19. outubro 2020 · Comentários desativados em SER MÉDICO É CUIDAR DA OBRA PRIMA DO SENHOR: O CORPO HUMANO · Categories: Saúde · Tags:

Hoje, dia do médico, gostaria que meditemos um pouco sobre o que, nós profissionais de saude enfrentamos no nosso quotidiano, principalmente nesta época de pandemia, época de muito sofrimento e perdas, onde arriscamos a nossa vida para salvar a de muitos. 

Durante minhas palestras tenho sempre questionado a dificuldade em ser médico. Ser médico é cumprir um sacerdócio, muitas vezes não reconhecido e quase sempre não valorizado pela sociedade atual.A bem da verdade, a medicina de hoje, por conta da super especialização , deixou de lado as características tridimensionais do ser humano, enfocando apenas a doença como objetivo terapêutico, esquecendo-se de nossa dimensão psíquica e espiritual.

A medicina de hoje deixou de ser uma ciência humana para ser uma ciência exata.Além disso, a prática médica dos convênios tornou-nos reféns de contratos e distratos feitos por tecnocratas, tendo numa ponta os pacientes e na outra os poderosos donos dos convênios. A nós, médicos, prestadores de serviço, resta apenas praticar uma relação médico-paciente cada vez mais deteriorada, mais anônima e mais impessoal. Esse panorama, somado a má remuneração do trabalho médico mostra por si só a gravidade do problema, pois somos obrigados a aumentar o numero de consultas , por conta de perfazer um mínimo necessário para a sobrevivência.

Praticar um cristianismo correto, sem senões, também é muito difícil. Jesus mesmo, dizia aos seus discípulos dessa dificuldade ao pedir-lhes que carregassem suas cruzes e O seguissem. Ele estava nos dizendo o quão penoso é o caminho para aqueles que O querem seguir.O mundo de hoje nos impele, em muitas circunstâncias, a violar princípios mínimos do moralismo cristão, por serem estes considerados ultrapassados e antiquados.É dificil mesmo, nos livrarmos das tentações do suborno, na ocasião de uma infração, de, no momento da perda de um aparelho de telefone celular, acionar o seguro, como se o tivessem roubado.Sim, é dificil nos afastarmos desses pequenos delitos, sem duvida alguma, precedentes de transgressões maiores, que no futuro poderão nos causar sérias repercussões, tanto do ponto de vista moral , como do espiritual.

É essa a cruz que Jesus falou a seus discípulos. Ser médico cristão,por sua vez, é carregar uma cruz  pesada , pois fomos escolhidos pelo Senhor para cuidar da Sua obra prima- o ser humano, o mesmo corpo que o proprio Deus escolheu para encarnar o Seu Filho Jesus Cristo. A partir do momento que começamos a refletir sobre tudo isso, sobre a responsabilidade que temos perante os homens e perante Deus, sentimos cada vez mais pesada a cruz de cumprir esse nosso sacerdócio médico.

Os convênios médicos aviltantes e exploradores, a vida universitária competitiva desleal, a soberba dos superiores, a inveja e a murmuração diante dos nossos sucessos, são o peso dessa cruz que devemos carregar, como Ele nos falou.Realmente é dificil ser médico cristão, vivendo num ambiente competitivo, contaminado, onde os valores materiais suplantam os espirituais, onde o “ter” é muito maior do que o “ ser”, onde os galões universitários são a razão do viver.

É dificil, mas não impossível, pois a partir do momento que nos concientizarmos que o paciente que atendemos, ou o colega com quem convivemos, a auxiliar que nos assessora, ou mesmo o porteiro que nos dá bom dia, somos todos filhos de um só Pai.Tenho certeza, que somente seremos médicos cristãos verdadeiros, no momento que enxergarmos no nosso semelhante os olhos de Jesus Cristo

12. outubro 2020 · Comentários desativados em DIETA PARA PREVENIR A DOENÇA DE ALZHEIMER · Categories: Envelhecimento Saudável, Mal de Alzheimer · Tags: , ,

Pessoas que seguiram de perto uma dieta mediterrânea — rica em frutas, vegetais, legumes, peixes, grãos inteiros e gorduras insaturadas — tinham menos probabilidade de desenvolver os primeiros sintomas da doença de Parkinson, em comparação com aqueles que faziam dietas menos saudáveis, de acordo com um novo estudo liderado por pesquisadores da Harvard TH Escola Chan de Saúde Pública.

