Cultura do descarte ou cultura do encontro?

 

Assim que o Papa Francisco escreveu a mensagem para o 1º dia mundial dos pobres, no meu coração brotou o desejo de fazer um encontro de evangelização para homens e mulheres em situação de rua. Então, me reuni com várias pessoas e começamos a dar passos para a realização deste evento. E neste encontro dei uma palestra abordando alguns pontos da mensagem que o Papa Francisco escreveu:

 

 

  • A misericórdia, que brota do coração da trindade, pode chegar a pôr em movimento a nossa vida e gerar compaixão e obras de misericórdia em prol dos irmãos e irmãs que se encontram em necessidade.

 

  • Somos chamados a estender a mão aos pobres, a encontrá-los, fixá-los nos olhos, abraçá-los, para lhes fazer sentir o calor do amor que rompe o círculo da solidão. A sua mão estendida para nós é também um convite a sairmos das nossas certezas e comodidades e a reconhecermos o valor que a pobreza encerra em si mesma.

 

 

 

Neste dia, além da evangelização que aconteceu por meio de palestras, testemunhos e Missa; os irmãos e as irmãs foram muito bem acolhidos e receberam café da manhã, almoço e lanche da tarde. Um dos objetivos deste encontro foi convidar a pessoa em situação de rua para ir para uma Casa de Recuperação, e 15 pessoas aceitaram.

 

 

Outro trabalho que estamos desenvolvendo é com crianças carentes. Em dezembro de 2017, iremos realizar a 2ª edição do Natal Branco Lumen, e 146 crianças serão beneficiadas. É um projeto muito bonito, pois, não pára na “solidariedade” natalina, mas, se estende por todo o ano… É um comprometimento com aquele que ajudamos.

 

 

Lembrando que pobre não é só aquele que tem carência material, mas, tantas outras carências nestes tempos de “modernidade” (tempo, abraço, contato físico, etc…). Todo esse envolvimento nestas causas são extremamente favoráveis a uma revisão de vida. Muitas vezes revemos conceitos de necessidade, o que é necessário?

 

E, para a família faz um bem enorme. Aprendemos a diferenciar vontade de necessidade, bem como partilhar o que temos, até mesmo o tempo. O ir a campo, o sair de casa, da nossa comodidade, é uma boa opção, pois, ver a realidade do outro é bem diferente do que “ouvir falar”. É o experienciar, estar com, é o amar com gestos e o cumprimento da máxima: “as palavras comovem mas os exemplos arrastam”.

 

Saiamos do nosso comodismo, e quem ganha somos nós. Sim, a cultura do encontro!

 

O significado da palavra apostasia é mudança ou renúncia de crença, de doutrina, de opinião.

 

Com um método eficaz – veneno a conta gotasnossas famílias estão recebendo a muito tempo informações para não dar importância a fé. Essas orientações chegam por meio de: televisão, rádio, internet, revistas, livros, filmes, novelas; e têm como objetivo desviar o povo do caminho de Deus, então, num processo lento e gradativo, o veneno vai entrando no coração e na mente do ser humano para desviar o povo da fé.

 

 

Portanto, pais e filhos, devem conversar sobre a apostasia, assim, não nos desviaremos da nossa religião nem para a direita nem para a esquerda, e não abandonaremos a nossa fé. E quando aprofundamos sobre o valor da fé, constatamos que é essencial continuar firme na Eucaristia e guardar com amor os mandamentos no coração, sim, desse jeito, conservamos a nossa Aliança com Deus que nunca nos abandona.

 

 

Ao invés de nos deixarmos ser envenenados, precisamos do antídoto que é a Palavra de Deus – remédio para a nossa alma – assim estaremos cada vez mais sendo fortalecidos como que a “conta gotas”. E nos momentos que bater à nossa porta a crise da fé, seis montes podem nos ajudar a permanecer firmes na fé: 

 

1) Monte da Tentação (Mateus 4) – Defender-se por meio da Palavra de Deus.

 

2) Monte Tabor (Mateus 17) – Jesus, este é o meu filho amado, escutai-o.

 

3) Monte das Bem Aventuranças (Mateus 5 ao 7) – Vários ensinamentos.

 

4) Monte das Oliveiras (Lucas 22) – Jesus experimenta a tristeza mortal, mas segue em frente por amor.

 

5) Monte Sião (Mateus 26) – A instituição da Eucaristia.

 

6) Monte Calvário (Mateus 27,33) – Jesus vence a morte, Ele ressuscita!

 

 

 

Farinha pouca meu pirão primeiro

 

Geralmente, escutamos isso quando alguém tem uma atitude egoísta, pois, o que vale é resolver o seu problema. Vamos pensar num exemplo simples que acontece em nossas casas nos momentos de refeição: o que importa é você comer, e se vai faltar para alguém não te interessa!? E a consequência dessa atitude egoísta é o transbordamento para a sociedade. Sim, estamos diante de uma sociedade sem comprometimento com o outro…

 

 

O que fazer para melhorar?

 

Viver os valores que estão em queda, exemplo: fé, esperança, amor, respeito, bondade, fidelidade, honestidade, generosidade, lealdade, verdade, solidariedade… Afinal, uma sociedade embasada em valores morais, éticos e religiosos é bem mais feliz. E, de onde surge a sociedade? A sociedade nasce de uma família! Portanto, é fundamental semear estes valores no coração dos filhos, assim, não existe competição, fome, violência, corrupção, mentira… É possível mudar a cultura do egoísmo.

