{"id":6936,"date":"2009-07-15T07:00:19","date_gmt":"2009-07-15T10:00:19","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cancaonova.com\/saojosedoscampos\/?p=6936"},"modified":"2009-07-13T11:01:55","modified_gmt":"2009-07-13T14:01:55","slug":"perdoai-vos-e-reconciliai-vos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/saojosedoscampos\/espiritualidade\/perdoai-vos-e-reconciliai-vos\/","title":{"rendered":"Perdoai-vos e reconciliai-vos !"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/saojosedoscampos\/files\/2009\/07\/perdao.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-6938 alignnone\" style=\"border: black 2px solid;\" title=\"perdao\" src=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/saojosedoscampos\/files\/2009\/07\/perdao-300x178.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"178\" \/><\/a><\/p>\n<p>Na caminhada do humano o perd\u00e3o tem sido uma das realidades mais esquecidas e menos valorizadas. Estruturas s\u00e3o criadas, an\u00e1lises constru\u00eddas, fen\u00f4menos descobertos e as pessoas continuam inflamadas pela m\u00e1goa, aniquiladas pelo rancor e doentes, literalmente, acamadas por n\u00e3o conseguirem perdoar. Meu Deus, quantas situa\u00e7\u00f5es n\u00e3o resolvidas e quanto \u00f3dio nos cora\u00e7\u00f5es! Devido \u00e0 aus\u00eancia de perd\u00e3o a vida vai se tornando amarga e a exist\u00eancia assume o vi\u00e9s da frustra\u00e7\u00e3o.N\u00e3o s\u00f3 em n\u00edvel te\u00f3rico, mas, sobretudo, em n\u00edvel pr\u00e1tico, o perd\u00e3o nos transforma em agentes da liberdade. Perdoando, nos reconciliamos e nos reconciliando, perdoamos. Esse pequeno trocadilho confere cor e sabor de santidade \u00e0 nossa vida. Trata-se de uma lei natural: aquele que se sente incapaz de perdoar acaba sofrendo at\u00e9 a fase terminal do existir. E aqui nos cabe questionar: quem \u00e9 que sofre mais, quem odeia ou quem \u00e9 odiado? Quem odeia. Que \u00e9 que se amargura mais, aquele que magoou ou aquele que foi magoado? O que magoou. A pessoa que denigre, briga, amaldi\u00e7oa e fere sai mais prejudicada que o denegrido, o brigado, o amaldi\u00e7oado e o ferido. Anulados pelo \u00f3dio, perdemos a nossa identidade no amor.<\/p>\n<p>O perd\u00e3o \u00e9 muito maior que imaginamos. Em primeiro lugar precisamos nos reconciliar com a nossa hist\u00f3ria. Por mais que houve sofrimentos e perdas, ao ponto de criar traumas, temos a necessidade de assumir nosso modo de viver. Muitas vezes somos calejados pela dor e, ao mesmo tempo, redimidos em Deus. &#8220;Somente o que \u00e9 assumido, \u00e9 redimido&#8221; (Santo Irineu). Ao n\u00e3o aceitarmos a exist\u00eancia como dom e o sofrimento como acidente de percurso, nos tornamos escravos do passado. Diante da maturidade psicol\u00f3gica o passado influencia, mas n\u00e3o pode determinar o nosso presente. A crise, as palavras torpes, as pesadas discuss\u00f5es n\u00e3o podem funcionar como um p\u00e2ntano inconsciente, no qual estamos imersos. Justamente por isso, urge a tarefa de reconciliar-se consigo. O perd\u00e3o nos faz maduros e adultos. N\u00e3o perdoando nos infantilizamos.