Embora a doença de Parkinson seja mais conhecida por sintomas relacionados ao movimento, como tremores, os primeiros sintomas podem incluir constipação, sonolência diurna excessiva e depressão.

Nesse estudo, publicado em 19 de agosto de 2020 na Neurologia, os pesquisadores analisaram os dados de saúde de 47.679 participantes no Nurses’ Health Study e no Health Professionals Follow-up Study. Eles compararam as dietas dos participantes com uma dieta de estilo mediterrâneo e também pontuaram o que comeram usando o Índice Alternativo de Alimentação Saudável.

No geral, as pessoas que pontuaram nos 20% superiores da qualidade da dieta foram um terço menos propensas a desenvolver vários sintomas iniciais de Parkinson ao longo de 20 anos, em comparação com as pessoas nos 20% inferiores.

Os autores afirmam que embora essas descobertas não provem que a dieta afeta o risco de doença de Parkinson, há razões para acreditar que uma alimentação saudável pode ser protetora ao reduzir a inflamação no corpo.

Fonte: https://www.hsph.harvard.edu/news/hsph-in-the-news/mediterranean-diet-parkinsons-disease-risk/

25. setembro 2020 · Comentários desativados em ATENÇÃO COM SUA VITAMINA D NA QUARENTENA · Categories: CORAÇÃO SAUDÁVEL, CORONAVIRUS · Tags: ,

A partir de publicações recentes, sabe-se que a infecção por COVID-19 está associada ao aumento da produção de citocinas pró-inflamatórias e proteína C reativa.

Antioxidantes e vitaminas exercem efeitos protetores contra infecções e inflamação. Algumas pesquisas sugeriram a eficácia de suplementos vitamínicos para prevenir infecções de COVID-19. A vitamina D tem propriedades imunomoduladoras, que incluem a regulação negativa de citocinas pró-inflamatórias. É possível que o efeito protetor da vitamina D contra COVID-19 esteja relacionado à supressão das respostas das citocinas e redução da gravidade/risco da Síndrome da Insuficiência Respiratória Aguda.

Uma meta-análise mostra que a ingestão oral regular de vitamina D3 é segura e protetora contra infecção aguda do trato respiratório, especialmente em indivíduos com deficiência de vitamina D. 

Sabe-se que a deficiência grave de vitamina D aumenta drasticamente o risco de mortalidade, infecções e muitas outras doenças. Em um estudo multicêntrico retrospectivo de 212 casos com infecção confirmada em laboratório de SARS-CoV-2, um aumento dos níveis de 25(OH)D no sangue, pode melhorar os desfechos clínicos ou mitigar os piores desfechos (graves a críticos), enquanto uma diminuição pode piorar os achados clínicos de pacientes com COVID-19. 

Nesse estudo, pacientes com níveis de 25 OH Vit D de 75 nmol/l tiveram menos sintomas da COVID-19, do que aqueles com 25(OH)D mais baixo.

Uma revisão recente sugeriu o uso de doses de ataque de vitamina D de 200.000 e 300.000 UI em cápsulas de 50.000 UI para reduzir o risco e a gravidade de COVID-19. Grant e colaboradores sugeriram que doses mais altas de vitamina D seriam melhores para a prevenção e provavelmente reduziriam o risco de influenza e incidência de COVID-19 e morte. Outros autores sugerem doses de ataque maiores, chegando a 600.000 UI e doses de manutenção entre 10 a 20.000 UI ao dia.

Várias revisões consideram as maneiras pelas quais a vitamina D reduz o risco de infecções virais. A vitamina D tem muitos mecanismos pelos quais reduz o risco de infecção microbiana e morte. 

A vitamina D aumenta a imunidade celular, reduzindo a tempestade de citocinas induzida pelo sistema imune inato, que gera citocinas pró-inflamatórias e anti-inflamatórias em resposta a infecções virais e bacterianas, como observado em pacientes com COVID-19. A vitamina D pode reduzir a produção de citocinas Th1 pró-inflamatórias, como fator de necrose tumoral e interferon. 

