{"id":19729,"date":"2021-03-24T08:00:26","date_gmt":"2021-03-24T11:00:26","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cancaonova.com\/saojosedoscampos\/?p=19729"},"modified":"2021-03-20T11:09:24","modified_gmt":"2021-03-20T14:09:24","slug":"carta-apostolica-dedicada-sao-jose","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/saojosedoscampos\/sem-categoria\/carta-apostolica-dedicada-sao-jose\/","title":{"rendered":"Carta Apost\u00f3lica dedicada a S\u00e3o Jos\u00e9"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center\">Carta Apost\u00f3lica P\u00e1tria Corde<\/h2>\n<p style=\"text-align: center\"><a href=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/saojosedoscampos\/files\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-03-09-at-15.57.45.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-19730\" src=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/saojosedoscampos\/files\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-03-09-at-15.57.45-243x300.jpeg\" alt=\"\" width=\"243\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/blog.cancaonova.com\/saojosedoscampos\/files\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-03-09-at-15.57.45-243x300.jpeg 243w, https:\/\/blog.cancaonova.com\/saojosedoscampos\/files\/2021\/03\/WhatsApp-Image-2021-03-09-at-15.57.45.jpeg 720w\" sizes=\"(max-width: 243px) 100vw, 243px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Queridos irm\u00e3os, hoje quero trazer at\u00e9 voc\u00eas a extraordin\u00e1ria reflex\u00e3o feita pelo Papa Francisco sobre S\u00e3o Jos\u00e9 na carta apost\u00f3lica P\u00e1tria Corde. Reserve um tempo de qualidade para esta leitura. Eu n\u00e3o tenho d\u00favidas que voc\u00ea far\u00e1 uma experi\u00eancia transformadora na sua vida.<\/p>\n<p>A vida de S\u00e3o Jos\u00e9, nos ensina que n\u00e3o se decepciona\u00a0aquele que se decide por Deus.<\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #663300\">CARTA APOST\u00d3LICA<\/span><\/p>\n<p align=\"center\"><b><span style=\"color: #663300;font-size: large\"><i>PATRIS CORDE<\/i><\/span><\/b><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #663300\"><b>DO PAPA FRANCISCO<\/b><\/span><\/p>\n<p align=\"center\"><span style=\"color: #663300\">POR OCASI\u00c3O DO 150\u00ba ANIVERS\u00c1RIO<br \/>\nDA DECLARA\u00c7\u00c3O DE S\u00c3O JOS\u00c9<br \/>\nCOMO PADROEIRO UNIVERSAL DA IGREJA<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com cora\u00e7\u00e3o de pai: assim Jos\u00e9 amou a Jesus, designado nos quatro Evangelhos como \u00abo filho de Jos\u00e9\u00bb.<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a><\/p>\n<p>Os dois evangelistas que puseram em relevo a sua figura, Mateus e Lucas, narram pouco, mas o suficiente para fazer compreender o g\u00e9nero de pai que era e a miss\u00e3o que a Provid\u00eancia lhe confiou.<\/p>\n<p>Sabemos que era um humilde carpinteiro (cf.\u00a0<i>Mt<\/i>\u00a013, 55), desposado com Maria (cf.\u00a0<i>Mt<\/i>\u00a01, 18;\u00a0<i>Lc<\/i>\u00a01, 27); um \u00abhomem justo\u00bb (<i>Mt<\/i>\u00a01, 19), sempre pronto a cumprir a vontade de Deus manifestada na sua Lei (cf.\u00a0<i>Lc<\/i>\u00a02, 22.27.39) e atrav\u00e9s de quatro sonhos (cf.\u00a0<i>Mt<\/i>\u00a01, 20; 2, 13.19.22). Depois duma viagem longa e cansativa de Nazar\u00e9 a Bel\u00e9m, viu o Messias nascer num est\u00e1bulo, \u00abpor n\u00e3o haver lugar para eles\u00bb (<i>Lc<\/i>\u00a02, 7) noutro s\u00edtio. Foi testemunha da adora\u00e7\u00e3o dos pastores (cf.\u00a0<i>Lc<\/i>\u00a02, 8-20) e dos Magos (cf.\u00a0<i>Mt<\/i>\u00a02, 1-12), que representavam respetivamente o povo de Israel e os povos pag\u00e3os.<\/p>\n<p>Teve a coragem de assumir a paternidade legal de Jesus, a quem deu o nome revelado pelo anjo: dar-Lhe-\u00e1s \u00abo nome de Jesus, porque Ele salvar\u00e1 o povo dos seus pecados\u00bb (<i>Mt<\/i>\u00a01, 21). Entre os povos antigos, como se sabe, dar o nome a uma pessoa ou a uma coisa significava conseguir um t\u00edtulo de perten\u00e7a, como fez Ad\u00e3o na narra\u00e7\u00e3o do G\u00e9nesis (cf. 2, 19-20).<\/p>\n<p>No Templo, quarenta dias depois do nascimento, Jos\u00e9 \u2013 juntamente com a m\u00e3e \u2013 ofereceu o Menino ao Senhor e ouviu, surpreendido, a profecia que Sime\u00e3o fez a respeito de Jesus e Maria (cf.\u00a0<i>Lc<\/i>\u00a02, 22-35). Para defender Jesus de Herodes, residiu como forasteiro no Egito (cf.\u00a0<i>Mt<\/i>\u00a02, 13-18). Regressado \u00e0 p\u00e1tria, viveu no rec\u00f4ndito da pequena e ignorada cidade de Nazar\u00e9, na Galileia \u2013 donde (dizia-se) \u00abn\u00e3o sair\u00e1 nenhum profeta\u00bb (<i>Jo<\/i>\u00a07, 52), nem \u00abpoder\u00e1 vir alguma coisa boa\u00bb (<i>Jo<\/i>\u00a01, 46) \u2013, longe de Bel\u00e9m, a sua cidade natal, e de Jerusal\u00e9m, onde se erguia o Templo. Foi precisamente durante uma peregrina\u00e7\u00e3o a Jerusal\u00e9m que perderam Jesus (tinha ele doze anos) e Jos\u00e9 e Maria, angustiados, andaram \u00e0 sua procura, acabando por encontr\u00e1-Lo tr\u00eas dias mais tarde no Templo discutindo com os doutores da Lei (cf.\u00a0<i>Lc<\/i>\u00a02, 41-50).<\/p>\n<p>Depois de Maria, a M\u00e3e de Deus, nenhum Santo ocupa tanto espa\u00e7o no magist\u00e9rio pontif\u00edcio como Jos\u00e9, seu esposo. Os meus antecessores aprofundaram a mensagem contida nos poucos dados transmitidos pelos Evangelhos para real\u00e7ar ainda mais o seu papel central na hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o: o Beato Pio IX declarou-o \u00abPadroeiro da Igreja Cat\u00f3lica\u00bb,<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>\u00a0o Vener\u00e1vel Pio XII apresentou-o como \u00abPadroeiro dos oper\u00e1rios\u00bb;<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a>\u00a0e S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, como \u00abGuardi\u00e3o do Redentor\u00bb.<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>\u00a0O povo invoca-o como \u00abpadroeiro da boa morte\u00bb.