17. setembro 2020 · Comentários desativados em ALIMENTO: DÁDIVA DIVINA PARA O HOMEM! · Categories: Obesidade, SAÚDE E ESPIRITUALIDADE · Tags: ,

As religiões têm diferentes crenças, rituais e práticas que variam conforme seus laços culturais, históricos e geográficos. A maioria delas no entanto, tem como principal objetivo o fortalecimento do corpo, a mente e o espírito.

Em quase todas as religiões do mundo existe uma grande preocupação com a alimentação, sendo o alimento considerado uma dádiva divina para o homem. Nas religiões politeístas da antiguidade por muito vemos oferendas de animais aos deuses, sendo a carne desses oferecidas somente aos sacerdotes, tendo em vista a sacralidade da mesma, em outras, outros tipo de oferendas, mas sempre tendo o alimento como foco principal.

No Cristianismo por muitas vezes vemos Deus socorrendo os homens com alimentos. No livro do Exodus 16,4, o Senhor manda o Manah, o  “pão dos céus”, para os hebreus famintos no deserto. Em João, 6-8, no milagre da multiplicação dos pães, vemos Jesus com  cinco pães de cevada e dois peixinhos alimentar uma multidão de pessoas. E o clímax acontece na Última Ceia, quando Jesus consagra o pão e o vinho, alimentos comuns da mesa dos judeus da época, como descreveu Marcos em 12, 22-24.

            “Durante a refeição, Jesus tomou o pão e, depois de o benzer, partiu-o e deu-lho, dizendo: “Tomai, isto é o meu corpo”. 23. Em seguida, tomou o cálice, deu graças e apresentou-lho, e todos dele beberam. 24.E disse-lhes: “Isto é o meu sangue, o sangue da aliança, que é derramado por muitos.”

Uma das situações comuns a quase todas as religiões é a prática do jejum, onde a abstinência de alimentação é oferecida ao Sagrado, para purificação do espírito, facilitando assim a comunicação com o Divino.

Na Bíblia Sagrada encontramos várias passagens onde encontramos descrições sobre o jejum, como o da Rainha Ester, que desejando salvar o povo judeu do extermínio, clama a Deus pela vida dos seus:

            “Vá reunir todos os judeus que estão em Susã, e jejuem em meu favor. Não comam nem bebam durante três dias e três noites. Eu e minhas criadas jejuaremos como vocês. Depois disso irei ao rei, ainda que seja contra a lei. Se eu tiver que morrer, morrerei”. Ester 4,16

Mas o jejum mais contundente foi o de Jesus, que passou quarenta dias no deserto, preparando-se para enfrentar as tentações do demônio, para depois começar a sua vida pública, mostrando que a restrição de alimentos melhora a nossa espiritualidade e nos faz capaz de vencer as ofertas “encardidas” do mundo.

            “Jejuou quarenta dias e quarenta noites. Depois, teve fome.” Mateus 4,2

Várias são as formas de jejum que encontramos na historia da humanidade, mas vamos nos deter nas mais conhecidas e mais comuns como, o Jejum dos Cristãos Ortodoxos Gregos, o Jejum do Ramadã, o Jejum do Judaísmo, o Jejum de Daniel, Jejum das religiões orientais e Jejum da Igreja Católica Apostólica Romana.

Jejum dos Cristãos Ortodoxos Gregos

O jejum ortodoxo é um jejum sazonal praticado durante o Natal, Quaresma e na data da Assunção de Nossa Senhora (15 de agosto). Consiste em abstenção de produtos lácteos, ovos e carne e de peixe e azeite às quartas e sextas-feiras. Durante o esse jejum, pode-se consumir pão, frutas, legumes, nozes e frutos do mar. Esse jejum acontece 180 a 200 dias por anos, divididos, em 40 dias antes do Natal, 48 antes da Páscoa e 15 dias em agosto, antes da data da Assunção de Maria, além de outras datas adicionais como Epifania etc. Durante o período de jejum o álcool não é permitido.

O jejum ortodoxo é considerado uma forma de restrição calórica e semelhante a dieta mediterrânea, que tem sido associada à longevidade e baixa prevalência de doenças cardiovasculares. Os períodos de jejum são praticados de forma consistente, bem tolerada, sem alterações prejudiciais no balanço eletrolítico ou doenças cardiovasculares.

