Archive for the ‘polícia’ Category

O dilema entre o nascer e o morrer - Olha o Japão

segunda-feira, março 14th, 2011

Se perguntarmos quantas pessoas morre por dia no mundo, teremos  a estimativa de aproximadamente 148 mil pessoas. Mas em tempos de catástrofes naturais, como está acontecendo no Japão nestes dias, este índice provavelmente fica bem maior.

Tentaram alertar a humanidade que teríamos um crescimento demográfico no planeta que a vida humana seria inviável. Os economistas que incrementaram a idéia de que há pobres, vamos acabar com os comensais, justificando assim o controle de natalidade nos países pobres, tendo em vista que nos ricos a população já se auto- regula pela necessidade de cuidar de si mesma nos benefícios econômicos. Agora devem estar amargando esta falácia do estouro demográfico.

Se morrem 148 mil pessoas por dia, nascem 210 mil por dia. Com estas estimativas em tempos de catástrofes naturais, é bem provável que alguns economistas começaram a repensar a idéia de controle de natalidade, principalmente aqueles economistas famigerados por vendas. Será que já estão preocupados para quem vão vender? Se a onda de catástrofes naturais continuar.

Ainda bem que bem nos alertou na década de 70 o historiador uruguaio Galeano:

“ … mas as crianças da América Latina continuam insistindo em nascer…”

Parabéns queridos e estimados Professores*

sexta-feira, outubro 15th, 2010

Queridos Professores,

Neste dia 15 de outubro, passei com imagens de Professores que me ajudaram a ser o que sou. Mas Professores mesmo. Categoria.

A primeira que veio a mente foi a Madalena da Escola Cândido Rodrigues da cidade de São José do Rio Pardo-SP, onde nasci. Ela com seu lindo e cumprido cabelos deixou-me apaixonado pelo desejo de ir à escola e estudar na pré-escola, até levava flores para ela. Sabe de um segredo? Ela ensinou-me a escovar os dentes, e até hoje penso nela, quando escovo os dentes. Sabe por quê? Ah! Ela dizia que escovar os dentes era tão bom quanto beber um refrigerante. Como meus pais não podiam pagar refrigerantes para eu levar à escola, então escovava os dentes pensando no refrigerante. Como ela sabia disto?

Depois, teve aquela professora Sara que me chamou de magricela, mas quando tirei 10 em matemática, ela disse que esta magricela era muito rapidinho para calcular. Mas repeti a quinta série por causa do português. A Dona Odete, uma professora muito séria, deixava-me encabulado, eu tinha medo dela. Imagine você um menino franzino diante de uma professora com cara de brava. Dona Odete ficava furioso comigo, tirava sempre 5 nas redações, porque era bom de idéias e péssimo na ortografia. Mas não deu pé, porque o português nas escolas parece coisa de “português mesmo”, desculpe o trocadilho. Na hora das provas gramaticais eu só tirava zero. Aí não teve jeito, repeti mesmo.

Bom mesmo foi o Professor Bagody, de matemática. Ele dava aula para ele mesmo. Mas , “caramba!”(termo paulistano),a gente aprendia. Acho que é porque eu já tinha facilidade com matemática. Sabe, o Professor Bagody tinha um método disciplinar fantástico, ele dava pontos positivos e negativos por comportamento na sala de aula. Mas era na hora do fato. Teve um bimestre que eu ficaria com nota 10, mas no final fiquei com 2. Ele conseguiu mostrar-me que os meus pontos negativos por agitações em sala de aula, transformou minha média em um desespero. Pergunte para mim se depois deste resultado eu voltei a fazer bagunça em sala de aula.

O pior ( ou melhor), é que depois que me formei em Psicologia, fui contratado para apagar fogo em uma turma de sexta série( dos hormônios pululantes), e descobri em uma pesquisa diagnóstica, que o professor querido dos alunos era um jovem( o mais jovem dos professores daquela escola), usava o mesmo método do Professor Bagody. Os demais professores com problemas com a turma, não usavam métodos tradicionais porque a escola era particular e tinham medo dos pais não aprovarem coisas tradicionais.

Sabe de uma coisa, recentemente tenho sido convidado a ministrar aulas em cursos de Pós- graduações, e teve dias em que ministrei aulas o dia inteiro. Cara, fiquei um “bagaço”. Conclui uma coisa: ser professor não é mole não.

