26. setembro 2019 · Comentários desativados em ESPIRITUALIDADE: UM CAMINHO A SER VENCIDO NA PRÁTICA MÉDICA · Categories: , Gotas de esperança, SAÚDE E ESPIRITUALIDADE · Tags: ,

Durante séculos, médicos, profissionais de saúde e religiosos testemunharam como a doença leva as pessoas a refletirem sobre o significado da vida, propósito e transcendência, relacionamento com o eu, com a família, com os outros, com a comunidade, com a sociedade, com a natureza e com o sagrado. Em uma situação onde o ser humano fica frágil é que surgem esses questionamentos, é nos momentos de dor que o ser humano para pensar sobre a vida, sobre os porquês das doenças.

A aproximação com o Sagrado torna-se algo muito importante para que se possa enfrentar algo novo e assustador, onde não se consegue lutar com as próprias forças, recorrendo-se a um Ser maior, para transcender e tentar conseguir ultrapassar os momentos de dor e sofrimento. A busca do Sagrado torna-se então necessária e é feita através de conexões mais profundas com a família e amigos, através de comunidades e práticas religiosas.

Muitos profissionais de saúde ignoram regularmente as dimensões da espiritualidade quando consideram a saúde dos outros ou até mesmo de si próprios. Essa negligência relativa representa um afastamento da história substancial que liga a saúde, a religião e a espiritualidade na maioria das culturas.

Aumentam consideravelmente o número de estudos e trabalhos publicados em revistas científicas de reconhecido valor dentro do meio científico, abordando a possibilidade da associação entre a religião e a saúde.

O acúmulo de evidências que ressaltam a riqueza da interconexão entre a fé e a saúde começam a informar estratégias para a saúde da população.

Inúmeros são os estudos publicados na literatura médica que comprovam a relação entre espiritualidade e saúde. Existem evidências comprovando a redução da mortalidade cardiovascular, do controle dos níveis da hipertensão arterial, da melhoria dos sintomas da depressão, da ansiedade, bem como a melhoria da qualidade de vida dos pacientes em fase terminal.

Estudos sugerem que, embora a maioria dos pacientes considere o cuidado espiritual, poucos o recebem, pois poucos são os profissionais de saúde que se dispõe a entrar nesse paradigma. Um estudo multicêntrico que incluiu 75 pacientes com câncer avançado e 339 enfermeiros e médicos mostrou que, apesar de 86% dos pacientes considerarem o cuidado espiritual como importante para o tratamento do câncer, 90% nunca receberam nenhum tipo de cuidado de seus enfermeiros oncológicos ou médicos. Outro estudo com 100 pacientes com câncer de pulmão avançado e 257 oncologistas médicos analisou sete possíveis fatores que deveriam estar presentes na tomada de decisão médica. Nessa avaliação, os pacientes classificaram a fé em Deus como o segundo fator mais importante, enquanto os médicos classificaram esse fator como o menos importante.

Em um estudo prospectivo de 343 pacientes com câncer avançado, aqueles cujas equipes médicas (por exemplo, clínicos, capelães) atenderam às suas necessidades espirituais tiveram escores de qualidade de vida no final da vida que foram em média 28% maiores do que aqueles que não receberam tal cuidado espiritual.

Outros estudos indicam que a maioria dos pacientes com doença grave experimenta lutas espirituais, como se sentirem punidos ou abandonados por Deus, associados a decréscimos no bem-estar do paciente. Cabe aos profissionais de saúde, interlocutores primários com os pacientes, aliviarem o sofrimento deles, ponderando sobre o entendimento da doença, tentando reduzir a carga emocional negativa da culpa.

Todas essas descobertas sugerem a necessidade dos clínicos integrarem o cuidado espiritual em ambientes de final de vida para os pacientes que desejam recebê-lo.

Os profissionais de saúde podem começar a abordar a necessidade de se cuidar da saúde espiritual dos pacientes, sem ultrapassar limites da individualidade, aplicando modelos formais para a tomada de uma história espiritual, como o preconizado pela Clínica Mayo. Este questionário deve ser utilizado sempre ao término da anamnese, muito sutilmente e jamais entrando em assuntos relacionados a denominação religiosa dos pacientes.

  1. Você tem algum tipo de crença, de religião, acredita em Deus ou alguma coisa parecida?
  2. A fé é importante para você em todas as situações de vida?
  3. Qual o seu tipo de religião ou crença? Qual a sua denominação religiosa?
  4. Você gostaria de falar de religião comigo? Que tipo de tema quer falar?

Lançado hoje o meu novo livro baseado nos depoimentos dos pacientes que me procuraram no consultório e também pelas minhas experiências após a leitura da Carta de São Paulo aos Filipenses.

