Durante minhas palestras tenho sempre questionado a dificuldade em ser médico. Ser médico é cumprir um sacerdócio, muitas vezes não reconhecido e quase sempre não valorizado pela sociedade atual.A bem da verdade, a medicina de hoje, por conta da super especialização , deixou de lado as características tridimensionais do ser humano, enfocando apenas a doença como objetivo terapêutico, esquecendo-se de nossa dimensão psíquica e espiritual.

A medicina de hoje deixou de ser uma ciência humana para ser uma ciência exata.Além disso, a prática médica dos convênios tornou-nos reféns de contratos e distratos feitos por tecnocratas, tendo numa ponta os pacientes e na outra os poderosos donos dos convênios. A nós, médicos, prestadores de serviço, resta apenas praticar uma relação médico-paciente cada vez mais deteriorada, mais anônima e mais impessoal. Esse panorama, somado a má remuneração do trabalho médico mostra por si só a gravidade do problema, pois somos obrigados a aumentar o numero de consultas , por conta de perfazer um mínimo necessário para a sobrevivência.

Praticar um cristianismo correto, sem senões, também é muito difícil. Jesus mesmo, dizia aos seus discípulos dessa dificuldade ao pedir-lhes que carregassem suas cruzes e O seguissem. Ele estava nos dizendo o quão penoso é o caminho para aqueles que O querem seguir.O mundo de hoje nos impele, em muitas circunstâncias, a violar princípios mínimos do moralismo cristão, por serem estes considerados ultrapassados e antiquados.É dificil mesmo, nos livrarmos das tentações do suborno, na ocasião de uma infração, de, no momento da perda de um aparelho de telefone celular, acionar o seguro, como se o tivessem roubado.Sim, é dificil nos afastarmos desses pequenos delitos, sem duvida alguma, precedentes de transgressões maiores, que no futuro poderão nos causar sérias repercussões, tanto do ponto de vista moral , como do espiritual.

É essa a cruz que Jesus falou a seus discípulos. Ser médico cristão,por sua vez, é carregar uma cruz  pesada , pois fomos escolhidos pelo Senhor para cuidar da Sua obra prima- o ser humano, o mesmo corpo que o proprio Deus escolheu para encarnar o Seu Filho Jesus Cristo. A partir do momento que começamos a refletir sobre tudo isso, sobre a responsabilidade que temos perante os homens e perante Deus, sentimos cada vez mais pesada a cruz de cumprir esse nosso sacerdócio médico.

Os convênios médicos aviltantes e exploradores, a vida universitária competitiva desleal, a soberba dos superiores, a inveja e a murmuração diante dos nossos sucessos, são o peso dessa cruz que devemos carregar, como Ele nos falou.Realmente é dificil ser médico cristão, vivendo num ambiente competitivo, contaminado, onde os valores materiais suplantam os espirituais, onde o “ter” é muito maior do que o “ ser”, onde os galões universitários são a razão do viver.

É dificil, mas não impossível, pois a partir do momento que nos concientizarmos que o paciente que atendemos, ou o colega com quem convivemos, a auxiliar que nos assessora, ou mesmo o porteiro que nos dá bom dia, somos todos filhos de um só Pai.Tenho certeza, que somente seremos médicos cristãos verdadeiros, no momento que enxergarmos no nosso semelhante os olhos de Jesus Cristo.

Roque Marcos Savioli

Abril de 2006

 

Livro: Milagres que a medicina não contou

MILAGRES QUE A MEDICINA NÃO CONTOU.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Prefácio: Pe. Fábio de Melo

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