Archive for the ‘cinema’ Category

LULA, O FILHO DO BRASIL - VALE A PENA ASSISTIR

segunda-feira, janeiro 4th, 2010
A fam�lia de Lula no filme

A família de Lula no filme

O filme que retrata a história de Lula, estreado nos cinemas do Brasil neste janeiro 2010, é uma boa produção de Luiz Barreto, com direção de Fabio Barreto ( que fez O Quatrilho) e tem como ator principal Rui Ricardo Dias (Lula).

Gostei muito do filme, que deu foco na sofrida vida da família sertaneja de Lula, o retrato das famílias brasileiras, pelo menos a maioria absoluta delas. Outro foco interessante dado ao filme foi a carreira profissional de Lula como torneiro mecânico, metalúrgico e depois sindicalista. Há fidelidade ao livro de Denise Paraná, que leva o mesmo nome e ao mesmo tempo não enfatiza  em si sua carreira política partidária, o que torna o filme pluri-partidário. Outro ponto forte do filme é mostrar a cara do regime militar no Brasil e a coragem dos sindicalistas do ABC em fazer assembléias públicas em pleno regime ditatorial.

O filme resgata valores éticos e morais do Presidente Lula, que mesmo nas tentativas do meio muito poluido da política brasileira, de  desfigurar nosso Presidente como analfabeto , alcoólatra e pouco apegado a valores familiares (ataques que não estão repercutindo negativamente na imagem de Lula, ao contrário, ele se configura como o grande nome no ano de 2009 no cenário internacional e com grande índice de aceitação no Brasil), o filme mostra sua bela relação com a mãe ( atriz Glória Pires), seus dois casamentos bem sucedidos e a sua grande capacidade de negociação, que sempre foi a marca mais forte na forma de fazer o movimento social de Lula.

Assisti ao filme em um cinema de classe média alta da cidade de Bauru-SP, por ocasião de minhas férias. No momento de comprar ingresso só havia vaga para a sala em que seria exibido Lula. O sujeito a minha frente na fila disse com todas as letras:”nossa, quem aguenta assistir a esta mentirada política…”. Retruquei o rapaz em voz alta:”pra quem nunca passou fome e sempre foi tratado à ‘pão de ló’, esta história pode parecer mentirosa”.

Junto com minha esposa Maria Celina (do blog ser mulher), choramos, pois vimos verdades que o povo brasileiro precisa ver. Verdades de um povo que sofre mas resiste. Verdades de um homem amado por sua mãe, arrimo de família e vencedor. O filme foi até sua primeira posse como Presidente do Brasil, exatamente até onde chega o livro de Denise. Os mandatos presidenciais de Lula estão fazendo historiadores registrarem material para mais um próximo filma. Poderão contar outra história, a de um homem desacreditado pela elite brasileira, julgando-no semi-analfabeto, que resgatou o País e a auto-estíma do brasileiro; que nos colocou em cenário internacional como o país que soube driblar uma das piores crises econômicas da pós- modernidade. Uma outra história será contada após o término destes oito anos de Governo Lula. Uma história de um povo que começou a sonhar com um diploma de nível superior nas mãos.

CENA PATÉTICA

No ano passado, estava em uma cafeteria na cidade de Linhares-ES, onde atendo duas vezes por semana, e logo pela manhã, um grupo de médicos que sempre batem o cartão nesta boa cafeteria, antes de ir trabalhar, debatem a notícia de capa do jornal matinal: “História de Lula terá lançamento nos cinemas em 2010″. Um dos médicos disse em bom tom:”Nossa! lá vem uma outra propaganda política, deste analfabeto e cachaceiro”. Não pude ficar quieto e retruquei: “Pena que o senhor não deve ter tantas histórias pessoais de relevância nacional para virar filme”.Todos silenciaram, mas continuamos bons amigo.

Ensaio sobre a cegueira

terça-feira, março 31st, 2009

            O filme Ensaio Sobre a Cegueira dirigido pelo cineasta brasileiro Fernando Meirelles, baseado no romance de José Saramego (Nobel da Literatura) é no mínimo intrigante. Ao terminar o filme senti desejo imediato de ler o livro. Sabemos que Saramego é um escritor cuja marca é intrigar, fazer-nos sair do senso comum. Sua obras são muito filosóficas. O filme segue este mesmo caminho.

