Começaram em Roma as atividades de encerramento do ano sacerdotal promovido pela Congregação para o clero. As festividades durarão 3 dias e serão realizadas nas basílicas papais de Roma. Hoje, foi na basílica de São Paulo fora dos Muros, onde o evento surpreendeu pelo numero de sacerdotes que literalmente lotaram a Basílica. Dom Claudio Hummes participou da adoração e presidiu a missa que foi concelebrada por padres de 91 países. A expectativa da Congregação para o Clero, é que ate o final do evento que termina com a missa presidida por Bento 16 na próxima sexta feira, no Vaticano, 14 mil padres passem por aqui.

A tarde o compromisso foi na Sala Paulo VI, no vaticano e foi promovido pelo movimento dos Focolares, Movimento de Schoenstatt e a Renovação Carismática Católica. Os temas propostos foram: Homens de Deus, ícone de Cristo; Irmãos entre os irmãos em um único povo e profetas de um mundo novo. O Momento foi intercalado por apresentações e testemunhos de padres e bispos. O cardeal Dom Claudio Hummes, prefeito da Congregação para o Clero, encerrou o evento com a oração das Vésperas

Confira as fotos das conferências e adoração

Confira as fotos da missa

Num forte momento de oração, direcionado aos sacerdotes, Matteo Calisi, presidente da Faternidade Católica das Novas Comunidades, e Michelle Moran, presidente do ICCRs, órgão responsável pela Renovação Carismática em todo o mundo, abriram este dia de retiro para o encerramento do Ano Sacerdotal.

A primeira palestra do dia, intitulada o “Dom do Sacerdócio”, foi proferida por Dom Joseph Grech, bispo de Sandhurst, na Austrália. Em um discurso emocionante, ele ressaltou que os sacerdotes foram ungidos e escolhidos por Deus independente de qualquer fraqueza.

O Bispo também destacou que cada ministro ordenado é chamado a levar o povo a querer ser de Jesus. Logo em seguida, Dom Mauro Piacenza, secretário da Congregação para o Clero, disse que é o Espírito Santo quem faz cada sacerdote participante do Sacerdócio de Cristo.

A primeira parte do retiro, que se estendeu até a 13h, terminou com a adoração ao Santíssimo Sacramento.

À tarde, com orações e testemunhos de sacerdotes sobre o tema “Efusão do Espírito Santo”, padre Kevin Scallon e irmã Briege Mckenna apresentaram aos sacerdotes algumas revelações particulares que os levaram a rezar pelo clero. O dia encerrou-se com uma Missa presidida pelo cardeal Peter Turkson, presidente do Pontifício Conselho para a Justiça e a Paz.

Em Roma, um terço rezado a cada quinta-feira traz uma intenção bem especial: “Nos reunimos aqui para nos unirmos a toda a Igreja e sustentar com nossa humilde oração, os sacerdotes”, explica a responsável pelo terço, Ana Maria Scanamastra.

O grupo de Nossa Senhora da Rosa Mística é uma resposta ao apelo do Papa Bento XVI que pede que todos os católicos rezem pelos sacerdotes este ano. “Se não existissem os padres, a paixão e morte de Cristo seriam vãs. Se não existissem os padres não haveriam os sacramentos. Os padres são importantíssimos na vida de cada cristão, desde o nascimento até a morte”, disse Ana Maria.

Seja colhendo limões, passeando pelo jardim ou concedendo uma entrevista, o padre Ugo Zagna expressa a alegria de ser sacerdote. “Antes de tudo, digo que sou verdadeiramente feliz por ser padre, se eu nascesse de novo, escolheria ser padre novamente. Naturalmente, com a graça do Senhor, porque a aventura na qual o Senhor nos chama no sacerdócio é maravilhosa e entusiasmante. É claro que existem dificuldades, sacrifícios, mas o Senhor nos dá força”, contou o sacerdote.

Este ano, padre Ugo completa 40 anos de sacerdócio, um caminho que, segundo ele, foi marcado por inúmeras renúncias. Apesar disso, será que ele estaria disposto a fazer tudo novamente? “A consciência de que nós no mundo continuamos o obra de Cristo, que somos sinal da presença de Cristo, nos deve encher de entusiasmo, alegria e de um certo orgulho”.

Já o padre colombiano, Inazio Sanchez, que tem apenas nove anos de sacerdócio fala da experiência de deixar o país onde nasceu para se aventurar em uma vida de missão. “Quando eu era seminarista, nos primeiros dias, quando comecei a me desapegar da minha casa, me custava muito. Mas desde o momento em que fui ordenado, sempre me coloquei à disposição do meu Deus”, disse.

Histórias diferentes que trazem uma satisfação em comum, a de conduzir pessoas para Deus.