Se eu fosse Ministro da Educação, lutaria para que o salário de um professor fosse o mais elevado de todas as profissões da Nação brasileira. Afinal de contas, todo cidadão passou pelas mãos de um Professor. Sem dúvida, não somos muito sem um bom Professor.

Agora, cá entre nós, Professor é categoria. Por isto, professor sério tem que sindicalizar-se. Tudo bem que o presidenciável José Serra “demoniza” o sindicato dos Professores de São Paulo. Mas convenhamos, para que o salário de Professores esteja no patamar do melhor salário do país, é só com muita luta corporativista, sim!. Ainda bem que neste ponto a Dilma ( também presidenciável), acredita que antes de se avaliar capacidades de Professor, é necessário potencializá-los para tal, por isto o aumento da quantidade e expansão das Universidades Federais no Governo Lula. Sabe! Um o Professor Universitário Dr. Marcelo Barreto da UFES- Extensão São Mateus-ES disse-me que os Professores das Universidade Públicas hoje, estão ganhando mais do que os das faculdades particulares, isto porque ele ministrou aulas em faculdade particular por muitos anos. Sinal de que há mudanças na forma de ver o Professor.

Caros e nobres Professores, palavras não conseguirão expressar o quando estimo vocês.

Sou o que sou hoje, porque vocês me ajudaram a ser o que sou.

Parabéns e muito obrigado

* Dedico este artigo especialmente ao Professor Marcos Correa, Professor de Geografia pela rede pública de ensino estadual na cidade de Ourinhos-SP

PARAGOMINAS - PA - Uma cidade diferenciada

domingo, setembro 19th, 2010

 

Estou em Paragominas-PA, entre as cidades de Imperatriz-MA e Belém-PR. Uma cidade que pouco tempo era vista comoParagobala“. Não se  conseguia andar sozinho na rua à noite.

Mas estou encantado. Fiquei pensando na cidade bagunçada em que moro São Mateus-ES, onde não existe um projeto urbanístico que priorize o pedestre. Aqui em Paragominas, é brincadeira, existem muitas faixas de pedestres, com sinalização de semáforos indicando pedestres, onde todos param para priorizar o pedestre. A cidade está ecologicamente correta na concepção urbanística e e há grandes avenidas planejadas. Hoje o município já encontra-se na faixa verde ecológica, pela contenção do desmatamento e pela exigências de MSM das grandes empresas que por aqui estão se instalando.

Mas, ainda é preciso acertar o esgoto a céu aberto, uma característica das cidades do Norte do país, e também começar a expandir as melhorias urbanas para os bairros periféricos. Mesmo assim as administrações públicas que por aqui passaram, estão demonstrando zelo pela beleza da cidade. Uma senhora disse-me que que no passado ela tinha vergonha de dizer que era de Paragominas-PR mas que com as melhorias urbanas da cidade, ela começou a sentir orgulho de dizer que é nascida na cidade.

Veja, é uma questão simples e estrutural, basta algumas melhorias básicas e inteligentes no complexo urbano, que temos um povo tendo orgulho de ser cidadão de uma cidade

UMA LONGA JORNADO NO ESTADO DO MARANHÃO E PARÁ

sábado, setembro 18th, 2010
Psicólogo Gerson Abarca e a Psicóloga Juliana

Psicólogo Gerson Abarca e a Psicóloga Juliana

Estou desde terça passada em viagem, assessorando a Empresa Emflora em gestão de pessoas. Vim com a Psicóloga Juliana do Instituto Pensamento que dirijo, e também com os colaboradores Vitor e Rafaela da Emflora.

MERCADO EM CRESCIMENTO

Na região de Imperatriz-MA inicia-se grandes investimentos para a implantação da futura fábrica de celulose do grupo Suzano. O Brasil do reflorestamento descobre que no Norte há forte potencial de reflorestamento, das terras  onde as floresta foi devastada, surge a esperança de que pelo menos a extração de madeira não saia da floresta nativa, mas sim da reflorestada. Sabe-se que negócios em torno da celulose é uma das áreas que mais crescem e gera emprego, junto com o ramo de Petróleo.

