{"id":8912,"date":"2009-10-21T19:00:54","date_gmt":"2009-10-21T22:00:54","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cancaonova.com\/saojosedoscampos\/?p=8912"},"modified":"2009-10-21T23:30:23","modified_gmt":"2009-10-22T02:30:23","slug":"lanternas-de-papel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/saojosedoscampos\/espiritualidade\/lanternas-de-papel\/","title":{"rendered":"Lanternas de Papel"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/saojosedoscampos\/files\/2009\/10\/lanterna-de-papel.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-8913  aligncenter\" title=\"lanterna-de-papel\" src=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/saojosedoscampos\/files\/2009\/10\/lanterna-de-papel.jpg\" alt=\"\" width=\"352\" height=\"309\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Em tempos antigos, no Jap\u00e3o, usavam-se lanternas de papel e de bambu com uma vela dentro. Tamb\u00e9m n\u00e3o havia ilumina\u00e7\u00e3o pelas ruas. Uma noite, um cego foi visitar seu amigo. Ao despedir-se dele, o amigo ofereceu-lhe uma lanterna para poder voltar em seguran\u00e7a \u00e0 sua casa.- Eu n\u00e3o preciso de lanterna &#8211; disse o cego &#8211; escurid\u00e3o ou luz, para mim \u00e9 tudo a mesma coisa .<\/p>\n<p>&#8211; Eu sei que o senhor n\u00e3o precisa de lanterna para encontrar o caminho da sua casa &#8211; retrucou o outro &#8211; por\u00e9m, se n\u00e3o tiver nenhuma luz, algu\u00e9m pode atropel\u00e1-lo. Portanto deve levar, sim, a lanterna.<\/p>\n<p>O cego foi embora com a lanterna. Ap\u00f3s alguns passos, chocou-se violentamente com outra pessoa.<\/p>\n<p>&#8211; Olhe para onde anda &#8211; reclamou o cego &#8211; n\u00e3o viu a lanterna?<\/p>\n<p>&#8211; A sua vela est\u00e1 apagada &#8211; respondeu o desconhecido e foi embora.<\/p>\n<p>O cego do evangelho deste domingo tem um nome, chama-se Bartimeu. Significa que ficou conhecido pela coragem de gritar, pela f\u00e9 e a cura que recebeu de Jesus. Talvez fez algo mais, seguindo o Mestre no caminho. Tamb\u00e9m n\u00e3o pode ser por acaso que o evangelista Marcos tenha colocado os an\u00fancios da morte e da ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor entre a cura de dois cegos, o de Betsaida e o de Jeric\u00f3. Eles s\u00e3o curados e come\u00e7am a enxergar claramente.<\/p>\n<p>Os ap\u00f3stolos, ao contr\u00e1rio, continuavam cegos porque n\u00e3o entendiam nada. N\u00e3o aceitavam que Jesus pudesse ser perseguido e morto; e n\u00e3o compreendiam o que queria dizer ressuscitar dos mortos. Cego \u00e9 justamente algu\u00e9m que n\u00e3o v\u00ea. Tamb\u00e9m o que n\u00e3o entende nada, ou quase, \u00e9 como se fosse cego, falta-lhe a luz da compreens\u00e3o. Contudo Jesus est\u00e1 disposto a ajudar. Pode abrir os olhos, a cabe\u00e7a e o cora\u00e7\u00e3o a quem, da beira dos caminhos da vida, pede-lhe socorro, a quem grita por luz.<\/p>\n<p>\u00c9 evidente tamb\u00e9m que no escuro, na falta de luz, somos todos cegos, s\u00f3 avan\u00e7amos tateando. Por isso cegueira e luz andam juntas nos evangelhos. Uma situa\u00e7\u00e3o chama a outra. Para poder seguir Jesus de verdade no caminho da cruz, do sofrimento e da morte, precisa ter a luz da f\u00e9, sem ela tudo aquilo continua absurdo, incompreens\u00edvel, uma noite total.<\/p>\n<p>Diante disso precisamos nos perguntar: <strong>como est\u00e1 a luz da nossa f\u00e9?<\/strong> Seria bom conferir se a vela acesa que recebemos no nosso Batismo, talvez rec\u00e9m-nascidos, ainda est\u00e1 nos servindo na idade adulta. Pela vida que tantos batizados conduzem \u00e9 o caso de nos perguntarmos onde foi parar a luz f\u00e9. N\u00e3o aparece mais nas pequenas decis\u00f5es e menos ainda nas grandes. Os far\u00f3is da vida s\u00e3o outros. O clar\u00e3o do dinheiro, do prestigio, do comodismo e do sucesso nos cegou. Essas s\u00e3o as \u00fanicas coisas que enxergamos. O resto \u00e9 pura escurid\u00e3o.<\/p>\n<p>Raramente temos tempo para rezar, agradecer a Deus, ir \u00e0 Igreja, visitar os pobres e os sofredores. O caminho da vida tamb\u00e9m vai no sentido contr\u00e1rio: deveria servir para chegar mais perto de Deus e dos irm\u00e3os, no entanto pode ser que esteja nos conduzindo cada vez mais longe deles.<\/p>\n<p>Estamos ficando cegos e com a vela da f\u00e9, que recebemos em dom, apagada, como o homem da historinha. Pensamos estar seguros, conhecer bem o caminho. S\u00f3 acordamos se algu\u00e9m, ou as circunst\u00e2ncias da vida, nos atropelam. E n\u00e3o adianta reclamar, estamos na escurid\u00e3o completa, dever\u00edamos carregar uma luz, por\u00e9m a deixamos apagar.<\/p>\n<p>Que bom se muitos tivessem mais coragem e nos gritassem: <strong>&#8220;Meu irm\u00e3o, minha irm\u00e3 a tua vela est\u00e1 apagada!&#8221;<\/strong> Talvez os nossos olhos se abririam, ent\u00e3o come\u00e7ar\u00edamos a enxergar a nossa pobre condi\u00e7\u00e3o humana, as nossas fraquezas e pecados, come\u00e7ar\u00edamos a gritar como o cego Bartimeu para que Jesus tivesse piedade de n\u00f3s. Infelizmente estamos t\u00e3o cheios de orgulho que nos custa admitir que deixamos apagar a f\u00e9 em n\u00f3s.<\/p>\n<p>Um detalhe, o homem da hist\u00f3ria, que deu de encontro ao cego na escurid\u00e3o, pelo jeito tamb\u00e9m andava sem lanterna ou com a vela apagada. Nenhum dos dois tinha luz. Se ao menos um deles tivesse um pouquinho de luz, n\u00e3o s\u00f3 os dois n\u00e3o teriam se chocado, como o que tinha &#8220;o fogo&#8221; teria podido transmiti-lo ao outro. <strong>Quem perde a f\u00e9, arrasta sempre outros para a escurid\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p>Vamos sair dessa. Coragem! Levantemos! Jesus continua a nos chamar.<\/p>\n<p><strong><a href=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/saojosedoscampos\/files\/2009\/10\/dom.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-8915\" style=\"border: black 2px solid;\" title=\"dom\" src=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/saojosedoscampos\/files\/2009\/10\/dom.jpg\" alt=\"\" width=\"66\" height=\"79\" \/><\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>Dom Pedro Jos\u00e9 Conti<br \/>\nBispo de Macap\u00e1<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em tempos antigos, no Jap\u00e3o, usavam-se lanternas de papel e de bambu com uma vela dentro. 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