Os alimentos ricos em vitamina D são: salmão, sardinha, óleo de fígado de bacalhau, atum enlatado, gema de ovo, cogumelos e carne. A suplementação de magnésio é recomendada ao tomar suplementos de vitamina D. O magnésio ajuda a ativar a vitamina D, que, por sua vez, ajuda a regular a homeostase do cálcio e do fosfato para influenciar o crescimento e a manutenção dos ossos. Todas as enzimas que metabolizam a vitamina D parecem necessitar de magnésio, que atua como um cofator nas reações enzimáticas no fígado e nos rins.       

Dicas práticas para evitar a deficiência de vitamina D durante a quarentena são: fazer caminhadas curtas, aumentar a exposição ao sol, consumir alimentos ricos em vitamina D e/ou tomando suplementação. Observações preliminares apoiam a hipótese de que a suplementação de vitamina D pode reduzir o risco de influenza e COVID-19. No entanto, a incidência e a morte devem ser investigadas em ensaios para determinar as doses apropriadas de concentrações séricas de 25(OH)D.   

Fontes:

1. Mattioli, A. et al – Quarantine during COVID-19 outbreak: Changes in diet and physical activity increase the risk of cardiovascular disease.

https://doi.org/10.1016/j.numecd.2020.05.020.

2. Coimbra,C.G.

https://www.unifesp.br/reitoria/dci/releases/item/4489-opiniao-vitamina-d-na-prevencao-e-no-tratamento-da-covid-19

17. setembro 2020 · Comentários desativados em ALIMENTO: DÁDIVA DIVINA PARA O HOMEM! · Categories: Obesidade, SAÚDE E ESPIRITUALIDADE · Tags: ,

As religiões têm diferentes crenças, rituais e práticas que variam conforme seus laços culturais, históricos e geográficos. A maioria delas no entanto, tem como principal objetivo o fortalecimento do corpo, a mente e o espírito.

Em quase todas as religiões do mundo existe uma grande preocupação com a alimentação, sendo o alimento considerado uma dádiva divina para o homem. Nas religiões politeístas da antiguidade por muito vemos oferendas de animais aos deuses, sendo a carne desses oferecidas somente aos sacerdotes, tendo em vista a sacralidade da mesma, em outras, outros tipo de oferendas, mas sempre tendo o alimento como foco principal.

No Cristianismo por muitas vezes vemos Deus socorrendo os homens com alimentos. No livro do Exodus 16,4, o Senhor manda o Manah, o  “pão dos céus”, para os hebreus famintos no deserto. Em João, 6-8, no milagre da multiplicação dos pães, vemos Jesus com  cinco pães de cevada e dois peixinhos alimentar uma multidão de pessoas. E o clímax acontece na Última Ceia, quando Jesus consagra o pão e o vinho, alimentos comuns da mesa dos judeus da época, como descreveu Marcos em 12, 22-24.

            “Durante a refeição, Jesus tomou o pão e, depois de o benzer, partiu-o e deu-lho, dizendo: “Tomai, isto é o meu corpo”. 23. Em seguida, tomou o cálice, deu graças e apresentou-lho, e todos dele beberam. 24.E disse-lhes: “Isto é o meu sangue, o sangue da aliança, que é derramado por muitos.”

Uma das situações comuns a quase todas as religiões é a prática do jejum, onde a abstinência de alimentação é oferecida ao Sagrado, para purificação do espírito, facilitando assim a comunicação com o Divino.

Na Bíblia Sagrada encontramos várias passagens onde encontramos descrições sobre o jejum, como o da Rainha Ester, que desejando salvar o povo judeu do extermínio, clama a Deus pela vida dos seus:

            “Vá reunir todos os judeus que estão em Susã, e jejuem em meu favor. Não comam nem bebam durante três dias e três noites. Eu e minhas criadas jejuaremos como vocês. Depois disso irei ao rei, ainda que seja contra a lei. Se eu tiver que morrer, morrerei”. Ester 4,16

Mas o jejum mais contundente foi o de Jesus, que passou quarenta dias no deserto, preparando-se para enfrentar as tentações do demônio, para depois começar a sua vida pública, mostrando que a restrição de alimentos melhora a nossa espiritualidade e nos faz capaz de vencer as ofertas “encardidas” do mundo.

