O dia que o neto deu um novo sentido à vida do seu avô

Fui convidada a falar um pouco como os netos interfere na saúde de seus avôs. Meu primeiro passo foi pesquisar algumas informações a respeito desse assunto na internet. Para a minha feliz surpresa, os achados da minha busca, me lembrou de um fato concreto que vivi com o meu pai.

Lá em casa, meus pais tiveram duas filhas. Eu sou a mais velha e sou missionária na Comunidade Canção Nova. Moro em Cachoeira Paulista, interior de São Paulo, há 3 anos e meio. E minha irmã é casada, mora em São Paulo, próximo da casa dos nossos pais. Na época do ocorrido, Samuel, meu sobrinho estava próximo de completar um ano de vida.

Tudo começou no dia 12 de agosto de 2018. Eu, por conta do dia do pais, fui passar o final de semana com eles e voltei na noite de domingo para minha casa. No dia seguinte, apareceu umas bolhas nas pernas do meu pai. Até aí, um fato que já havia ocorrido outras vezes, pois ele tem erisipela bolhosa, desde 2017.

As bolhas cresceram muito e minha mãe ficou preocupada levou o meu pai ao hospital, na quinta-feira. Lá decidiram que seria melhor interná-lo para fazer um outro tratamento.

Meus pais, sendo católicos e já conhecendo a rotina daquele hospital, por inúmeras internações anteriores, pediram ao padre capelão, que todos os dias, trouxesse a Santa Comunhão para eles. E assim foi, todos os dias, Jesus se fazia alimento para os dois.

A previsão da alta, era segunda-feira, no entanto, devido a outras complicações de saúde que o meu pai já tem e algumas alterações nos resultados dos exames, decidiram dar alta somente no dia seguinte.

Na terça, ele se preparando para ter alta hospitalar, foi tomar banho e teve uma insuficiência respiratória grave. Foi socorrido imediatamente. Levaram-o para a UTI e lá foi sedado e intubado. Naquele dia, quase que ele veio a falecer. Peguei o ônibus e voltei para a casa para estar com a minha família.

Passado o susto. Meu pai recebeu a unção dos enfermos ainda na UTI e todos os cuidados médicos possíveis. Tiraram a sedação, a intubação e foi retornando aos poucos, a sua condição de saúde inicial.

Os médicos nos entrevistaram e no final, fizeram uma reunião com toda a família para nos informar da gravidade do estado de saúde do meu pai. Ele mesmo não quis participar e eu fiquei com ele, enquanto todos foram para essa reunião. Resumindo os médicos nos disseram “é um paciente terminal e de cuidados paliativos”. E que era preciso, deixar registrado no prontuário, a decisão da família, se isso viesse acontecer novamente.  

Não foi nada fácil para nós, ouvir tudo isso e ainda ter que decidir qualquer coisa a respeito da sua vida.

Em outro dia, passando a noite com ele no hospital, perguntei se ele gostaria de rezar um terço comigo e ele disse que sim. Perguntei o que ele gostaria de pedir a Deus, diante da sua situação atual de saúde. 

Dentro de mim, tudo era muito sério e confuso. Não entendia ao certo o que estava acontecendo. E dizia a Deus: “Meu Deus, não vou mais pedir para prolongar a vida do meu pai, como um ato egoísta. Já faz mais de 15 anos que eu rezo para ele viver, mas cada vez, que ele tem uma nova intercorrência na sua saúde ficam sequelas e dificuldades que eu não sei como ele consegue suportar; ao mesmo tempo, não posso pedir jamais para interrompê-la, pois não cabe a mim essa decisão”.

Ele, com o aquele aparelho respiratório cobrindo o seu rosto, me deu a seguinte resposta  simples e serena “eu quero viver, eu quero ver o meu neto crescer, se Deus quiser!”. Diante disso, eu só pude responder a ele “pai se você quer, eu também quero, é isso que vamos pedir a Jesus”. 

Eu tentei me segurar, mas a cada vez que eu rezava “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte”, eu chorava muito. Pela medicina, não tinha mais jeito, mas para Deus nada era impossível.  

Relato da avó – Ester Silva Habiro, Mãe da Daniela Habiro

O Samuel chegou num momento em que meu esposo estava doente (problema de pulmão, perda da visão, problema nas pernas). Uma situação bem complicada, sem expectativas de melhoras, exigindo muitos cuidados.

Para o meu esposo foi um ânimo para lutar pela vida, para ver o Samuel crescer. Ele trouxe alegria, esperança, esquecemos as dificuldades e focamos na vida que estava começando, o futuro promissor e imaginávamos como seriam os sonhos do Samuel. 

Isso trouxe grande alegria e todos falavam: “Nossa! Como o Miti (meu esposo) ficou alegre, feliz com a presença do Samuel, mesmo com toda a doença e com a aposentadoria por invalidez! Ele não se abateu!”.

Mas na realidade, o Samuel me ajudou muito mais, porque cuidar de uma pessoa doente, não é fácil, principalmente, quando a doença é crônica e os tratamentos são paliativos. Eu fiquei tão focada em cuidar do Samuel, na alegria que uma criança traz numa casa, que me ajudou a não ficar olhando para as dificuldades. Ele me trouxe esperança, coragem, força pra enfrentar os problemas! Sua inocência e alegria me contagia! 

Acho que sem ele, eu estaria depressiva, só focada na doença do meu esposo. Com ele, cada novidade (como andar, falar e as atitudes) sempre me alegra. É muito bom tê-lo conosco! Deus nos fala muito através dele, em seus pequenos gestos! Ele nos trouxe alegria de viver, mesmo nas grandes tribulações. 

Samuel e seus avôs, na sua festa de um ano de idade. foto: arquivo pessoal

Então, no dia 04 de setembro, celebramos a vitória. Para surpresa dos médicos, o meu pai se recuperou e teve alta hospitalar. Ficou dois dias em casa se recuperando e no dia 07 de setembro, o meu pai foi no buffet comemorar o primeiro ano de vida do seu neto, Samuel. Foi a nossa maior batalha, mas a nossa melhor Vitória! Deus venceu! Que tudo seja para a maior honra e glória de Deus!

Hoje, quase um ano depois, meu pai está bem e aguardando a chegada da sua segunda netinha, a Catarina. 

De fato, os netos dão aos seus avôs um novo sentido de viver, que só pode vir do Coração de Deus.

No dia 26 de julho, comemora-se o Dia dos Avós, que São Joaquim e Sant`Anna, avós de Jesus, rogai por nós!

Daniela Habiro, Missionária da Comunidade Canção Nova