Na simplicidade de uma criança, um grande ensinamento

Certa vez uma criança, filha de uma amiga de outra religião, me perguntou:

Patrícia Felix em adoração ao Santíssimo na Capela da Casa de Maria em Queluz– Não entendo por que você “tia” fica naquela casinha – isso é, na capela – “sozinha” como se tivesse ouvindo algo ou alguém e depois sai…

Eu sorri para ela e disse:

– Fico aguardando o brilho do sol da luz que sai daquele lugar tocar meu rosto…

– É “tia”? Aquela portinha dourada brilha? Que brilho é esse? – me perguntou a criança.

E eu respondi:

– É como o brilho do olhar, só que mais forte; vai no coração e dá alegria e consolo. Eu olho para ele e ele olha pra mim… E mesmo que eu não fale nada, ele me conhece e sabe do que preciso, e, é por isso que gosto de ali estar, pois a paz que isso me dá é incomparável.

Ela disse:

– Agora entendi! Toda vez que minha mãe disser que ali é uma portinha na parede e que não tem nada, eu vou dizer: não mãe, ali é de onde sai a paz!

Parece brincadeira mas isso aconteceu comigo. As crianças conseguem muitas vezes ver e entender o que muitos adultos não entendem.

Tenho muitos amigos e não faço distinção de religião. Respeito a todos e os amo, mas fé é algo individual e como tratamos e vivemos a nossa fé é o que faz a diferença.

Quando você estiver na Igreja, eu desejo que o brilho que sai daquele lugar, o Sacrário onde está guardado o Santíssimo Sacramento, toque o seu rosto e o seu coração.

Patrícia Felix
Missionária da Comunidade Canção Nova

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por Fernando Fantini

Um pouco da minha experiência na Casa de Maria

Morei nessa casa em 2009 quando vivi meu discipulado, uma das primeiras fases de formação para quem ingressa na Comunidade Canção Nova.

Casa de formação inicial lembra ”aprendizado”, não é mesmo? É exatamente isso que resume minha experiência na Casa de Maria, em Queluz/SP.

Aprendizado não como o da escola ou em algum curso… Na verdade foi um aprendizado semelhante ao que temos em nossa família: no dia a dia, na barra da saia da mãe, nas broncas do pai e no convívio com os irmãos.

Aprendi a rezar, a rezar de verdade; a ser alguém íntimo de Deus e da Virgem Maria. Mas isso não aconteceu da noite para o dia.

Cheguei nessa casa achando que já sabia tudo, que não precisava aprender mais nada – já havia morado fora do país, era querido pelos meus irmãos. Me considerava alguém preparado, mas através de partilhas fui percebendo, nessa escola simples, que eu não estava pronto para nada.

Foram muitas as orações e atendimentos na capela, que parecia o ventre de Nossa Senhora. Fui gestado para ”nascer” no tempo certo.

Todos os dias eu me sentava no mesmo lugar na capela, perto do Sacrário, encostado na parede e de frente para um vitral de Nossa Senhora de Fátima [foto ao lado].

Recordo-me que tive um encontro com Jesus em Sua Palavra, enquanto cuidava da liturgia. Encontrei-me com Ele também através do livro ”Cristo minha vida” que recebi da minha formadora.

Mesmo depois de tanta graça e com o passar dos anos, ainda não estou pronto. Continuo na escola do dia a dia e sem esquecer do homem novo que Cristo começou em mim.

Lembra do vitral da capela? Pois é, não era uma coincidência eu se sentir atraído por ele. Hoje moro na missão da Canção Nova em Fátima – Portugal. Continuo na luta para fazer do Senhor o centro da minha vida. Devo isso a experiência de aprendizado em uma casa pequena: a Casa de Maria.

William Brizola
missionário CN em Fátima/Portugal
fb.com/will.cancaonova @william_cn
edição do texto: Livia Almeida (atual discípula CN)