Posts Tagged ‘pais e filhos’

Sobre ter ou não ter filhos.

sábado, janeiro 7th, 2012

“Quem papa a pílula

Poupa parto, papinhas,

Porém perde parúsia…”

do livro: “Amar se aprende amando”

de Carlos Drummond de Andrade

A morte do pai.

sábado, agosto 20th, 2011

Pai é uma necessidade humana. Lógico que para existirmos fisicamente é necessário a existência de um pai. Porém, este pode ser apenas biológico ou simbólico. Assim acontece na comemoração do dia dos pais, que para muitos é apenas uma lembrança de uma existência biológica, conhecida ou não; ou simbólica.

Quando falamos do pais simbólico, isto é, daquele na qual depositamos  vínculo afetivo, na qual temos identificação, poderemos estar falando do pai biológico, do avô que se fez pai, do tio e até de um amigo da família. Pois a lembrança do pai simbólico é a representatividade de laços vividos ao longo da história pessoal de cada um.

Para ser pai, é necessário primeiro ser filho. A construção da identidade paterna, ou melhor dizendo, da capacidade para um dia se ser pai, passa pela relação direta que o homem estabeleceu com a pessoa na qual nomeou de pai. Primeiro por identificação projetiva, onde copia aquele que se faz de grande herói, e depois projeta no mundo esta relação. Por isso a criança pode se desenvolver no mundo e nas relações interpessoais de forma definida ou indefinida, isto é, com segurança de ter um porto seguro ou não. Com a possibilidade de um pai em que pode projetar-se, fica mais fácil de se encontrar com um mundo.

Nesta semana, conversando com uma linda jovem de 15 anos, dizia-me que gostava muito de estudar e não estava preocupada em encontrar logo um namorado. Falava de seu pai como um grande parceiro, carinhoso e atencioso a ela. Além disso, narrava que seu pai se relacionava muito bem com sua mãe. Campo fértil para filhas não escorarem tão sedo nos braços de um namorado por carências afetivas.

Mas para crescer, o menino cujo pai herói era imagem de identificação, deverá sofrer um abalo de imaginário. È quando o menino começa a ficar adulto e entrará em choque com a autoridade de um pai, do seu pai. Por isto o conflito salutar e inevitável de filhos homens com seus pais. Lógico que haverá vínculos onde não acontecerão confrontos ou crises, mas geralmente onde há um pai que entende a necessidade de seu filho construir sua própria identidade. Estes pais, ao invés de sofrerem com a busca de autonomia do filho que muitas vezes se manifesta na postura de rebeldia, tendem a acolher por que entendem que a rebeldia já é um sintoma de busca de independência.

Neste sentido, só é possível construir uma identidade paterna nos homens que conseguirem matar o pai, isto é, saírem da relação de dependência do herói para construírem seus próprios referenciais. Quando um filho é capaz de confrontar seu pai com argumentos e opiniões próprias, é sinal que um novo pais está sendo elaborado.

Matar o pai é  uma necessidade simbólica  para a continuidade do pai como referência na sociedade.

A Trindade como referência de uma relação madura entre pai e filho.

sábado, agosto 13th, 2011

O Pai se fez carne e habitou entre nós (Jo 1) . De Pai torna-se Filho, e ficam dois em um. Nesta relação de vínculo um terceiro se faz, que é a lucidez, o Espírito Santo.

Na Trindade Santa podemos ter a convivência de papéis diferentes que se relacionam em um patamar de igualdade. Pai, Filho e Espírito Santo.

Neste dia dos pais veio-me esta analogia para identificar a saudável relação de filhos adultos com seus pais. Os papeis diferenciados mas em um mesmo posicionamento de igualdade. De adulto para adulto pode nascer um relacionamento de amizade. Dissolve-se a dependência e estabelece a parceria. Assim, o pai deixa de ser o pai enquanto função, e o filho deixa seu papel de subordinado. Estabelecem trocas.

Feliz do filho que ao celebrar o dia dos pais esteja celebrando o dia de um de seus melhores amigos, quem sabe o maior de todos os amigos. Neste dia, os sentimentos são de alegria, jubilo, agradecimento, saudade. Do contrário, quando o filho ainda é filho mesmo tendo crescido e o pai ainda é o pai que domina com medo de perder sua posição, amargarão o dia dos pais como um dia de angústia.

