fev
13

Onde mora a Felicidade?

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Todos somos diferentes. Carregamos no rosto, na genética, no jeito de ser, na história que portamos e até mesmo nas pontas dos dedos particularidades que nos apontam quem somos, de onde viemos, o que pensamos, o que queremos. Mas, algo nos assemelha, nos aproxima e, por vezes, pode nos colocar em conflito: nesta vida todos estão à procura de felicidade. Queremos ser felizes. Alguns, a qualquer custo. Outros, de forma mais discreta. Mas, cada um ao fim do dia, reclinando a cabeça no leito, deseja com intensidade essa tal felicidade.

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Alguns dizem que ela, a felicidade, mora em um país chamado “solução”. É que lá não existem problemas. Outros dizem que ela vive em uma cidade chamada “riqueza”… Porque lá não há pobreza… Uns dizem que ela vive em uma praia chamada “companhia”… É que lá não ninguém fica solteiro e todas as pessoas são bonitas… Ainda há quem diga que a felicidade morava em uma rua chamada “sem limites”: é que lá as pessoas podiam fazer qualquer coisa; nada era proibido.

Porém, todas as pessoas que procuraram a felicidade nesses lugares acabaram se frustrando. Era como correr atrás do arco-íris. Quanto mais parecia se aproximar, mais longe estava. Na verdade, não é o homem que encontra a felicidade. É ela que nos encontra. Porque a felicidade não é um lugar.

A Bíblia nos ensina um caminho para chegar a tal ponto. No sermão da montanha, Jesus diz que ser bem-aventurado, que significa FELIZ, significa provar da vida do Cristo. Bem-aventurados, felizes “os aflitos”, porque descobriram que felicidade não significa não ter problemas e que ela não mora no país chamado solução. Bem-aventurados, felizes “os pobres”, porque descobriram que a felicidade não está na nem no orgulho nem na cidade da riqueza.

Bem-aventurados, felizes “os puros”, porque descobriram que a vaidade, a beleza exterior ou ter uma pessoa qualquer ao seu lado não significa necessariamente “SER FELIZ”… Estes descobriram que A Felicidade não morava na praia chamada “companhia”.

Bem-aventurados “os perseguidos” por causa da Justiça, porque descobriram que a Felicidade não morava na “rua sem limites” e que ela também não está em fazer tudo o que se quer, mas em fazer tudo aquilo que é preciso.

A Felicidade é uma Pessoa. E esta pessoa é Jesus Cristo. Sim, Ele te procura. Deixe-se encontrar… A felicidade mora em cada sacrário, se encontra em cada sacramento celebrado, morreu numa Cruz e ressuscitou ao terceiro dia, mas quer habitar no teu coração. Deixar se encontrar e escutar: “Prazer em conhecer! Meu nome é Jesus; eu sou a Felicidade”.

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Homilia – Pe. Sóstenes Monte Chaves
Comunidade Canção Nova

Para ver homilia completa (clicar no link)

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set
14

Cruz: resposta ao sofrimento humano

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Há visitas na vida que nos surpreendem. Chegam ser avisar, nos pegam desprevenidos, nos captam na vulnerabilidade do acaso. Há as que nos trazem alegria, doces sensações de felicidade. Mas existem também aquelas visitas indesejadas, que nos perturbam e alteram nossos planos e projeções. Assim é o sofrimento: uma visita sem desejo, um incômodo bater à porta. Chega muitas vezes sem aviso prévio e nos toma a paz. Cedo ou tarde ele vem. E quando chega logo vem à tona nosso temerário senso de justiça. No coração e aos lábios brota a sentença de inocência: “Por que isto está acontecendo comigo? O que fiz de errado para merecer este sofrimento? Onde está Deus que nos permite viver tal situação?“.

É difícil encontrar respostas prontas. É difícil encontrar explicações quando Deus, aparentemente, está em silêncio. E no suposto calar de sua voz, corremos o risco de cair no desespero. Talvez o grande mal de nossos tempos seja este: não o sofrimento em si, mas não saber como lidar com ele. Não sabemos mais sofrer, nem conferimos o sentido que as dores da vida podem adquirir para que se tornem oferta de amor e sacrifício de louvor. São João Paulo II, em sua encíclica Salvici Doloris, afirma que “o sofrimento parece pertencer à transcendência do homem; é um daqueles pontos em que o homem está, em certo sentido, destinado a superar-se a si mesmo; e é chamado de modo misterioso a fazê-lo” (SD, 2).