Novena para enfrentar a ansiedade e a depressão, da Editora Canção Nova, já está em todas as lojas da CN e no site loja.cancaonova.com

 

Durante minhas palestras tenho sempre questionado a dificuldade em ser médico. Ser médico é cumprir um sacerdócio, muitas vezes não reconhecido e quase sempre não valorizado pela sociedade atual.A bem da verdade, a medicina de hoje, por conta da super especialização , deixou de lado as características tridimensionais do ser humano, enfocando apenas a doença como objetivo terapêutico, esquecendo-se de nossa dimensão psíquica e espiritual.

A medicina de hoje deixou de ser uma ciência humana para ser uma ciência exata.Além disso, a prática médica dos convênios tornou-nos reféns de contratos e distratos feitos por tecnocratas, tendo numa ponta os pacientes e na outra os poderosos donos dos convênios. A nós, médicos, prestadores de serviço, resta apenas praticar uma relação médico-paciente cada vez mais deteriorada, mais anônima e mais impessoal. Esse panorama, somado a má remuneração do trabalho médico mostra por si só a gravidade do problema, pois somos obrigados a aumentar o numero de consultas , por conta de perfazer um mínimo necessário para a sobrevivência.

Praticar um cristianismo correto, sem senões, também é muito difícil. Jesus mesmo, dizia aos seus discípulos dessa dificuldade ao pedir-lhes que carregassem suas cruzes e O seguissem. Ele estava nos dizendo o quão penoso é o caminho para aqueles que O querem seguir.O mundo de hoje nos impele, em muitas circunstâncias, a violar princípios mínimos do moralismo cristão, por serem estes considerados ultrapassados e antiquados.É dificil mesmo, nos livrarmos das tentações do suborno, na ocasião de uma infração, de, no momento da perda de um aparelho de telefone celular, acionar o seguro, como se o tivessem roubado.Sim, é dificil nos afastarmos desses pequenos delitos, sem duvida alguma, precedentes de transgressões maiores, que no futuro poderão nos causar sérias repercussões, tanto do ponto de vista moral , como do espiritual.

É essa a cruz que Jesus falou a seus discípulos. Ser médico cristão,por sua vez, é carregar uma cruz  pesada , pois fomos escolhidos pelo Senhor para cuidar da Sua obra prima- o ser humano, o mesmo corpo que o proprio Deus escolheu para encarnar o Seu Filho Jesus Cristo. A partir do momento que começamos a refletir sobre tudo isso, sobre a responsabilidade que temos perante os homens e perante Deus, sentimos cada vez mais pesada a cruz de cumprir esse nosso sacerdócio médico.

Os convênios médicos aviltantes e exploradores, a vida universitária competitiva desleal, a soberba dos superiores, a inveja e a murmuração diante dos nossos sucessos, são o peso dessa cruz que devemos carregar, como Ele nos falou.Realmente é dificil ser médico cristão, vivendo num ambiente competitivo, contaminado, onde os valores materiais suplantam os espirituais, onde o “ter” é muito maior do que o “ ser”, onde os galões universitários são a razão do viver.

É dificil, mas não impossível, pois a partir do momento que nos concientizarmos que o paciente que atendemos, ou o colega com quem convivemos, a auxiliar que nos assessora, ou mesmo o porteiro que nos dá bom dia, somos todos filhos de um só Pai.Tenho certeza, que somente seremos médicos cristãos verdadeiros, no momento que enxergarmos no nosso semelhante os olhos de Jesus Cristo.

Roque Marcos Savioli

Abril de 2006

 

A depressã0 é uma moléstia  mais frequente em mulheres , mas pode atingir todas as idades. Ninguém está livre dessa doença, que afeta e afetou muitos líderes mundiais, muitos religiosos e até alguns santos. É a doença da modernidade, sendo o Brasil um dos campeões da incidência da depressão no mundo todo. Abaixo cito os sinais clássicos da depressão, devendo-se levar em conta que nem sempre um quadro de tristeza é depressão.