Já, no Pará, grandes propriedades que estavam quase que abandonadas, ou entregues a uma “meia dúzia de gado”, agora têm novas perspectivas de investimentos, pois além da celulose, o minério de ferro, que exige muito carvão ( madeira), émelhor que não seja de floresta nativa.

POTENCIALIZANDO PESSOAS

Nos treinamentos que estamos desenvolvendo, vejo muitos jovens com vontade de crescer. O subdesenvolvimento destes dois estados, despotencializou oportunidades de crescimento educacional da juventude. Ao contrário do que muitos pensam, nesta região há muito entusiasmo da juventude para crescimento educacional.

MARANHÃO, 50 ANOS DE ATRASO

O Estado de um dos políticos mais influentes do Brasil, é o pior em IDH do Brasil, e isto estou vendo com meus olhos. É ridículo a forma com que os gestores públicos deste estado administram o bem público. A dinastia Sarney leva este estado ao anacronismo público. Aqui falta tudo, e este será o grande desafio para quem é empreendedor e deseja investir em produção.

PARÁ

Um estado também com subdesenvolvimento, mas que levou-me a grande surpresa a cidade de PARAGOMINAS-PA, aqui existe criatividade administrativa, a cidade está bonita. Há busca do setor administrativo por empresas. Inclusive, no almoço, um grupo de Chineses estavam no mesmo ambiente que eu, e eram empresários implantando uma fábrica de móveis, por causa da grande área para crescimento do reflorestamento.

VISÃO DE FUTURO

Não tenho dúvidas que o Norte do Brasil será ainda o celeiro de produtividade econômica para o Brasil. Vejo com bons olhos a mudança do olhar exploratório para o olhar empreendedor. Lógico, que caberá ao estado a garantia da defesa do patrimônio ecológico na região.

Para terem uma idéia do que é geração de empregos, a empresa que assessoro nesta região, emprega aproximadamente 1200 colaboradores diretos e pelo menos 200 prestadores de serviços indiretos.

Estar aqui, fez-me olhar para o Norte do Brasil com um olhar diferenciado. O olhar de que muitos que hoje estão desempregados, verão o salário nosso de cada dia chegar às suas mãos.

CAMPEONATO BRASILEIRO DE 2009 - A DISPUTA DOS ENFRAQUECIDOS

sábado, dezembro 5th, 2009

Muito está se comentando sobre a emocionante disputa do Campeonato brasileiro deste ano. Demoramos para ver um campeonato por pontos corridos, pois a desestrutura dos times brasileiros levava a um temor. O temor de só se ver campeões aqueles mais estruturados, e aconteceu exatamente isto, o São Paulo, um clube bem gerenciado, acabou vencedor nas três últimas edições do brasileirão. E ainda, na última rodada deste, corre o risco de sagrar-se campeão.

Porém, o que poucos estão falando, é da fragilidade das 20 equipes neste campeonato. É só observarmos os números. Em um espectro de 114 pontos a serem conquistados, chegamos à última rodada com o time em primeiro lugar com apenas 64 pontos, 57% de aproveitamento. Flamengo e Internacional são os times que mais venceram, 18 jogos cada, até agora menos da metade, podendo chegar a exatos 50% de vitórias até a última rodada..

Estes números, revela que o aparente campeonato super disputado, não passa de uma farsa. Esconde equipes fragmentadas, reflexo de um futebol brasileiro com graves problemas administrativos e de corrupção, escândalos de jogadores, guerras entre torcidas e acordos entre times. Algo parecido com a Nação brasileira , que se orgulha pelo desempenho da superação sobre a crise econômica, mas registra pioras em índices de Desenvolvimento Humano e da Corrupção; além de estar acumulando episódios políticos dos mais espúrios nos últimos anos no Congresso Nacional.

Mas estudos revelam que o Futebol brasileiro reflete o real situação da democracia neste país. Lembra da Democracia corinthiana encabeçada por Sócrates e Casagrande? Naqueles tempos estávamos saindo de um regime ditatorial e conquistando as ruas – diretas já, anistia política, eleições presidenciais e outros ­- .