Há apenas uma forma de entrar na lógica do sofrimento; há apenas um lugar de encontro entre a dor do homem e a do Deus feito homem: o que hoje celebramos em grau de exaltação, A Cruz. Somente fitando o lenho de onde nos pendeu a salvação se pode adequar-se ao verdadeiro sentido do sofrimento.

Cristo não era culpado dos crimes que o levaram à morte. Foi suspenso sem recair sobre qualquer peso pessoal de culpa. Assim, nos ensina que não é verdade que todo sofrimento seja um castigo por nossos erros e pecados. Em Jesus Crucificado, o sofrimento apresenta o profundo valor de entrega e salvífico.

padre jonas e a cruz

“O Sofrimento humano atingiu o seu vértice na paixão de Cristo; e, ao mesmo tempo, revestiu-se de uma dimensão completamente nova e entrou numa ordem nova: ele foi associado ao amor, àquele amor de que Cristo falava a Nicodemos, àquele amor que cria o bem, tirando-o mesmo do mal, tirando-o por meio do sofrimento, tal como o bem supremo da Redenção do mundo foi tirado da Cruz de Cristo e nela encontra perenemente o seu princípio” (SD, 18).

Podemos, então, fazer de nossos sofrimentos um encontro com o Cristo. Como fala São Paulo, completar em si mesmo, na própria carne “o que falta aos sofrimentos de Cristo pelo seu Corpo, que é a Igreja” (Cl 1,24). A dor é caminho de salvação! É um desfragmentar-se de si, para que o Cristo seja refeito em nós!

Por isso, hoje celebramos a exaltação da Santa Cruz! “por ela as trevas são repelidas e volta à luz (…) somos levados para o alto para que, abandonando a terra com o pecado, obtenhamos os céus. Se não houvesse a cruz, Cristo não seria crucificado. Se não houvesse a cruz, a vida não seria pregada ao lenho com cravos. Se a vida não tivesse sido cravada, não brotariam do lado as fontes da imortalidade, o sangue e a água, que lavam o mundo” (Santo André de Creta).

Solidão. Abandono. Escárnios. Zombarias. Perseguições. Mágoas. Remorsos. Despedidas. Saudades. Morte. Qual sofrimento hoje lhe visita? Saiba: é por ele que você acessa o mais profundo da misericórdia de Deus. Experimentamos a dor, para que sejamos alcançados pela força da ressurreição! Hoje nos unimos a Ele na Cruz, por meio de nossos sofrimentos, para que um dia, aquele sem ocaso, estejamos plenamente diluídos em sua glória. Lá, “Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas.” (Ap 21, 4).

Em louvor a Deus, podemos rezar com a Liturgia das Horas, que um de seus hinos da Semana Santa canta:

‘Do Rei avança o estandarte,
fulge o mistério da Cruz,
onde por nós foi suspenso
o autor da vida, Jesus.

Do lado morto de Cristo,
ao golpe que lhe vibraram,
para lavar meu pecado
o sangue e água jorraram.

Árvore esplêndida e bela,
de rubra púrpura ornada,
de os santos membros tocar
digna só tu foste achada.

Ó Cruz feliz, dos teus braços
do mundo o preço pendeu;
balança foste do corpo
que ao duro inferno venceu.

Salve, ó altar, salve vítima,
eis que a vitória reluz:
a vida em ti fere a morte,
morte que à vida conduz.

Salve, ó cruz, doce esperança,
concede aos réus remissão;
dá-nos o fruto da graça,
que floresceu na Paixão.

Louvor a vós, ó Trindade,
fonte de todo perdão,
aos que na Cruz foram salvos,
dai a celeste mansão…

 

Seminarista GeorgeGeorge Lima

Seminarista Canção Nova

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ago
25

Jesus, a plenitude da amizade

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“Chamei-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai.” (Jo 15, 15)

As palavras mais importantes são aquelas que dizemos diante da eminência da morte. São nas despedidas da vida que o coração se expressa com maior intensidade. No último abraço, no último olhar, no último beijo, temos a oportunidade de marcar para sempre a vida das pessoas que amamos. Na vida de Jesus não foi diferente: na Sua hora derradeira e na proximidade da morte Ele quis dar aos discípulos a mais bela declaração do seu afeto, o testamento da sua amizade.

