Por um jejum de ações Cristãs contra atitudes hipócritas

Qual penitência vou pagar?

Nesta quaresma nos questionamos qual será a penitência que vou pagar. Muitos se abstêm de guloseimas por serem elas apetitosas ao paladar; outros se abstém de bebidas alcoólicas pois adoram uma cervejinha ou vinho; tem os que se abstém do refrigerante por serem viciados neles. Sempre procurei abster-me de alguma prática prazerosa durante a quaresma. E sei que esta ação colabora para adentrarmos neste tempo de recolhimento para nos prepararmos à Páscoa do Senhor. Esta prática de abster-se é muito favorável também na educação das crianças para a Fé Cristã, dentro da perspectiva Católica. Sabemos que no calendário litúrgico a Páscoa é o ponto auge, e por isso o tempo da quaresma é um tempo de meditação e preparação para relembrarmos a ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, e assim nos comprometermos com a ética Cristã.

Para o bem estar emocional, o tempo quaresmal é um ótimo tempo.

O tempo da quaresma, das abstinências e do ciclo de orações penitentes, em que podemos observar nossos erros e nos propormos a uma vida plena em Cristo Ressuscitado, é sem dúvida um exercício espiritual que eleva nosso estado emocional. Principalmente se as ações forem desenvolvidas por uma escolha livre e por um amadurecimento na Fé. A ascese religiosa em plena consciência de escolha eleva o desenvolvimento emocional. Porém, se as experiências ou propostas traçadas nesse período forem por sentimento de castigo e de culpa, a quaresma irá trazer um forte elemento patológico compulsivo. Por isso, que por livre escolha, mesmo que nos esqueçamos dos propósitos de abstinências traçados para a quaresma, sem culpa, podemos retomar a escolha e nos reposicionarmos no compromisso. Devemos ficar alertas para que se ao nos pegarmos no esquecimento do propósito, nos torturarmos e nos auto-agredirmos, estaremos vivenciando um aspecto patológico da quaresma. Todas as escolhas de ascese e de abstinências devem nos conduzir para a liberdade, a felicidade e a alegria das promessas da vida plena no Ressuscitado. Uma quaresma que nos aponta um caminho, uma esperança.

Por uma perspectiva de esperança que a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) lança a cada ano na quaresma a Campanha da Fraternidade, que neste ano de 2019 trás o tema das políticas públicas com o lema “Serás libertado pelo direito e pela Justiça” (Is 1,27). Para que ao nos penitenciarmos durante a quaresma possamos ver nossa realidade para agirmos na transformação da sociedade na perspectiva da ética Cristã. Poucas paróquias no Brasil conseguem levar a Campanha da Fraternidade como um carro chefe nas reflexões quaresmais, mas os Bispos brasileiros continuam insistindo com esta metodologia por entenderem que é uma forma de nos prepararmos para a Páscoa libertadora do Senhor. Quaresma é assumir compromissos e Cristianismo é fazer a diferença na sociedade pela postura de Justiça e da Paz. 

Quaresma, tempo de conversão para a prática do Amor!

Na abertura desta quaresma, Jesus Cristo nos alerta para as práticas hipócritas dos judeus de sua época (Mateus 6,1-6.16-18) que seguiam as tradições penitentes para serem vistos pela sociedade. Condena o tocar trombetas por darem esmolas, que rezavam nas sinagogas para serem notados, que jejuavam e ficavam tristes para que soubessem que estavam jejuando. Vemos o quanto que Jesus é determinante na sua postura pedindo para que sejamos diferentes: “…E teu Pai, que vê o que está escondido, te dará a recompensa.”(Mt 6,18).

A ótica das práticas de oração, de penitência e de jejum para o Cristianismo passa pelo fortalecimento pessoal em vista do projeto de construção do Reino de Deus. Um Reino que passa pela prática do Amor, pela caridade, pela prática da justiça na promoção da Paz. Desta forma, que nossa quaresma seja pautada pela mudança de atitudes em vista a eliminarmos nossas ações individualistas e consumistas para nos posicionarmos em atitudes que promovam o amor entre as pessoas e nos projete para uma sociedade igualitária, fraterna e solidária. Precisamos nos fortalecer e muito para sermos diferentes, e nossa diferença pode fazer acontecer um “…novo céu e uma nova terra.”(Is 65,17)

 


Gerson Abarca é Psicólogo Psicoterapeuta.  Especialista em Psicologia Clínica; Psicologia Educacional e MBE em desenvolvimento humano. Escritor. Atua no Movimento dos Focolares* na cidade de Vitória – ES. Atende em Psicologia Clínica para orientações psicológicas pelo Whatsapp (27) 99992-0428. Psicólogo graduado pela Universidade Estadual Paulista (UNESP – Assis – 1990); Especialista em: Psicologia Clínica e Psicologia Educacional, ambas pelo CFP (Conselho Federal de Psicologia); Especialista em Desenvolvimento Humano e Gestão de Pessoas (MBA – Fundação Getúlio Vargas). 

*Movimento ecumênico vinculado a Igreja Católica que teve como fundadora Chiara Lubich e, hoje, encontra-se presente em 182 países, onde se objetiva viver a unidade e o amor cristão.

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