Estudos demonstraram que a prática do jejum ortodoxo durante 1 ano pode levar uma diminuição significativa da ingestão total de energia, de  proteína e de gordura, com uma redução significativa no colesterol total, no LDL- colesterol e IMC.

Jejum do Ramadã

Os muçulmanos jejuam do nascer ao pôr do sol durante o nono mês do calendário islâmico (Hijra), que é o mês do Ramadã. Durante esse período, comida e bebida são proibidas durante o dia; o jejum é quebrado tomando duas refeições sem restrições (após o pôr do sol e antes do amanhecer). É um tipo de jejum intermitente, consistindo em períodos alternados de jejum e festa. Crianças, idosos, doentes crônicos, grávidas ou mulheres que amamentam e  viajantes de longas distâncias são isentos. A duração do jejum é variável, uma vez que a data do Ramadã obedece o calendário lunar, caindo em diferentes períodos do ano, ao longo de um ciclo de 33 anos. Esse período dura 29 a 30 dias e o tempo médio de jejum dura em média 12 a 14 horas, mas pode se estender ate a 18-22 horas dependendo da latitude. Durante o jejum do Ramadã, a abstenção do tabaco e cafeína é recomendada como parte dessa crença cultural. Existem inúmeros estudos sobre os efeitos fisiológicos do Ramadã, e a maioria deles descreve um efeito positivo na composição corporal e metabolismo, mas há resultados que não mostram esses benefícios, tendo em vista a diversidade alimentar entre os fiéis de várias partes do mundo. Uma metanálise, incluindo 35 estudos, encontrou uma tendência para perda de peso de 1,2 kg durante o período de jejum, seguido de um aumento significativo após o período de realimentação 0,72 kg.  Em geral, a maioria dos estudos indica que os possíveis benefícios obtidos durante o jejum do Ramadã podem ser afetados por ingestão calórica, manutenção do IMC, hábitos culturais e país de residência. Os efeitos positivos estão documentados somente durante o período de jejum do Ramadã existindo poucos estudos que avaliem a manutenção desses efeitos a longo prazo.

Jejum do Judaísmo

O jejum do judaísmo, o Yom Kipur, ocorre no décimo dia do sétimo mês do  calendário hebraico, depois de Rosh Hashaná, o novo ano judeucom restrição total de comida e de bebida (até água). Crianças menores de 13 anos são isentos e, conforme a lei judaica, qualquer pessoa cuja vida possa ser comprometida durante o jejum, isto é, mulheres no parto, diabéticos etc. O jejum dura 25h, começando antes do pôr do sol no dia anterior do Yom Kipur, terminando depois do anoitecer no dia seguinte.

No Judaísmo ortodoxo, abstenções de confortos físicos e luxos são considerados propícios à elevação espiritual. No Yom Kipur não pode trabalhar, dirigir, cozinhar, fazer compras etc. Do ponto de vista nutricional, esse jejum é muito curto para causar alterações metabólicas com impactos significativos na saúde. O jejum judaico do Yom Kipur é diferente de outros práticas de jejum porque há uma abstenção completa de comida e água por 25h. Seu potencial imediato efeitos colaterais são dor de cabeça, desidratação e hipoglicemia; devido à sua curta duração, é improvável um impacto a longo prazo na saúde. A falta de consumo de água pode causar problemas fisiológicos estresse e metabolismo lento, com talvez mais regionalmente, ou seja, em países quentes e secos como Israel. Outros efeitos podem incluir risco de hipotermia, dor de cabeça por abstinência em consumidores habituais de cafeína, e náuseas.

Jejum de Daniel

Esse jejum, praticado por alguns cristãos, deriva da Bíblia Sagrada em que o profeta Daniel resolveu não contaminar-se e consumir apenas vegetais e água, inicialmente por 10 dias inicialmente e depois por 21 dias.  O jejum de Daniel moderno envolve a ingestão ad libitum de frutas, vegetais, grãos, nozes e óleo sendo praticado em qualquer época do ano durante 21 dias. É considerado mais rigoroso  do que outras dietas vegetarianas, pois impõe proibições de  farinha branca, conservantes, aditivos, adoçantes, aromas, cafeína e álcool. O jejum de Daniel se assemelha a uma dieta vegana. Efeitos benéficos incluem redução na ingestão total de calorias, proteínas e gorduras animais, com perfil lipídico, glicêmico e oxidativo favoráveis.  Estudos sobre seu impacto nas doenças metabólicas e cardiovasculares mostraram redução significativa do colesterol, LDL-C e pressão arterial, associados a uma melhora significativa na homeostase da glicose, caracterizada por níveis baixos da glicemia , da  insulina em jejum,  do HOMA-IR e da proteína C reativa.