É na mesa com os seus que Ele nos apresenta a mais bela definição de amizade: o conhecimento. O amigo conhece o território do coração do outro, pois escolheu morar ali. Jesus se deu, se revelou, se mostrou porque o amor tende sempre a manifestação e se ele não se expressa corre o risco do enfraquecimento. O verdadeiro afeto exige conhecimento do coração e a amizade tem como sustento a intimidade. Aos seus amigos Ele entregou as chaves do seu Coração para que pudessem encontrar ali a intimidade do Pai.

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É na dura prova da despedida que a amizade mostra o seu valor e na experiência da distância que ela revela sua grandeza. A amizade de Jesus é assim. Antes da distancia física, Ele quis deixar o Coração. Amigo é isso: é quando eu mudo para dentro da outra pessoa. Jesus entregou a sua vida naquela mesma noite, mas antes precisava entregar-se no interior daqueles que Ele amava, por isso amou até o fim.

 É no encanto dessa amizade divina que nós somos chamados a mergulhar. Também a nós se dirigem hoje as palavras de Jesus: chamei-vos amigos. Eu e você somos o alvo do olhar, do sorriso e da voz do Senhor que nos confidencia sua intimidade, pois as confidencias do coração são entregues somente a quem mais se confia. Jesus aceitou correr esse risco, ele não teve medo, não desconfiou de nós. Quem não se dispõe aos riscos jamais poderá ser amigo de Jesus. Quanto maior o amor, maior a coragem de se dar: por isso ele deu tudo, por isso Ele fez conhecer tudo. O fruto dessa aventura de dar-se e sacrificar-se será sempre a felicidade. Tenha a ousadia de investir na sua amizade com Jesus! Hoje você também você pode se mudar para o coração Dele e fazer a experiência Daquele que contem em Si a plenitude do amor e da amizade.

Em oração por você!

Seminarista WillianWillian Guimarães

Seminarista Canção Nova

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ago
04

Um homem cativo do altar

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“Eu encontrei Teus altares Senhor meu Deus e Rei meu.” (Sl. 84, 4)

A vocação sacerdotal é uma conquista de amor. Um amor forte, belo e irresistível que leva o homem a deixar todos os outros amores para viver uma entrega integral a Deus e ao Seu povo. O padre é um homem que vive tão fascinado pelo mistério de Deus a ponto de trazer no peito um coração livre de divisões e fragmentos, um coração no qual pulsa um amor total e pleno.

Esse mistério de amor entre Aquele que é o Conquistador e aquele que é conquistado encontra o seu ápice na Eucaristia. É no mistério que se renova sobre o altar que o padre vive a plenitude e o ponto mais alto de sua vocação e de sua entrega. Nesse sentido, pode-se dizer que existe entre o sacerdote e o altar uma espécie de comunhão e dependência. O sacerdócio faz com que o eleito fixe o seu coração no altar e tenha seu nome escrito ali de maneira indelével e infinita. O padre pertence ao altar e o altar pertence ao padre. Por isso, a antífona da antiga liturgia colocava nos lábios do sacerdote a antífona: Subo ao altar de Deus, alegria da minha juventude. É ali, e em nenhum outro lugar, que se encontra a realização do padre. Padre feliz é aquele que encontrou no altar o sentido da sua vocação, pois é na mesa eucarística que se atualiza o mistério pascal de Cristo, é no altar que o padre reencontra todos os dias Aquele que o amou de maneira infinita e o chamou para tocar e reger os Seus mistérios.

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É o altar o verdadeiro “lugar alto” que faz o sacerdote experimentar a eternidade por antecipação. É onde o infinito se digna tocar o finito e dar ao homem a experiência da vida bem-aventurada. No altar o padre leva consigo a humanidade e seus flagelos e a devolve ao mundo de maneira renovada e bela.

Quer conhecer a felicidade do padre? Olhe para o altar, ainda que pareça uma pedra fria ou uma simples e modesta mesa de madeira, ali se esconde a felicidade do sacerdote, ali pulsa um amor ardente e duradouro. É na pedra do altar que ele encontra de maneira velada o Tesouro precioso pelo qual ele trocou todos os outros bens. É ali, na simplicidade e na beleza do mistério, que o sacerdote quis fixar sua vida e seu coração, para tornar-se um homem cativo do altar.

Se for essa sua vocação, se você também foi fascinado por esse mistério, tenha coragem! Pois, aquele que é chamado já tem o seu nome escrito no altar!

