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O Martírio de Rubem Alves

quinta-feira, novembro 26th, 2009

No livro organizado pelo Dr. em Filosofia Antônio Vidal Nunes (UFES) “O que eles pensam de Rubem Alves e de seu humanismo na religião, educação e na poesia”, Ed. Paulus-SP, 2007. Vemos a trajetória do pensamento deste que considero um filósofo genuinamente brasileiro. E nesta bela historiografia que Vidal descreve no capitulo de introdução do livro, trás o episódio em que Rubem Alves é caluniado por membros de sua congregação religiosa, na qual era pastor na década de 60. Rubem retornava de seus estudos de mestrado nos Estados Unidos e encontrava um Brasil ditatorial, que controlava as idéias que julgavam revolucionárias. E revolucionário para os militares eram todas as idéias de justiça social, igualdade, fraternidade. Muitas Igrejas de base cristã foram cooptadas pelos militares com o mito do comunismo. Julgavam que todos os que desejavam uma sociedade melhor e com justiça social eram comunistas e que o comunismo era o grande mal do planeta – a “ameaça vermelha” – . Como relatou Rubem Alves em 1987. “… O trágico era precisamente isto: que pessoas da igreja, irmãos, pastores, presbíteros, não tiveram o mínimo de sentimento ético e estiveram assim tão pronto a nos delatar”. Imagino quanto este homem teve que suportar, como o beijo de Judas a Cristo. Tendo que observar em silêncio e entender ou encontrar motivos para entender.

O pior estava para vir, as denúncias internas dos seus correligionários cristãos foram parar no meio militar e sua prisão e possível tortura era anunciada. Mas amigos dos Estados Unidos conseguiram bolsa de estudos e Rubem Alves pode partir. Junto com sua família teve que experiênciar seu exílio. Um exílio que produziu seu Doutorado em Princeton.

Como a semente de trigo que morre para viver, o martírio de Rubem o projetou para a vida. Vida que gerou idéias, pensamentos e uma enorme produção filosófica, poética, mística , que hoje eleva a filosofia brasileira.

Pude ter contatos pessoais com Rubem Alves ao longo de minha trajetória profissional – seus livros são de cabeceira de cama no meu cotidiano. A vivência mais intensa foi quando organizei em São Mateus/ ES a 1ª Semana Rubem Alves (2000), pelo Instituto Pensamento que dirijo. Na oportunidade recebemos vários estudiosos de obra de Rubem Alves, inclusive o Antônio Vidal Nunes, grande amigo e Gilberto Damiano (Doutor em Educação). Na oportunidade produzimos a peça teatral do texto infanto juvenil de Rubem Alves “O Flautista Mágico” que pôde ser assistido pelo filósofo para uma grande platéia, graças a criatividade do teatrólogo Oscar Ferreira.

O martírio de Rubem Alves é martírio de homem que busca santidade. A busca por um mundo melhor, independente da religião , é em si um desejo de santidade. Não haverá quietude, ou tranqüilidade para estes muitos como Rubem Alves. Sementes semeadas traze o cêntuplo da esperança na estética das flores coloridas do jardim, e conforta as dores do caminho. As flores do jardim de Rubem Alves é sua magnífica obra. Como disse Alves, “…o otimista é aquele que acredita no futuro em função das evidências do presente; o esperançoso é aquele que acredita no futuro apesar das evidências do presente” (Nunes, 2007, pág. 32).

No livro organizado por Vidal, você poderá ir mais fundo no pensamento de Rubem Alves.

Parabéns grande amigo Antônio Vidal Nunes, por este belo livro.

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