{"id":295,"date":"2008-09-10T08:51:11","date_gmt":"2008-09-10T08:51:11","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cancaonova.com\/accao\/2008\/09\/10\/erradicar-a-pobreza-um-desafio-a-missao-evangelizadora-da-igreja\/"},"modified":"2008-09-10T08:51:11","modified_gmt":"2008-09-10T08:51:11","slug":"erradicar-a-pobreza-um-desafio-a-missao-evangelizadora-da-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/semprefiel\/erradicar-a-pobreza-um-desafio-a-missao-evangelizadora-da-igreja\/","title":{"rendered":"Erradicar a pobreza: um desafio \u00e0 miss\u00e3o evangelizadora da Igreja"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Presidente da Caritas afirma que a \u00abpraxis tem de ser assumida pelas par\u00f3quias<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/accao\/files\/2008\/09\/2_94_9807_pobreza.jpg\" alt=\"\" width=\"320\" height=\"240\" align=\"left\" \/> A pobreza reveste-se de grande complexidade revelando-se, cada vez mais, como um fen\u00f3meno com caracter\u00edsticas multidimensionais que vai para al\u00e9m da escassez de recursos econ\u00f3micos. Nas suas causas est\u00e3o outras problem\u00e1ticas sociais como o mercado de trabalho, a sa\u00fade f\u00edsica e mental, a educa\u00e7\u00e3o, a forma\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica e profissional, a habita\u00e7\u00e3o e as rela\u00e7\u00f5es sociais.Quem contacta com pessoas em situa\u00e7\u00e3o de pobreza sabe que, para a grande maioria, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel sair dela sem a colabora\u00e7\u00e3o de terceiros. Os percursos vitais que levam as pessoas ou fam\u00edlias a subsistir privadas das condi\u00e7\u00f5es indispens\u00e1veis a uma vida digna s\u00e3o fruto de processos de deteriora\u00e7\u00e3o social e econ\u00f3mica continuados no tempo. Estamos, por isso, perante uma realidade que exige esfor\u00e7os redobrados. Mas que tem solu\u00e7\u00e3o. A erradica\u00e7\u00e3o da pobreza \u00e9, de verdade, um facto evit\u00e1vel. O problema actual n\u00e3o \u00e9 de inexist\u00eancia de meios, mas de querer ou n\u00e3o querer. Ou seja, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 um problema t\u00e9cnico, mas pol\u00edtico e \u00e9tico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">No plano \u00e9tico a Igreja tem uma miss\u00e3o importante e muito espec\u00edfica a desempenhar. Miss\u00e3o \u00e9tica que n\u00e3o pode ficar apenas pela salvaguarda dos princ\u00edpios, mas tem que os levar para \u00e0 praxis. Neste campo \u00e9 incontorn\u00e1vel o reconhecimento do papel que a Igreja, em Portugal, tem desenvolvido no apoio \u00e0s pessoas e comunidades em situa\u00e7\u00e3o de pobreza, sobretudo no \u00e2mbito da assist\u00eancia, atrav\u00e9s das suas m\u00faltiplas e diversificadas institui\u00e7\u00f5es de caridade. Por\u00e9m, como bem alertaram os nossos bispos, n\u00e3o \u00abpode servir o muito que j\u00e1 fazemos para aquietar a nossa consci\u00eancia face ao que ainda falta fazer. Sem pessimismos, importa desenvolver mais esfor\u00e7os, designadamente no que se refere \u00e0 pastoral social em todas as par\u00f3quias\u00bb. H\u00e1 que, de facto, repensar alguns aspectos e refor\u00e7ar noutros, na miss\u00e3o social da Igreja. Na minha perspectiva, ouso avan\u00e7ar, de forma muito rudimentar, com a indica\u00e7\u00e3o de algumas op\u00e7\u00f5es que a Igreja ter\u00e1 de fazer, a curto e a m\u00e9dio prazo, para que seja mais eficaz o seu contributo para a erradica\u00e7\u00e3o da pobreza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A primeira \u00e9, de facto, a \u201cop\u00e7\u00e3o preferencial pelos mais pobres\u201d, quaisquer que sejam as pobrezas. Esta op\u00e7\u00e3o faz com que a ac\u00e7\u00e3o social e caritativa n\u00e3o possa ser concebida nem vivida como uma ac\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica e muito menos como uma ac\u00e7\u00e3o optativa no conjunto das actividades pastorais. Nem t\u00e3o pouco pode ser entendida como uma mera ac\u00e7\u00e3o supletiva para necessidades que n\u00e3o est\u00e3o cobertas pela sociedade. Mas como elemento constitutivo da mesma Igreja, chamada em cada momento a manifestar o amor de Deus pela humanidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Neste sentido, o testemunho expl\u00edcito da caridade n\u00e3o pode ficar confinado \u00e0 iniciativa de alguns grupos ou pessoas com \u201cdevo\u00e7\u00e3o\u201d particular para esta miss\u00e3o. Tem de ser assumido pelas par\u00f3quias em geral \u00abcomo exig\u00eancia da vida da pr\u00f3pria comunidade