Em oração por você!

Seminarista WillianWillian Guimarães

Seminarista Canção Nova

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jun
09

Qual a razão da santidade?

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“Sede santos, porque Eu, o Senhor, vosso Deus, sou santo” (Lv 19,2). A ordem é clara, explícita. Deus nos quer em santidade. Mas, afinal, qual seria o motivo de obedecer? Tentar encontrar razões em si mesmo seria uma via perigosa e sem muito fruto. Se Deus é origem e fim da santidade, só n’Ele habitará o sentido. Ele é o Senhor! N’Ele reside toda razão da santidade. Mesmo a busca mais empenhada por ser santo, se não tiver por base e fim o Senhor, não passa de projeto pessoal, que até pode ser aproveitada pela graça, mas que se apoia em fragilidades humanas. Quem se nutre de esforços está findado ao fracasso, pois não se alimenta da fonte três vezes santa.

Mas como ser ou viver santidade no ordinário da vida? Primeiro, e acima de tudo, com o relacionamento daquele que me torna santo. “Não vos voltei para os ídolos e não façais para vós deuses de metal” (Lv 19,2). A aliança de santidade com Deus sempre será um compromisso de exclusividade, de única pertença. Quem ousa trilhar os caminhos da santidade precisa estar inteiro em sua jornada. Não posso, se quero ser santo, me voltar para ídolos e construir deuses em minha vida. Ou Deus tem primazia ou a santidade será uma farsa de boas intenções.

Mas, calma! Tudo tem seu tempo certo! Somos imediatistas! Corremos o risco de querer ver a mudança em nós, do pecado à graça, do erro à santidade, num piscar de olhos. Santidade requer tempo, já que ela tem nome, Deus, e só a conheceremos na mesma intensidade em que nos aplicamos no diálogo e escuta do Senhor. Não queira colher hoje os frutos de santidade que ainda não chegaram à maturidade no seu coração! Os frutos de santidade que aspiramos provar precisam ser cativados e cultivados no exercício da perseverança, do perdão consigo mesmo e no empenho de retomar sempre que preciso o caminho de conversão ao Deus que nos amou primeiro.

Porque, de fato, para nós, homens e mulheres comuns, seres humanos, gente, o desejo de santidade parece nos escapar pelas mãos, escorre e se esconde e tudo que percebemos apenas são as vontades frustradas, os propósitos quebrados e os fracassos adquiridos. É necessário ter consciência que nosso coração vive em guerra polarizada. A mesma do coração do apóstolo Paulo: “Sim, eu sinto gosto pela lei de Deus, enquanto homem interior. Mas noto que há outra lei nos meus membros a lutar contra a lei da minha razão e a reter-me prisioneiro na lei do pecado que está em meus membros” (Rm 7,22-23).

Com isso, entendemos que santidade é luta diária de uma guerra já vencida na cruz, mas que precisa ser retomada, unicamente por causa de Deus, após cada eventual queda. São João Paulo II dizia: santo não é aquele que não peca, mas aquele que se levanta após os erros. A coerência que nos falta encontramos n’Ele! A força que nos carece provém d’Ele! A santidade que desejo está somente n’Ele! Deus nos abençoe e nos faça homens e mulheres santos!

Seminarista GeorgeGeorge Lima

Seminarista Canção Nova

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jun
03

Como azeitonas prensadas para dar azeite puro

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O Levítico tem sido como um itinerário na vivência da vocação sacerdotal desde o Antigo Testamento. É nele que se encontram vários códigos rituais, relativos ao sacerdócio, às ofertas de dons, sacrifícios, holocaustos e oblações, e à própria conduta de vida do levita, o sacerdote do Antigo Israel.

Mas hoje, quero voltar a atenção a um trecho do livro que compromete não apenas os seminaristas, candidatos às ordens sacras e presbíteros. Alcança não somente outras formas de vida consagrada, mas atinge a cada ser humano naquilo que tantas vezes não sabemos como lidar: os sofrimentos.

Vivemos em tempos em que não se admite mais o sofrer, muito menos a tentativa de dar sentido às dores, privações e angústias. Somos uma geração ferida, sensível, com abertura a doenças como depressão, síndromes de pânico, transtornos… O sofrimento de sofrer incomoda muito mais que a dor em si. “Pare de sofrer” se tornou palavra de ordem. Mas o que Levítico ensina?