            “Jejuou quarenta dias e quarenta noites. Depois, teve fome.” Mateus 4,2

Várias são as formas de jejum que encontramos na historia da humanidade, mas vamos nos deter nas mais conhecidas e mais comuns como, o Jejum dos Cristãos Ortodoxos Gregos, o Jejum do Ramadã, o Jejum do Judaísmo, o Jejum de Daniel, Jejum das religiões orientais e Jejum da Igreja Católica Apostólica Romana.

Jejum dos Cristãos Ortodoxos Gregos

O jejum ortodoxo é um jejum sazonal praticado durante o Natal, Quaresma e na data da Assunção de Nossa Senhora (15 de agosto). Consiste em abstenção de produtos lácteos, ovos e carne e de peixe e azeite às quartas e sextas-feiras. Durante o esse jejum, pode-se consumir pão, frutas, legumes, nozes e frutos do mar. Esse jejum acontece 180 a 200 dias por anos, divididos, em 40 dias antes do Natal, 48 antes da Páscoa e 15 dias em agosto, antes da data da Assunção de Maria, além de outras datas adicionais como Epifania etc. Durante o período de jejum o álcool não é permitido.

O jejum ortodoxo é considerado uma forma de restrição calórica e semelhante a dieta mediterrânea, que tem sido associada à longevidade e baixa prevalência de doenças cardiovasculares. Os períodos de jejum são praticados de forma consistente, bem tolerada, sem alterações prejudiciais no balanço eletrolítico ou doenças cardiovasculares.

Estudos demonstraram que a prática do jejum ortodoxo durante 1 ano pode levar uma diminuição significativa da ingestão total de energia, de  proteína e de gordura, com uma redução significativa no colesterol total, no LDL- colesterol e IMC.

Jejum do Ramadã

Os muçulmanos jejuam do nascer ao pôr do sol durante o nono mês do calendário islâmico (Hijra), que é o mês do Ramadã. Durante esse período, comida e bebida são proibidas durante o dia; o jejum é quebrado tomando duas refeições sem restrições (após o pôr do sol e antes do amanhecer). É um tipo de jejum intermitente, consistindo em períodos alternados de jejum e festa. Crianças, idosos, doentes crônicos, grávidas ou mulheres que amamentam e  viajantes de longas distâncias são isentos. A duração do jejum é variável, uma vez que a data do Ramadã obedece o calendário lunar, caindo em diferentes períodos do ano, ao longo de um ciclo de 33 anos. Esse período dura 29 a 30 dias e o tempo médio de jejum dura em média 12 a 14 horas, mas pode se estender ate a 18-22 horas dependendo da latitude. Durante o jejum do Ramadã, a abstenção do tabaco e cafeína é recomendada como parte dessa crença cultural. Existem inúmeros estudos sobre os efeitos fisiológicos do Ramadã, e a maioria deles descreve um efeito positivo na composição corporal e metabolismo, mas há resultados que não mostram esses benefícios, tendo em vista a diversidade alimentar entre os fiéis de várias partes do mundo. Uma metanálise, incluindo 35 estudos, encontrou uma tendência para perda de peso de 1,2 kg durante o período de jejum, seguido de um aumento significativo após o período de realimentação 0,72 kg.  Em geral, a maioria dos estudos indica que os possíveis benefícios obtidos durante o jejum do Ramadã podem ser afetados por ingestão calórica, manutenção do IMC, hábitos culturais e país de residência. Os efeitos positivos estão documentados somente durante o período de jejum do Ramadã existindo poucos estudos que avaliem a manutenção desses efeitos a longo prazo.

Jejum do Judaísmo

O jejum do judaísmo, o Yom Kipur, ocorre no décimo dia do sétimo mês do  calendário hebraico, depois de Rosh Hashaná, o novo ano judeucom restrição total de comida e de bebida (até água). Crianças menores de 13 anos são isentos e, conforme a lei judaica, qualquer pessoa cuja vida possa ser comprometida durante o jejum, isto é, mulheres no parto, diabéticos etc. O jejum dura 25h, começando antes do pôr do sol no dia anterior do Yom Kipur, terminando depois do anoitecer no dia seguinte.