<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a><\/p>\n<p>Assim ao completarem-se 150 anos da sua declara\u00e7\u00e3o como<i>\u00a0Padroeiro da Igreja Cat\u00f3lica<\/i>, feita pelo Beato Pio IX a 8 de dezembro de 1870, gostaria de deixar \u00aba boca \u2013 como diz Jesus \u2013 falar da abund\u00e2ncia do cora\u00e7\u00e3o\u00bb (<i>Mt<\/i>\u00a012, 34), para partilhar convosco algumas reflex\u00f5es pessoais sobre esta figura extraordin\u00e1ria, t\u00e3o pr\u00f3xima da condi\u00e7\u00e3o humana de cada um de n\u00f3s. Tal desejo foi crescendo ao longo destes meses de pandemia em que pudemos experimentar, no meio da crise que nos afeta, que \u00abas nossas vidas s\u00e3o tecidas e sustentadas por pessoas comuns (habitualmente esquecidas), que n\u00e3o aparecem nas manchetes dos jornais e revistas, nem nas grandes passarelas do \u00faltimo espet\u00e1culo, mas que hoje est\u00e3o, sem d\u00favida, a escrever os acontecimentos decisivos da nossa hist\u00f3ria: m\u00e9dicos, enfermeiras e enfermeiros, trabalhadores dos supermercados, pessoal da limpeza, curadores, transportadores, for\u00e7as policiais, volunt\u00e1rios, sacerdotes, religiosas e muitos \u2013 mas muitos \u2013 outros que compreenderam que ningu\u00e9m se salva sozinho. (\u2026) Quantas pessoas dia a dia exercitam a paci\u00eancia e infundem esperan\u00e7a, tendo a peito n\u00e3o semear p\u00e2nico, mas corresponsabilidade! Quantos pais, m\u00e3es, av\u00f4s e av\u00f3s, professores mostram \u00e0s nossas crian\u00e7as, com pequenos gestos do dia a dia, como enfrentar e atravessar uma crise, readaptando h\u00e1bitos, levantando o olhar e estimulando a ora\u00e7\u00e3o! Quantas pessoas rezam, se imolam e intercedem pelo bem de todos\u00bb.<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>\u00a0Todos podem encontrar em S\u00e3o Jos\u00e9 \u2013 o homem que passa despercebido, o homem da presen\u00e7a quotidiana discreta e escondida \u2013 um intercessor, um amparo e uma guia nos momentos de dificuldade. S\u00e3o Jos\u00e9 lembra-nos que todos aqueles que est\u00e3o, aparentemente, escondidos ou em segundo plano, t\u00eam um protagonismo sem paralelo na hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o. A todos eles, dirijo uma palavra de reconhecimento e gratid\u00e3o.<\/p>\n<p>1.\u00a0<i>Pai amado<\/i><\/p>\n<p>A grandeza de S\u00e3o Jos\u00e9 consiste no facto de ter sido o esposo de Maria e o pai de Jesus. Como tal, afirma S\u00e3o Jo\u00e3o Cris\u00f3stomo, \u00abcolocou-se inteiramente ao servi\u00e7o do plano salv\u00edfico\u00bb.<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a><\/p>\n<p>S\u00e3o Paulo VI faz notar que a sua paternidade se exprimiu, concretamente, \u00abem ter feito da sua vida um servi\u00e7o, um sacrif\u00edcio, ao mist\u00e9rio da encarna\u00e7\u00e3o e \u00e0 conjunta miss\u00e3o redentora; em ter usado da autoridade legal que detinha sobre a Sagrada Fam\u00edlia para lhe fazer dom total de si mesmo, da sua vida, do seu trabalho; em ter convertido a sua voca\u00e7\u00e3o humana ao amor dom\u00e9stico na obla\u00e7\u00e3o sobre-humana de si mesmo, do seu cora\u00e7\u00e3o e de todas as capacidades no amor colocado ao servi\u00e7o do Messias nascido na sua casa\u00bb.<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a><\/p>\n<p>Por este seu papel na hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o, S\u00e3o Jos\u00e9 \u00e9 um pai que foi sempre amado pelo povo crist\u00e3o, como prova o facto de lhe terem sido dedicadas numerosas igrejas por todo o mundo; de muitos institutos religiosos, confrarias e grupos eclesiais se terem inspirado na sua espiritualidade e adotado o seu nome; e de, h\u00e1 s\u00e9culos, se realizarem em sua honra v\u00e1rias representa\u00e7\u00f5es sacras. Muitos Santos e Santas foram seus devotos apaixonados, entre os quais se conta Teresa de \u00c1vila que o adotou como advogado e intercessor, recomendando-se instantemente a S\u00e3o Jos\u00e9 e recebendo todas as gra\u00e7as que lhe pedia; animada pela pr\u00f3pria experi\u00eancia, a Santa persuadia os outros a serem igualmente devotos dele.<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a><\/p>\n<p>Em todo o manual de ora\u00e7\u00f5es, h\u00e1 sempre alguma a S\u00e3o Jos\u00e9. S\u00e3o-lhe dirigidas invoca\u00e7\u00f5es especiais todas as quartas-feiras e, de forma particular, durante o m\u00eas de mar\u00e7o inteiro, tradicionalmente dedicado a ele.<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a><\/p>\n<p>A confian\u00e7a do povo em S\u00e3o Jos\u00e9 est\u00e1 contida na express\u00e3o \u00ab<i>ite ad Joseph<\/i>\u00bb, que faz refer\u00eancia ao per\u00edodo de carestia no Egito, quando o povo pedia p\u00e3o ao Fara\u00f3 e ele respondia: \u00abIde ter com Jos\u00e9; fazei o que ele vos disser\u00bb (<i>Gn<\/i>\u00a041, 55). Tratava-se de Jos\u00e9, filho de Jacob, que acabara vendido, v\u00edtima da inveja dos seus irm\u00e3os (cf.\u00a0<i>Gn<\/i>\u00a037, 11-28); e posteriormente \u2013 segundo a narra\u00e7\u00e3o b\u00edblica \u2013 tornou-se vice-rei do Egito (cf.\u00a0<i>Gn<\/i>\u00a041, 41-44).<\/p>\n<p>Enquanto descendente de David (cf.\u00a0<i>Mt<\/i>\u00a01, 16.20), de cuja raiz deveria nascer Jesus segundo a promessa feita ao rei pelo profeta Natan (cf.\u00a0<i>2 Sam<\/i>\u00a07), e como esposo de Maria de Nazar\u00e9, S\u00e3o Jos\u00e9 constitui a dobradi\u00e7a que une o Antigo e o Novo Testamento.<\/p>\n<p>2.\u00a0<i>Pai na ternura<\/i><\/p>\n<p>Dia ap\u00f3s dia, Jos\u00e9 via Jesus crescer \u00abem sabedoria, em estatura e em gra\u00e7a, diante de Deus e dos homens\u00bb (<i>Lc<\/i>\u00a02, 52). Como o Senhor fez com Israel, assim ele ensinou Jesus a andar, segurando-O pela m\u00e3o: era para Ele como o pai que levanta o filho contra o seu rosto, inclinava-se para Ele a fim de Lhe dar de comer (cf.\u00a0<i>Os<\/i>\u00a011, 3-4).<\/p>\n<p>Jesus viu a ternura de Deus em Jos\u00e9: \u00abComo um pai se compadece dos filhos, assim o Senhor Se compadece dos que O temem\u00bb (<i>Sal<\/i>\u00a0103, 13).<\/p>\n<p>Com certeza, Jos\u00e9 ter\u00e1 ouvido ressoar na sinagoga, durante a ora\u00e7\u00e3o dos Salmos, que o Deus de Israel \u00e9 um Deus de ternura,<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a>\u00a0que \u00e9 bom para com todos e \u00aba sua ternura repassa todas as suas obras\u00bb (<i>Sal<\/i>\u00a0145, 9).<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o realiza-se, \u00abna esperan\u00e7a para al\u00e9m do que se podia esperar\u00bb (<i>Rm<\/i>\u00a04, 18), atrav\u00e9s das nossas fraquezas. Muitas vezes pensamos que Deus conta apenas com a nossa parte boa e vitoriosa, quando, na verdade, a maior parte dos seus des\u00edgnios se cumpre atrav\u00e9s e apesar da nossa fraqueza. Isto mesmo permite a S\u00e3o Paulo dizer: \u00abPara que n\u00e3o me enchesse de orgulho, foi-me dado um espinho na carne, um anjo de Satan\u00e1s, para me ferir, a fim de que n\u00e3o me orgulhasse. A esse respeito, tr\u00eas vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim. Mas Ele respondeu-me: \u201cBasta-te a minha gra\u00e7a, porque a for\u00e7a manifesta-se na fraqueza\u201d\u00bb (<i>2 Cor<\/i>\u00a012, 7-9).