Como azeitonas prensadas para dar azeite puro

Tomemos o capítulo 24. Nele, o autor sagrado faz referência ao “azeite puro, de azeitonas trituradas”. E o que isso teria haver com sofrimento? O azeite para queimar as lâmpadas “continuamente diante do Senhor” precisava ser puro, retirado de azeitonas trituradas, prensadas. Podemos reinterpretar os fatos dolorosos de nossa vida como prensas em que pode ser extraído de nós “azeites puros”, ofertas purificadas, respostas maduras, ricas em autenticidade.

Espiritualmente, Deus também nos permite passar por apertos, trituras e prensas para que nossa fé seja purificada, nosso coração provado e nossa alma fortificada. Injusto? Cruel? Equívoco da misericórdia? Não! De forma alguma! Deus sabe que apenas por nossas feridas consegue alcançar a dureza do nosso coração. Ele se aproveita de nossas brechas para infundir o Seu amor e a vida ganhar novo sentido. E para que o interior do homem seja como uma lâmpada de perene entrega, contínua adoração a Deus, ‘desde a tarde até a manhã’ (Lv 24,3).

Não podemos nos privar das forjas do azeite puro! É no sofrimento que Deus nos recria em santidade! Das dores, restaura a graça! São das lágrimas que constrói a felicidade eterna! Não tenha medo! Ele está produzindo azeite puro para que nós não O deixemos.

Deus abençoe!

Seminarista GeorgeGeorge Lima

Seminarista Canção Nova

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maio
30

O perigo de não amar o Amor

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A alma sacerdotal tem por força o amor. É ele que a alimenta, que a impulsiona, que a encoraja em tempos de medo e dúvida, que a ajusta nas provas, e a faz vencer os próprios limites. Quando o amor falta à alma sacerdotal, ela se perde em frieza. Fica frígida e estéril. Não produz os frutos que o dom potencializa na pequenez do ser humano.

É fácil notar quando um padre exerce ministério sem amor. Quando o carisma se perde no ritualismo; quando a graça cede espaço ao peso e o ministro se torna um funcionário do sagrado sem qualquer vínculo de intimidade com quem o chamou. As consequências são cruéis e chegam também ao coração do povo. Ferido o pastor em sua identidade, o povo se dispersa.

Mas o risco de caminhar sem amor no exercício do dom sacerdotal não “starta” após a ordenação. Eu, já hoje, no caminho de candidato as ordens sacras – ou quem sabe você que já se aventura na descoberta do chamado à vocação de se configurar a Cristo Bom Pastor – estou submetido ao perigo de não amar o Amor. Risco que nos rodeia, como o leão citado por São Pedro na sua primeira epístola (cf. 1 Pedro 5,8).

o perigo de nao amar o amor

E não é somente a alma sacerdotal que sofre perigo de se perder em tudo quando não há amor a Deus. No seu matrimônio, em sua vida religiosa, em sua vivência pastoral e sacramental, em sua vida de oração, se não houver propósitos de amar aquele que busca o caminho fica morto e a vida não é gerada no interior. Como diz o Apóstolo, a vocação se transforma em metal que apenas faz barulho (cf. 1 Coríntios 13).

Não seja esse metal: oco, vazio de amor, que não gera vida! Que o som que ecoa de você e se espalha em toda terra seja o de um coração apaixonado, sem medo de entregar-se e abandonar-se na presença de quem ama.

Seminarista GeorgeGeorge Lima

Seminarista Canção Nova

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maio
11

A felicidade de ser só

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A vida daqueles que se dedicam integralmente a Deus trás como marca inevitável e fundamental a realidade da solidão. A vocação celibatária possui em si, como que enxertada de maneira profunda, a vida solitária. Não se trata, porém, de uma solidão vazia, fechada ou estéril. O segredo da soledade do celibatário está justamente na descoberta Daquele que é a Solidão Infinita, o celibatário por excelência, Jesus Cristo. É no encontro pessoal e frequente com Cristo que o homem continente, entende e aprofunda o mistério da sua vocação: chamado a um amor isento de fragmentos, no seu interior pulsa um coração chamado a amar ao Senhor sem divisões. Somente a solidão pode dar ao celibatário a felicidade de amar a Deus com um amor inteiro, ilimitado e indiviso. Assim, a solidão se transforma em habitação de amor, festa esponsal e felicidade sem fim. Aqui, o homem entende que nunca se está tão acompanhado como na solidão. É a sós com o Só que a alma descobre a solidão como via de união, de intimidade e amizade com Deus. A santidade do celibatário se nutre da solidão e sem ela sua vocação está em risco. A solidão torna-se proteção e caminho de saudável relação com Deus e com os homens.