Jejum das religiões orientais

Os padrões de jejum budista consistem em uma dieta vegetariana típica, excluindo carne e laticínios (às vezes leite), que é praticado durante todo o ano. O tipo de alimento varia entre diferentes países e culturas (por exemplo, budistas chineses geralmente consomem leite, enquanto os de Taiwan consomem produtos à base de soja). É proibido o consumo de vegetais picantes como  alho, cebola, cebolinha e alho-poró, além do consumo de álcool. Há falta de literatura sobre o impacto desse tipo de jejum nas populações. 

Jejum da Igreja Católica Apostólica Romana

A Igreja Católica Apostólica Romana tem suas recomendações para jejum e abstinência na quarta-feira de cinzas e na Sexta-Feira Santa, onde os fiéis devem fazer uma única refeição durante o dia, mas não proíbe um pouco de comida de manhã e à noite. Proíbe o consumo de carne, bem como de alimentos e bebidas que, segundo um julgamento prudente, devem ser considerados como particularmente procurados e caros. Em todas as sextas-feiras do ano, a menos que caiam em uma solenidade, deve-se observar a abstinência de carne vermelha. Essas recomendações não são aplicadas a menores de 14 e maiores de 60 anos e em pessoas com problemas de saúde. Não existem dados na literatura médica a respeito dos efeitos desse comportamento alimentar sobre a saúde.

Como o jejum religioso pode ser benéfico a saúde?

Durante um período de jejum prolongado com disponibilidade limitada de carboidratos, é necessária uma mudança na fonte de energia, que induz alterações metabólicas como aumento da gliconeogênese e aumento da oxidação de ácidos graxos, resultando em aumento da produção de corpos cetônicos. Evidências interessantes sugerem que a quebra de proteínas induzida pelo jejum não é aleatória, mas sim um processo organizado através de uma complexa rede molecular que inclui interação AMPK, SIRT1, FOXO e mTOR, levando a modulação da autofagia, focada na destruição proteínas desnecessárias e potencialmente perigosas, como células e auto anticorpos. Essas mudanças metabólicas podem ser obtidas em diferentes níveis com várias modalidades alimentares como restrição calórica diária, jejum em dias alternados, jejum intermitente e a alimentação limitada a um período do dia, observando as variações do ritmo circadiano tanto cerebral como hepático. Esses comportamentos alimentares implicam em redução de 20 a 40% das necessidades calóricas diárias, sem alterar o conteúdo ou a fonte de micro/macronutrientes, sendo associados à melhoria no perfil metabólico, desempenho cardíaco e retardar o aparecimento de doenças auto imunes e degenerativas, promovendo aumento da longevidade.

Referências:

1.         Sadeghirad, B., et al., Islamic fasting and weight loss: a systematic review and meta-analysis. Public Health Nutr, 2014. 17(2): p. 396-406.

2.         de Cabo, R. and M.P. Mattson, Effects of Intermittent Fasting on Health, Aging, and Disease. N Engl J Med, 2019. 381(26): p. 2541-2551.

3.         Venegas-Borsellino, C., Sonikpreet, and R.G. Martindale, From Religion to Secularism: the Benefits of Fasting. Curr Nutr Rep, 2018.

4.         Karras, S.N., et al., Effects of orthodox religious fasting versus combined energy and time restricted eating on body weight, lipid concentrations and glycaemic profile. Int J Food Sci Nutr, 2020: p. 1-11.

5.         Al-Islam Faris, M., et al., A systematic review, meta-analysis, and meta-regression of the impact of diurnal intermittent fasting during Ramadan on glucometabolic markers in healthy subjects. Diabetes Res Clin Pract, 2020: p. 108226.

6.         Rahbar, A.R., et al., Effects of Intermittent Fasting during Ramadan on Insulin-like Growth Factor-1, Interleukin 2, and Lipid Profile in Healthy Muslims. Int J Prev Med, 2019. 10: p. 7.