<\/p>\n<p>Se esta \u00e9 a perspetiva da economia da salva\u00e7\u00e3o, devemos aprender a aceitar, com profunda ternura, a nossa fraqueza.<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a><\/p>\n<p>O Maligno faz-nos olhar para a nossa fragilidade com um ju\u00edzo negativo, ao passo que o Esp\u00edrito tr\u00e1-la \u00e0 luz com ternura. A ternura \u00e9 a melhor forma para tocar o que h\u00e1 de fr\u00e1gil em n\u00f3s. Muitas vezes o dedo em riste e o ju\u00edzo que fazemos a respeito dos outros s\u00e3o sinal da incapacidade de acolher dentro de n\u00f3s mesmos a nossa pr\u00f3pria fraqueza, a nossa fragilidade. S\u00f3 a ternura nos salvar\u00e1 da obra do Acusador (cf.\u00a0<i>Ap<\/i>\u00a012, 10). Por isso, \u00e9 importante encontrar a Miseric\u00f3rdia de Deus, especialmente no sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o, fazendo uma experi\u00eancia de verdade e ternura. Paradoxalmente, tamb\u00e9m o Maligno pode dizer-nos a verdade, mas, se o faz, \u00e9 para nos condenar. Entretanto n\u00f3s sabemos que a Verdade vinda de Deus n\u00e3o nos condena, mas acolhe-nos, abra\u00e7a-nos, ampara-nos, perdoa-nos. A Verdade apresenta-se-nos sempre como o Pai misericordioso da par\u00e1bola (cf.\u00a0<i>Lc<\/i>\u00a015, 11-32): vem ao nosso encontro, devolve-nos a dignidade, levanta-nos, ordena uma festa para n\u00f3s, dando como motivo que \u00abeste meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi encontrado\u00bb (<i>Lc<\/i>\u00a015, 24).<\/p>\n<p>A vontade de Deus, a sua hist\u00f3ria e o seu projeto passam tamb\u00e9m atrav\u00e9s da ang\u00fastia de Jos\u00e9. Assim ele ensina-nos que ter f\u00e9 em Deus inclui tamb\u00e9m acreditar que Ele pode intervir inclusive atrav\u00e9s dos nossos medos, das nossas fragilidades, da nossa fraqueza. E ensina-nos que, no meio das tempestades da vida, n\u00e3o devemos ter medo de deixar a Deus o tim\u00e3o da nossa barca. Por vezes queremos controlar tudo, mas o olhar d\u2019Ele v\u00ea sempre mais longe.<\/p>\n<p>3.\u00a0<i>Pai na obedi\u00eancia<\/i><\/p>\n<p>De forma an\u00e1loga a quanto fez Deus com Maria, manifestando-Lhe o seu plano de salva\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m revelou a Jos\u00e9 os seus des\u00edgnios por meio de sonhos, que na B\u00edblia, como em todos os povos antigos, eram considerados um dos meios pelos quais Deus manifesta a sua vontade.<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a><\/p>\n<p>Jos\u00e9 sente uma ang\u00fastia imensa com a gravidez incompreens\u00edvel de Maria: mas n\u00e3o quer \u00abdifam\u00e1-la\u00bb,<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a>\u00a0e decide \u00abdeix\u00e1-la secretamente\u00bb (<i>Mt<\/i>\u00a01, 19). No primeiro sonho, o anjo ajuda-o a resolver o seu grave dilema: \u00abN\u00e3o temas receber Maria, tua esposa, pois o que Ela concebeu \u00e9 obra do Esp\u00edrito Santo. Ela dar\u00e1 \u00e0 luz um filho, ao qual dar\u00e1s o nome de Jesus, porque Ele salvar\u00e1 o povo dos seus pecados\u00bb (<i>Mt<\/i>\u00a01, 20-21). A sua resposta foi imediata: \u00abDespertando do sono, Jos\u00e9 fez como lhe ordenou o anjo\u00bb (<i>Mt<\/i>\u00a01, 24). Com a obedi\u00eancia, superou o seu drama e salvou Maria.<\/p>\n<p>No segundo sonho, o anjo d\u00e1 esta ordem a Jos\u00e9: \u00abLevanta-te, toma o menino e sua m\u00e3e, foge para o Egito e fica l\u00e1 at\u00e9 que eu te avise, pois Herodes procurar\u00e1 o menino para o matar\u00bb (<i>Mt<\/i>\u00a02, 13). Jos\u00e9 n\u00e3o hesitou em obedecer, sem se questionar sobre as dificuldades que encontraria: \u00abE ele levantou-se de noite, tomou o menino e sua m\u00e3e e partiu para o Egito, permanecendo ali at\u00e9 \u00e0 morte de Herodes\u00bb (<i>Mt<\/i>\u00a02, 14-15).<\/p>\n<p>No Egito, com confian\u00e7a e paci\u00eancia, Jos\u00e9 esperou do anjo o aviso prometido para voltar ao seu pa\u00eds. Logo que o mensageiro divino, num terceiro sonho \u2013 depois de o informar que tinham morrido aqueles que procuravam matar o menino \u2013, lhe ordena que se levante, tome consigo o menino e sua m\u00e3e e regresse \u00e0 terra de Israel (cf.\u00a0<i>Mt<\/i>\u00a02, 19-20), de novo obedece sem hesitar: \u00abLevantando-se, ele tomou o menino e sua m\u00e3e e voltou para a terra de Israel\u00bb (<i>Mt<\/i>\u00a02, 21).<\/p>\n<p>Durante a viagem de regresso, por\u00e9m, \u00abtendo ouvido dizer que Arquelau reinava na Judeia, em lugar de Herodes, seu pai, teve medo de ir para l\u00e1. Ent\u00e3o advertido em sonhos \u2013 e \u00e9 a quarta vez que acontece \u2013 retirou-se para a regi\u00e3o da Galileia e foi morar numa cidade chamada Nazar\u00e9\u00bb (<i>Mt<\/i>\u00a02, 22-23).<\/p>\n<p>Por sua vez, o evangelista Lucas refere que Jos\u00e9 enfrentou a longa e inc\u00f3moda viagem de Nazar\u00e9 a Bel\u00e9m, devido \u00e0 lei do imperador C\u00e9sar Augusto relativa ao recenseamento, que impunha a cada um registar-se na pr\u00f3pria cidade de origem. E foi precisamente nesta circunst\u00e2ncia que nasceu Jesus (cf. 2, 1-7), sendo inscrito no registo do Imp\u00e9rio, como todos os outros meninos.<\/p>\n<p>S\u00e3o Lucas, de modo particular, tem o cuidado de assinalar que os pais de Jesus observavam todas as prescri\u00e7\u00f5es da Lei: os ritos da circuncis\u00e3o de Jesus, da purifica\u00e7\u00e3o de Maria depois do parto, da oferta do primog\u00e9nito a Deus (cf. 2, 21-24).<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a><\/p>\n<p>Em todas as circunst\u00e2ncias da sua vida, Jos\u00e9 soube pronunciar o seu \u00ab<i>fiat<\/i>\u00bb, como Maria na Anuncia\u00e7\u00e3o e Jesus no Gets\u00e9mani.<\/p>\n<p>Na sua fun\u00e7\u00e3o de chefe de fam\u00edlia, Jos\u00e9 ensinou Jesus a ser submisso aos pais (cf.\u00a0<i>Lc<\/i>\u00a02, 51), segundo o mandamento de Deus (cf.\u00a0<i>Ex<\/i>\u00a020, 12).<\/p>\n<p>Ao longo da vida oculta em Nazar\u00e9, na escola de Jos\u00e9, Ele aprendeu a fazer a vontade do Pai. Tal vontade torna-se o seu alimento di\u00e1rio (cf.\u00a0<i>Jo<\/i>\u00a04, 34). Mesmo no momento mais dif\u00edcil da sua vida, vivido no Gets\u00e9mani, preferiu que se cumprisse a vontade do Pai, e n\u00e3o a sua,<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a>\u00a0fazendo-Se \u00abobediente at\u00e9 \u00e0 morte (\u2026) de cruz\u00bb (<i>Flp<\/i>\u00a02, 8). Por isso, o autor da Carta aos Hebreus conclui que Jesus \u00abaprendeu a obedi\u00eancia por aquilo que sofreu\u00bb (5, 8).