Longe de amedrontar ou assustar, a vida solitária garante ao consagrado a possibilidade de um amor total a Deus que chega a todos. Possuindo a Deus inteiramente ele possui em si a humanidade pela qual se doa, se entrega, se sacrifica. Sem o sacrifício da vida solitária o homem de Deus não poderá crescer no amor. A bendita dor de viver só torna-se uma ferida incurável de amor, pois sacrifício e amor são realidades que não se separam e a medida da oblação é a medida do amor. Só conhece a felicidade de ser só quem antes soube viver a dor da solidão.

A felicidade de ser só

Deus não resiste ao coração generoso do solitário e lhe reserva, já aqui na terra, uma promessa de abundância e multiplicação. Assim, o coração do consagrado é depositário de uma esperança de cem vezes mais, símbolo daquela felicidade própria da vida eterna.

O celibatário não é um “solteirão”, alguém frustrado ou incapaz de se casar. Pelo contrário, ele entende bem o valor das outras vocações. Porém encontrou um tesouro mais valioso que todos os outros e se dispõe a tudo para ter a felicidade de possui-lo. A solidão garante ao homem uma posse total de Deus, como uma participação antecipada da vida eterna.

Deseja conhecer o céu? Contemple um celibatário e nos olhos dele você verá o brilho de um coração que na ânsia de amar, não soube esperar a morte para um amor total. Aqui, na realidade do tempo, ele se transformou num recorte do céu, numa estampa da vida dos bem-aventurados.

Em oração por você!

Seminarista WillianWillian Guimarães

Seminarista Canção Nova

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maio
03

Na escuridão da fé

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A bem-aventurança da fé consiste justamente na experiência do vazio e da escuridão. Fé e ausência são realidades complementares, pois é somente na falta de tudo que Deus terá o Seu espaço dentro de nós. Quando já se contempla o objeto da fé, não existe mais a necessidade de crer, mas somente de amar. Enquanto aguardamos a plena visão amamos o Senhor afiançados pela fé. É a obscuridade da fé que nos sustenta no amor. E aqui está a beleza e a profundidade do grande mistério de nossa fé. Crer Nele, sem ainda O ver, amá-Lo ainda sob o véu[1], vivendo somente da experiência de crer e de esperar. Viver na fé é experimentar no coração a ferida da saudade de Alguém que, deixando Suas pegadas em nossa história, nos leva ao deserto para aumentar o desejo do reencontro. A vontade de rever só cresce quando se estabelece a ausência, e o abraço só se torna mais pleno quando é acompanhado de saudade.

Quando não se enxerga totalmente o caminho, aparece a paralisia do medo e da insegurança. Quando os sentidos parecem adormecer e a memória torna-se vazia, o que resta ao homem senão a fé? Somente a penumbra da fé poderá nos levar para uma Luz que nenhuma angústia humana é capaz de apagar. O homem que encontra no escuro da fé a sua segurança entendeu que nenhuma noite da sua existência pode ser capaz de impedir seus passos. Quem se decide por caminhar ao encontro do Amor, se dispõe a tudo enfrentar por essa conquista.

na escuridão da fe

A maturidade da fé é uma tarefa árdua, para toda a vida, uma conquista de todos os dias, que leva o crente a caminhar e se abandonar “como se visse o invisível”[2]. Só merece vislumbrar o fascínio da aurora aquele que não foi covarde quando adentrou na madrugada da fé.  Caminhar, mesmo quando tudo é tão difícil, ainda que não se veja a luz e se evaporam os sentimentos. É nessa caminhada “assustadora” que o homem de Deus tem a oportunidade de provar seu amor e mostrar a força da sua paixão. Amará a Deus de verdade a alma que não depende mais dos sentidos para seguir Aquele que lhe chamou. Na estrada da fé, amor e exigências não caminham juntas e o autêntico enamorado já não espera nada em troca, só sabe amar. Sentir ou não já não importa quando se descobre que o amor é desinteressado por natureza.

