{"id":5290,"date":"2016-04-25T09:32:56","date_gmt":"2016-04-25T12:32:56","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cancaonova.com\/riopreto\/?p=5290"},"modified":"2016-04-25T09:50:22","modified_gmt":"2016-04-25T12:50:22","slug":"deus-instituiu-a-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/riopreto\/deus-instituiu-a-morte\/","title":{"rendered":"Deus instituiu a morte?"},"content":{"rendered":"<h2>Deus instituiu a morte\u00a0para o ser humano?<\/h2>\n<p>At\u00e9 agora estivemos a falar da f\u00e9 e da esperan\u00e7a no Novo Testamento e nos in\u00edcios do cristianismo, mas deixando sempre claro que n\u00e3o se tratava apenas do passado; toda a reflex\u00e3o feita tem a ver com a vida e a morte do homem em geral e, portanto, interessa-nos tamb\u00e9m a n\u00f3s, aqui e agora. Chegou o momento, por\u00e9m, de nos colocarmos explicitamente a quest\u00e3o: para n\u00f3s, hoje a f\u00e9 crist\u00e3 \u00e9 tamb\u00e9m uma esperan\u00e7a que transforma e sustenta a nossa vida?<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-5304\" src=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/riopreto\/files\/2016\/04\/formacao_luto-como-superar-o-sentimento-de-culpa1600x1200-600x450.jpg\" alt=\"formacao_luto-como-superar-o-sentimento-de-culpa1600x1200-600x450\" width=\"600\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/blog.cancaonova.com\/riopreto\/files\/2016\/04\/formacao_luto-como-superar-o-sentimento-de-culpa1600x1200-600x450.jpg 600w, https:\/\/blog.cancaonova.com\/riopreto\/files\/2016\/04\/formacao_luto-como-superar-o-sentimento-de-culpa1600x1200-600x450-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><br \/>\n<sup>Foto: Rog\u00e9ria Nair\/cancaonova.com<\/sup><\/p>\n<p>Para n\u00f3s aquela \u00e9 performativa \u2013 uma mensagem que plasma de modo novo a mesma vida \u2013 ou \u00e9 simplesmente informa\u00e7\u00e3o que, entretanto, pusemos de lado porque nos parece superada por informa\u00e7\u00f5es mais recentes? Na busca de uma resposta, desejo partir da forma cl\u00e1ssica do di\u00e1logo, usado no rito do Batismo, para exprimir o acolhimento do rec\u00e9m-nascido na comunidade dos crentes e o seu renascimento em Cristo. O sacerdote perguntava, antes de mais nada, qual era o nome que os pais tinham escolhido para a crian\u00e7a, e prosseguia: \u00a0&#8220;O que \u00e9 que pedis \u00e0 Igreja?&#8221; . Resposta: &#8220;A f\u00e9&#8221;\u00bb. &#8220;E o que \u00e9 que vos d\u00e1 a f\u00e9?&#8221;. &#8220;A vida eterna&#8221;.<\/p>\n<h3>Na f\u00e9 est\u00e1 a chave para a vida eterna<\/h3>\n<p>Como vemos por este di\u00e1logo, os pais pediam para a crian\u00e7a o acesso \u00e0 f\u00e9, a comunh\u00e3o com os crentes, porque viam na f\u00e9 a chave para a vida eterna. Com efeito hoje, como sempre, \u00e9 disto que se trata no Batismo, quando nos tornamos crist\u00e3os: \u00e9 n\u00e3o somente um ato de socializa\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito da comunidade, nem simplesmente de acolhimento na Igreja. Os pais esperam algo mais para o baptizando: esperam que a f\u00e9 \u2013 de que faz parte a corporeidade da Igreja e dos seus sacramentos \u2013 lhe d\u00ea a vida, a vida eterna. F\u00e9 \u00e9 subst\u00e2ncia da esperan\u00e7a. Aqui, por\u00e9m, surge a pergunta: Queremos n\u00f3s realmente isto: viver eternamente?<\/p>\n<p>Hoje, muitas pessoas rejeitam a f\u00e9, talvez simplesmente porque a vida eterna n\u00e3o lhes parece uma coisa desej\u00e1vel. N\u00e3o querem de modo algum a vida eterna, mas a presente; antes, a f\u00e9 na vida eterna parece, para tal fim, um obst\u00e1culo. Continuar a viver eternamente \u2013 sem fim \u2013 parece mais uma condena\u00e7\u00e3o do que um dom. Certamente a morte queria-se adi\u00e1-la o mais poss\u00edvel.