            Respeitando a classificação indicativa de 16 anos o filme é um excelente instrumento de análise da humanidade na atualidade. Nos coloca diante de temas como: luxuria, poder; limites fisiológicos; meio ambiente; prostituição; infidelidades, enfim todas as mazelas humanas que nos remete ao estado de cegueira.

            Nossas cegueiras nos colocam diante da tão frágil humanidade.

            Na noite em que assisti ao filme, havia uma festa rolando ao lado de minha casa e na pracinha da mesma rua um grupo de jovens bebiam cervejas sob a proteção de seus pais (ou cegueira deles). Na manhã seguinte de um belo domingo, a pracinha estava cheia de latinhas de cervejas, contei 14, para 3 jovens. Pratos de bolo e pedaços bolos espalhados pela grama. Ali, ao meu lado, uma cegueira. Nem para limparem a sujeira aqueles jovens se prestaram. Depois fui à praia e ao fazer minha inspirada caminhada fiquei meditando sobre as minhas próprias cegueiras. No caminho deparei-me com pelo menos 20  águas-vivas, que segundo oceanógrafos o crescente número de água-viva no oceano é resultado da poluição oceânica. A água-viva se alimenta da poluição. Daqui a pouco nem na praia poderemos nadar.

            Vale a pena assistir ao filme.      

*Gerson Abarca é Psicólogo e Diretor do Pensamento – Instituto de Psicologia e Pedagogia

O Gângster

segunda-feira, julho 14th, 2008

            O filme o Gângster trás o dilema ético entre o crime organizado pelo cartel do narcotráfico americano e a polícia.

            Para quem deseja debater um dilema ético, como aponta-nos Yves de
La Taille em seu livro Ética e Moral, Artmed; O Gangster é prato cheio e saboroso.

            O filme resgata partes de uma história real, no período da guerra do Vietnã, onde milhares de soldados americanos foram mortos nas emboscadas dos guerrilheiros vietnamitas, época em que o quase genocídio aos povos vietnamitas, financiado pelos Estados Unidos com objetivo de impedir a ascensão comunista no mundo e especificamente no Vietnã. A resposta às barbarias daquela guerra insana foi a devolutiva silenciosa gradual e transitiva de destruição da sociedade americana que foi a invasão das drogas nos Estados Unidos, principalmente a heroína, legalmente produzida no Vietnã e tendo
em Frank Lucas, um dos maiores chefões da história do narcotráfico americano, encenado no filme por Denzel Washington. O poder construído com a comercialização de uma droga pura e com custos de 50% a menos do que se comercializava nos Estados Unidos. O império de Frank Lucas foi destruído por um policial chamado Richie Roberts, encenado por Russell Crowe. Este policial já não era bem visto entre os policiais por ter devolvido quase um milhão de dólares resultado de uma operação que deflagrou esta fortuna, na qual, por sua postura ética não se usurpou da grana, mas devolveu-a a polícia, em um período em que a instituição policial americana emergia em uma profunda crise de corrupção. Richie é conduzido a investigar a origem da entrada da droga que estava se espalhando rapidamente nos Estados Unidos e causando centenas de overdoses pela sua composição de pureza.

            É exatamente no confronto do todo poderoso Frank Lucas com o policial Richie, que teremos elementos suficientes para um amplo debate ético em torno do dilema do cumprimento do papel profissional e a defesa da vida de jovens que estavam sujeitos ao poder do narcotráfico, uma realidade que naquela época e até agora vitimiza milhares de pessoas à dependência química e ao mesmo tempo emprega milhões de pessoas no mundo. É exatamente aqui que Frank Lucas trás o argumento para o policial Richie, de que sua honestidade na condução do caso com tanta ética, estaria trazendo desemprego a milhares de pessoas que viviam daquele tráfico. Em resposta, o policial Richie argumenta sobre os milhares de cidadãos que estavam morrendo tanto pelas drogas como nos campos de batalha.

            Vale a pena conferir e debater esta bela produção de Ridley Scott.

PS: na noite em que assisti ao filme, dormi muito incomodado por saber que não sabemos quase nada sobre as forças negativas que regem as relações humanas neste planeta. O negócio é estar atento, por detrás de uma simples maconha, de um simples CD pirata e de uma infinidade de coisas que aparentemente são simples, poderosos chefões estão destruindo vidas.    

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