Celebrando o ano Sacerdotal queremos levar até você testemunhos de padres que vivem aqui na Itália, são eles italianos, estrangeiros, estudantes, párocos, superiores de congregação, enfim diferentes trabalhos que eles realizam aqui no qual vocês poderão acompanhar o testemunhos destes sacerdotes. Hoje vamos conhecer a historia de Padre Romano de Angelis sacerdote italiano, pároco a 8 anos na Paróquia Santa Maria das Graças em Roma, primeiro Santuário dedicado a Mãe de Deus no ano de 1597. Mas como será que Don Romano vive o seu ministério sacerdotal? Vamos conhecer?

Ordenado em 1987 na Basílica de São João de Latrão em Roma Pe. Romano partilha com alegria que o ministério sacerdotal é uma porta de esperança para as almas e que é consciente de que deverá responder por elas diante de Deus.

Pe. Romano: Desde do seminário, eu sentia como um pároco é chamado a responder por cada uma das almas diante de Deus, por isto é uma grande responsabilidade, e se eu não tivesse a consciência e a certeza de que foi o Senhor quem me chamou e me dá a graça todos os dias para realizar o meu ministério correria o risco de não suportar o peso e com isto me distanciar das pessoas, então eu vivo com esta responsabilidade, buscando sempre ser um instrumento humilde, mas disponível nas mãos de Deus, na ação do Espírito Santo, para que o Senhor possa servir-se de mim para que os homens possam crer.

Sobre a vida de pároco ele destaca a linda experiência do contato com o povo de Deus.

Pe. Romano: A experiência mais linda é o contato com o povo de Deus. Seja nas atividades organizadas, atividades dos grupos das varias comunidades presentes, na catequese, e também o contato dia a dia com aqueles que freqüentam a Igreja, que vêem para confessar-se aqui na paróquia……..com certeza com as crianças se aprende rezar, com os adultos se aprende a reevangelizar , a ter paciência, a carregar a cruz, porque o ministério do pároco também é isto, é partilhar as alegrias e as dores, que sempre vão e vem, quando falamos das crianças falamos certamente do entusiasmo que elas tem, a beleza e maravilha de ver como são sensíveis a palavra de Deus, ao seu amor, de modo particular as crianças da 1ª comunhão e também os adultos que freqüentemente vêem para trazer tantos problemas e as nossas experiências de ser também um pobre Cirineu, isto é, ajudar estes irmãos a carregar a cruz, com a esperança no coração, no Cristo Ressuscitado, sabendo que a cruz não é uma condenação mas é para a nossa salvação.

Segundo ele a característica mais importante do sacerdote de hoje é a paternidade e o amor esponsal

Pe. Romano: porque não se pode ser padre se não existir um amor esponsal, então não podemos ser párocos burocráticos, não podemos ser párocos que se limitam a aplicar o direito canônico, as normas, não quero dizer que devemos transgredi-los, mas é necessário através de uma intensa vida de oração, viver a vida esponsal com Cristo e com a Igreja e abrir-se a paternidade significa usar a cordialidade, colocar o coração, o amor, porque existe a necessidade de não simplesmente consultar um manual depois preencher módulos e depois enviar para as casas das pessoas pelo correio. Eu converso com os pais das crianças da catequese, que as vezes vem pra dizer dos problemas das pessoas que são divorciadas, separadas etc, eu explico com clareza aquilo que a Igreja nos ensina, que é aquilo que Jesus nos disse no evangelho, mas mostrando primeiramente as motivações e depois pedindo a eles de não considerar simplesmente uma categoria, mas os convido se quiserem me procurar pessoalmente, porque cada situação é única, cada pessoa pode ter critérios diversos para o mesmo problema e também podem descrever soluções diversas.

A atenção aos jovens da parte dos sacerdotes é muito importante, os jovens de hoje precisam acima de tudo sentir-se acolhidos, amados, em um dialogo sereno, na disponibilidade de “perder tempo” com eles. Assim Don Romano nos fala da sua experiência com os jovens.

Pe. Romano: Para os jovens é preciso muito oração, nós sacerdotes devemos rezar muito pela conversão e santificação dos jovens. É necessário também de muito escuta, os jovens precisam sentir-se acolhidos, amados como são, ter um dialogo sereno que talvez requer tempo, o discurso é este, estar próximo nos demonstrando homens confiáveis, mas homens de Igreja, homens de Deus, não simplesmente um amigo como tantos, o sacerdote é um homem de Deus, um homem de Igreja. Apresentar este homem de Deus com as características de confiança, pessoas que eles podem acreditar e reconhecer por aquilo que somos, sacerdotes, e com o tempo que eles tem, através de uma amizade, de um dialogo, de uma escuta, de uma acolhida, podemos dizer entre parênteses, ter a disponibilidade de perder tempo e então se chega a um encontro com o Senhor e assim levamos o evangelho aos jovens.