pescariaJá era tarde, o sol estava empolgado naquele dia! Como membro da Comunidade Canção Nova, eu me encontrava no período anual de descanso. Dentro do meu coração eu estava decidido a pescar com ele…

Já tinha pescado há muito tempo com ele, me recordo de poucas coisas. Mas, o tempo não foi capaz de me fazer esquecer a pessoa que me ensinou a pescar.

Penso que Jesus escolheu Pedro pescador, pelo simples fato do pescador ter hora para sair, mas não para voltar. Interessante, com ele não foi diferente, ele sempre agia assim: saia bem cedo antes do sol nascer e só retornava à noite, depois das estrelas.

Fico pensando: quantos rios ele já passou, quantos peixes já pescou. A arte da pescaria já proporcionou a ele muita coisa, além de ser um grande homem ele é um pescador.

Nesse dia estava ele, eu e mais ninguém. Não tinha espaço para outra pessoa, o tempo era nosso, o rio era nosso, tudo era nosso e de mais ninguém. No trajeto até o rio, surgiu uma partilha, não podia ser diferente. Dois pescadores juntos, só podia resultar nisso, nossa conversa foi sobre peixes, sobre quem pescou mais na vida.

Aprendi na Canção Nova que para chegar ao coração de uma pessoa, preciso falar daquilo que ela mais ama, preciso falar do seu sagrado. Jesus fez isso com Pedro, usou daquilo que ele mais amava, daquilo que ele mais sabia fazer, usou do seu sagrado, da pescaria.

Acho lindo quando Jesus dirigiu-se a Pedro e disse: “Segue-me e te farei pescador de homens” (cf. Mt 4,19)

Isso de alguma forma aconteceu comigo, deixei a pessoa que eu mais amava, a pessoa que me ensinou a pescar, para seguir Jesus, para poder pescar almas.

Minha gente, Jesus era um homem sensível, ele não tirou a pescaria de Pedro. Jesus fez diferente: deu qualidade à pesca de Pedro, deu sentido, significado. Tirou os peixes, colocou pessoas. Vem e segue-me e farei de vós pescadores de homens.

A forma que eu tinha para me aproximar dele era a pescaria, eu não podia deixar passar essa grande oportunidade, era minha única vara de pesca, era minha única isca. Era a pescaria mais importante de toda a minha vida. Meu coração queria ficar próximo ao dele, por meio da pescaria, eu olhava o seu semblante e pude presenciar a alegria estampada no seu rosto.

Confesso que a minha vontade nesse dia era entrar com muita discrição no seu coração, para poder saber o que estava passando por ali, mas não consegui. Então decidi usar do meu sagrado, da poesia, então recolhi no meu coração as suas palavras e alguns dos seus gestos simples que sobraram da nossa partilha até aquele instante. Organizei as palavras dentro de mim, despertou em mim, enfim, poesia.

A poesia tem o poder de entrar na vida do outro a todo instante sem que ele perceba. Então descobri o que ele estava pensando. Ele estava pensando em mim. Ele estava querendo entrar na minha vida da mesma forma que eu estava querendo entrar na dele por meio da pescaria.

Para isso acontecer nem foi preciso chegar até o rio. No caminho ele conseguiu e eu também consegui, nossos corações se encontraram. Então o que era para ser uma pesca de peixes, Jesus entrou e mudou, deu qualidade, deu vida. Significado. Virou pescaria de homens, de almas. Um pescou o outro. Agora já não eram duas pessoas e sim três: ele, eu e Jesus. Cumpriu-se assim a promessa feita a mim:

Ederson José, vem e segue-me e eu farei de ti pescador de homens (cf. Mt 4,19).

E foi assim a nossa pescaria, minha gente, não teve peixes, teve pessoas, teve significados. E o maior significado de uma pescaria não são os peixes, são as pessoas. Jesus, eu e ele: o meu pai.

São Pedro, pescador de almas, rogai por nós!

Éderson José

Discipulado 2014

CN Queluz

O olhar de minha mãe

Olhar doce, tão singelo,

Penetrante e discreto.

Envolve-me a alma, o teu olhar

Olhos que me fazem descansar.

Olhar o teu olhar, e por ti, Mãe, me deixar guiar…

 

Teu olhar no meu olhar…

Semblante assim quero ter!

Quero me deixar olhar.

Pois gostas de zelar pelo que é teu.

Dou-te meu olhar, todo ele é teu.

Dou-te meu viver, todo o meu ser.

Cuidas de mim, como do Cristo

Mas, quero um olhar como o teu,

Pois sei que é o mesmo que destes ao Cristo.

Olhar pobre, despojado, que nada retém,

Que dá tudo, pois concentra em si toda a riqueza!


Teu olhar me cala, e ao mesmo tempo me faz falar.

Teu olhar me aquece, me protege.

É um olhar vivo, é materno.

É assim o olhar de minha Mãe:

Olhar que fala por si só,

Que exorta, corrige, e anima.

Olhar que encoraja, olhar que me ama!

 

Meu olhar já embaçado… pelas lágrimas a rolar,

Enquanto te vejo me olhar…

Olhar sofrido, olhar sincero.

Olhar pureza.

Olhar que me calou, no seu doce piscar.

Olhar que mata o mal em mim,

Olhar de mãe… de espera… olhar que vela.

Que vê além das nuvens que por vezes me cobrem,

Olhar que penetra minh’alma como espada sem fim…

E paralisa-me o pensar, de um jeito assim…

 

Que olhar é esse?

Vê o que não vejo e se adianta em meu auxílio.

Teu olhar me faz cantar…

Faz-me viver um novo canto…

No teu olhar me envolve

E me devolve a graça do respirar!

Continue… me olhe!

Preciso ser olhado, e o quero!

Ensina-me também, a olhar assim…

Olhando teu olhar de Mãe,

Sempre sobre mim…

 

Diác. Edmilson Dias

Comunidade Canção Nova