 

 

Acreditamos que a evangelização tem muito a contribuir com essa mudança, pois, um coração transformado, transforma o ambiente onde vive.

 

 

 

Você vive o conflito do tempo?

 

 

No coração e na mente do ser humano, consciente ou inconscientemente, vivemos o conflito relacionado ao tempo: presente, passado e futuro.

 

  • O passado
    • Não podemos ficar presos no passado, nem nas coisas boas e nem nas coisas ruins que ocorreram, pois, o passado passou e não volta mais. Então, o que fazer com o passado, jogar fora? Não! Precisamos olhar para o passado com um olhar de aprendizado. Aprender com o passado para viver o tempo presente.

 

  • O presente
    • Temos o agora, e neste agora é essencial preencher o coração e a cabeça de esperança e de entusiasmo pela vida, isso é vital. É preciso pôr-se em ação para que a alegria não seja sufocada por algo que aconteceu no passado, e nem eliminada pela inquietação do futuro que ainda não chegou.

 

  • O futuro
    • O passado passou e o futuro ainda não chegou. E vale sempre lembrar, uma coisa é planejar e ter metas, outra, é não se inquietar sobre o futuro. É preciso ter o entendimento de que o futuro começa agora, e neste agora é a hora da guinada em todos os aspectos da vida, portanto, viva bem o tempo presente.

 

 

Saber administrar interiormente o passado, o presente e o futuro nos ajuda a viver melhor. Fiquei sabendo que as pessoas utilizam 80% do seu tempo pensando no passado, 14% no futuro e 6% é aplicado para viver o presente. E tem gente que diz: o dia precisaria ter mais que 24 horas. Na verdade, o dia não precisa aumentar, somos nós que precisamos mudar de atitudes, e começar a viver o tempo presente de maneira diferente. Quanto tempo temos investido para amar?

 

Viva bem o hoje porque ele é o passado de amanhã!

 

O dia de finados é um bom dia para rezar pelos falecidos e também uma oportunidade para pensar sobre a morte, pois, a morte não avisa, ela chega, e quando chega não podemos desesperar, e sim acreditar: existe vida após a morte. Afinal, Jesus Cristo venceu a morte, Ele ressuscitou e conquistou a vida eterna, e este é o nosso futuro, a eternidade. Portanto, a morte não é o fim, ao contrário, é o começo de uma vida eterna com Deus.

 

 

Diante da morte de alguém é normal se entristecer, mas não podemos deixar que a tristeza fique instalada dentro de nós, portanto, a tristeza precisa ser vencida pela a alegria. Este ensinamento de que a alegria vence a tristeza aconteceu dentro de casa, após dois velórios, no velório do meu irmão e no velório do meu pai. Nestes dois momentos dolorosos aprendi duas lições de amor com a minha mãe, e além das lições de amor, ela me ensinou de que é possível vencer a tristeza por meio da alegria que vem de Deus.

 

“Em 25 de dezembro de 1981 (Natal), meu irmão de 23 anos faleceu, imaginem a tristeza de uma mãe ao perder um filho. Mas foi em meio a essa tristeza, no velório de meu irmão mais velho, que Dona Mercedes me deu a primeira lição. Eu tinha 13 anos e disse a ela que se separasse do meu pai, pois ele bebia muito e ela merecia ser feliz. Ela me respondeu dizendo: “Se eu me separar dele, quem é que vai cuidar dele? E dezesseis anos depois, no velório de meu pai, a ouvi dizendo ao despedir-se: “Mário, você foi o meu primeiro amor, o meu único amor e sempre será!” Essa era a segunda lição que minha mãe me dava.

 

 

Existem momentos da nossa vida em que precisamos dar um ponto final na tristeza. Minha mãe foi uma dessas que optou pelo cultivo da alegria em seu coração! Ela sofreu demais com a morte do meu irmão mais velho, como já contei, e durante muito tempo a tristeza tomou conta de seu interior. Pense em uma mulher que durante a vida inteira foi gastando o seu coração para o bem dos outros, e somada a esse desgaste vem a perda de um filho num dia tão marcante! A tristeza havia habitado seu interior. Um dia cheguei para ela e disse: “Mãe, olha pra mim. O Mário se foi! Mas eu fiquei!”. Ela precisava reagir mesmo sendo idosa. Por mais doloroso que fosse, ela optou por viver a alegria e a paz que só Jesus nos dá. Minha mãe teve que tirar os olhos do meu irmão e olhar para mim. Ela optou naquela hora em deixar a tristeza de lado e cultivar a alegria por mim! (livro Tem Jeito).

 

Os mortos e os vivos na vinda do Senhor – “Irmãos, não queremos que ignoreis o que se refere aos mortos, para não ficardes tristes como os outros que não tem esperança. Se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também os que morreram em Jesus, Deus há de levá-los em sua companhia. Pois isto vos declaramos, segundo a palavra do Senhor: que os vivos, os que ainda estivermos aqui para a Vinda do Senhor, não passaremos à frente dos que morreram. Quando o Senhor, ao sinal dado, à voz do arcanjo e ao som da trombeta divina, descer do céu, então os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; em seguida nós, os vivos que estivermos lá, seremos arrebatados com eles nas nuvens para o encontro com o Senhor, nos ares. E assim, estaremos para sempre com o Senhor. Consolai-vos, pois, uns aos outros com estas palavras” (1 Tes 4, 13-18).

 

Esperança no coração sempre!