{"id":242,"date":"2008-06-27T10:27:23","date_gmt":"2008-06-27T10:27:23","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cancaonova.com\/accao\/2008\/06\/27\/memorial-em-lampedusa\/"},"modified":"2008-06-27T10:27:23","modified_gmt":"2008-06-27T10:27:23","slug":"memorial-em-lampedusa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/semprefiel\/memorial-em-lampedusa\/","title":{"rendered":"Memorial em Lampedusa"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\"><strong>Mil clandestinos ter\u00e3o morrido no Mediterr\u00e2neo s\u00f3 no ano passado<\/strong><br \/>\nTodos os anos, entre cem mil e 200 mil imigrantes ilegais atravessam o mar  Mediterr\u00e2neo para conseguirem chegar \u00e0 Europa. Fazem-no em embarca\u00e7\u00f5es  rudimentares, principalmente no Ver\u00e3o, algumas vezes sem ter \u00e1gua ou comida.  Muitos s\u00e3o presos quando chegam \u00e0s costas de It\u00e1lia, Espanha ou Malta; outros  ficam a meio do caminho. Morrem, de fome ou de sede, mas na maioria dos casos  por afogamento. Este drama no mar Mediterr\u00e2neo \u00e9 conhecido h\u00e1 d\u00e9cadas, mas s\u00f3  nos \u00faltimos anos tem vindo a ser mais mediatizado. Amanh\u00e3, em Lampedusa, onde  todos os dias d\u00e3o \u00e0 costa clandestinos, vivos ou mortos, vai ser inaugurado o  primeiro memorial em homenagem a todos quantos perderam a vida nesta arriscada  travessia.<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/accao\/files\/2008\/06\/01082752400.jpg\" alt=\"\" width=\"320\" height=\"240\" align=\"right\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O memorial consiste numa porta de cer\u00e2mica refract\u00e1ria, com  cinco metros de altura e tr\u00eas de largura, da autoria do italiano Mimmo Paladino.  Vai receber o nome de Porta de Lampedusa &#8211; Porta da Europa e ficar\u00e1 nesta ilha  italiana localizada a 205 quil\u00f3metros a sul da Sic\u00edlia. Esta iniciativa partiu  da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental italiana Amani, que tem v\u00e1rios projectos e  centros em \u00c1frica, nomeadamente em Nairobi, mas conta com o apoio do gabinete  italiano do Alto-Comissariado da ONU para os Refugiados, o Minist\u00e9rio dos  Neg\u00f3cios Estrangeiros italiano e as regi\u00f5es da Sic\u00edlia e de P\u00faglia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">&#8220;O  significado fundamental deste trabalho \u00e9 consignar a mem\u00f3ria destas duas \u00faltimas  d\u00e9cadas, em que vimos milhares de imigrantes perecer no mar de uma forma  desumana, numa tentativa para chegar \u00e0 Europa&#8221;, disse a organiza\u00e7\u00e3o em  comunicado, propondo-se a preencher um vazio. Ningu\u00e9m sabe ao certo quantos  imigrantes ilegais morreram at\u00e9 agora no Mediterr\u00e2neo, mas algumas fontes  apontam para 12 mil, estimando-se que s\u00f3 no ano passado mil clandestinos  perderam a vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">V\u00edtimas de redes de tr\u00e1fico, que por vezes rebocam as  embarca\u00e7\u00f5es at\u00e9 alto mar e as largam \u00e0 deriva, grande parte n\u00e3o sabe nadar.  Muitos venderam tudo o que tinham no seu pa\u00eds de origem, terras, gado, para  poderem pagar aos traficantes que prometem um acesso ao sonho europeu. \u00c0s vezes  ficam sem dinheiro e sem documentos, andam anos a caminhar e a viajar  clandestinamente por pa\u00edses como a L\u00edbia, antes de conseguirem dar o salto para  a outra margem do Mediterr\u00e2neo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nem as v\u00e1rias opera\u00e7\u00f5es de dissuas\u00e3o,  realizadas pela ag\u00eancia europeia de fronteiras, conhecida como Frontex, os leva  a desistir do seu objectivo. Mas os que conseguem chegar, \u00e0s Can\u00e1rias, Ceuta,  Melilla, Lampedusa, La Valetta ou, at\u00e9 mesmo, Culatra, como j\u00e1 aconteceu em  Dezembro, quando quase duas dezenas de imigrantes ilegais foram presos nesta  ilha algarvia, deparam-se com a dura realidade da pol\u00edtica europeia: ordem para  expulsar e para repatriar. Apesar de ser um dado adquirido que a Europa precisa  e vai precisar de imigrantes, aprovou-se, no dia 18, uma pol\u00e9mica directiva que  prev\u00ea a deten\u00e7\u00e3o de ilegais por um per\u00edodo de at\u00e9 18 meses e a sua expuls\u00e3o para  os pa\u00edses de origem ou para pa\u00edses terceiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A Uni\u00e3o Europeia  defende-se das acusa\u00e7\u00f5es das organiza\u00e7\u00f5es de defesa dos direitos humanos, como  por exemplo a Amnistia Internacional, dizendo que \u00e9 necess\u00e1rio desencorajar a  imigra\u00e7\u00e3o ilegal e incentivar aquela que \u00e9 feita legalmente. Neste sentido, a  presid\u00eancia francesa, que lidera os destinos da Uni\u00e3o Europeia a partir da  pr\u00f3xima ter\u00e7a-feira, pretende adoptar um cart\u00e3o azul. Este permitiria aos  imigrantes trabalharem legalmente no espa\u00e7o europeu. Mas ao contr\u00e1rio do cart\u00e3o  verde que j\u00e1 existe nos Estados Unidos, o imigrante j\u00e1 deve ter emprego antes de  p\u00f4r os p\u00e9s em territ\u00f3rio europeu. Os cr\u00edticos dizem que estes s\u00e3o passos no  sentido de uma Europa-fortaleza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A organiza\u00e7\u00e3o do memorial que hoje \u00e9  inaugurado em Lampedusa considera que a Uni\u00e3o Europeia deve, ao contr\u00e1rio,  manter as suas portas abertas para todos quantos t\u00eam a vontade e o direito de  procurar uma vida melhor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mil clandestinos ter\u00e3o morrido no Mediterr\u00e2neo s\u00f3 no ano passado Todos os anos, entre cem mil e 200 mil imigrantes ilegais atravessam o mar Mediterr\u00e2neo para conseguirem chegar \u00e0 Europa. 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