A depressão clinica ou maior é diagnosticada com a ocorrência de pelo menos 5 dos 9 sintomas seguintes, presentes por 2 semanas ou mais e responsáveis por interferência significativa no ambiente social (familiar e trabalho)

  • mau humor constante, tristeza ou irritabilidade
  • letargia ou fadiga
  • perda do interesse de atividades que eram prazeirosas
  • mudança súbita de apetite( pra mais ou menos)
  • sentimento de culpa, de não ter valor algum
  • lentidão, impaciência, ficar borocoxô
  • dificuldade de pensar e de se concentrar
  • pensamentos suicidas e de morte

Além desses , as pessoas com depressão crônica podem apresentar sintomas psicossomáticos como dores musculares, distúrbios intestinais( diarréia ou constipação), náuseas, palpitações, dores no peito,tonturas, dor de cabeça etc.,

A depressão é classificada como uma doença mental e TEM que ser vista como tal, pois ainda existem pessoas que não acreditam que ela seja realmente uma moléstia. Tem muita gente que acha que a depressão é uma forma de se chamar atenção, de que é uma “frescurite”. Sugiro que vocês leiam os meus dois livros que escrevi sobre esse tema, o primeiro tem o titulo de “Depressão – onde está Deus”com o prefácio escrito pelo saudoso Padre Léo. O outro título é : Depressão – um sinal de esperança. Vale a pena a leitura desses dois livros para que você entenda esse assunto e se existe alguém que ainda não acha que a depressão é uma doença, aqui está um bom motivo para você presente-a-lo com esses livros.

A DOENCA AOS OLHOS DA FÉ

 

Muito frequentemente , durante minhas consultas medicas , na ocasião de dar ao paciente um diagnostico da sua doença e também como trata-la, ouço as pessoas se queixarem, lamentarem, e ate murmurarem contra Deus. É clássica a pergunta que sempre surge no consultório e que quase sempre não consigo responde-la:

  • Porque a doença veio para mim?Porque não em uma pessoa ruim?Porque não em um político corrupto?Porque na minha mãe, uma mulher piedosa, caridosa e santa?

Tenho certeza de que essas perguntas não são somente feitas para mim, mas sim para muitos médicos , que como eu, lidam com a vida das pessoas. Assim como não consigo responde-las, também estou certo de que essa dificuldade é comum entre todos.

Do ponto de vista médico, adotando o nosso raciocínio cartesiano, podemos ate dar algum tipo de explicação para os pacientes baseando-se nos resultados dos estudos existentes na literatura medica. Mas , não é isso que o paciente quer ouvir, ele não quer saber se esta dentro ou não da população de risco, não quer saber se sua terapêutica não deu certo porque caiu dentro da faixa de erro calculado, ele quer saber os porquês da sua existência que poderá estar ate chegando ao fim.

Como deve se comportar o profissional de saúde? Ser simplesmente um ser cartesiano que vê a sua frente um portador de uma doença? Ou compartilhar com o paciente o sofrimento , tratando-o na tridimensionalidade do ser humano: corpo, psiquismo e espírito?

Sempre que leio artigos ou livros que abordam essas questões existenciais extremamente freqüentes quando nos aproximamos do sofrimento, paro para refletir e me perguntar se estou preparado para entende-lo, pois ele é inexorável, mais dia menos dia , chegará.

Como entende-lo? Como um medico que vive dentro de uma academia de medicina pode explicar ao paciente os porquês das falhas terapêuticas ou mesmo dos casos que nem podem mais ser tratados? Impossível se não transcendermos esse momento. Transcender é uma palavra muito usada em teologia e significa “ultrapassar subindo”, isto é , conseguir suplantar um problema entregando-o nas mãos de Deus, usando um dom que dEle recebemos: o dom da fé.

Em vários livros que escrevi relato experiências da literatura medica que comprovam a enorme importância que tem a fe, na evolução das doenças.Importantes escolas de medicina do mundo todo tem comprovado e referendado esse tema que cada vez mais vem sendo estudado por vários cientistas , entre eles alguns prêmios Nobel da Medicina e da Física.

Minha experiência pessoal vai ao encontro desses trabalhos pois noto amiúde que Fé e Saúde devem estar sempre alinhadas para melhorar a nossa qualidade de vida, mas é muito importante que aprendamos a transcender nossas dificuldades, buscando sempre as coisas do alto, ou seja, usando a nossa fe em Deus.

Sempre detestei situações teóricas, farisaicas, gostando das coisas mais simples e do nosso dia a dia , de modo que sempre reluto em aceitar tradicionalismos sem muita explicação e não entendia o que é “entregar a Deus as suas preocupações ,até conhecer muitas histórias pacientes que souberam entender que Deus não é aquele criador que continua descansando apos o sétimo dia da criação, como acham alguns deistas, mas sim aquele que está sempre vivo e nos mandando sinais para nos proteger contra os percalços da vida, sempre respeitando o nosso livre arbítrio que Ele nos deu. Muitas destas histórias estão nos meus livros publicados e à disposição no site loja.cancaonova.com ou através do telefone 12- 31862600 ou nos revendedores Porta a Porta da Canção Nova.