<\/p>\n<p>O itiner\u00e1rio do perd\u00e3o pressup\u00f5e a reconcilia\u00e7\u00e3o com os pais, irm\u00e3os e demais parentes, professores, patr\u00f5es e amigos. \u00c0s vezes, ruminamos fatos moment\u00e2neos e mal entendidos por tudo uma vida. Por outro lado, h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es que perduram por longa data. Mulheres que foram violentadas, oprimidas pelo marido, massacradas por humilha\u00e7\u00f5es e detonadas pela embriagu\u00eas do c\u00f4njuge. O mesmo tamb\u00e9m serve para os esposos que foram tra\u00eddos ou abandonados pela mulher. Eis situa\u00e7\u00f5es que carecem de perd\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos nos esquecer de que muitos casos de depend\u00eancia qu\u00edmica (drogas alucin\u00f3genas, entorpecentes, maconha e narc\u00f3ticos) e alco\u00f3lica, prostitui\u00e7\u00e3o, doen\u00e7as psicol\u00f3gicas, depress\u00e3o e at\u00e9 c\u00e2ncer s\u00e3o provocados pela omiss\u00e3o no perd\u00e3o. \u00c9 quase uma f\u00f3rmula matem\u00e1tica da condi\u00e7\u00e3o existencial: a ferida n\u00e3o cuidada e cultivada pelo tempo torna-se doen\u00e7a fria e purulenta.<\/p>\n<p>Por mais que n\u00e3o concordemos, Deus precisa ser perdoado. Teologicamente tal afirmativa n\u00e3o possui nenhum cabimento, pelo contr\u00e1rio, beira \u00e0 heresia. Contudo, n\u00e3o raras vezes culpabilizamos Deus pelas cat\u00e1strofes que acontecem em nossa vida. O Pai Eterno n\u00e3o envia e muito menos ratifica algum tipo de mal. Mesmo assim, temos o p\u00e9ssimo costume de atribuir a Ele tudo o que nos acontece. <strong>Infelizmente, nos esquecemos de que nem tudo o que nos ocorre \u00e9 fruto da vontade Divina.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Defronte a morte de algu\u00e9m querido, perante a perda de im\u00f3veis ou bens pessoais, diante de danos irrepar\u00e1veis surgem tais indaga\u00e7\u00f5es: Porque isso foi acontecer comigo? O que foi que eu fiz para merecer isso? Ante quando, meu Deus? Porque Deus permitiu? Isso \u00e9 justo? Nos momentos de desespero aquilo que acreditamos vem \u00e0 tona e as raz\u00f5es da nossa f\u00e9 s\u00e3o reveladas.<\/strong><\/p>\n<p>Nestes casos precisamos perdoar a imagem que fizemos de Deus e n\u00e3o a Deus diretamente. Reconciliar-se com aquilo que imaginamos de Deus e deixar de culpabiliz\u00e1-lo \u00e9 perdoar a origem do nosso ser. Desta forma, resgatamos o sentido maior da nossa vida, que a partir de ent\u00e3o, ganha um norte de perd\u00e3o e uma esperan\u00e7a de reconcilia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o nos \u00e9 l\u00edcito perdoar de modo superficial ou n\u00e3o nos abrir ao perd\u00e3o. Aquele que n\u00e3o perdoa \u00e9 enfermo e escravo de si mesmo. O \u00f3dio \u00e9 uma ferida que se alimenta do nosso fracasso. Quanto mais nos fechamos \u00e0 reconcilia\u00e7\u00e3o, mais fracos e desestimulados ficamos. <strong>S\u00f3 quem \u00e9 livre, liberta. Somente o amado \u00e9 capaz de amar.<\/strong> Apenas o perdoado \u00e9 apto a perdoar e perdoar verdadeiramente. Permitamos, portanto, que o Pai Eterno nos ensine a perdoar.<\/p>\n<p>Perdoemos e nos reconciliemos e livres seremos!<\/p>\n<p><strong>Pe. Robson de Oliveira Pereira, C.Ss.R.<br \/>\n<\/strong>Mission\u00e1rio Redentorista, Reitor da Bas\u00edlica de Trindade e Mestre em Teologia Moral pela Universidade do Vaticano.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na caminhada do humano o perd\u00e3o tem sido uma das realidades mais esquecidas e menos valorizadas. 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