<\/p>\n<p>V\u00ea-se, a partir de todas estas vicissitudes, que \u00abJos\u00e9 foi chamado por Deus para servir diretamente a Pessoa e a miss\u00e3o de Jesus, mediante o exerc\u00edcio da sua paternidade: desse modo, precisamente, ele coopera no grande mist\u00e9rio da Reden\u00e7\u00e3o, quando chega a plenitude dos tempos, e \u00e9 verdadeiramente ministro da salva\u00e7\u00e3o\u00bb.<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a><\/p>\n<p>4.\u00a0<i>Pai no acolhimento<\/i><\/p>\n<p>Jos\u00e9 acolhe Maria, sem colocar condi\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias. Confia nas palavras do anjo. \u00abAnobreza do seu cora\u00e7\u00e3o f\u00e1-lo subordinar \u00e0 caridade aquilo que aprendera com a lei; e hoje, neste mundo onde \u00e9 patente a viol\u00eancia psicol\u00f3gica, verbal e f\u00edsica contra a mulher, Jos\u00e9 apresenta-se como figura de homem respeitoso, delicado que, mesmo n\u00e3o dispondo de todas as informa\u00e7\u00f5es, se decide pela honra, dignidade e vida de Maria. E, na sua d\u00favida sobre o melhor a fazer, Deus ajudou-o a escolher iluminando o seu discernimento\u00bb.<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a><\/p>\n<p>Na nossa vida, muitas vezes sucedem coisas, cujo significado n\u00e3o entendemos. E a nossa primeira rea\u00e7\u00e3o, frequentemente, \u00e9 de desilus\u00e3o e revolta. Diversamente, Jos\u00e9 deixa de lado os seus racioc\u00ednios para dar lugar ao que sucede e, por mais misterioso que possa aparecer a seus olhos, acolhe-o, assume a sua responsabilidade e reconcilia-se com a pr\u00f3pria hist\u00f3ria. Se n\u00e3o nos reconciliarmos com a nossa hist\u00f3ria, n\u00e3o conseguiremos dar nem mais um passo, porque ficaremos sempre ref\u00e9ns das nossas expectativas e consequentes desilus\u00f5es.<\/p>\n<p>A vida espiritual que Jos\u00e9 nos mostra, n\u00e3o \u00e9 um caminho que\u00a0<i>explica<\/i>, mas um caminho que\u00a0<i>acolhe<\/i>. S\u00f3 a partir deste acolhimento, desta reconcilia\u00e7\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel intuir tamb\u00e9m uma hist\u00f3ria mais excelsa, um significado mais profundo. Parecem ecoar as palavras inflamadas de Job, quando, desafiado pela esposa a rebelar-se contra todo o mal que lhe est\u00e1 a acontecer, responde: \u00abSe recebemos os bens da m\u00e3o de Deus, n\u00e3o aceitaremos tamb\u00e9m os males?\u00bb (<i>Job<\/i>\u00a02, 10).<\/p>\n<p>Jos\u00e9 n\u00e3o \u00e9 um homem resignado passivamente. O seu protagonismo \u00e9 corajoso e forte. O acolhimento \u00e9 um modo pelo qual se manifesta, na nossa vida, o dom da fortaleza que nos vem do Esp\u00edrito Santo. S\u00f3 o Senhor nos pode dar for\u00e7a para acolher a vida como ela \u00e9, aceitando at\u00e9 mesmo as suas contradi\u00e7\u00f5es, imprevistos e desilus\u00f5es.<\/p>\n<p>A vinda de Jesus ao nosso meio \u00e9 um dom do Pai, para que cada um se reconcilie com a carne da sua hist\u00f3ria, mesmo quando n\u00e3o a compreende totalmente.<\/p>\n<p>O que Deus disse ao nosso Santo \u2013 \u00abJos\u00e9, Filho de David, n\u00e3o temas\u2026\u00bb (<i>Mt<\/i>\u00a01, 20) \u2013, parece repeti-lo a n\u00f3s tamb\u00e9m: \u00abN\u00e3o tenhais medo!\u00bb \u00c9 necess\u00e1rio deixar de lado a ira e a desilus\u00e3o para \u2013 movidos n\u00e3o por qualquer resigna\u00e7\u00e3o mundana, mas com uma fortaleza cheia de esperan\u00e7a \u2013 dar lugar \u00e0quilo que n\u00e3o escolhemos e, todavia, existe. Acolher a vida desta maneira introduz-nos num significado oculto. A vida de cada um de n\u00f3s pode recome\u00e7ar miraculosamente, se encontrarmos a coragem de a viver segundo aquilo que nos indica o Evangelho. E n\u00e3o importa se tudo parece ter tomado j\u00e1 uma dire\u00e7\u00e3o errada, e se algumas coisas j\u00e1 s\u00e3o irrevers\u00edveis. Deus pode fazer brotar flores no meio das rochas. E mesmo que o nosso cora\u00e7\u00e3o nos censure de qualquer coisa, Ele \u00ab\u00e9 maior que o nosso cora\u00e7\u00e3o e conhece tudo\u00bb (<i>1 Jo<\/i>\u00a03, 20).<\/p>\n<p>Reaparece aqui o realismo crist\u00e3o, que n\u00e3o deita fora nada do que existe. A realidade, na sua misteriosa persist\u00eancia e complexidade, \u00e9 portadora dum sentido da exist\u00eancia com as suas luzes e sombras. \u00c9 isto que leva o ap\u00f3stolo Paulo a dizer: \u00abSabemos que tudo contribui para o bem daqueles que amam a Deus\u00bb (<i>Rm<\/i>\u00a08, 28). E Santo Agostinho acrescenta: tudo, \u00abincluindo aquilo que \u00e9 chamado mal\u00bb.<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftn19\" name=\"_ftnref19\">[19]<\/a>\u00a0Nesta perspetiva global, a f\u00e9 d\u00e1 significado a todos os acontecimentos, sejam eles felizes ou tristes.<\/p>\n<p>Assim, longe de n\u00f3s pensar que crer signifique encontrar f\u00e1ceis solu\u00e7\u00f5es consoladoras. Antes, pelo contr\u00e1rio, a f\u00e9 que Cristo nos ensinou \u00e9 a que vemos em S\u00e3o Jos\u00e9, que n\u00e3o procura atalhos, mas enfrenta de olhos abertos aquilo que lhe acontece, assumindo pessoalmente a responsabilidade por isso.<\/p>\n<p>O acolhimento de Jos\u00e9 convida-nos a receber os outros, sem exclus\u00f5es, tal como s\u00e3o, reservando uma predile\u00e7\u00e3o especial pelos mais fr\u00e1geis, porque Deus escolhe o que \u00e9 fr\u00e1gil (cf.\u00a0<i>1 Cor<\/i>\u00a01, 27), \u00e9 \u00abpai dos \u00f3rf\u00e3os e defensor das vi\u00favas\u00bb (<i>Sal<\/i>\u00a068, 6) e manda amar o forasteiro.<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">[20]<\/a>\u00a0Posso imaginar ter sido do procedimento de Jos\u00e9 que Jesus tirou inspira\u00e7\u00e3o para a par\u00e1bola do filho pr\u00f3digo e do pai misericordioso (cf.\u00a0<i>Lc<\/i>\u00a015, 11-32).<\/p>\n<p>5.\u00a0<i>Pai com coragem criativa<\/i><\/p>\n<p>Se a primeira etapa de toda a verdadeira cura interior \u00e9 acolher a pr\u00f3pria hist\u00f3ria, ou seja, dar espa\u00e7o no nosso \u00edntimo at\u00e9 mesmo \u00e0quilo que n\u00e3o escolhemos na nossa vida, conv\u00e9m acrescentar outra carater\u00edstica importante: a coragem criativa. Esta vem ao de cima sobretudo quando se encontram dificuldades. Com efeito, perante uma dificuldade, pode-se estacar e abandonar o campo, ou tentar venc\u00ea-la de algum modo. \u00c0s vezes, s\u00e3o precisamente as dificuldades que fazem sair de cada um de n\u00f3s recursos que nem pens\u00e1vamos ter.