crist\u00e3\u00bb, para que possa envolver todos os que a ela pertencem nas iniciativas a favor dos pobres. \u00c9 \u00f3bvio que n\u00e3o se deve minimizar a ac\u00e7\u00e3o social e caritativa a n\u00edvel individual. Por\u00e9m, \u00e9 importante n\u00e3o esquecer que os crist\u00e3os n\u00e3o est\u00e3o chamados a exercer o m\u00fanus da caridade apenas por \u201cmotum pr\u00f3prio\u201d, mas a assumi-lo como um projecto comum, procurando os recursos necess\u00e1rios, incentivando \u00e0 partilha crist\u00e3 de bens. Urge estimular a consci\u00eancia social das comunidades crist\u00e3s para que entendam \u00abque o amor tamb\u00e9m precisa de organiza\u00e7\u00e3o, enquanto pressuposto para um servi\u00e7o comunit\u00e1rio ordenado\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Julgo, assim, que o primeiro de todos os esfor\u00e7os \u00e9 assegurar que exista um grupo organizado que, em nome da comunidade, concretize a caridade desta, recrutando mais e mais novos agentes pastorais, capacitando-os para que, como nos recorda Bento XVI, \u00aba actividade caritativa da Igreja mantenha todo o seu esplendor e n\u00e3o se dissolva na organiza\u00e7\u00e3o assistencial comum, tornando-se uma simples variante da mesma.\u00bb. E n\u00e3o estamos imunes a esta transforma\u00e7\u00e3o da assist\u00eancia em assistencialismo, que gera depend\u00eancias e contradiz o testemunho da verdadeira caridade. A assist\u00eancia \u00e9, sem d\u00favida, necess\u00e1ria, mas \u00e9 mais prof\u00edcuo o di\u00e1logo, a forma\u00e7\u00e3o adequada e, antes de tudo, a fraternidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Para que esta fraternidade se torne realidade \u00e9 importante acolher o desafio de abandonar uma mentalidade que considera os pobres como um fardo, \u00e1vidos de consumir o que os outros produzem. H\u00e1 que reconhecer os pobres com as suas riquezas, escut\u00e1-los e dar-lhes oportunidades de ac\u00e7\u00e3o, pois Deus quer enriquecer a todos atrav\u00e9s deles. Em suma, imp\u00f5e-se que a Igreja se esforce por agir com os pobres e n\u00e3o pelos e para os pobres.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/accao\/files\/2008\/09\/pobreza3.jpg\" alt=\"\" width=\"320\" height=\"240\" align=\"right\" \/>Por outro lado, uma vis\u00e3o integrada da ac\u00e7\u00e3o caritativa apela a que os organismos caritativos se abram \u00e0 colabora\u00e7\u00e3o com a sociedade, ajudando a descobrir e a potenciar as iniciativas que favore\u00e7am uma rede entre as for\u00e7as sociais e a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica em geral. Tudo isto fortalecido com a cria\u00e7\u00e3o de la\u00e7os de comunh\u00e3o fraterna a n\u00edvel paroquial, diocesano, inter-diocesano e internacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por \u00faltimo, mas antes de tudo, \u00e9 \u00abdesej\u00e1vel que se intensifique a forma\u00e7\u00e3o permanente do clero e dos leigos nesta \u00e1rea\u00bb, nomeadamente, no ensino da Doutrina Social da Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Comecei por afirmar que \u00e9 poss\u00edvel erradicar a pobreza, bastando para isso, vontade pol\u00edtica. Termino, dizendo que, para n\u00f3s crist\u00e3os, \u00e9 necess\u00e1ria uma verdadeira convers\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o. Na verdade, o servi\u00e7o dos pobres reclama f\u00e9 e convers\u00e3o, pois de outra forma corrermos o risco de curar com uma m\u00e3o as feridas que produzimos com a outra. Por outro lado, este servi\u00e7o exige paci\u00eancia e sentido pedag\u00f3gico. H\u00e1 que aceitar, de antem\u00e3o, a lentid\u00e3o e os poss\u00edveis fracassos. Uma caridade que n\u00e3o est\u00e1 fundada na f\u00e9 e dinamizada pela esperan\u00e7a, n\u00e3o superar\u00e1 um mero humanismo. E a Igreja est\u00e1 chamada a ser mais que uma associa\u00e7\u00e3o humanista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"color: #808080\"><em>Eug\u00e9nio Fonseca<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><span style=\"color: #808080\"><em>Presidente da Caritas Portuguesa<\/em><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right\">\n<p style=\"text-align: right\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Presidente da Caritas afirma que a \u00abpraxis tem de ser assumida pelas par\u00f3quias A pobreza reveste-se de grande complexidade revelando-se, cada vez mais, como um fen\u00f3meno com caracter\u00edsticas multidimensionais que vai para al\u00e9m da escassez de recursos econ\u00f3micos. 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