<\/p>\n<h3>Deus n\u00e3o instituiu a morte, deu-a como rem\u00e9dio<\/h3>\n<p>Mas, viver sempre, sem um termo, acabaria por ser fastidioso e, em \u00faltima an\u00e1lise, insuport\u00e1vel. \u00c9 isto precisamente que diz, por exemplo, o Padre da Igreja Ambr\u00f3sio na sua elegia pelo irm\u00e3o defunto S\u00e1tiro: Sem d\u00favida, a morte n\u00e3o fazia parte da natureza, mas tornou-se natural; porque Deus n\u00e3o instituiu a morte ao princ\u00edpio, mas deu-a como rem\u00e9dio. Condenada pelo pecado a um trabalho cont\u00ednuo e a lamenta\u00e7\u00f5es insuport\u00e1veis, a vida dos homens come\u00e7ou a ser miser\u00e1vel. Deus teve de p\u00f4r fim a estes males, para que a morte restitu\u00edsse o que a vida tinha perdido. Com efeito, a imortalidade seria mais penosa que ben\u00e9fica, se n\u00e3o fosse promovida pela gra\u00e7a . Antes, Ambr\u00f3sio tinha dito: &#8220;N\u00e3o devemos chorar a morte, que \u00e9 a causa de salva\u00e7\u00e3o universal&#8221;.<\/p>\n<p>Leia tamb\u00e9m:<\/p>\n<p><strong>:: <a href=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/riopreto\/em-que-consiste-a-esperanca\/\">Em que consiste a esperan\u00e7a?<\/a><br \/>\n:: <a href=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/riopreto\/consagracao-dos-jovens-a-virgem-maria\/\">Consagra\u00e7\u00e3o dos jovens \u00e0 Virgem Maria<\/a><br \/>\n:: <a href=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/riopreto\/documento-do-papa-francisco-sobre-o-amor-na-familia\/\">Documento do Papa Francisco sobre o amor na fam\u00edlia<\/a><\/strong><\/p>\n<h3>O que \u00e9, na verdade, a vida?<\/h3>\n<p>Independentemente do que Santo Ambr\u00f3sio quisesse dizer precisamente com estas palavras, \u00e9 certo que a elimina\u00e7\u00e3o da morte ou mesmo o seu adiamento quase ilimitado, deixaria a terra e a humanidade numa condi\u00e7\u00e3o imposs\u00edvel e nem mesmo prestaria um benef\u00edcio ao indiv\u00edduo. Obviamente h\u00e1 uma contradi\u00e7\u00e3o na nossa atitude, que evoca um conflito interior da nossa mesma exist\u00eancia. Por um lado, n\u00e3o queremos morrer; sobretudo quem nos ama n\u00e3o quer que morramos. Mas, por outro, tamb\u00e9m n\u00e3o desejamos continuar a existir ilimitadamente, nem a terra foi criada com esta perspectiva. Ent\u00e3o, o que \u00e9 que queremos na realidade? Este paradoxo da nossa pr\u00f3pria conduta suscita uma quest\u00e3o mais profunda: o que \u00e9, na verdade, a vida? E o que significa realmente eternidade?<\/p>\n<p>H\u00e1 momentos em que de repente temos a sua percep\u00e7\u00e3o: sim, isto seria precisamente a vida verdadeira, assim deveria ser. Em compara\u00e7\u00e3o, aquilo que no dia-a-dia chamamos vida , na verdade n\u00e3o o \u00e9. Agostinho, na sua extensa carta sobre a ora\u00e7\u00e3o, dirigida a Proba \u2013 uma vi\u00fava romana rica e m\u00e3e de tr\u00eas c\u00f4nsules \u2013, escreve: no fundo, queremos uma s\u00f3 coisa, \u00ab a vida bem-aventurada \u00bb, a vida que \u00e9 simplesmente vida, pura felicidade. No fim de contas, nada mais pedimos na ora\u00e7\u00e3o. S\u00f3 para ela caminhamos; s\u00f3 disto se trata. Por\u00e9m, depois Agostinho diz tamb\u00e9m: se considerarmos melhor, no fundo n\u00e3o sabemos realmente o que desejamos, o que propriamente queremos. N\u00e3o conhecemos de modo algum esta realidade; mesmo naqueles momentos em que pensamos