7.         Koufakis, T., et al., Orthodox religious fasting as a medical nutrition therapy for dyslipidemia: where do we stand and how far can we go? Eur J Clin Nutr, 2018. 72(4): p. 474-479.

24. dezembro 2019 · Comentários desativados em COMER GORDURA NÃO DÁ INFARTO- FAKE NEWS · Categories: Hipertensão Arterial, Infarto, Obesidade · Tags: , , ,

A todo instante vemos na mídia eletrônica profissionais de saúde fazendo anúncios nem sempre calcados em bases cientificas, como por exemplo o que se está falando sobre a dieta com gorduras saturadas e doença cardiovascular.

O Estudo dos Sete Países , iniciado em 1956 e publicado originalmente em 1978, foi o primeiro estudo epidemiológico que examinou a relação entre dieta e doença cardiovascular em diferentes populações e partes do mundo. Seus resultados consolidaram a crença de que o aumento da ingestão de gorduras, especialmente aquela com níveis de ácidos graxos saturados elevados, esteve diretamente associada a maior prevalência de doenças cardiovasculares. Muitos estudos foram realizados nos anos subsequentes, sempre mostrando relação direta entre a mortalidade e a ingestão de gordura saturada e o papel protetor das gorduras insaturadas na prevenção das doenças cardiovasculares.

 Em 2017 , no entanto, após a  publicação do estudo Prospectivo Epidemiologia Urbana Urbana (PURE)  a crença sobre o papel adverso da gordura foi questionada. Esse estduo questionou as orientações relacionadas ao consumo de gordura ao avaliar a associação entre consumo de carboidratos, gordura total e cada tipo de gordura com doenças cardiovasculares  e mortalidade total. O estudo foi de grande dimensão epidemiológica, com mais de 135.000 pacientes matriculados em 18 países diferentes com diferentes status de renda nos 5 continentes. Os pacientes foram acompanhados por uma mediana de 7,4 anos. Os resultados incluíram mortalidade total e eventos cardiovasculares adversos importantes como morte por deonca cardiovascular, infarto do miocárdio não fatal, acidente vascular cerebral e insuficiência cardíaca. 

Maior consumo de carboidratos foi associado a um risco aumentado de mortalidade total, mas não com risco de doença cardiovascular ou mortalidade por doenças. Pelo contrário, a ingestão de gordura foi associada a um risco diminuído de mortalidade total, independentemente do tipo de gordura examinada, e a ingestão de gordura saturada foi associada a um menor risco de acidente vascular cerebral e mortalidade total . 

Em conclusão, o estudo PURE mostrou que a ingestão total de gordura apresentava pelo menos efeitos neutros ou mesmo benéficos efeitos na saúde cardiovascular, enquanto uma alta ingestão de carboidratos (> 60% da dieta) não teve impacto positivo na aterosclerose e doença cardiovascular.Também provou que a mortalidade aumenta quando os carboidratos  refinados substituem a gordura saturada na tentativa de minimizar o consumo de gordura. Finalmente, o estudo salienta que o maior benefício na mortalidade é observado quando os carboidratos refinados são reduzidos e substituído por gordura poliinsaturada . 

Esse estudo atraiu sérias críticas em alguns pontos. O fato de a maioria dos participantes do estudo ser de países de baixa renda aumenta a pobreza e  desnutrição, um sério fator de confusão em relação à mortalidade. Além disso, a confiabilidade da dieta foi questionada,  como na China, por exemplo, quando outras pesquisas mostraram uma média ingestão de cerca de 30% das calorias diárias da gordura, em comparação com 17,7% no PURE. 

 Finalmente, não foi qualificado o  tipo de carboidrato da dieta , não se sabendo se os participantes do estudo ingeriam carboidratos simples (com baixo índice glicêmico) ou complexo (rico em fibras e baixo índice glicêmico), que diferem significativamente em termos de incidência de eventos cardiovasculares .

 Esse estudo foi veiculado na mídia leiga causando uma enorme confusão pois , vem sendo sendo utilizado como base de muitas afirmações que temos visto no Instagram , Tweeter, Facebook etc.. Nesses posts, existem conclusões sem o mínimo conhecimento cientifico , verdadeiros FAKE NEWS, pois os seus autores não revelam ao público os viéses do estudo PURE, que colocaram em dúvida os seus resultados.