<\/p>\n<p>Frequentemente, ao ler os \u00abEvangelhos da Inf\u00e2ncia\u00bb, apetece-nos perguntar por que motivo Deus n\u00e3o interveio de forma direta e clara. Porque Deus interv\u00e9m por meio de acontecimentos e pessoas: Jos\u00e9 \u00e9 o homem por meio de quem Deus cuida dos prim\u00f3rdios da hist\u00f3ria da reden\u00e7\u00e3o; \u00e9 o verdadeiro \u00abmilagre\u00bb, pelo qual Deus salva o Menino e sua m\u00e3e. O C\u00e9u interv\u00e9m, confiando na coragem criativa deste homem que, tendo chegado a Bel\u00e9m e n\u00e3o encontrando alojamento onde Maria possa dar \u00e0 luz, arranja um est\u00e1bulo e prepara-o de modo a tornar-se o lugar mais acolhedor poss\u00edvel para o Filho de Deus, que vem ao mundo (cf.\u00a0<i>Lc<\/i>\u00a02, 6-7). Face ao perigo iminente de Herodes, que quer matar o Menino, de novo em sonhos Jos\u00e9 \u00e9 alertado para O defender e, no cora\u00e7\u00e3o da noite, organiza a fuga para o Egito (cf.\u00a0<i>Mt<\/i>\u00a02, 13-14).<\/p>\n<p>Numa leitura superficial destas narra\u00e7\u00f5es, a impress\u00e3o que se tem \u00e9 a de que o mundo est\u00e1 \u00e0 merc\u00ea dos fortes e poderosos, mas a \u00abboa not\u00edcia\u00bb do Evangelho consiste precisamente em mostrar como, n\u00e3o obstante a arrog\u00e2ncia e a viol\u00eancia dos dominadores terrenos, Deus encontra sempre a forma de realizar o seu plano de salva\u00e7\u00e3o. \u00c0s vezes tamb\u00e9m a nossa vida parece \u00e0 merc\u00ea dos poderes fortes, mas o Evangelho diz-nos que Deus consegue sempre salvar aquilo que conta, desde que usemos a mesma coragem criativa do carpinteiro de Nazar\u00e9, o qual sabe transformar um problema numa oportunidade, antepondo sempre a sua confian\u00e7a na Provid\u00eancia.<\/p>\n<p>Se, em determinadas situa\u00e7\u00f5es, parece que Deus n\u00e3o nos ajuda, isso n\u00e3o significa que nos tenha abandonado, mas que confia em n\u00f3s com aquilo que podemos projetar, inventar, encontrar.<\/p>\n<p>Trata-se da mesma coragem criativa demonstrada pelos amigos do paral\u00edtico que, desejando lev\u00e1-lo \u00e0 presen\u00e7a de Jesus, fizeram-no descer pelo teto (cf.\u00a0<i>Lc<\/i>\u00a05, 17-26). A dificuldade n\u00e3o deteve a aud\u00e1cia e obstina\u00e7\u00e3o daqueles amigos. Estavam convencidos de que Jesus podia curar o doente e, \u00abn\u00e3o achando por onde introduzi-lo, devido \u00e0 multid\u00e3o, subiram ao teto e, atrav\u00e9s das telhas, desceram-no com a enxerga, para o meio, em frente de Jesus. Vendo a f\u00e9 daqueles homens, disse: \u201cHomem, os teus pecados est\u00e3o perdoados\u201d\u00bb (5, 19-20). Jesus reconhece a f\u00e9 criativa com que aqueles homens procuram trazer-Lhe o seu amigo doente.<\/p>\n<p>O Evangelho n\u00e3o d\u00e1 informa\u00e7\u00f5es relativas ao tempo que Maria, Jos\u00e9 e o Menino permaneceram no Egito. Mas certamente tiveram de comer, encontrar uma casa, um emprego. N\u00e3o \u00e9 preciso muita imagina\u00e7\u00e3o para colmatar o sil\u00eancio do Evangelho a tal respeito. A Sagrada Fam\u00edlia teve que enfrentar problemas concretos, como todas as outras fam\u00edlias, como muitos dos nossos irm\u00e3os migrantes que ainda hoje arriscam a vida acossados pelas desventuras e a fome. Neste sentido, creio que S\u00e3o Jos\u00e9 seja verdadeiramente um padroeiro especial para quantos t\u00eam que deixar a sua terra por causa das guerras, do \u00f3dio, da persegui\u00e7\u00e3o e da mis\u00e9ria.<\/p>\n<p>No fim de cada acontecimento que tem Jos\u00e9 como protagonista, o Evangelho observa que ele se levanta, toma consigo o Menino e sua m\u00e3e e faz o que Deus lhe ordenou (cf.\u00a0<i>Mt<\/i>\u00a01, 24; 2, 14.21). Com efeito, Jesus e Maria, sua m\u00e3e, s\u00e3o o tesouro mais precioso da nossa f\u00e9.<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftn21\" name=\"_ftnref21\">[21]<\/a><\/p>\n<p>No plano da salva\u00e7\u00e3o, o Filho n\u00e3o pode ser separado da M\u00e3e, d\u2019Aquela que \u00abavan\u00e7ou pelo caminho da f\u00e9, mantendo fielmente a uni\u00e3o com seu Filho at\u00e9 \u00e0 cruz\u00bb.<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftn22\" name=\"_ftnref22\">[22]<\/a><\/p>\n<p>Sempre nos devemos interrogar se estamos a proteger com todas as nossas for\u00e7as Jesus e Maria, que misteriosamente est\u00e3o confiados \u00e0 nossa responsabilidade, ao nosso cuidado, \u00e0 nossa guarda. O Filho do Todo-Poderoso vem ao mundo, assumindo uma condi\u00e7\u00e3o de grande fragilidade. Necessita de Jos\u00e9 para ser defendido, protegido, cuidado e criado. Deus confia neste homem, e o mesmo faz Maria que encontra em Jos\u00e9 aquele que n\u00e3o s\u00f3 Lhe quer salvar a vida, mas sempre A sustentar\u00e1 a Ela e ao Menino. Neste sentido, S\u00e3o Jos\u00e9 n\u00e3o pode deixar de ser o Guardi\u00e3o da Igreja, porque a Igreja \u00e9 o prolongamento do Corpo de Cristo na hist\u00f3ria e ao mesmo tempo, na maternidade da Igreja, espelha-se a maternidade de Maria.<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftn23\" name=\"_ftnref23\">[23]<\/a>\u00a0Jos\u00e9, continuando a proteger a Igreja, continua a proteger\u00a0<i>o Menino e sua m\u00e3e<\/i>; e tamb\u00e9m n\u00f3s, amando a Igreja, continuamos a amar\u00a0<i>o Menino e sua m\u00e3e<\/i>.<\/p>\n<p>Este Menino \u00e9 Aquele que dir\u00e1: \u00abSempre que fizestes isto a um destes meus irm\u00e3os mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes\u00bb (<i>Mt<\/i>\u00a025, 40). Assim, todo o necessitado, pobre, atribulado, moribundo, forasteiro, recluso, doente s\u00e3o \u00abo Menino\u00bb que Jos\u00e9 continua a guardar. Por isso mesmo, S\u00e3o Jos\u00e9 \u00e9 invocado como protetor dos miser\u00e1veis, necessitados, exilados, aflitos, pobres, moribundos. E pela mesma raz\u00e3o a Igreja n\u00e3o pode deixar de amar em primeiro lugar os \u00faltimos, porque Jesus conferiu-lhes a prefer\u00eancia ao identificar-Se pessoalmente com eles. De Jos\u00e9, devemos aprender o mesmo cuidado e responsabilidade: amar o Menino e sua m\u00e3e; amar os Sacramentos e a caridade; amar a Igreja e os pobres. Cada uma destas realidades \u00e9 sempre\u00a0<i>o Menino e sua m\u00e3e<\/i>.<\/p>\n<p>6.\u00a0<i>Pai trabalhador<\/i><\/p>\n<p>Um aspeto que carateriza S\u00e3o Jos\u00e9 \u2013 e tem sido evidenciado desde os dias da primeira enc\u00edclica social, a\u00a0<i>Rerum novarum<\/i>\u00a0de Le\u00e3o XIII \u2013 \u00e9 a sua rela\u00e7\u00e3o com o trabalho. S\u00e3o Jos\u00e9 era um carpinteiro que trabalhou honestamente para garantir o sustento da sua fam\u00edlia. Com ele, Jesus aprendeu o valor, a dignidade e a alegria do que significa comer o p\u00e3o fruto do pr\u00f3prio trabalho.