A demência é um distúrbio neurodegenerativo multifatorial, progressivo, crônico, caracterizado por um declínio na função cognitiva. Com o aumento da população idosa, a Organização Mundial de Saúde estima que a proporção de casos de demência em pessoas com 60 anos ou mais, pode chegar , até 2050 , a 22% em todo o mundo.

A conseqüente alta demanda por terapia médica e cuidados necessários para tratar o declínio cognitivo terá considerável impacto socioeconômico. A estimativa mundial dos custos do tratamento da demência foram estimados em US $ 604 bilhões em 2010. Assim, a prevenção de demência em populações com risco aumentado (por exemplo, idosos) pode ajudar a reduzir a carga causada pela demência nos sistemas de saúde. Portanto, não é surpresa que medicamentos comumente usados por idosos tenham sido estudados com o objetivo de verificarem sua interacão positiva ou negativa com o estado cognitivo dos pacientes.

Evidências sugerem que a precipitação do peptídeo β-amilóide (Aβ) no sistema nervoso central pode levar ao desenvolvimento de demência . Inibidores da bomba de prótons (PPIs), que atuam como redutores notáveis ​​e duradouros da produção de ácido gástrico, são prescritos para o tratamento para condições relacionadas ao ácido, como doença do refluxo gastroesofágico e úlceras pépticas. No entanto, recentemente observou-se uso exagerado desses medicamentos, especialmente entre os idosos.

Uso de PPI pode diminuir a cognição aumentando os níveis de Aβ nos cérebros de camundongos afetando as enzimas β e γ-secretases ou modulando a degradação de Aβ por lisossomas na microglia .

Autores relataram associação significativa do uso prévio e atual de PPIs com deficiência de vitamina B12 em uma população.A deficiência de vitamina B12 tem sido associada ao declínio cognitivo.

Um estudo prospectivo, longitudinal, multicêntrico de coorte de pacientes idosos em cuidados primários na Alemanha, incluindo 3327 pessoas da comunidade com 75 anos ou mais, encontrou associação entre uso de PPIs e demência incidente.

Outro estudo de coorte prospectivo, derivado de dados fornecidos por uma grande seguradora de saúde estatutária, informou que evitar o uso de IBP pode reduzir o risco de demência.

Os resultados desses estudos indicam que o uso crônico e muitas vezes desnecessário dos PPIs( omeprazol, pantoprazol, esomeprazol, etc..) aumenta o risco de demência , principalmente em pessoas com idades acima de 60 anos.

 

Fonte DOI:10.1371/journal.pone.0171006 February 15, 201

Essa pergunta é rotineira em clínica, visto que  existem muitos tabus sobre o uso das estatinas, principalmente  quando se acreditam em informações , nem sempre corretas, obtidas pelo Dr. Google, muitas vezes carentes de evidências científicas, sendo apenas opiniões individuais , sem algum caráter científico. Recentemente foi publicado um artigo, muito difundido pela mídia leiga, tirando toda a importância do colesterol na gênese do infarto do miocárdio e do AVC. Esse artigo , no entanto, sofreu muitas críticas por parte de grande parte da comunidade científica, visto que carecia de uma metodologia científica apurada. Desse modo, devemos nos ater ao que REALMENTE  o mundo científico diz com propriedade: O colesterol elevado no sangue é um dos mais importantes fatores de risco para as doenças cardiovasculares.

Você tem que tomar as estatinas para prevenir a doença cardiovascular, que é a maior responsável pelas mortes no mundo todo. Indivíduos com colesterol elevado tem maior chance de ter um infarto do miocárdio ou um acidente vascular cerebral, do que indivíduos normais, conforme estudos vastamente conhecidos pela classe médica bem informada.

Existem regras a serem observadas no momento de se prescrever uma estatina para um paciente, visto que tal medicação causa uma série de efeitos indesejáveis, como dores musculares, sintomas gástricos,  que podem ser administrados ou minimizados com táticas terapêuticas corretas.