É esse o caminho que forjou a fileira de tantos santos! Homens e mulheres que, na prova da fé, souberam responder com um amor grande e forte que nem as fortes torrentes puderam apagar[3].  Se a sua luz também foi apagada e você foi convidado a entrar nessa noite, não tenha medo! A luz da fé, que brilha dentro de você não conhece fim! Tenha coragem, entre na aventura desse caminho de riscos que te levará ao encontro de Deus. Felizes os que se dispuseram ao risco da fé e tiveram a coragem de viver nesse mundo em uma escuridão passageira! Somente esses terão a alegria de ver nos olhos de Jesus, uma luz que não conhece fim! Em oração por você!

Seminarista WillianWillian Guimarães

Seminarista Canção Nova

[1] 1 Pd, 1, 8.

[2] Hb 11, 27.

[3] Ct 8, 7.

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abr
18

A feliz fraqueza do rebanho

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“Sabei que o Senhor, só ele, é Deus, nós somos seu povo e seu rebanho.” (Sl 99)

A meditação das palavras da liturgia desse domingo leva-nos a expressão profunda da identidade de Cristo: Ele é o Pastor, o Bom Pastor, a Porta das ovelhas. Na identidade do Pastor descobrimos a nossa: somos ovelhas. O pastoreio de Cristo só terá sentido se nós nos descobrirmos como ovelhas, membros do Seu redil. Na pequenez da ovelha o Pastor encontra o sentido da Sua missão. Só poderá ser revestida da força do pastor a ovelha que não teve medo da sua fraqueza, que aceitou sua ferida e, na humildade, reconheceu a sua dependência. No redil de Jesus, são felizes os pequenos e fracos; são bem-aventurados aqueles que descobrem na sua pobreza, a pérola da amizade com o Pastor. Ele veio para os doentes, e é deles a Sua predileção. Aqueles que vivem na autossuficiência e no orgulho jamais poderão experimentar o amor de Cristo.

Jesus chama-nos de ovelhas porque sabe da nossa debilidade e fraqueza, sabe da ferida do nosso coração, que nos fez tão dependentes Dele. A ferida do pecado, nas mãos do Pastor, torna-se ferida de amor, uma via de união e intimidade com Aquele que deu a vida pelas Suas ovelhas! Ele amou primeiro e conheceu no Seu próprio Coração a ferida do pecado: se fez fraco para entender Suas ovelhas, se fez chaga de amor para compreender a dor do coração humano. Ele só pode ser Pastor porque teve a coragem de ser Cordeiro Imolado, e na experiência da Cruz, adquiriu o pleno direito sobre as Suas ovelhas. A ferida do rebanho unida à ferida do pastor torna-se ferida de redenção. A fraqueza do rebanho mergulhada na fraqueza do Cordeiro torna-se caminho para a fortaleza. Bendita fraqueza que nos deu tão grande Redentor!

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Assim, o rebanho poderá progredir, apesar da sua fraqueza, rumo às alturas das pastagens celestes. Só chegará ao vigor e à fortaleza, a ovelha que soube reconhecer nas suas chagas o caminho para a santidade. Será santo o pecador que reconheceu sua fraqueza. A ferida aberta torna-se porta para a santidade! Aqui, encontramos consolo porque Ele continua a nos chamar, mesmo sabendo que somos ovelhas, mesmo conhecendo nossa fraqueza e nossas quedas. Somos consolados pelo Pastor, que quis correr o risco de ter no Seu redil, ovelhas tão fracas, mas tão amadas. O risco do prejuízo não ultrapassa a ousadia do amor. Ele sabe da fraqueza, mas ama com um amor corajoso, que não sobrevive do que a ovelha foi, mas sim do que poderá ser. O amor do Pastor é um amor de futuro, um amor que acredita e por isso tem fé na ovelha que escolheu.

Que a força divina da liturgia nos de a graça de entender o que somos: simplesmente ovelhas!  Um rebanho eleito que, na sua condição de pobreza, pôde descobrir a riqueza de ter um Pastor tão Bom. Ovelhas fracas e feridas, mas que foram alcançadas pela força de Deus. Feliz da ovelha pequena e fraca, que compreendeu que o que lhe fez cair e se ferir, tornou-se agora um impulso para a vitória e para a liberdade. No redil do Bom Pastor acontece às avessas do mundo e o Evangelho do Bom Pastor não segue a lógica da racionalidade: a alegria pertence aqueles que têm a coragem de viver na pequenez, e a infelicidade é a sorte que resta aos grandes e poderosos.

Em oração por você!

Seminarista WillianWillian Guimarães

Seminarista Canção Nova

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