toc\u00e1-la, n\u00e3o a alcan\u00e7amos realmente. &#8220;N\u00e3o sabemos o que conv\u00e9m pedir&#8221; \u2013 confessa ele citando S\u00e3o Paulo (Rm 8,26). Sabemos apenas que n\u00e3o \u00e9 isto. Por\u00e9m, no facto de n\u00e3o saber sabemos que esta realidade deve existir. &#8220;H\u00e1 em n\u00f3s, por assim dizer, uma douta ignor\u00e2ncia&#8221; (docta ignorantia) \u2013 escreve ele. N\u00e3o sabemos realmente o que queremos; n\u00e3o conhecemos esta &#8220;vida verdadeira; e, no entanto, sabemos que deve existir algo que n\u00e3o conhecemos e para isso nos sentimos impelidos.<\/p>\n<h3>Donde prov\u00eam todas as suas contradi\u00e7\u00f5es e \u00a0esperan\u00e7as<\/h3>\n<p>Penso que Agostinho descreve aqui, de modo muito preciso e sempre v\u00e1lido, a situa\u00e7\u00e3o essencial do homem, uma situa\u00e7\u00e3o donde prov\u00eam todas as suas contradi\u00e7\u00f5es e as suas esperan\u00e7as. De certo modo, desejamos a pr\u00f3pria vida, a vida verdadeira, que depois n\u00e3o seja tocada sequer pela morte; mas, ao mesmo tempo, n\u00e3o conhecemos aquilo para que nos sentimos impelidos. N\u00e3o podemos deixar de tender para isto e, no entanto, sabemos que tudo quanto podemos experimentar ou realizar n\u00e3o \u00e9 aquilo por que anelamos. Esta coisa desconhecida \u00e9 a verdadeira esperan\u00e7a que nos impele e o facto de nos ser desconhecida \u00e9, ao mesmo tempo, a causa de todas as ansiedades como tamb\u00e9m de todos os \u00edmpetos positivos ou destruidores para o mundo aut\u00eantico e o homem verdadeiro.<\/p>\n<p>A palavra vida eterna procura dar um nome a esta desconhecida realidade conhecida. Necessariamente \u00e9 uma express\u00e3o insuficiente, que cria confus\u00e3o. Com efeito, eterno suscita em n\u00f3s a ideia do intermin\u00e1vel, e isto nos amedronta; vida, faz-nos pensar na exist\u00eancia por n\u00f3s conhecida, que amamos e n\u00e3o queremos perder, mas que, frequentemente, nos reserva mais canseiras que satisfa\u00e7\u00f5es, de tal maneira que se por um lado a desejamos, por outro n\u00e3o a queremos. A \u00fanica possibilidade que temos \u00e9 procurar sair, com o pensamento, da temporalidade de que somos prisioneiros e, de alguma forma, conjecturar que a eternidade n\u00e3o seja uma sucess\u00e3o cont\u00ednua de dias do calend\u00e1rio, mas algo parecido com o instante repleto de satisfa\u00e7\u00e3o, onde a totalidade nos abra\u00e7a e n\u00f3s abra\u00e7amos a totalidade. Seria o instante de mergulhar no oceano do amor infinito, no qual o tempo \u2013 o antes e o depois \u2013 j\u00e1 n\u00e3o existe.<\/p>\n<p>Podemos somente procurar pensar que este instante \u00e9 a vida em sentido pleno, um incessante mergulhar na vastid\u00e3o do ser, ao mesmo tempo que ficamos simplesmente inundados pela alegria. Assim o exprime Jesus, no Evangelho de Jo\u00e3o: &#8220;Eu hei-de ver-vos de novo; e o vosso cora\u00e7\u00e3o alegrar-se-\u00e1 e ningu\u00e9m vos poder\u00e1 tirar a vossa alegria&#8221; (16,22). Devemos olhar neste sentido, se quisermos entender o que visa a esperan\u00e7a crist\u00e3, o que esperamos da f\u00e9, do nosso estar com Cristo.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/w2.vatican.va\/content\/benedict-xvi\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_ben-xvi_enc_20071130_spe-salvi.html\" target=\"_blank\">Trecho da Carta Enc\u00edclica &#8220;Spe Salvi&#8221; do Santo Padre, Papa Bento XVI<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Deus instituiu a morte\u00a0para o ser humano? 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