Isolamento afetivo ou solidão?

Na atualidade, o uso da tecnologia, nos deu a possibilidade de estarmos 24 horas conectados, por redes sociais, smartphones, computadores, tablets e muitos outros meios de comunicação. Porém  percebe-se uma crescente população que tem preferência em viver um estilo de vida mais isolado.

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O isolamento por si só não traz nenhum malefício ao indivíduo desde que seja temporário, como uma forma para se redescobrir e se ouvir (retiros espirituais, experiências de “deserto”). Diante de todas as informações e estímulos despejados diariamente em nós, entretanto ele passa a ser preocupante quando começa a atuar como um mecanismo de defesa como o isolamento afetivo. Tal mecanismo atua em separar a situação que o incomoda do seu afeto.

No isolamento afetivo a pessoa não esquece os traumas vividos, mas perde as conexões e o significado emocional. Os fatos importantes de sua vida perdem o significado afetivo, são isolados de sua carga emotiva de tal forma que acabam desencadeando patologias mais severas como depressão, apatia, ansiedade e o transtorno de personalidade esquiva.

Segundo a 5ª edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-5 (2014), o Transtorno de Personalidade Esquiva é um padrão de inibição social, sentimentos de inadequação e hipersensibilidade a avaliação negativa.

Trata-se de um transtorno onde pode se constatar uma timidez predominante, sentimento de incapacidade, alta sensibilidade a repressões e críticas, com tendência ao isolamento social e afetivo.

Pessoas que tendem a ter esse transtorno possuem baixa auto estima, se sentem socialmente incompetentes e desagradáveis , evitam todo tipo de contato social por medo extremo de desprezo, humilhação e ridicularização.

Para ser diagnosticado é necessário apresentar as seguintes características:

  • Evita atividades profissionais que envolvam contato interpessoal significativo por medo de crítica, desaprovação ou rejeição.
  • Não se dispõe a envolver-se com pessoas, a menos que tenha certeza de que será recebido de forma positiva.
  • Mostra-se reservado em relacionamentos íntimos devido a medo de passar vergonha ou de ser ridicularizado.
  • Preocupa-se com críticas ou rejeição em situações sociais.
  • Inibe-se em situações interpessoais novas em razão de sentimentos de inadequação.
  • Vê a si mesmo como socialmente incapaz, sem atrativos pessoais ou inferior aos outros.
  • Reluta de forma incomum em assumir riscos pessoais ou se envolver em quaisquer novas atividades, pois estas podem ser constrangedoras.

É comum confundir essas características com outros transtornos como fobia social, transtorno de personalidade anti-social e transtorno de personalidade esquizoide, por isso é preciso ficar atento aos mínimos detalhes e sempre que se sentir dessa forma procurar ajuda profissional.

Natália Maria Nogueira, é psicologa no Posto Médico Padre Pio. Graduanda de Intervenção familiar com ênfase em psicoterapia familiar e de casal.