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mar
18

Quaresma

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Este tempo forte, é meu kairós! É minha oportunidade dada por Deus para me reestruturar enquanto cristão, na minha vocação pessoal, nas minhas convivências e com a minha família.

Chama-se Quaresma os quarenta dias de jejum e penitência que precedem a festa da Páscoa. Esse costume em preparar a Páscoa, existe desde os tempos dos Apóstolos em memória aos 40 dias que Jesus passou no deserto enviado pelo Espírito. A quaresma inicia-se na quarta-feira de cinzas e percorre o tempo até a quarta-feira da Semana Santa.

Toda a Igreja vive este momento como um tempo especial dentro do ano litúrgico e nos convida a adentrar neste mistério dos 40 dias para fazer como Jesus a experiência do deserto. A própria liturgia nos põe dentro desta dinâmica com os cânticos litúrgicos, a própria liturgia da palavra, as cores fortes do roxo usado nos paramentos e alfaias representando a penitência e a contrição, o cântico do Glória e a Aleluia que são suprimidos, tudo nos levam para viver este kairós (tempo de graça).

O Papa Francisco em sua catequese da última quarta-feira de cinzas, disse que a Quaresma é como um tempo forte para todo cristão, provoca em nós uma reviravolta; isso mesmo, REVIRAVOLTA! No sentido de favorecer em cada um de nós uma mudança, uma nova compreensão de si, uma conversão. O Salmo meditado na missa de cinzas como também no primeiro domingo da quaresma é o mesmo: O Salmo 51(50) Misere – Iniciando pedindo misericórdia à Deus tão amoroso, capaz de apagar a culpa e lavar o pecador de seus delitos, é o fio condutor deste tempo, que nos faz olhar com sinceridade a nós mesmos e reconhecer que precisamos recomeçar, reconciliar com Deus e os irmãos. Ainda no Sl 51(50), o salmista vai terminando pedindo à Deus a alegria de ser salvo e uma renovação por dentro com um espírito decidido. Assim podemos compreender a base do que vem a ser este tempo quaresmal.

O tempo da Quaresma nos lembram também o apelo dos profetas do antigo testamento como o próprio apelo de Jesus à conversão e à penitência. A oração, o jejum e a caridade estão intimamente ligados entre si para uma verdadeira conversão do coração. O Catecismo da Igreja Católica (CIC), afirma: “A penitência interior é uma reorientação radical de toda a vida, um retorno, uma conversão para Deus de todo nosso coração, uma ruptura com o pecado, uma aversão ao mal e repugnância às más obras que cometemos” (CIC 1431).

Este tempo forte, é meu kairós! É minha oportunidade dada por Deus para me reestruturar enquanto cristão, na minha vocação pessoal, nas minhas convivências e com a minha família. Neste tempo me recordo que nunca devo esquecer-me de pedir perdão à Deus, que nunca se cansa de perdoar e plasmar em atitude este perdão com os que nos ofendem. No evangelho de São Mateus Jesus nos diz: “Sede Misericordiosos, como também o vosso Pai é misericordioso” (Mt 6,36). Diante desta palavra, nos lembra o Papa Francisco que, para viver esta vontade do Senhor, é necessários duas atitudes: reconhecer-se e ter um coração alargado. Aí entra mais uma vez na dinâmica do tempo quaresmal, que é um olhar para si, reconhecer as misérias, pedir perdão, agir com caridade e mudar a história para ser vivida com Cristo Misericordioso.

Pe Moises Coelho

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