No Judaísmo ortodoxo, abstenções de confortos físicos e luxos são considerados propícios à elevação espiritual. No Yom Kipur não pode trabalhar, dirigir, cozinhar, fazer compras etc. Do ponto de vista nutricional, esse jejum é muito curto para causar alterações metabólicas com impactos significativos na saúde. O jejum judaico do Yom Kipur é diferente de outros práticas de jejum porque há uma abstenção completa de comida e água por 25h. Seu potencial imediato efeitos colaterais são dor de cabeça, desidratação e hipoglicemia; devido à sua curta duração, é improvável um impacto a longo prazo na saúde. A falta de consumo de água pode causar problemas fisiológicos estresse e metabolismo lento, com talvez mais regionalmente, ou seja, em países quentes e secos como Israel. Outros efeitos podem incluir risco de hipotermia, dor de cabeça por abstinência em consumidores habituais de cafeína, e náuseas.

Jejum de Daniel

Esse jejum, praticado por alguns cristãos, deriva da Bíblia Sagrada em que o profeta Daniel resolveu não contaminar-se e consumir apenas vegetais e água, inicialmente por 10 dias inicialmente e depois por 21 dias.  O jejum de Daniel moderno envolve a ingestão ad libitum de frutas, vegetais, grãos, nozes e óleo sendo praticado em qualquer época do ano durante 21 dias. É considerado mais rigoroso  do que outras dietas vegetarianas, pois impõe proibições de  farinha branca, conservantes, aditivos, adoçantes, aromas, cafeína e álcool. O jejum de Daniel se assemelha a uma dieta vegana. Efeitos benéficos incluem redução na ingestão total de calorias, proteínas e gorduras animais, com perfil lipídico, glicêmico e oxidativo favoráveis.  Estudos sobre seu impacto nas doenças metabólicas e cardiovasculares mostraram redução significativa do colesterol, LDL-C e pressão arterial, associados a uma melhora significativa na homeostase da glicose, caracterizada por níveis baixos da glicemia , da  insulina em jejum,  do HOMA-IR e da proteína C reativa.

Jejum das religiões orientais

Os padrões de jejum budista consistem em uma dieta vegetariana típica, excluindo carne e laticínios (às vezes leite), que é praticado durante todo o ano. O tipo de alimento varia entre diferentes países e culturas (por exemplo, budistas chineses geralmente consomem leite, enquanto os de Taiwan consomem produtos à base de soja). É proibido o consumo de vegetais picantes como  alho, cebola, cebolinha e alho-poró, além do consumo de álcool. Há falta de literatura sobre o impacto desse tipo de jejum nas populações. 

Jejum da Igreja Católica Apostólica Romana

A Igreja Católica Apostólica Romana tem suas recomendações para jejum e abstinência na quarta-feira de cinzas e na Sexta-Feira Santa, onde os fiéis devem fazer uma única refeição durante o dia, mas não proíbe um pouco de comida de manhã e à noite. Proíbe o consumo de carne, bem como de alimentos e bebidas que, segundo um julgamento prudente, devem ser considerados como particularmente procurados e caros. Em todas as sextas-feiras do ano, a menos que caiam em uma solenidade, deve-se observar a abstinência de carne vermelha. Essas recomendações não são aplicadas a menores de 14 e maiores de 60 anos e em pessoas com problemas de saúde. Não existem dados na literatura médica a respeito dos efeitos desse comportamento alimentar sobre a saúde.

Como o jejum religioso pode ser benéfico a saúde?

Durante um período de jejum prolongado com disponibilidade limitada de carboidratos, é necessária uma mudança na fonte de energia, que induz alterações metabólicas como aumento da gliconeogênese e aumento da oxidação de ácidos graxos, resultando em aumento da produção de corpos cetônicos. Evidências interessantes sugerem que a quebra de proteínas induzida pelo jejum não é aleatória, mas sim um processo organizado através de uma complexa rede molecular que inclui interação AMPK, SIRT1, FOXO e mTOR, levando a modulação da autofagia, focada na destruição proteínas desnecessárias e potencialmente perigosas, como células e auto anticorpos. Essas mudanças metabólicas podem ser obtidas em diferentes níveis com várias modalidades alimentares como restrição calórica diária, jejum em dias alternados, jejum intermitente e a alimentação limitada a um período do dia, observando as variações do ritmo circadiano tanto cerebral como hepático. Esses comportamentos alimentares implicam em redução de 20 a 40% das necessidades calóricas diárias, sem alterar o conteúdo ou a fonte de micro/macronutrientes, sendo associados à melhoria no perfil metabólico, desempenho cardíaco e retardar o aparecimento de doenças auto imunes e degenerativas, promovendo aumento da longevidade.