<\/p>\n<p>Neste nosso tempo em que o trabalho parece ter voltado a constituir uma urgente quest\u00e3o social e o desemprego atinge por vezes n\u00edveis impressionantes, mesmo em pa\u00edses onde se experimentou durante v\u00e1rias d\u00e9cadas um certo bem-estar, \u00e9 necess\u00e1rio tomar renovada consci\u00eancia do significado do trabalho que dignifica e do qual o nosso Santo \u00e9 patrono e exemplo.<\/p>\n<p>O trabalho torna-se participa\u00e7\u00e3o na pr\u00f3pria obra da salva\u00e7\u00e3o, oportunidade para apressar a vinda do Reino, desenvolver as pr\u00f3prias potencialidades e qualidades, colocando-as ao servi\u00e7o da sociedade e da comunh\u00e3o; o trabalho torna-se uma oportunidade de realiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 para o pr\u00f3prio trabalhador, mas sobretudo para aquele n\u00facleo origin\u00e1rio da sociedade que \u00e9 a fam\u00edlia. Uma fam\u00edlia onde falte o trabalho est\u00e1 mais exposta a dificuldades, tens\u00f5es, fraturas e at\u00e9 mesmo \u00e0 desesperada e desesperadora tenta\u00e7\u00e3o da dissolu\u00e7\u00e3o. Como poderemos falar da dignidade humana sem nos empenharmos para que todos, e cada um, tenham a possibilidade dum digno sustento?<\/p>\n<p>A pessoa que trabalha, seja qual for a sua tarefa, colabora com o pr\u00f3prio Deus, torna-se em certa medida criadora do mundo que a rodeia. A crise do nosso tempo, que \u00e9 econ\u00f3mica, social, cultural e espiritual, pode constituir para todos um apelo a redescobrir o valor, a import\u00e2ncia e a necessidade do trabalho para dar origem a uma nova \u00abnormalidade\u00bb, em que ningu\u00e9m seja exclu\u00eddo. O trabalho de S\u00e3o Jos\u00e9 lembra-nos que o pr\u00f3prio Deus feito homem n\u00e3o desdenhou o trabalho. A perda de trabalho que afeta tantos irm\u00e3os e irm\u00e3s e tem aumentado nos \u00faltimos meses devido \u00e0 pandemia de Covid-19, deve ser um apelo a revermos as nossas prioridades. Pe\u00e7amos a S\u00e3o Jos\u00e9 Oper\u00e1rio que encontremos vias onde nos possamos comprometer at\u00e9 se dizer: nenhum jovem, nenhuma pessoa, nenhuma fam\u00edlia sem trabalho!<\/p>\n<p>7.\u00a0<i>Pai na sombra<\/i><\/p>\n<p>O escritor polaco Jan Dobraczy\u0144ski, no seu livro\u00a0<i>A Sombra do Pai<\/i>,<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftn24\" name=\"_ftnref24\">[24]<\/a>\u00a0narrou a vida de S\u00e3o Jos\u00e9 em forma de romance. Com a sugestiva imagem da sombra, apresenta a figura de Jos\u00e9, que \u00e9, para Jesus, a sombra na terra do Pai celeste: guarda-O, protege-O, segue os seus passos sem nunca se afastar d\u2019Ele. Lembra o que Mois\u00e9s dizia a Israel: \u00abNeste deserto (\u2026) vistes o Senhor, vosso Deus, conduzir-vos como um pai conduz o seu filho, durante toda a caminhada que fizeste at\u00e9 chegar a este lugar\u00bb (<i>Dt<\/i>\u00a01, 31). Assim Jos\u00e9 exerceu a paternidade durante toda a sua vida.<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftn25\" name=\"_ftnref25\">[25]<\/a><\/p>\n<p>N\u00e3o se nasce pai, torna-se tal&#8230; E n\u00e3o se torna pai, apenas porque se colocou no mundo um filho, mas porque se cuida responsavelmente dele. Sempre que algu\u00e9m assume a responsabilidade pela vida de outrem, em certo sentido exercita a paternidade a seu respeito.<\/p>\n<p>Na sociedade atual, muitas vezes os filhos parecem ser \u00f3rf\u00e3os de pai. A pr\u00f3pria Igreja de hoje precisa de pais. Continua atual a advert\u00eancia dirigida por S\u00e3o Paulo aos Cor\u00edntios: \u00abAinda que tiv\u00e9sseis dez mil pedagogos em Cristo, n\u00e3o ter\u00edeis muitos pais\u00bb (<i>1 Cor<\/i>\u00a04, 15); e cada sacerdote ou bispo deveria poder acrescentar como o Ap\u00f3stolo: \u00abFui eu que vos gerei em Cristo Jesus, pelo Evangelho\u00bb (4, 15). E aos G\u00e1latas diz: \u00abMeus filhos, por quem sinto outra vez dores de parto, at\u00e9 que Cristo se forme entre v\u00f3s!\u00bb (<i>Gl<\/i>\u00a04, 19).<\/p>\n<p>Ser pai significa introduzir o filho na experi\u00eancia da vida, na realidade. N\u00e3o segur\u00e1-lo, nem prend\u00ea-lo, nem subjug\u00e1-lo, mas torn\u00e1-lo capaz de op\u00e7\u00f5es, de liberdade, de partir. Talvez seja por isso que a tradi\u00e7\u00e3o, referindo-se a Jos\u00e9, ao lado do apelido de pai colocou tamb\u00e9m o de \u00abcast\u00edssimo\u00bb. N\u00e3o se trata duma indica\u00e7\u00e3o meramente afetiva, mas \u00e9 a s\u00edntese duma atitude que exprime o contr\u00e1rio da posse. A castidade \u00e9 a liberdade da posse em todos os campos da vida. Um amor s\u00f3 \u00e9 verdadeiramente tal, quando \u00e9 casto. O amor que quer possuir, acaba sempre por se tornar perigoso: prende, sufoca, torna infeliz. O pr\u00f3prio Deus amou o homem com amor casto, deixando-o livre inclusive de errar e opor-se a Ele. A l\u00f3gica do amor \u00e9 sempre uma l\u00f3gica de liberdade, e Jos\u00e9 soube amar de maneira extraordinariamente livre. Nunca se colocou a si mesmo no centro; soube descentralizar-se, colocar Maria e Jesus no centro da sua vida.<\/p>\n<p>A felicidade de Jos\u00e9 n\u00e3o se situa na l\u00f3gica do sacrif\u00edcio de si mesmo, mas na l\u00f3gica do dom de si mesmo. Naquele homem, nunca se nota frustra\u00e7\u00e3o, mas apenas confian\u00e7a. O seu sil\u00eancio persistente n\u00e3o inclui lamenta\u00e7\u00f5es, mas sempre gestos concretos de confian\u00e7a. O mundo precisa de pais, rejeita os dominadores, isto \u00e9, rejeita quem quer usar a posse do outro para preencher o seu pr\u00f3prio vazio; rejeita aqueles que confundem autoridade com autoritarismo, servi\u00e7o com servilismo, confronto com opress\u00e3o, caridade com assistencialismo, for\u00e7a com destrui\u00e7\u00e3o. Toda a verdadeira voca\u00e7\u00e3o nasce do dom de si mesmo, que \u00e9 a matura\u00e7\u00e3o do simples sacrif\u00edcio. Mesmo no sacerd\u00f3cio e na vida consagrada, requer-se este g\u00e9nero de maturidade. Quando uma voca\u00e7\u00e3o matrimonial, celibat\u00e1ria ou virginal n\u00e3o chega \u00e0 matura\u00e7\u00e3o do dom de si mesmo, detendo-se apenas na l\u00f3gica do sacrif\u00edcio, ent\u00e3o, em vez de significar a beleza e a alegria do amor, corre o risco de exprimir infelicidade, tristeza e frustra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A paternidade, que renuncia \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de decidir a vida dos filhos, sempre abre espa\u00e7os para o in\u00e9dito. Cada filho traz sempre consigo um mist\u00e9rio, algo de in\u00e9dito que s\u00f3 pode ser revelado com a ajuda dum pai que respeite a sua liberdade. Um pai sente que completou a sua a\u00e7\u00e3o educativa e viveu plenamente a paternidade, apenas quando se tornou \u00abin\u00fatil\u00bb, quando v\u00ea que o filho se torna aut\u00f3nomo e caminha sozinho pelas sendas da vida, quando se coloca na situa\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9, que sempre soube que aquele Menino n\u00e3o era seu: fora simplesmente confiado aos seus cuidados. No fundo, \u00e9 isto mesmo que d\u00e1 a entender Jesus quando afirma: \u00abNa terra, a ningu\u00e9m chameis \u201cPai\u201d, porque um s\u00f3 \u00e9 o vosso \u201cPai\u201d, aquele que est\u00e1 no C\u00e9u\u00bb (<i>Mt<\/i>\u00a023, 9).