 É importante saber que as recomendações clássicas da ingestão de gorduras na prevenção das doenças cardiovasculares , publicadas pelas  associações medicas e nutricionais tanto europeias, americanas e brasileiras  ainda ressaltam o papel nocivo das gorduras saturadas na saúde, de modo a se recomendar que numa dieta não se consuma mais do que 35% de gorduras, sendo 10% de saturadas, sugerindo sempre a troca da gordura saturada pela mono ou poli-insaturada.

Dessa maneira, antes de você validar as informações que correm pela internet, principalmente com relação a sua alimentação, procure saber a origem das informações, se existe uma literatura de base , para evitar enganos que poderão ser prejudiciais a sua saúde.

A depressão e a ansiedade coexistem em muitas situações. Dois terços das pessoas com ansiedade também sofrem de depressão, e cinquenta e oito por cento dos deprimidos têm perturbações de ansiedade.

Esta combinação é tão comum, que, atualmente, alguns autores a consideram uma nova doença: a ansiedade depressiva (AD) ou depressão ansiosa.

Muitos cientistas acreditam que a ansiedade e a depressão, embora se manifestem de forma diferente, têm as mesmas anormalidades no sistema de neurotransmissão de impulso nervoso.

Mais frequente em mulheres, a ansiedade depressiva pode ser desencadeada por traumas ou abusos na infância, dificuldades na escola, perda ou separação de parentes, problemas financeiros e abuso no consumo de substâncias.

A base para o diagnóstico desta doença é o estabelecimento da associação de sintomas depressivos com sintomas de estados ansiosos. O indivíduo passa a apresentar uma angústia intensa, não consegue estar quieto, caminha de um lado para outro, desespera-se. Estes são os sintomas ansiosos mais comuns.

Associam-se a estes os sintomas orgânicos verificados nos estados ansiosos, como tremores, cansaço, sensação de falta de ar ou de asfixia, palpitações ou coração acelerado, suor excessivo, mãos frias e suadas, boca seca, vertigens, ânsia de vómitos, diarreia, desconforto abdominal, ondas de calor, calafrios, micção frequente, dificuldade em engolir, sensação de «bolo na garganta», entre outros.

As manifestações depressivas mais frequentes são tristeza excessiva, melancolia, choro fácil ou frequente, apatia e indiferença, sensação de falta de emoções, tédio, aborrecimento crónico, desespero, maior irritabilidade, especialmente em situações triviais que não costumam incomodar as pessoas (por exemplo, ruídos, vozes).

Associam-se aos sintomas depressivos acima descritos muitos outros, como desânimo, perda de vontade, insónia ou sono excessivo, redução ou aumento do apetite, redução do apetite sexual, diminuição da resposta sexual (disfunção erétil, orgasmo retardado ou ausência de orgasmo), incapacidade de obter prazer em várias esferas da vida. Também surgem concepções negativas, pessimismo em relação a tudo, ideias de arrependimento e culpa, cogitações sobre mágoas passadas, ideias de morte, desejo de desaparecer, dormir para sempre.

Nota-se prejuízo nas atividades quotidianas, devido principalmente ao défice de atenção e concentração, à redução da capacidade de memória, à dificuldade em tomar decisões, aos sentimentos de baixa autoestima, insuficiência, incapacidade, vergonha e autodepreciação.

Se você se encontra numa das situações  acima, procure imediatamente um médico para que lhe dê a medicação correta a fim de controlar os sintomas. Além disso, é muito importante cuidar da sua espiritualidade, ou seja, recorrer a Deus nesses momentos de muito sofrimento, pois é na noite escura que encontramos a luz do Senhor. Recomendo a leitura e a prática da NOVENA PARA O ENFRENTAMENTO DA ANSIEDADE E DA DEPRESSÃO da Editora Canção Nova. Faça esse desafio!!  