Na fé acontece algo semelhante. Quando nos relacionamos com Deus na condição de filhos imaturos, só queremos pedir, sem muito a oferecer. Vemos deus como um Pai punitivo, que muitas vezes nos escondemos Dele, principalmente quando acreditamos estar no erro. Uma fé infrutífera. Mas se nossa relação com deus se dá na condição de adulto para adulto, faremos compromissos e parcerias, tornamo-nos missionários em construção do Reino. Somos parceiros. Fazemos acontecer o mistério da Santíssima Trindade, onde tornamo-nos um com o Pai sob a luz ( que é a maturidade das relações) o Espírito Santo.

Para não dizer que não falei das MÃES

sexta-feira, maio 6th, 2011

Houve um tempo em que ficava muito mal humorado com as comemorações do dia das mães. Sempre olhava pelo senso crítico da exploração comercial deste dia. O comércio faturando e as mães sendo enganadas. Um presentinho, beijinhos e depois novamente escrava dos filhos.

Nas escolas em que assessorava, cheguei até a indicar que não fizessem festas com teatrinhos melodramáticos, pois sempre acontecia uma choradeira daqueles que as mães, por causa de trabalho, não podiam comparecer na escola, ai os filhinhos desabavam em choro, e no trabalho as mães se torturavam se condenando por não poderem estar presentes.

E aqueles filhos adotivos, daquelas adoções realizadas sem critérios, os conflitos existenciais apareciam…Onde está minha verdadeira mãe!!.

Pasmem, já cheguei até a usar uma frase do Psiquiatra José Ângelo Gaiarça em uma palestra  no dia das mães: “Se toda mãe fosse boa não haveria doente mental”. Com certeza deixei muita mãe triste naquela noite.

Mas, com meus três filhos crescendo, fui observando o valor que eles depositam no dia das mães. E depois fui me tocar que eu também adorava ligar para minha mãe Aurora desejando-lhe um feliz dia das mães. Ela ficava toda derretida de emoção.

Agora, se o dia é explorado ou não pelo comércio, que assim seja. Afinal de contas muita cidade deste país vive do comércio. E a vida é para ser festejada, e presente é para retribuir em  agradecimento.

Mãe é realmente um ser fundamental para a existência da saúde emocional. É dela sim a maior força de energia psíquica que move uma criança durante todos os anos da infância de uma pessoa. É pela “maternagem” ( capacidade de cuidar e proteger com afeto segundo Winnicott), que chegamos à vida adulta com potencial para amar.

Vamos celebrar com muita alegria o dia das mães. Afinal de contas, todo ser humano teve seu primeiro ninho no útero de uma mulher.

Finais de semana, uma agenda com os filhos

segunda-feira, maio 10th, 2010
Hélder, nosso pequeno. O quarto em pé, da direita para a esquerda

Hélder, nosso pequeno. O quarto em pé, da direita para a esquerda

Na correria do dia a dia, tendemos a querer ficar na boa aos finais de semana. As vezes nos envolvemos com atividades da Igreja intensamente e no lazer com os amigos. Mas e os filhos?

Eles esperam por seus pais e anseiam por um final de semana com presença real. Aqui não vale a idéia de que vale a qualidade, mais do que a quantidade. Pois final de semana com os pais por perto, qualidade com quantidade é a coerência que fica registrado na mente dos filhos. Mas quando nossa atenção é mínima e os filhos nos vêem ao redor das mesas com amigos e irritados quando nos absorvem para brincar, a ansiedade deles vai a mil por hora. Não adiante criar conceitos de camaleão, eles saberão medir a nossa verdade. E se assim não formos ( verdadeiros), ficarão desconfiados e será estabelecido um vínculo de insegurança e desconfiança.

Já presenciamos uma antiga publicidade que explorava esta idéia: “não basta ser pai, têm que participar”.

E participar é estar junto, fazendo, acontecendo.

O resultado de centenas e milhares de finais de semanas com a presença qualitativa e quantitativa dos pais na vida  de uma criança, só dará resultados satisfatórios para a vida emocional de um filho, a quase certeza de um adulto feliz.

Muitos transtornos emocionais que remetem à variação de humor comportamental, estão associados à labilidade dos pais na relação com seus filhos, pela falta de frequência presencial lúdica.

Nosso querido filho Davi, de goleiro

Nosso querido filho Davi, de goleiro

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