Archive for março, 2011

O Empresário e o Operário – ambos com quinta série apenas .

quarta-feira, março 30th, 2011

A morte do Vice Presidente José de Alencar, que está sendo velado hoje em Brasília, levou-me a pensar na forte amizade e parceria bem sucedida dele com o ex-Presidente da República Lula.

José de Alencar, empresário de sucesso , estudou até a quinta série e tornou-se um dos políticos mais respeitados do Brasil. Lula, operário, também estudou até a quinta série, tornou-se o Presidente do Brasil com melhor índice de aprovação De nossa história, e com certeza do mundo, pois manteve sua avaliação favorável ao longo de oito anos.

Enquanto no regime militar brasileiro, a cavalaria militar coibia as greves dos trabalhadores em diversas capitais do Brasil, Lula liderava os operários, surgindo dali sua grande força política. José de Alencar, na condição de empresário manteve nesta época foco na produtividade e tratou de zelar pela qualidade de vida de seus operários. Outros poucos empresários não se opuseram às greves, entendendo que era um mecanismo legítimo da classe operária reivindicar seus direitos. Ricardo Semler, um dos maiores empresários no Brasil, também fazia parte deste seleto grupo de empresários, e inclusive colaborava com o almoço dos operários em dias de paralisação de greve.

Pessoas do brilho e sensibilidade de José de Alencar, sabem e preferem se unir a pessoas também de brilho, independente da classe social, raça, ou credo. Desta forma, uniu-se a Lula, politicamente e também como amigo. Fizeram uma dobradinha que dificilmente veremos em outros mandatos presidenciais na história futura deste país.

José de Alencar ajudou a quebrar o paradigma da classe empresarial brasileira, que a meu ver ainda é selvagem e arcaica na sua maioria. Mostrou para os seus colegas que a integração do empresariado com o operariado é necessária e altamente produtível. Fez muitos dos empresários que só de ouvir falar de Lula já ironizam dizendo que é um analfabeto, beberrão e sem modos( como que ser empresário já desse passaporte para o sujeito ser descente e educado), a reverem suas posturas preconceituosas.

O Empresário e o Operário – semi-analfabetos – como ironizam muitos da elite, chegaram juntos, foram fiéis, e venceram.

José de Alencar passou pela política e não deixou arranhões, e suas empresas são lucrativas. Minas Gerais têm orgulho deste filho muito mineiro. Lula, no dia da morte de José de Alencar, recebe seu segundo título de Doutor  honoris causa  pela Universidade de Coimbra em Portugal, sendo o primeiro pela Universidade de Viçosa-MG. E sua fidelidade ao amigo José de Alencar mobilizou-o para estar em tempo no velório do amigo.

Que o exemplo de José de Alencar faça chegar à consciência dos muitos brasileiros que não passam fome e são afortunados, a eliminarem preconceitos perante cidadão de classes empobrecidas que ascendem socialmente e politicamente.

OBRIGADO JOSÉ DE ALENCAR

Jovens, drogas e Universidades

segunda-feira, março 21st, 2011

Jovens recém chegados à Universidade deparam com um mundo de festas, álcool e drogas que pouco se vê no cotidiano da juventude brasileira que está no mercado de trabalho ou que estudam em faculdades próximas à suas casas por não terem condições de viverem plenamente para os estudos.

Mas que estudo? Diante de uma demanda enorme de universitários que convivem quase diariamente com festas e mais festas tocadas por drogas e álcool. Pior é quando a Universidade é Federal, onde as intervenções de segurança só podem ser realizadas pela Polícia Federal, pelo menos é o que dizem. E ao chegar em campus mais antigos e estruturados, é muito comum ver a droga rolando solta.

Mas, muitos intelectuais estão defendendo a liberação das drogas, e alguns até imprimem um discurso da liberdade, até revelando que são usuários de drogas. Mas se perguntarmos a eles quem são os traficantes que os fornecem, vão ficar caladinhos.

Desde quando entrei na Universidade, este discurso da liberação é corrente, e quem for contra é quase “frito” do meio intelectual. Muitos dos professores de universidades que não são usuários ou são contra a liberação, acabam se omitindo para sobreviver no meio.

O paradoxo disto, é quando os graduandos vão para o mercado de trabalho e dependendo da formação terão que atuar em programas de prevenção e recuperação de drogatitos. Antes, na graduação tudo era liberado e estranho era aqueles que não se alinhavam ao discurso do tudo pode, depois terão que colaborar na recuperação.

No livro “A insustentável leveza do ser”, a leveza fica insustentável. Assim como na vida universitária, onde a leveza da liberdade e da possibilidade dos jovens estarem distantes do controle dos pais, a graduação pode ficar insustentavel. E depois de um tempo na liberdade, muitos abandonam o curso e voltam para casa dos pais pedindo apoio.