<\/p>\n<p>Todas as vezes que nos encontramos na condi\u00e7\u00e3o de exercitar a paternidade, devemos lembrar-nos que nunca \u00e9 exerc\u00edcio de posse, mas \u00absinal\u00bb que remete para uma paternidade mais alta. Em certo sentido, estamos sempre todos na condi\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9: sombra do \u00fanico Pai celeste, que \u00abfaz com que o sol se levante sobre os bons e os maus, e faz cair a chuva sobre os justos e os pecadores\u00bb (<i>Mt<\/i>\u00a05, 45); e sombra que acompanha o Filho.<\/p>\n<p align=\"center\">* * *<\/p>\n<p>\u00abLevanta-te, toma o menino e sua m\u00e3e\u00bb (<i>Mt<\/i>\u00a02, 13): diz o anjo da parte de Deus a s\u00e3o Jos\u00e9.<\/p>\n<p>O objetivo desta carta apost\u00f3lica \u00e9 aumentar o amor por este grande Santo, para nos sentirmos impelidos a implorar a sua intercess\u00e3o e para imitarmos as suas virtudes e o seu desvelo.<\/p>\n<p>Com efeito, a miss\u00e3o espec\u00edfica dos Santos n\u00e3o \u00e9 apenas a de conceder milagres e gra\u00e7as, mas de interceder por n\u00f3s diante de Deus, como fizeram Abra\u00e3o<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftn26\" name=\"_ftnref26\">[26]<\/a>\u00a0e Mois\u00e9s,<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftn27\" name=\"_ftnref27\">[27]<\/a>\u00a0como faz Jesus, \u00ab\u00fanico mediador\u00bb (<i>1 Tm<\/i>\u00a02, 5), que junto de Deus Pai \u00e9 o nosso \u00abadvogado\u00bb (<i>1 Jo<\/i>\u00a02, 1), \u00abvivo para sempre, a fim de interceder por [n\u00f3s]\u00bb (<i>Heb<\/i>\u00a07, 25; cf.\u00a0<i>Rm<\/i>\u00a08, 34).<\/p>\n<p>Os Santos ajudam todos os fi\u00e9is \u00aba tender \u00e0 santidade e perfei\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio estado\u00bb.<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftn28\" name=\"_ftnref28\">[28]<\/a>\u00a0A sua vida \u00e9 uma prova concreta de que \u00e9 poss\u00edvel viver o Evangelho.<\/p>\n<p>\u00c0 semelhan\u00e7a de Jesus que disse: \u00abAprendei de Mim, porque sou manso e humilde de cora\u00e7\u00e3o\u00bb (<i>Mt<\/i>\u00a011, 29), tamb\u00e9m os Santos s\u00e3o exemplos de vida que havemos de imitar. A isto nos exorta explicitamente S\u00e3o Paulo: \u00abRogo-vos, pois, que sejais meus imitadores\u00bb (<i>1 Cor<\/i>\u00a04, 16).<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftn29\" name=\"_ftnref29\">[29]<\/a>\u00a0O mesmo nos diz S\u00e3o Jos\u00e9 atrav\u00e9s do seu sil\u00eancio eloquente.<\/p>\n<p>Estimulado com o exemplo de tantos Santos e Santas diante dos olhos, Santo Agostinho interrogava-se: \u00abEnt\u00e3o n\u00e3o poder\u00e1s fazer o que estes e estas fizeram?\u00bb E, assim, chegou \u00e0 convers\u00e3o definitiva exclamando: \u00abTarde Vos amei, \u00f3 Beleza t\u00e3o antiga e t\u00e3o nova, tarde Vos amei!\u00bb<a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftn30\" name=\"_ftnref30\">[30]<\/a><\/p>\n<p>S\u00f3 nos resta implorar, de S\u00e3o Jos\u00e9, a gra\u00e7a das gra\u00e7as: a nossa convers\u00e3o.<\/p>\n<p>Dirijamos-lhe a nossa ora\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p><i>Salve, guardi\u00e3o do Redentor<br \/>\ne esposo da Virgem Maria!<br \/>\nA v\u00f3s, Deus confiou o seu Filho;<br \/>\nem v\u00f3s, Maria depositou a sua confian\u00e7a;<br \/>\nconvosco, Cristo tornou-Se homem.<\/i><\/p>\n<p><i>\u00d3 Bem-aventurado Jos\u00e9, mostrai-vos pai tamb\u00e9m para n\u00f3s<br \/>\ne guiai-nos no caminho da vida.<br \/>\nAlcan\u00e7ai-nos gra\u00e7a, miseric\u00f3rdia e coragem,<br \/>\ne defendei-nos de todo o mal. Amen.<\/i><\/p>\n<p><i>Roma, em S\u00e3o Jo\u00e3o de Latr\u00e3o, na Solenidade da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o da Bem-Aventurada Virgem Maria, 8 de dezembro do ano de 2020, oitavo do meu pontificado.<\/i><\/p>\n<p align=\"center\"><b><i>Francisco<\/i><\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a>\u00a0<i>Lucas<\/i>4, 22;\u00a0<i>Jo\u00e3o<\/i>\u00a06, 42; cf.\u00a0<i>Mateus<\/i>\u00a013, 55;\u00a0<i>Marcos<\/i>\u00a06, 3.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a>\u00a0Sacra Congr. dos Ritos,\u00a0<i>Quemadmodum Deus<\/i>\u00a0(8 de dezembro de 1870):\u00a0<i>ASS<\/i>\u00a06 (1870-71), 194.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a>\u00a0Cf.\u00a0<i>Discurso \u00e0s Associa\u00e7\u00f5es Crist\u00e3s dos Trabalhadores Italianos (ACLI) por ocasi\u00e3o da Solenidade de S\u00e3o Jos\u00e9 Oper\u00e1rio<\/i>\u00a0(1 de maio de 1955):\u00a0<i>AAS<\/i>\u00a047 (1955), 406.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a>\u00a0Cf. Exort. ap.\u00a0<i><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/pt\/apost_exhortations\/documents\/hf_jp-ii_exh_15081989_redemptoris-custos.html\">Redemptoris custos<\/a><\/i>\u00a0(15 de agosto de 1989):\u00a0<i>AAS<\/i>\u00a082 (1990), 5-34.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a><i>\u00a0<a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/cathechism_po\/index_new\/prima-pagina-cic_po.html\">Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/a><\/i>, 1014.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a>\u00a0Francisco,\u00a0<i><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/homilies\/2020\/documents\/papa-francesco_20200327_omelia-epidemia.html\">Medita\u00e7\u00e3o em tempo de pandemia<\/a>\u00a0<\/i>(27 de mar\u00e7o de 2020):\u00a0<i>L\u2019Osservatore Romano<\/i>\u00a0(29\/III\/2020), 10.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a><i>\u00a0Homili\u00e6 in Matth\u00e6um<\/i>, V, 3:\u00a0<i>PG<\/i>\u00a057, 58.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a>\u00a0<i>Homilia\u00a0<\/i>(19 de mar\u00e7o de 1966):\u00a0<i>Insegnamenti di Paolo VI<\/i>, IV (1966), 110.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a>\u00a0Cf.\u00a0<i>Livro da Vida<\/i>, 6, 6-8.