O alienado Futebol brasileiro de hoje, estampado nos números do Brasileirão é maquiado pela publicidade agressiva e pelo exaustivo número de programas televisivos de debates futebolísticos. Estes comentaristas que debatem futebol como se estivessem debatendo uma saída para a fome no mundo, ou como se estivessem em uma disputa eleitoral em reta final – é simplesmente “sacal” -.

VOCÊ SABIA?

Que apenas uma emissora de televisão brasileira abocanha dois terços do montante da verba publicitária pública.

Não é por acaso que ainda acreditamos que este é o melhor país para se viver.

Por isto também que acreditamos que este Campeonato Brasileiro de 2009 é o melhor da era dos pontos corridos.

PERGUNTO:

VOCÊ SABE QUAL É A EMISSORA DE TELEVISÃO QUERIDINHA DOS ORGÃO PÚBLICOS?

Se sabe, escreva no comentário abaixo:

O Martírio de Rubem Alves

quinta-feira, novembro 26th, 2009

No livro organizado pelo Dr. em Filosofia Antônio Vidal Nunes (UFES) “O que eles pensam de Rubem Alves e de seu humanismo na religião, educação e na poesia”, Ed. Paulus-SP, 2007. Vemos a trajetória do pensamento deste que considero um filósofo genuinamente brasileiro. E nesta bela historiografia que Vidal descreve no capitulo de introdução do livro, trás o episódio em que Rubem Alves é caluniado por membros de sua congregação religiosa, na qual era pastor na década de 60. Rubem retornava de seus estudos de mestrado nos Estados Unidos e encontrava um Brasil ditatorial, que controlava as idéias que julgavam revolucionárias. E revolucionário para os militares eram todas as idéias de justiça social, igualdade, fraternidade. Muitas Igrejas de base cristã foram cooptadas pelos militares com o mito do comunismo. Julgavam que todos os que desejavam uma sociedade melhor e com justiça social eram comunistas e que o comunismo era o grande mal do planeta – a “ameaça vermelha” – . Como relatou Rubem Alves em 1987. “… O trágico era precisamente isto: que pessoas da igreja, irmãos, pastores, presbíteros, não tiveram o mínimo de sentimento ético e estiveram assim tão pronto a nos delatar”. Imagino quanto este homem teve que suportar, como o beijo de Judas a Cristo. Tendo que observar em silêncio e entender ou encontrar motivos para entender.

O pior estava para vir, as denúncias internas dos seus correligionários cristãos foram parar no meio militar e sua prisão e possível tortura era anunciada. Mas amigos dos Estados Unidos conseguiram bolsa de estudos e Rubem Alves pode partir. Junto com sua família teve que experiênciar seu exílio. Um exílio que produziu seu Doutorado em Princeton.

Como a semente de trigo que morre para viver, o martírio de Rubem o projetou para a vida. Vida que gerou idéias, pensamentos e uma enorme produção filosófica, poética, mística , que hoje eleva a filosofia brasileira.

Pude ter contatos pessoais com Rubem Alves ao longo de minha trajetória profissional – seus livros são de cabeceira de cama no meu cotidiano. A vivência mais intensa foi quando organizei em São Mateus/ ES a 1ª Semana Rubem Alves (2000), pelo Instituto Pensamento que dirijo. Na oportunidade recebemos vários estudiosos de obra de Rubem Alves, inclusive o Antônio Vidal Nunes, grande amigo e Gilberto Damiano (Doutor em Educação). Na oportunidade produzimos a peça teatral do texto infanto juvenil de Rubem Alves “O Flautista Mágico” que pôde ser assistido pelo filósofo para uma grande platéia, graças a criatividade do teatrólogo Oscar Ferreira.

O martírio de Rubem Alves é martírio de homem que busca santidade. A busca por um mundo melhor, independente da religião , é em si um desejo de santidade. Não haverá quietude, ou tranqüilidade para estes muitos como Rubem Alves. Sementes semeadas traze o cêntuplo da esperança na estética das flores coloridas do jardim, e conforta as dores do caminho. As flores do jardim de Rubem Alves é sua magnífica obra. Como disse Alves, “…o otimista é aquele que acredita no futuro em função das evidências do presente; o esperançoso é aquele que acredita no futuro apesar das evidências do presente” (Nunes, 2007, pág. 32).

No livro organizado por Vidal, você poderá ir mais fundo no pensamento de Rubem Alves.

