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Nossa Senhora, a face materna de Deus. Um olhar psicanalítico.

quarta-feira, outubro 12th, 2011

Neste dia 12 de outubro de 2011, ao celebrarmos a Padroeira do Brasil e o dia das crianças, veio-me a necessidade de elaborar um pensamento a partir da Psicanálise.

Primeiramente gostaria de remetê-lo a entender a possível relação entre Psicanálise e Religião. Sigmund Freud, em 1900, trás um novo olhar para a psicologia da época, que até então estava vinculada a aspectos comportamentais e biológicos. Remete a construção de um método para a psicologia de caráter filosófico e interpretativo, quando elabora o conceito do inconsciente. Freud, um Judeu de tradição familiar, ao ver o ser humano com potencialidades para construir ou destruir a própria histórias, começa a pensar também sobre o judaísmo e interpretá-lo. Por isso que muita gente imagina que Freud é um sujeito sem religião, o que é um equívoco, pois simplesmente ele começou a pensar sobre a prática religiosa e sua interlocução com o inconsciente. Desta forma elabora pensamentos que o leva ao confronto histórico com sua própria religião e a religião de todos.

No seu texto “Mal estar na civilização”, Freud chega a descrever em conversa com um líder religioso, seu amigo, que entende a existência de pessoas com um “sentimento oceânico”, pessoas com necessidade interna de se relacionar com um ser superior. Daí a grande polêmica, pois Freud trás a possibilidade de que Deus é uma necessidade e por isso uma invenção humana. Para os religiosos que precisam se apegar ao pé da letra, como se a letra tivesse pé, Freud estaria cometendo uma grande heresia.

No entanto, com minha prática religiosa antes mesmo de conhecer a Freud, consegui ver nesta possibilidade do “sentimento oceânico” uma forte brecha para entrar na teoria de Freud e a partir dela construir referenciais técnicos para atuar como Psicólogo, na forma que nomino de “Psicanálise Contextualizada”, prática esta que desenvolvo pelo Instituto Pensamento há 20 anos e consigo sem nenhum constrangimento falar de religião com instrumentos da psicanálise. Aprendi a fazer isto com facilidade através também dos estudos  de Dalton, uma Psicanalista francesa.

Neste sentido, o dia de hoje carrega a forte simbologia da necessidade do vínculo afetivo materno de todo ser humano que crê na pessoa de Nossa Senhora. No caso do Brasil, todos os brasileiros que de alguma forma cultuam Nossa Senhora de Aparecida, uma imagem que apareceu no Rio Paraíba região do vale do Paraíba de São Paulo para pescadores e que transformou seus corações e vem transformando até hoje o de milhões de pessoas.

Somos estruturados como pessoas e construímos nosso caráter e capacidade para amar a partir de vínculos vivenciados ao longo de nossa infância. Nossa Senhora é a possibilidade de vermos restabelecer todas as possibilidades de perdas de vínculos, as lacunas emocionais de nosso existir, pela fé e prática religiosa. Por isso que a fé atribuída à Nossa Senhora remove os corações dos que assim se colocam, com esperança, paz e serenidade. Para uns são as necessidades materiais não resolvidas no passado e que serão solicitadas nas intermediações junto à Nossa Senhora, para outros os buracos afetivos que ao remeter orações a Nossa Senhora trará consolo e satisfação emocional. Outros mais carentes por laços rompidos de forma cruel à pessoa de que se fez mãe na infância poderão se apegar de forma fanática a Nossa Senhora ou quem sabe fugir da possibilidade de existir uma Nossa Senhora.  Um amigo dizia que não conseguia crer em Nossa Senhora por que o vínculo que havia estabelecido com a sua própria mãe foi cruel.

Enfim, a religião e a fé em Nossa Senhora remete-nos a possibilidade de construirmos afetivamente lacunas que nossa história deixou. Por isso mesmo que religião nunca deixará de ter força entre a humanidade.

ORAÇÂO

Nossa Senhora de Aparecida, cubra-me com seu manto e proteja-me de todos os pensamentos negativos. Acolha minhas carências e transforme minhas dificuldades pessoais em serviços de solidariedade aos mais necessitados, como foi seu propósito ao se manifestar no território brasileiro, quando milhares de negros precisavam ser livres das correntes da escravidão.

Para não dizer que não falei das MÃES

sexta-feira, maio 6th, 2011

Houve um tempo em que ficava muito mal humorado com as comemorações do dia das mães. Sempre olhava pelo senso crítico da exploração comercial deste dia. O comércio faturando e as mães sendo enganadas. Um presentinho, beijinhos e depois novamente escrava dos filhos.

Nas escolas em que assessorava, cheguei até a indicar que não fizessem festas com teatrinhos melodramáticos, pois sempre acontecia uma choradeira daqueles que as mães, por causa de trabalho, não podiam comparecer na escola, ai os filhinhos desabavam em choro, e no trabalho as mães se torturavam se condenando por não poderem estar presentes.

E aqueles filhos adotivos, daquelas adoções realizadas sem critérios, os conflitos existenciais apareciam…Onde está minha verdadeira mãe!!.

Pasmem, já cheguei até a usar uma frase do Psiquiatra José Ângelo Gaiarça em uma palestra  no dia das mães: “Se toda mãe fosse boa não haveria doente mental”. Com certeza deixei muita mãe triste naquela noite.

Mas, com meus três filhos crescendo, fui observando o valor que eles depositam no dia das mães. E depois fui me tocar que eu também adorava ligar para minha mãe Aurora desejando-lhe um feliz dia das mães. Ela ficava toda derretida de emoção.

Agora, se o dia é explorado ou não pelo comércio, que assim seja. Afinal de contas muita cidade deste país vive do comércio. E a vida é para ser festejada, e presente é para retribuir em  agradecimento.

Mãe é realmente um ser fundamental para a existência da saúde emocional. É dela sim a maior força de energia psíquica que move uma criança durante todos os anos da infância de uma pessoa. É pela “maternagem” ( capacidade de cuidar e proteger com afeto segundo Winnicott), que chegamos à vida adulta com potencial para amar.

Vamos celebrar com muita alegria o dia das mães. Afinal de contas, todo ser humano teve seu primeiro ninho no útero de uma mulher.

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