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a>Todos os dias, h\u00e1 mais de quarenta anos, depois das Laudes, recito uma ora\u00e7\u00e3o a S\u00e3o Jos\u00e9 tirada dum livro franc\u00eas de devo\u00e7\u00f5es, do s\u00e9culo XIX, da Congrega\u00e7\u00e3o das Religiosas de Jesus e Maria, que expressa devo\u00e7\u00e3o, confian\u00e7a e um certo desafio a S\u00e3o Jos\u00e9: \u00abGlorioso Patriarca S\u00e3o Jos\u00e9, cujo poder consegue tornar poss\u00edveis as coisas imposs\u00edveis, vinde em minha ajuda nestes momentos de ang\u00fastia e dificuldade. Tomai sob a vossa prote\u00e7\u00e3o as situa\u00e7\u00f5es t\u00e3o graves e dif\u00edceis que Vos confio, para que obtenham uma solu\u00e7\u00e3o feliz. Meu amado Pai, toda a minha confian\u00e7a est\u00e1 colocada em V\u00f3s. Que n\u00e3o se diga que eu Vos invoquei em v\u00e3o, e dado que tudo podeis junto de Jesus e Maria, mostrai-me que a vossa bondade \u00e9 t\u00e3o grande como o vosso poder. Amen\u00bb.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a>\u00a0Cf.\u00a0<i>Deuteron\u00f3mio<\/i>4, 31;\u00a0<i>Salmo<\/i>\u00a069, 17; 78, 38; 86, 5; 111, 4; 116, 5;\u00a0<i>Jeremias<\/i>\u00a031, 20.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a>\u00a0Cf. Francisco, Exort. ap.\u00a0<i><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20131124_evangelii-gaudium.html\">Evangelii gaudium<\/a><\/i>\u00a0(24 de novembro de 2013), 88; 288:\u00a0<i>AAS<\/i>\u00a0105 (2013) 1057; 1136-1137.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a>\u00a0Cf.\u00a0<i>G\u00e9nesis<\/i>\u00a020, 3; 28, 12; 31, 11.24; 40, 8; 41, 1-32;\u00a0<i>N\u00fameros<\/i>\u00a012, 6;\u00a0<i>I Samuel<\/i>\u00a03, 3-10;\u00a0<i>Daniel<\/i>\u00a02; 4;\u00a0<i>Job<\/i>\u00a033, 15.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a>\u00a0Tamb\u00e9m nestes casos, estava prevista a lapida\u00e7\u00e3o (cf.\u00a0<i>Deuteron\u00f3mio<\/i>\u00a022, 20-21).<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a>\u00a0Cf.\u00a0<i>Lev\u00edtico<\/i>\u00a012, 1-8;\u00a0<i>\u00caxodo<\/i>\u00a013, 2.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a>\u00a0Cf.\u00a0<i>Mateus<\/i>\u00a026, 39;\u00a0<i>Marcos<\/i>\u00a014, 36;\u00a0<i>Lucas<\/i>\u00a022, 42.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a>\u00a0S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, Exort. ap.<i><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/pt\/apost_exhortations\/documents\/hf_jp-ii_exh_15081989_redemptoris-custos.html\">Redemptoris custos<\/a><\/i>\u00a0(15 de agosto de 1989), 8:\u00a0<i>AAS<\/i>\u00a082 (1990), 14.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a>\u00a0Francisco,\u00a0<i><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/homilies\/2017\/documents\/papa-francesco_20170908_omelia-viaggioapostolico-colombiavillavicencio.html\">Homilia na Santa Missa com Beatifica\u00e7\u00f5es<\/a>\u00a0<\/i>(Villavicencio \u2013 Col\u00f4mbia, 8 de setembro de 2017):\u00a0<i>AAS<\/i>\u00a0109 (2017), 1061.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a>\u00a0\u00ab\u2026\u00a0<i>etiam illud quod malum dicitur<\/i>\u00bb, in\u00a0<i>Enchiridion de fide, spe et caritate<\/i>, 3.11:\u00a0<i>PL\u00a0<\/i>40, 236.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a>\u00a0Cf.\u00a0<i>Deuteron\u00f3mio<\/i>\u00a010, 19;\u00a0<i>\u00caxodo<\/i>\u00a022, 20-22;\u00a0<i>Lucas<\/i>\u00a010, 29-37.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[21]<\/a>\u00a0Cf.Sacra Congr. dos Ritos,\u00a0<i>Quemadmodum Deus<\/i>\u00a0(8 de dezembro de 1870):\u00a0<i>ASS<\/i>\u00a06 (1870-71), 193; Beato Pio IX, Carta ap.\u00a0<i>Inclytum Patriarcham<\/i>\u00a0(7 de julho de 1871):\u00a0<i>ASS<\/i>\u00a06 (1870-71), 324-327.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftnref22\" name=\"_ftn22\">[22]<\/a>\u00a0Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm.\u00a0<i><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_const_19641121_lumen-gentium_po.html\">Lumen gentium<\/a><\/i>, 58.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftnref23\" name=\"_ftn23\">[23]<\/a>\u00a0Cf.\u00a0<i><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/cathechism_po\/index_new\/prima-pagina-cic_po.html\">Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica<\/a><\/i>, 963-970.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftnref24\" name=\"_ftn24\">[24]<\/a>\u00a0Edi\u00e7\u00e3o original:\u00a0<i>Cie\u0144 Ojca<\/i>\u00a0(Vars\u00f3via 1977).<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftnref25\" name=\"_ftn25\">[25]<\/a>\u00a0Cf. S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, Exort. ap.\u00a0<i><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/pt\/apost_exhortations\/documents\/hf_jp-ii_exh_15081989_redemptoris-custos.html\">Redemptoris custos<\/a><\/i>\u00a0(15 de agosto de 1989), 7-8:\u00a0<i>AAS<\/i>\u00a082 (1990), 12-16.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftnref26\" name=\"_ftn26\">[26]<\/a>\u00a0Cf.\u00a0<i>G\u00e9nesis<\/i>\u00a018, 23-32.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftnref27\" name=\"_ftn27\">[27]<\/a>\u00a0Cf.\u00a0<i>\u00caxodo<\/i>17, 8-13; 32, 30-35.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftnref28\" name=\"_ftn28\">[28]<\/a>\u00a0Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm.\u00a0<i><a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_const_19641121_lumen-gentium_po.html\">Lumen gentium<\/a><\/i>, 42.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftnref29\" name=\"_ftn29\">[29]<\/a>\u00a0Cf. I<i>\u00a0Cor\u00edntios\u00a0<\/i>11, 1;\u00a0<i>Filipenses<\/i>\u00a03, 17;\u00a0<i>I Tessalonicenses<\/i>\u00a01, 6.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_letters\/documents\/papa-francesco-lettera-ap_20201208_patris-corde.html#_ftnref30\" name=\"_ftn30\">[30]<\/a><i>\u00a0Confiss\u00f5es<\/i>, 8,11,17; 10,27,38:\u00a0<i>PL<\/i>\u00a032, 761; 795.<\/p>\n<p><iframe class=\"wp-embedded-content\" sandbox=\"allow-scripts\" security=\"restricted\" style=\"position: absolute; clip: rect(1px, 1px, 1px, 1px);\" title=\"\u201cSimplesmente Jos\u00c3\u00a9\u201d \u2014 Eventos Can\u00c3\u00a7\u00c3\u00a3o Nova\" src=\"https:\/\/eventos.cancaonova.com\/quinta-feira-de-adoracao\/pregacoes\/simplesmente-jose\/embed\/#?secret=cUOSSsQFcj#?secret=yZzkZWi7uu&amp;rel=0\" data-secret=\"yZzkZWi7uu\" width=\"600\" height=\"338\" frameborder=\"0\" marginwidth=\"0\" marginheight=\"0\" scrolling=\"no\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carta Apost\u00f3lica P\u00e1tria Corde Queridos irm\u00e3os, hoje quero trazer at\u00e9 voc\u00eas a extraordin\u00e1ria reflex\u00e3o feita pelo Papa Francisco sobre S\u00e3o Jos\u00e9 na carta apost\u00f3lica P\u00e1tria Corde. Reserve um tempo de qualidade para esta leitura. 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