Em 2017, foi publicado em uma revista muito importante da literatura médica, Lancet, um estudo denominado PURE, onde os pesquisadores coletaram dados alimentares auto-relatados de 135.335 pessoas em 18 países, e os agruparam de acordo com a quantidade de carboidratos, gorduras e proteínas que consumiram.Depois de rastrear a saúde dos participantes ao longo de um período de sete anos, os pesquisadores descobriram que aqueles com a maior ingestão de gordura (35% das calorias diárias) eram 23% menos propensos a morrer do que aqueles com menor ingestão de gordura (10% do diário).calorias).Por outro lado, para os carboidratos, aqueles com a maior ingestão (77% das calorias diárias) foram 28% mais propensos a morrer do que aqueles com a menor ingestão (46% das calorias diárias). A partir dessas descobertas, a principal conclusão dos autores é que “a alta ingestão de carboidratos foi associada com maior risco de mortalidade total, enquanto a gordura total e os tipos individuais de gordura foram relacionados à menor mortalidade total”. Evidentemente que a publicação desses resultados criou uma grande polêmica, visto que confrontava com tudo o que vinha sendo publicado anteriormente. De repente,  o grande vilão, responsável pelas doenças cardiovasculares era o carboidrato e não a gordura, como a gente sempre soube.Mas, antes de definir ou mesmo eleger responsáveis, é importante que analisemos os detalhes desse estudo para com muito cuidado tomarmos nossas posições.

O estudo publicado tem alguns aspectos que temos que considerar:

1- Principais problemas metodológicos

  • “Total de carboidratos” é simplificado demais. Como os alimentos ricos em carboidratos variam de frutas, verduras, legumes e cereais integrais a grãos refinados e açúcares adicionados, é importante considerar tanto a qualidade quanto a quantidade de carboidratos – em vez de agrupá-los todos juntos. Diferentes tipos de carboidratos têm diferentes efeitos sobre a saúde.
  • Essa alta ingestão de carboidratos pode indicar uma “dieta de pobreza”. A maioria dos participantes do estudo localizados em países de baixa renda subsistiam quase inteiramente de carboidratos, “especialmente de fontes refinadas”. Em Bangladesh, por exemplo, os autores listam o arroz branco como o principal contribuinte não apenas de carboidratos, mas também de proteína e gordura total. Uma “dieta de pobreza”, que é comum em áreas rurais pobres, também é tipicamente rica em sódio e baixa em produtos de origem animal e óleos vegetais. Nessa situação, é extremamente desafiador, se não impossível, separar os efeitos da dieta da pobreza e da desnutrição.
  • Avaliação incompleta e análise de tipos de gordura. Ao contrário dos carboidratos, o estudo reduz a ingestão total de gordura em gorduras saturadas, monoinsaturadas e poliinsaturadas. Como os autores reconheceram, o estudo não avaliou a ingestão de gordura trans (que é particularmente alta no sul da Ásia ), o que pode ter confundido associações para outros tipos de gordura. O estudo PURE descobriu que substituir a gordura saturada por carboidratos não reduziu o risco de mortalidade, mas a substituição da gordura poliinsaturada por carboidratos foi associada à menor mortalidade. Curiosamente, o estudo não examinou os efeitos da substituição da gordura poliinsaturada por gordura saturada. Ensaios clínicos randomizados descobriram que, ao substituir a gordura saturada por carboidratos, não houve efeito, a troca de gordura saturada por gordura poliinsaturada reduziu significativamente o risco de doença cardiovascular.
  • Confiabilidade dos dados de consumo alimentar. Nos participantes chineses (que constituíam quase um terço da população total do estudo), a média de ingestão total de gorduras é 17,7% do total de calorias diárias, mas outras pesquisas descobriram uma ingestão média de cerca de 30% das calorias diárias provenientes de gordura na China.  Uma discrepância tão grande é intrigante porque questionários dietéticos semelhantes foram usados ​​no estudo PURE e em outros estudos chineses.

2-Considerações Finais:

Esforços de larga escala para estudar os efeitos da dieta sobre a saúde nos países em desenvolvimento são importantes, mas este estudo é repleto de problemas metodológicos – especialmente mesclado  por diferentes graus de desenvolvimento socioeconômico em diferentes países e dados questionáveis ​​de consumo alimentar.

O Dr. Frank Hu, presidente do Departamento de Nutrição da Escola de Saúde Pública de Chan, em Harvard, observa que é preciso ir além das manchetes sensacionalistas e do resumo do artigo: As principais mensagens para aconselhamento nutricional não mudaram: seguir um padrão alimentar saudável que inclua quantidades abundantes de vegetais, frutas, cereais integrais, legumes e nozes; quantidades moderadas de produtos lácteos com baixo teor de gordura e frutos do mar; e quantidades menores de carne processada e vermelha, alimentos e bebidas açucarados e grãos refinados. Tal padrão alimentar não precisa limitar a ingestão total de gordura, mas os principais tipos de gordura devem ser gorduras insaturadas de fontes vegetais, em vez de gordura animal.