O certo é: entrar na Universidade é difícil, permanecer nela com princípios morais e éticos norteados na família de origem, é uma missão quase impossível. Muitos conseguem entrar e sair iteiros, com a identidade própria ileso, crescidos no conhecimento. Também, muitos se perdem na identidade de terceiros, a principal parceira as drogas. Lógico que outros chegam já dependentes e usam o tempo da universidade para liberar geral.

E olha que têm aqueles que nunca mais saem, pois descobriram que na universidade vender drogas rende muito, com a diferença de estarem em um ambiente que a sociedade  não colocará como referência de tráfico de drogas, a sociedade nomeou as favelas como  bode espiatório.

A Universidade precisa rever e ver que referência é para os seus alunos.

Aos pais, vale a pena estar próximo. Não é pelo simples fato de uma pessoa chegar na Universidade que ela já está autônoma. Principalmente quando o jovem ainda é plenamente sustentado pelos pais.

Quantas são as famílias que  vão descobrir que o filho se quer ia às aulas só depois do terceiro ano de graduação. Pior são aqueles universitários que forjam a formatura, mas na verdade estão recebendo um cartucho sem nenhum documento.

É melhor estar atento…

Usina nuclear - sou contra

sábado, março 19th, 2011

Não podemos arriscar. O globo terrestre está por um tris.

Investir em usinas nucleares como fonte de energia é uma grande sacanagem com a humanidade.

Olha a situação do Japão. estamos brincando de bonecos heróicos de criança.

Um erro humano, uma catastrofe generalizada….valeu!!!!

Se não somos capazes de pensar uma estratégia inteligente para a geração de energia no planeta, sabe… o que somos?

FILHOS DE DEUS?

O dilema entre o nascer e o morrer - Olha o Japão

segunda-feira, março 14th, 2011

Se perguntarmos quantas pessoas morre por dia no mundo, teremos  a estimativa de aproximadamente 148 mil pessoas. Mas em tempos de catástrofes naturais, como está acontecendo no Japão nestes dias, este índice provavelmente fica bem maior.

Tentaram alertar a humanidade que teríamos um crescimento demográfico no planeta que a vida humana seria inviável. Os economistas que incrementaram a idéia de que há pobres, vamos acabar com os comensais, justificando assim o controle de natalidade nos países pobres, tendo em vista que nos ricos a população já se auto- regula pela necessidade de cuidar de si mesma nos benefícios econômicos. Agora devem estar amargando esta falácia do estouro demográfico.

Se morrem 148 mil pessoas por dia, nascem 210 mil por dia. Com estas estimativas em tempos de catástrofes naturais, é bem provável que alguns economistas começaram a repensar a idéia de controle de natalidade, principalmente aqueles economistas famigerados por vendas. Será que já estão preocupados para quem vão vender? Se a onda de catástrofes naturais continuar.

Ainda bem que bem nos alertou na década de 70 o historiador uruguaio Galeano:

“ … mas as crianças da América Latina continuam insistindo em nascer…”

Mulher, entre homenagens e realidades

terça-feira, março 8th, 2011

Em uma fábrica americana, há cem anos, centenas de mulheres morreram carbonizadas por lutarem pelos direitos trabalhistas

As homenagens do Dia Internacional da Mulher geralmente são tocadas de uma superficialidade e romantismo que camufla o real sentido desta data.

Se há exatamente 100 anos, operárias de uma fabrica americana foram queimadas por estarem reivindicando melhores condições de trabalho, hoje deveríamos estar em luto, por elas e por todas as milhares de mulheres que o sistema econômico já enterrou de tanto exigir delas sem as devidas adaptações que uma mulher necessita.

Mas a data em si foi muito absorvida pela publicidade do batom. A mulher que conquistou seu espaço na forma de vestir e de ser, real conquista, mas que ainda amarga os piores salários em relação aos homens em mesma condição de trabalho. Elas que ainda precisão fazer denúncias em delegacias de forma clandestina sobre a violência de esposos, patrões, etc.

Se neste momento você entrar no youtub para ver vídeos sobre mulher, a maioria deles é de ordem sexual, ou delas como barbeiras no trânsito, os melhorzinhos as colocam como Alice no país das maravilhas.

O certo é que esta data vale muito a pena comemorar na condição de superação em que as mulheres se colocaram ao longo dos anos e que estão se colocando atualmente. A força de trabalho das mulheres é responsável pela sobrevivência de muitas crianças empobrecidas. Além de trabalharem muito, cumprem a dupla jornada de trabalho, quando chegam em casa para cuidarem de seus filhos.

