Bento XVI completa 5 anos de pontificado. O vaticanista Andrea Gagliarducci, do jornal italiano “Il tempo”, faz um balanço desse período, que segundo o italiano, é marcado pelo diálogo com aqueles que não creem. O jornalista também fez referências das características marcantes do Sumo Pontífice, cujo trabalho tem demonstrado não ser de transição, mas de verdadeira transformação na Igreja a partir dos fundamentos da fé.

Confira a entrevista.

Quais são as características do pontificado do Papa Bento XVI nesses 5 anos?

Podemos dizer que o diálogo inter-religioso é uma forte marca do seu pontificado?

Bento XVI corresponde às expectativas dos católicos hoje?


Quais são as principais qualidades pessoais de Bento XVI em sua opinião?

O Papa Bento XVI que desde a tarde de Domingo se encontra em Castelgandolfo, para um breve período de repouso, após as celebrações da Semana Santa e da Páscoa, deslocou-se de helicóptero esta quarta feira ao Vaticano para a audiência geral que decorreu na Praça de São Pedro na presença de cerca de 40 mil pessoas.

A Páscoa seja para os cristãos uma ocasião propicia para se tornarem testemunhas entusiastas e corajosas da fé, traduzindo em palavras e mais ainda nos nossos gestos a voz e a mão de Jesus. Afirmou Bento XVI convidando a traduzir a Boa Nova da Páscoa em boas acções capazes de contrastar o tanto sofrimento, a violência e as incompreensões que hoje afligem o mundo.

Audio suadação do Papa em Português

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Estas as palavras do Papa falando em português:

Queridos irmãos e irmãs,

“Verdadeiramente o Senhor ressuscitou e apareceu a Simão”. Com estas palavras, a Igreja expressa a grande alegria que a inunda pelo triunfo de Cristo sobre a morte, celebrado durante os cinqüenta dias do tempo pascal. A ressurreição de Cristo é um evento tão extraordinário que muitas das suas dimensões escapam à nossa capacidade humana, mas ao mesmo tempo é um fato histórico, real, testemunhado, documentado. É a “boa nova” que a Igreja transmite desde o seu início e da qual cada um de nós é chamado a ser testemunha entusiasta e corajosa. De fato, a notícia da vida nova em Cristo deve resplandecer na vida do cristão, com o auxílio do Senhor ressuscitado que o acompanha. Seremos verdadeiras testemunhas de Cristo quando deixarmos transparecer em nós o prodígio do seu amor; quando, nas nossas palavras e gestos em plena conformidade com o Evangelho, for possível reconhecer a presença do próprio Jesus.* * *Queridos peregrinos vindos de Lisboa e demais localidades de língua portuguesa, a minha saudação amiga para todos vós, com votos duma boa continuação de santa Páscoa! Que o Ressuscitado seja sempre o centro da vossa fé, a fonte da vossa esperança e o dinamismo ardente da vossa caridade. Sobre vós e vossas famílias, desça a minha Bênção Apostólica.

O Papa deixou também uma saudação especial em russo, sublinhando que neste ano se celebrou em conjunto a solenidade da Páscoa, entre católicos e ortodoxos. Esta coincidência, disse, deve ser “ocasião de uma fraternidade renovada e de uma colaboração cada vez mais intensa na verdade e na caridade”.

No final da audiencia geral o Papa Bento XVI regressou de helicoptero a Castelgandolfo,onde deverá permanecer até á proxima semana.

Fonte(Rádio Vaticano)

Nem mesmo a intensa chuva deste domingo em Roma impediu milhares de pessoas de participar da Celebração da Solenidade da Páscoa com o Papa Bento XVI. A celebração eucarística teve início com o rito da Ressurreição: a abertura da neo Acheropita, uma imagem realizada segundo o modelo medieval original, que representa o Salvador sentado no trono; dois diáconos, nas notas do Surrexit Dominus, mostraram a imagem do Ressuscitado primeiro ao Santo Padre e depois aos fiéis, propondo a antiga tradição segundo a qual o Bispo de Roma, no início da celebração eucarística, encontra o Senhor Ressuscitado na imagem do Santíssimo Salvador e se torna a primeira testemunha diante de toda a Igreja do evangelho da ressurreição. Neste ano, em que Oriente e Ocidente festejam a Páscoa no mesmo dia, que destaque o anúncio conjunto da Ressurreição de Cristo, depois do Evangelho, foi entoado o canto típico da liturgia bizantina, que antigamente era cantado diante do Santo Padre.

Logo após o rito o Cardeal Angelo Sodano, Decano do Colégio Cardinalício, dirigiu ao Papa Bento XVI seus votos de Páscoa, em nome de todos os Cardeais, sacerdotes e a Igreja a sua solidariedade a Bento XVI que vem sofrendo ataques neste tempo. “Nesta Festa Solene de Páscoa a liturgia da Igreja nos convida a uma santa alegria”. “Com este espírito hoje nós nos unamos com o senhor, o Sucessor de Pedro, o Bispo de Roma, a rocha inabalável da Santa Igreja de Cristo, para cantarmos juntos o Aleluia da fé e da esperança cristã. Afirmou o cardial.