 

 

O hipotireoidismo é uma condição na qual a glândula tireoide não produz suficiente hormônio da tireoide. É a doença mais comum da tireoide. A tireoide é uma glândula em forma de borboleta no meio do pescoço que produz dois hormônios, triiodotironina (T3) e tiroxina (T4), que regulam a forma como o corpo usa e armazena energia (também conhecido como o metabolismo do corpo). A função da tiroide é controlado por uma glândula no cérebro, conhecida como a pituitária  responsável pela produção do hormônio estimulante da tireoide (TSH), que estimula a tireoide a produzir T3 e T4.

Em cerca de 95 por cento dos casos, o hipotireoidismo é causado por um problema da própria glândula tireoide , hipotireoidismo primário. No entanto, certos medicamentos e doenças também podem diminuir a função da tireoide. Como um exemplo, o hipotiroidismo que pode ocorrer  após tratamentos médicos para hipertiroidismo, após a Tireoidectomia (remoção cirúrgica da tiroide), ou tratamento com iodo radioativo (para destruir o tecido da tiroide). Em alguns casos, o hipotiroidismo é uma consequência da diminuição da produção de hormônio estimulante da tiroide (TSH) pela glândula pituitária (chamado hipotiroidismo secundário).

Os problemas de tireoide são mais comuns em mulheres, aumentam com a idade e é mais comum em brancos  do que em negros.

Os sintomas de hipotireoidismo variam muito; algumas pessoas não têm sintomas, enquanto outros têm sintomas dramáticos ou, raramente, sintomas de risco de vida. Os sintomas de hipotireoidismo são famosos por serem inespecíficos e por  imitar muitas das mudanças normais do envelhecimento. Geralmente, os sintomas são mais leves quando o hipotireoidismo se desenvolve gradualmente.

Pele – hipotireoidismo pode diminuir a transpiração. A pele pode ficar seca e grossa. O cabelo pode tornar-se grossa ou fina, as sobrancelhas podem desaparecer, e as unhas podem tornar-se frágil.

Olhos – O hipotiroidismo pode levar ao inchaço suave em torno dos olhos.

Coração e Vasos –  Hipotireoidismo diminui a freqüência cardíaca e enfraquece contrações do coração, diminuindo a sua função global. Sintomas relacionados podem incluir fadiga e falta de ar com o exercício. Estes sintomas podem ser mais graves em pessoas que também têm doença cardíaca. Além disso, o hipotireoidismo pode causar hipertensão arterial leve e aumentar os níveis sanguíneos de colesterol.

Sistema respiratório – Hipotireoidismo enfraquece os músculos respiratórios e diminui a função pulmonar. Os sintomas podem incluir fadiga, falta de ar com o exercício, e diminuição da capacidade para o exercício. O hipotiroidismo também pode levar a inchaço da língua, a voz rouca, e apneia do sono. A apneia do sono é uma condição na qual existe obstrução intermitente das vias respiratórias durante o sono, levando a sonolência diurna .

Sistema gastrointestinal – O hipotireoidismo retarda as ações do trato digestivo, causando prisão de ventre.

Sistema reprodutivo – Mulheres com hipotireoidismo têm, frequentemente, irregularidades no ciclo menstrual, variando de ausência de menstruação ou pouco frequentes a períodos muito frequentes e pesados. As irregularidades menstruais podem dificultar a mulher a se engravidar. As mulheres grávidas com hipotiroidismo têm um risco maior de aborto durante a gravidez precoce.

Como sei se estou com hipotireoidismo?

Exames de sangue podem confirmar o diagnóstico e identificar a causa subjacente da deficiência de hormônio da tireoide. O exame de sangue mais comum de hipotireoidismo é hormônio estimulante da tireoide (TSH). TSH é o teste mais sensível, e no hipotireoidismo apresenta valores elevados. Tiroxina (T4), o principal produto da glândula tireoide, também pode ser medido para confirmar e avaliar o grau de hipotiroidismo e frequentemente esta diminuído nessa patologia.