Parabéns grande amigo Antônio Vidal Nunes, por este belo livro.

Olimpíadas no Brasil X Guerrilha urbana

sexta-feira, outubro 23rd, 2009

Estamos vibrando com a aprovação do Rio de Janeiro para a realização da Olimpíadas 2016. Investimentos econômicos e de infra estrutura, todos os focos voltados ao Brasil, e quem sabe um projeto esportivo brasileiro para além do futebol.

Mas o que me incomoda, e sei que a muitos outros brasileiros é a verdadeira guerrilha que se instaurou no Rio de Janeiro há anos e que pelo visto não têm data para acabar. A guerrilha do narcotráfico, que entre mortos e feridos mata bem mais do que verdadeiras guerras e condena cidadãos comuns e inocentes à morte ou ao pânico.

Alguém ja disse que viriamos o Brasil sendo administrado pelo cartel do narcotráfico, e parece que esta análise política que de imediato parecia absurda, é a realidade já no Rio de Janeiro e em muitos outros centros urbanos.

Somado ao crescimento das guerrilhas urbanas vemos a dificuldades do Governo Federal em melhorar o IDH ( Indice de Desenvolvimento Humano), que aliás piorou, sendo que já era ruim. Conseguimos passar pela crise e vemos um Governo em franco crescimento e com amplas áreas de gestão em inovação, mas ainda temos uma gestão pública  com pouco foco na erradicação da pobreza. Políticos são financiados pelo narcotráfico e polícias são parte do esquema. Veja o lance dos policiais que não deram retaguarda nesta semana a um líder de Ong no Rio, quando foram pegos nas câmaras como que colaborando com o crime.

Tomara que a Olimpíadas leve o Governo a ver além dos investimentos nas praças esportivas. Que consiga levar ao Rio de Janeiro o desenvolvimento social que aquele povo maravilhoso merece.

Atualmente, a população carioca é vítima de uma guerra insana. Nos morros cariocas, quando o exército ou polícia invadem, parecem tratar a todos como bandidos. E é nestes morros que temos os maiores potenciais de medalhas olímpica para o Brasil.

Sem inteligência, não veremos soluções a curto prazo para esta situação, e com certeza o que hoje é motivo de festa e orgulho da Nação, amanhã poderá ser motivo de condenação.

Ainda não temos nada a comemorar. Até porquê, os investimento realizados no Pan americano, estão quase todos abandonados.

BLITZ POLICIAL E DIREITOS HUMANOS

sexta-feira, outubro 2nd, 2009

Hoje presenciei mais uma cena daquelas que nos deixam estagnados. Alguns policiais cercaram cinco jovens, sendo um deles uma criança, e fazem a blits. A cena parece de teatro, onde quem está de fora quer parar para assistir, e quem está dentro quer que a cena acabe o mais rápido possível. Deixam os jovens de costas, com a bunda bem arrebitada para trás e os policiais começam a passar a mão em todo o corpo. Outros policiais ficam com armas apontando para os jovens. A cena vai me angústiando. Não sei se são bandidos, se são traficantes, se são inocentes. Mas a idéia que fica, a imagem que fica, é de que aqueles jovens são alguma coisa, menos pessoas. Os policiais não encontram nada, e liberam normalmente os cinco jovens. Eles saem desajeitados, com um olhar de sofrimento, imagino que deveriam estar pensando em que estávamos pensando deles.

Cenas como esta tenho visto sempre pelas ruas das cidades. Fico imaginando se um dia eu for vítima de uma blits desta! Quem estiver assistindo vai pensar que sou um bandido mesmo.

A polícia está certa quando faz desta forma?

Dentro de uma perspectiva de direitos humanos, não!

Não sei se dentro de uma técnica de investigação.

Só sei que a tortura do regime militar, ainda perdura nas ruas de nossas cidades. Este tipo de abordagem a um cidadão, sem que se tenha prova de nada, é no mínimo uma tortura. Mas uma tortura sem contexto.

Até hoje não vi nehuma pessoa de terno andando pelas ruas, sendo revistada da forma que vi estes cinco jovens de hoje. Dos cinco, quatro eram negros e um louro.

Até quando vamos assistir tudo passivamente, como meros espectadores?

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