, a melhor forma de termos crianças responsáveis, é oferecendo a elas ambiente afetivo suficientemente bom, para que possam se reconstruir a cada dia na polaridade ambivalente entre o amor e o ódio, fazendo aflorar o impulso pela vida mais do que pela morte.

*Psicólogo – Psicoterapeuta. Graduado em Psicologia pela Universidade Estadual Paulista 1990. Especialista em Psicologia Clínica. Autor do Livro “Sexualidade na Contramão”, Ed. Paulus 2004.

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