A face materna de Deus

            Dia das mães é sempre motivo para homenagens! Dentre poesias, artigos, músicas e presentes, este dia é o segundo mais festejado no calendário brasileiro, só perde para o natal. Boa competição, entre vida que nasce e mulher que gera, na verdade, não há competição, pois toda vida humana nascida, nasceu de uma mulher/mãe e toda mãe nasceu primeiro um dia. Assim, Natal em primeiro plano e dia das mães logo em seguida.

            Na dimensão humana, sempre nos deparamos com os limites do dia das mães, pois nem toda mulher que gesta e dar à luz  torna-se de fato mãe. Aqui o limite esta no âmbito da identidade, pois ser mãe biologicamente é um processo natural, mas ser mãe por identidade é uma construção que surge ao nascimento de uma mulher e vai sendo configurado na mulher criança, na mulher adolescente e na mulher adulta, por referências culturais, identificações e projeções. Por isso que no dia das mães nem todo ser humano consegue pontuar alegria ou felicidade, por ter tido um rompimento de laços afetivos ou ausência total de uma mãe/vocacionada.

Maria, mãe de Deus !

            Mas temos a dimensão espiritual, pela fé no criador dentro da perspectiva da prática religiosa Católica que traz Maria, mãe de Deus, como aquela mulher que se faz mãe de toda a humanidade na ressurreição de Jesus Cristo. Em Cristo ressuscitado temos uma mãe, a mãe de Deus que abriga o verbo encarnado no seu ventre na pessoa de Jesus Cristo.

         Em São Lucas, vamos observar no episódio da anunciação, o intrínseco diálogo de Deus com Maria por intermédio de Anjo Gabriel (Lc 1, 26-37). Uma mulher forte e destemida, pronta para a maternidade e para ser aquela que seria a educadora primeira do Verbo que se fez carne, daquele que veio para a salvação da humanidade. 

            Maria, mãe de Deus, que em sua maternidade sofre preconceitos, descasos. Desde o início protege o pequeno Jesus de um tempo opressor, cheio de perseguições (Mt 2,13-18).

            Maria, mãe de Deus, que acolhe o filho adolescente nos seus ensaios de liberdade em busca de fazer cumprir sua missão. Mas como não era chegada a hora, Maria, assume a maternidade colocando limites e fazendo o menino Jesus voltar para casa. E ela guardava tudo isso no seu coração (Lc 2,41-51).

Maria, mãe de Deus e de toda humanidade !

            Maria, mãe de Deus, que entrega definitivamente o filho para sua missão já com 30 anos, que na época era a idade em que o jovem judeu podia assumir a responsabilidade da vida pública. Ela entrega a Jesus a atitude de agir sobre a falta de vinho nas bodas de Caná (Jo 2,1-11). Uma relação adulta onde Jesus não chama Maria de mãe, mas sim de mulher. A mãe que educa para um dia perder seu filho. O filho cresce e já não precisa da mãe que cuida. Mas a mãe de Deus, Maria, continua orando por seu filho, o acompanha até o flagelo da cruz. 

            Na cruz a mãe de Deus sofre, mas entende o motivo daquela dor e antes de sua morte, Jesus diz à sua mãe: “Mulher, eis aí o seu filho.” E ao olhar para o discípulo amado diz: “Eis aí a sua mãe” (Jo 19,26-27). João, o discípulo amado, foi o único que ficou ao pé da cruz, junto com Maria, a mãe de Cristo/Deus, e ao manifestar este sentimento a João, Jesus envia ao mesmo tempo uma mensagem universal. Maria neste contexto, sob desígnio do Pai na pessoa de Cristo, é elevada mãe de todos, de toda a humanidade. Maria, mãe do amigo íntimo de Jesus Cristo, que era João, estende esta maternidade a todos os que se fazem amigos de Cristo, e perpassa para também aqueles que não creem.

             Maria, mãe de Deus, é hoje a nossa mãezinha no céu. Posso até me entristecer pela ausência de uma mãe física por morte ou abandono, posso até desconfiar do amor materno pessoalmente, posso até questionar o dia das mães por se mais um golpe comercial para saquear o bolso dos filhos, posso não ter nenhum sentimento ou saudosismo filial por mãe, mas sei que tenho uma mãe celestial, designada por Deus na pessoa de Cristo, para interceder, para proteger e me dar ânimo e coragem.

A casa de Maria, o lar da Igreja !

            Depois de Cristo Ressuscitado, Maria, além de manter-se no status de mãe espiritual de toda a humanidade, torna-se uma mulher que faz a Igreja primeira de Cristo se fortalecer. Na sua casa!

A “casa de Maria” foi o local para onde os apóstolos retornaram após a fuga por medo da perseguição dos Judeus e Romanos. A “casa de Maria”, até hoje é respeitada pelos Judeus que dizem: “Nesta casa nasceu uma grande mulher”. Foi o lugar em que a Igreja primitiva vingou e até hoje é força da luz, sal e esperança à humanidade.

Que nesta data querida do dia das mães, Nossa Senhora, a mãe de Deus, a mãe de Cristo continue nos protegendo e nos guardando e intermediando nossas preces junto do Pai, para que possamos ser dignos das graças de Cristo.


Gerson Abarca é Psicólogo Psicoterapeuta.  Especialista em Psicologia Clínica; Psicologia Educacional e MBE em desenvolvimento humano. Escritor. Atua no Movimento dos Focolares* na cidade de Vitória – ES. Atende em Psicologia Clínica para orientações psicológicas pelo Whatsapp (27) 99992-0428. Psicólogo graduado pela Universidade Estadual Paulista (UNESP – Assis – 1990); Especialista em: Psicologia Clínica e Psicologia Educacional, ambas pelo CFP (Conselho Federal de Psicologia); Especialista em Desenvolvimento Humano e Gestão de Pessoas (MBA – Fundação Getúlio Vargas). 

*Movimento ecumênico vinculado a Igreja Católica que teve como fundadora Chiara Lubich e, hoje, encontra-se presente em 182 países, onde se objetiva viver a unidade e o amor cristão.

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