Dessa forma,segundo as orientacoes do American Heart Assotiation devemos prescrever as estatinas para:

  • pacientes com doenca cardiovascular clinica ( ja tiveram infarto, angina, AVC, ou com sinais de aterosclerose nos exames)
  • indivíduos com LDL-C maior do que  190 mg/dl
  •  pacientes de 45 a 75 anos com diabetes e LDL colesterol  entre 70 a  189 mg/dl ,  sem doenca cardiovascular clinica;
  • pacientesde 45 a  75 anos com LDL de 70 a 189 mg/dl com risco cardiovascular estimado igual ou maior do que  7,5%

FONTE- STONE, HJ- 2013 – ACC/AHA- Blood Cholesterol Guideline

A caminhada diária sem dúvida alguma, faz muito bem a saúde, tanto física , como psíquica , como espiritual. Caminhar diariamente por 30 minutos, a” passos de chuva”é um excelente remédio para a prevenção de muitas doenças cardiovasculares, de Alzheimer, etc.

Veja a seguir

1. Neutraliza os efeitos de genes responsáveis pelo aumento de  peso. Pesquisadores de Harvard estudaram  32 genes que promovem a obesidade em mais de 12.000 pessoas para determinar o quanto esses genes realmente contribuiriam  para o peso corporal. Descobriram que, entre os participantes do estudo que caminharam rapidamente por cerca de uma hora por dia, os efeitos desses genes foram reduzidos  pela metade.

2. Estudos da Universidade de Exeter descobriram que, uma caminhada de 15 minutos por dia, pode eliminar os desejos de chocolate e até mesmo reduzir a quantidade de chocolate que você come em situações estressantes. Além disso, estudos recentes confirmaram  que a caminhada pode reduzir a ansiedade de ingestão de uma variedade de lanches açucarados.

3. Reduz o risco de desenvolver câncer da mama. Já é de conhecimento científico que  qualquer tipo de atividade física atenua o risco de câncer de mama. Um estudo recente, da  American Cancer Society, revelou  que as mulheres que caminharam sete ou mais horas por semana tiveram um risco 14% menor de câncer de mama do que aquelas  que caminharam três horas ou menos por semana.

4. Vários estudos descobriram que a caminhada reduz a dor relacionada com a artrite, e que a caminhada de 8 a 10 quilômetros  por semana pode até mesmo prevenir a artrite. A caminhada protege as articulações – especialmente os joelhos e quadris, que são mais suscetíveis a osteoartrite – por lubrificação das mesmas e fortalecimento dos músculos que as suportam.

5.  Andar a pé pode ajudar a protegê-lo durante a temporada de gripes e resfriados. Um estudo de mais de 1.000 homens e mulheres descobriu que aqueles que caminharam pelo menos 20 minutos por dia, pelo menos 5 dias por semana, tinham 43% menos dias de doença do que aqueles que se exercitavam uma vez por semana ou menos. No caso de ficarem doentes, a duração da gripe foi menor nas pessoas que caminhavam regularmente.

 

Durante minhas palestras tenho sempre questionado a dificuldade em ser médico. Ser médico é cumprir um sacerdócio, muitas vezes não reconhecido e quase sempre não valorizado pela sociedade atual.A bem da verdade, a medicina de hoje, por conta da super especialização , deixou de lado as características tridimensionais do ser humano, enfocando apenas a doença como objetivo terapêutico, esquecendo-se de nossa dimensão psíquica e espiritual.

A medicina de hoje deixou de ser uma ciência humana para ser uma ciência exata.Além disso, a prática médica dos convênios tornou-nos reféns de contratos e distratos feitos por tecnocratas, tendo numa ponta os pacientes e na outra os poderosos donos dos convênios. A nós, médicos, prestadores de serviço, resta apenas praticar uma relação médico-paciente cada vez mais deteriorada, mais anônima e mais impessoal. Esse panorama, somado a má remuneração do trabalho médico mostra por si só a gravidade do problema, pois somos obrigados a aumentar o numero de consultas , por conta de perfazer um mínimo necessário para a sobrevivência.

