O sofrimento, quando bate à nossa porta, nunca é esperado.

 

Na Via Dolorosa, entre as duas primeiras quedas de Jesus, três pessoas se fazem bem próximas do Filho de Deus: Maria, Simão de Cirene e Verônica. São pessoas que podem ser para nós exemplos de presença nos momentos de muita dor. Portanto, vamos refletir com as palavras do Papa Francisco sobre este momento doloroso:  

 

IV Estação – Jesus encontra sua Mãe – Deus quis que a vida viesse ao mundo através das dores do parto: através dos sofrimentos duma mãe que dá a vida ao mundo. Todos precisam de uma Mãe, inclusive Deus. “O Verbo fez-Se homem” (Jo 1, 14) no ventre duma Virgem. Maria acolheu-O, deu-O à luz em Belém, envolveu-O em panos, defendeu-O e ajudou-O a crescer com o calor do seu amor, e chegou juntamente com Ele à sua “hora”

 

Maria vê o Filho, desfigurado e exausto sob o peso da cruz. Olhos lacrimosos, aqueles da Mãe, que participa completamente no sofrimento do Filho, mas olhos também cheios de esperança, que, desde o dia do seu “sim” ao anúncio do anjo (cf. Lucas 1, 26-38), não deixaram jamais de refletir aquela luz divina que resplandece mesmo neste dia de sofrimento. 

Como Mãe de todos, Maria é “sinal de esperança para os povos que sofrem as dores do parto”, é a missionária que Se aproxima de nós, para nos acompanhar ao longo da vida e, como uma verdadeira mãe, caminha conosco, luta conosco e aproxima-nos incessantemente do amor de Deus.

Na minha pequenez fico pensando… Jesus, ao se encontrar com a sua mãe naquele momento tão doloroso se fortaleceu. A presença de Maria fortaleceu-o, e assim Jesus seguiu em frente.

 

V Estação – Jesus é ajudado por Simão de Cirene a levar a cruz – “Os soldados obrigaram alguém que lá passava voltando do campo, Simão de Cirene, a carregar a cruz” (Marcos 15, 21). Na história da salvação, aparece Simão de Cirene, um homem desconhecido, um trabalhador que voltava dos campos, que é forçado a levar a cruz. Mas é precisamente nele que, em primeiro lugar, atua a graça do amor de Cristo que passa através daquela cruz.

 

 

O sofrimento, quando bate à nossa porta, nunca é esperado. E pode encontrar-nos dramaticamente não preparados. Uma doença poderia arruinar os nossos planos de vida. Um filho com deficiência poderia agitar os sonhos duma maternidade tão desejada. Mas aquela tribulação não desejada bate, ao coração do ser humano. Como nos comportamos perante o sofrimento duma pessoa amada? Quanta atenção prestamos ao grito de quem sofre, mas vive longe de nós?

O Cireneu ajuda-nos a entrar na fragilidade da alma humana e põe em evidência outro aspecto da humanidade de Jesus. Até o Filho de Deus precisou de alguém que O ajudasse a levar a cruz

 

VI Estação – Verônica limpa o rosto de Jesus – O amor, que esta mulher encarna, deixa-nos sem palavras. O amor torna-a forte para desafiar os guardas, superar a multidão, aproximar-se do Senhor e realizar um gesto de compaixão e de fé: deter o sangue das feridas, limpar as lágrimas do sofrimento, contemplando aquele rosto desfigurado, por trás do qual está escondido o rosto de Deus.

Instintivamente somos levados a fugir do sofrimento, porque o sofrimento nos causa repulsa. Quantos rostos desfigurados pelas aflições da vida se cruzam conosco e, com muita frequência, viramos a cara para o outro lado. Como é possível não ver o rosto do Senhor no rosto dos milhões de deslocados, refugiados, desterrados que fogem desesperadamente do horror das guerras, perseguições e ditaduras? Para cada um deles, com o seu rosto irrepetível, Deus sempre Se manifesta como um socorrista corajoso. Como Verônica, a mulher sem rosto, que limpou amorosamente o rosto de Jesus.

 

Fonte:

VIA-SACRA PRESIDIDA PELO PAPA FRANCISCO – COLISEU – ROMA, 25 DE MARÇO DE 2016

Acesse: goo.gl/bbF3wR

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