Referências:

1.         Sadeghirad, B., et al., Islamic fasting and weight loss: a systematic review and meta-analysis. Public Health Nutr, 2014. 17(2): p. 396-406.

2.         de Cabo, R. and M.P. Mattson, Effects of Intermittent Fasting on Health, Aging, and Disease. N Engl J Med, 2019. 381(26): p. 2541-2551.

3.         Venegas-Borsellino, C., Sonikpreet, and R.G. Martindale, From Religion to Secularism: the Benefits of Fasting. Curr Nutr Rep, 2018.

4.         Karras, S.N., et al., Effects of orthodox religious fasting versus combined energy and time restricted eating on body weight, lipid concentrations and glycaemic profile. Int J Food Sci Nutr, 2020: p. 1-11.

5.         Al-Islam Faris, M., et al., A systematic review, meta-analysis, and meta-regression of the impact of diurnal intermittent fasting during Ramadan on glucometabolic markers in healthy subjects. Diabetes Res Clin Pract, 2020: p. 108226.

6.         Rahbar, A.R., et al., Effects of Intermittent Fasting during Ramadan on Insulin-like Growth Factor-1, Interleukin 2, and Lipid Profile in Healthy Muslims. Int J Prev Med, 2019. 10: p. 7.

7.         Koufakis, T., et al., Orthodox religious fasting as a medical nutrition therapy for dyslipidemia: where do we stand and how far can we go? Eur J Clin Nutr, 2018. 72(4): p. 474-479.

28. março 2020 · Comentários desativados em O morcego é o transmissor do Covid-19! · Categories: CORONAVIRUS · Tags: ,

Há 18 anos, descreveu-se a síndrome da insuficiência respiratória aguda grave, a SARS, que está associada a um grande número de coronavírus (SARS-CoVs), cujo hospedeiro do reservatório natural são morcegos. Estudos anteriores mostraram que alguns SARSr-CoVs de morcego têm o potencial de infectar seres humanos.

A pandemia que hoje assola o mundo é causada por um novo coronavírus, o Covid-19, todo teve início em 12 de dezembro de 2019 numa cidade da China, denominada Wuhan, em uma feira de animais exóticos e pescados, causando milhares de mortes e o pior, se alastrando para o mundo todo.

Sequências genômicas completas foram obtidas de cinco pacientes em um estágio inicial do surto. As sequências são quase idênticas e compartilham 79,6% de identidade de sequência com SARS-CoV. Além disso, mostraram que o Covid-19 é 96% idêntico ao nível do genoma inteiro a um coronavírus de morcego. A análise sequencial de sete domínios proteicos não estruturais conservados mostra que esse vírus pertence à espécie de SARSr-CoV. Além disso, o vírus Covid-19 isolado de líquido de lavagem broncoalveolar de um paciente crítico pode ser neutralizado por soros de vários pacientes.

Assim, é muito provável que o Covid-19, que vive normalmente nos morcegos, por um motivo não esclarecido ainda (diretamente ou através de um vetor) infectou o homem em uma feira de animais exóticos (sabe-se lá como?) e devido a sua enorme transmissibilidade vem sendo responsável por essa catástrofe, tanto física como econômica em todo o nosso planeta.

Sempre na vigência de uma doença ou calamidade, o ser humano questiona os “porques”, mas gosto sempre de lembrar um pensamento de Carmen Sylvia ( 1843-1916):“Deus sempre perdoa, os homens, às vezes, mas a natureza nunca”

Mas, para nós que devemos sempre ouvir as recomendações do Senhor, devemos sempre ter na nossa mente o que Ele nos pede em Levítico,11, 13- 14.

Entre as aves, eis as que tereis abominação e de cuja carne não comereis, porque é uma abominação:  a águia, o falcão e o abutre, o milhafre e toda variedade de falcões, toda espécie de corvo, a avestruz, a andorinha, a gaivota e toda espécie de gavião, o mocho, a coruja e o íbis, o cisne, o pelicano, o alcatraz e a cegonha, toda variedade de garça, a poupa e o morcego.

Fonte: Revista Nature, janeiro 2020 https://doi.org/10.1038/s41586-020-2012-7