Praticar um cristianismo correto, sem senões, também é muito difícil. Jesus mesmo, dizia aos seus discípulos dessa dificuldade ao pedir-lhes que carregassem suas cruzes e O seguissem. Ele estava nos dizendo o quão penoso é o caminho para aqueles que O querem seguir.O mundo de hoje nos impele, em muitas circunstâncias, a violar princípios mínimos do moralismo cristão, por serem estes considerados ultrapassados e antiquados.É dificil mesmo, nos livrarmos das tentações do suborno, na ocasião de uma infração, de, no momento da perda de um aparelho de telefone celular, acionar o seguro, como se o tivessem roubado.Sim, é dificil nos afastarmos desses pequenos delitos, sem duvida alguma, precedentes de transgressões maiores, que no futuro poderão nos causar sérias repercussões, tanto do ponto de vista moral , como do espiritual.

É essa a cruz que Jesus falou a seus discípulos. Ser médico cristão,por sua vez, é carregar uma cruz  pesada , pois fomos escolhidos pelo Senhor para cuidar da Sua obra prima- o ser humano, o mesmo corpo que o proprio Deus escolheu para encarnar o Seu Filho Jesus Cristo. A partir do momento que começamos a refletir sobre tudo isso, sobre a responsabilidade que temos perante os homens e perante Deus, sentimos cada vez mais pesada a cruz de cumprir esse nosso sacerdócio médico.

Os convênios médicos aviltantes e exploradores, a vida universitária competitiva desleal, a soberba dos superiores, a inveja e a murmuração diante dos nossos sucessos, são o peso dessa cruz que devemos carregar, como Ele nos falou.Realmente é dificil ser médico cristão, vivendo num ambiente competitivo, contaminado, onde os valores materiais suplantam os espirituais, onde o “ter” é muito maior do que o “ ser”, onde os galões universitários são a razão do viver.

É dificil, mas não impossível, pois a partir do momento que nos concientizarmos que o paciente que atendemos, ou o colega com quem convivemos, a auxiliar que nos assessora, ou mesmo o porteiro que nos dá bom dia, somos todos filhos de um só Pai.Tenho certeza, que somente seremos médicos cristãos verdadeiros, no momento que enxergarmos no nosso semelhante os olhos de Jesus Cristo.

Roque Marcos Savioli

Abril de 2006

 

A perda súbita e transitória da consciência e do tônus postural, seguida de recuperação espontânea e completa caracteriza uma situação extremamente frequente no meu consultório: as síncopes. Quase sempre esse desmaio é precedido de tonturas, sudorese, náuseas, palpitações ou visão turva, mas nem sempre isso acontece, a perda da consciência é súbita e o paciente se recupera rapidamente. É a chamada sincope do liga- desliga.

Tem etiologia variada, mas a forma neuromediada ou reflexa é a mais comum com prevalência de 22 % na população geral. O evento resulta de uma redução transitória do fluxo sanguíneo cerebral decorrente geralmente de queda da pressão arterial. Ela pode ser situacional (após tosse ou espirros intensos, estímulos gastrointestinais, após micção, pós exercício ou após refeições), pode estar associada a disfunções do sistema nervoso autônomo ou ainda por estresse (estimulação vasovagal) ou após ortostase prolongada (muito tempo parado em pé).

Existem outras causas que explicam os desmaios como: arritmias cardíacas, doenças do coração e dos vasos, induzida por medicamentos (diuréticos, betabloqueadores, anti- hipertensivos, vasodilatadores) ou por uso excessivo de álcool.

É importante se você já apresentou um episodio sincopal ou se tem algum parente ou conhecido que tenha sofrido dessa complicação, procurar rapidamente um cardiologista para que se faca um diagnostico e tratamento corretos, tendo em vista os riscos das complicações inerentes a doença.