Por mais que a imagem de objeto de cama mesa e banho ainda é o referencial da maioria dos homens, elas estão se superando. Já galgam os melhores postos de trabalho quando são selecionadas em concursos, isto porque tiveram que dar foco e concentração para a superação do mundo machista. Desta postura de resistência, crescem vertiginosamente no mercado de trabalho.

Mas sua condição fecundativa é a de maior legado e que por décadas serviu como elemento de ataque do público masculino. Sua força para gestar um novo ser, e seu legado em ser o ninho de amor de todo ser humano nascituro, lhe coloca em uma condição impar.

É muito bom estar trabalhando com mulheres determinadas. No Instituto Pensamento temos a força da Aline, Juliana, Meire, Elenice, Ana Paula, Ana Beatrice, Maria Celina.

Mas bom mesmo é ser parceiro conjugal de uma mulher de fibra que não deixa a gente se acomodar na condição de poder masculino, que nos ajuda a entendermos que a vida é força na unidade entre homens e mulheres. Esta é a minha querida esposa Maria Celina. Com ela aprendi a ser parceiro de mulher, respeitando-nas todos os dias de minha vida. E quando a gente vacila, está ela, a mulher de fibra para nos lembrar, nos provocar, nos igualar.

PARABÉNS PELA FIBRA E LUTA DE TODAS AS MULHERES QUE JÁ SE IDENTIFICARAM COMO TAL

Carnaval, insanidades liberadas

sexta-feira, março 4th, 2011

Como sempre, entra ano e sai ano, o carnaval chegou. A diferença é que desta vez chega tarde. Nossa! Parece que as coisas andam neste Brasil só depois do carnaval, e se no calendário a data fica distante do início do ano, o prejuízo é muito grande para o comércio e os que vivem de prestação de serviços .

Tudo bem que esta é uma data incorporada no calendário do inconsciente coletivo brasileiro. Uns são fanáticos por tio elétrico, outros por escolas de samba, pouco menos por festas de salão, e ainda bem menos por retiro espiritual.

O que observo nestes dias que antecedem o carnaval, é uma ansiedade generalizada das pessoas em  viajar, chegar o momento de extravasar. Tem aqueles que já ficam ansiosos por não gostarem da “muvuca” do carnaval. Mas no final das contas, tudo para.

A insanidade é liberada. Isto pode ser bom, como também ruim.

Olhando pelo lado bom, vemos que a sociedade elabora uma catarse ( mecanismo de liberação coletiva de necessidades inconscientes). Tudo o que estava reprimido, sendo fator de estresse é liberado no coletivo, nas diferentes formas. Homens se vestem de mulher; tem aqueles que preferem se liberar em uma fantasia ; outros na avenida para a apoteoso do reino das maravilhas; encontrar amigos; visitar parentes; ou até estar mais perto de Deus em retiro de carnaval. Considero que esta faceta do carnaval é muito boa, pois o ser humano necessita ter movimentações coletivas de catarse.

Olhando pelo  lado ruim, temos o alto índice de acidentes nas estradas; alcoolismo

exacerbado; drogas liberadas; o sexo a bancarrota; e a banalização da vida humana nas superficialidades dos vínculos.

Vivenciar o carnaval sabendo utilizar-se deste poder catártico que está contido neste período, é uma capacidade que poucos terão. Uns vão jogar pedras nos foliões, outros vão demonizar a expressão cultural, como se tudo fosse lixo. Mas com estas posturas de julgamento, tenderão a passar um péssimo período de carnaval, ou fechados ou rancorosos.

Mas quem souber tirar proveito do carnaval, apreciará as diferentes escolhas e respeitara o rumo que cada um der ao carnaval. Haverá aqueles que aproveitarão a data para realizarem um belo retiro de carnaval. Há grupos que se inculturam tão bem, que até elaboram escolas de samba com foco na Evangelização. Com certeza, estes aproveitarão o catártico do carnaval para construírem relacionamentos de paz e amor.

Já me peguei reclamando deste período carnavalesco e fui perceber que estava ficando ranheta. Na medida  em que fui me integrando a esta realidade, sem deixar-me levar por ela , comecei a potencializar o carnaval. E isto faz um bom tempo, quando ainda participava dos retiros de carnaval da paróquia da cidade de São José do Rio Pardo-SP. Lembro que fazíamos nosso carnaval Cristão com direito a samba e muita alegria.

Qualquer coisa, fique ligado na TV Canção Nova, que você vai ver como aquela moçada aproveita com muita energia o carnaval.

Caso queira também assistir as escolas de samba pela TV, tire proveito disto olhando com o olhar da cultura, e verá que dali muita coisa boa se tira de proveito.

Se para muitos o carnaval é a prática da insanidade, para outros a negação desta data pode também ser uma manifestação de insanidade.

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