Dom Angelo Sodano assegurou ao Papa “a solidariedade dos irmãos Bispos espalhados por todo o mundo, que guiam as três mil circunscrições eclesiásticas do planeta, dos quatrocentos mil sacerdotes que generosamente servem o povo de Deus em paróquias, oratórios, escolas, hospitais e missões nas regiões mais remotas do mundo” . “O povo de Deus está ao lado do Papa, e não se abala por certas ‘especulações’ e nem por provações que por vezes atingem a comunidade de fiéis”, garantiu. Enfim, o cardeal disse em nome de todos, que farão tesouro das palavras do Pontífice e rezarão por ele, para que o Senhor Bom Pastor continue sustentando-o em sua missão a serviço da Igreja e do mundo.

No final da celebração o Papa Bento XVI, foi até o balcão central da Basílica Vaticana para a bênção Urbi et Orbi. Aos milhares de fiéis presentes na Praça e os milhões de telespectadores que acompanharam a celebração através de mais de 40 emissoras, fez um apelo de paz e de vida, para que sejam “respeitadas e acolhidas”. O Pontífice destacou a “crise profunda” que a humanidade está sofrendo, e que necessita da “salvação do Evangelho” e das “profundas mudanças”, a partir das consciências, uma espécie de êxodo de conversão espiritual e moral.

Veja as fotos da celebração

A Vigília Pascal, missa mais importante do ano litúrgico, atrai católicos do mundo inteiro, que vem ao Vaticano para celebrarem juntos com o Sucessor de Pedro.

A celebração iniciou do lado de fora da basílica com o convite do Santo Padre aos fieis para viverem a
Páscoa de Jesus através da escuta da Palavra e da participação aos Sacramentos. O primeiro rito é o da Bênção do Fogo, seguido da preparação do Círio Pascal.

A procissão de entrada aconteceu com as luzes da Basílica apagadas. A frente o Círio Pascal levado pelo diácono que anunciou Cristo como luz do Mundo. Já com a Basílica iluminada foi cantado exultante o anuncio Pascal.

Outro momento significativo da celebração foi a liturgia da Palavra. Intercaladas por uma breve oração de Bento XVI, as leituras fizeram um resumo da historia da Salvação, partindo do Genesis ate o Evangelho. Na passagem das leituras do antigo testamento para o novo testamento se cantou o Gloria.

Na Homilia o Papa partiu de uma antiga lenda judaica sobre a morte de Adão, para falar da luta que o homem, desde sua existência, trava para não morrer, ou encontrar um remédio para que sua vida seja mais longa e sem dor. Mas o verdadeiro remédio existe e foi encontrado,  disse o Pontífice. No Batismo se inicia uma vida nova, que se realizará em plenitude na vida eterna. A celebração do Batismo demonstra esta realidade com símbolos e ritos, continuou Bento XVI.

Desde o século II a Igreja viveu a Vigília Pascal como momento especial para celebrar a Ressurreição de Cristo. Nela também são administrados os sacramentos da iniciação crista: batismo, comunhão e crisma.

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Na Celebração da Paixão do Senhor no Vaticano, presidida pelo Santo Padre Bento XVI e com toda a cúria romana, o pregador da Casa Pontifícia, Frei Raniero Cantalamessa afirmou na homilia que Cristo é o melhor aliado das mulheres vítimas de violência.

Veja as fotos da celebração

Silencio e o recolhimento fazem parte da Liturgia da Paixão do Senhor. Nem mesmo as luzes da Basílica Vaticana se acendem, sinal que nesta celebração o Filho de Deus è oferecido como vitima pelos pecados da humanidade.

Mesmos com os casos de pedofilia na Igreja divulgados pela imprensa nestes últimos tempos, Frei Raniero Cantalamessa se deteve em falar dos casos de violência contra a mulher.

Na primeira parte, ele refletiu sobre a lógica da violência e de como Cristo a superou com o seu sacrifício. Em Cristo disse ele, não é mais o homem que oferece o Sacrifício a Deus, mas é Deus que si sacrifica pelo homem.

O Sacrifício não serve mais a aplacar a divindade, mas sim para aplacar o homem e fazê-lo desistir da sua hostilidade no confronto de Deus e de Seu próximo.

O pregador, assinalou que per uma rara coincidência, este ano a Nossa Páscoa cai na mesma semana da Páscoa hebraica, origem da páscoa cristã.
Esta data nos impele a dirigir um pensamento aos irmãos hebreus. Esses sabem por experiência o que significa ser vitima da violência coletiva e também por isso são prontos a reconhecer os sintomas hodiernos.

Neste sentido, se referiu a uma carta de um amigo hebreu, no qual se solidariza com o Papa e com os católicos a propósito dos ataques recebidos dos meios de comunicação em todo o mundo.
O Uso de estereótipo, a passagem da responsabilidade e culpa pessoal à aquela coletiva me recorda os aspectos vergonhosos do Anti-semitismo, Le-se no texto. A Carta termina exprimindo ao Papa e a toda a Igreja a minha solidariedade de Hebreu do dialogo e todos aqueles que no mundo hebraico, e são muitos, que partilham destes sentimentos de fraternidade.

A liturgia deu prosseguimento com a oração Universal rezada em várias línguas, a Veneração da Cruz gloriosa do Senhor e a distribuição da Eucaristia a todos os fiéis.