{"id":4151,"date":"2008-06-21T18:37:22","date_gmt":"2008-06-21T15:37:22","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cancaonova.com\/terrasanta\/2008\/06\/22\/entrevista-com-o-novo-patriarca-de-jerusalem-dom-fouad-twal\/"},"modified":"2008-06-22T20:30:39","modified_gmt":"2008-06-22T17:30:39","slug":"entrevista-com-o-novo-patriarca-de-jerusalem-dom-fouad-twal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/terrasanta\/2008\/06\/21\/entrevista-com-o-novo-patriarca-de-jerusalem-dom-fouad-twal\/","title":{"rendered":"Entrevista com o novo Patriarca de Jerusal\u00e9m: Dom Fouad Twal"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/terrasanta\/files\/2008\/06\/para_entrevista.jpg\" alt=\"Dom Fouad Twal\" align=\"right\" height=\"474\" width=\"286\" \/>\u201cQuero semear a alegria de viver\u201d<br \/>\nDom Fouad Twal \u00e9 o novo Patriarca Latino de Jerusal\u00e9m. Formado na diplomacia do Vaticano em Roma, ent\u00e3o chamado para retornar \u00e0 vida pastoral como arcebispo da T\u00fanis, o futuro<br \/>\nPatriarca de Jerusal\u00e9m pretende enfatizar a base espiritual da vida<br \/>\ncrist\u00e3 e, especialmente a alegria de viver em Cristo. Dom Twal esta<br \/>\nconvencido que, acima de tudo, ser\u00e1 a qualidade da vida evang\u00e9lica que<br \/>\nimpulsionar\u00e1 a Igreja da Terra Santa, impedindo-a de ser esmagada sob o<br \/>\npeso da cruz que lhe cabe suportar.<\/p>\n<p><strong> Quem \u00e9 Dom Twal?<br \/>\n<\/strong><br \/>\nSou o sexto de nove irm\u00e3os da fam\u00edlia Twal da Jord\u00e2nia. Estudei no<br \/>\nsemin\u00e1rio de Beit Jala, mais tarde, trabalhei cinco anos, no Patriarcado<br \/>\ncomo vig\u00e1rio antes de ser enviado para Roma a fim de estudar Direito<br \/>\ncan\u00f3nico e Direito internacional na Universidade Pontif\u00edcia Lateranense.<br \/>\nA Secretaria de Estado olhou para mim e pensou que eu poderia desempenhar<br \/>\nalgum servi\u00e7o. Perguntou ao Patriarca Beltritti se estaria disposto a<br \/>\ndesfazer do jovem padre que eu era para fazer parte da Pontif\u00edcia Academia<br \/>\nEclesi\u00e1stica. Especializei-me nela durante dois anos. Eu era o \u00fanico<br \/>\n\u00e1rabe da Academia e todos me olhavam de maneira &#8220;especial&#8221;. Um dia me<br \/>\nperguntaram: &#8220;Como voc\u00ea chegou aqui?&#8221; Com humor respondi: &#8220;Talvez pensam<br \/>\nque possuo um po\u00e7o de petr\u00f3leo\u2026&#8221;<\/p>\n<p><strong>Onde o levou a carreira diplom\u00e1tica no servi\u00e7o \u00e0 Santa S\u00e9?<\/strong><\/p>\n<p>Comecei em Honduras, Am\u00e9rica Central, como Adjunto. Eu n\u00e3o sabia sequer<br \/>\numa palavra de espanhol. E este foi, exatamente, um dos motivos pelo qual<br \/>\nfui enviado a Honduras: para aprender o idioma. Passei seis anos ali. Um<br \/>\npouco dif\u00edcil as vezes, no entanto, foi uma experi\u00eancia maravilhosa.<br \/>\nEstava aos meus cuidados a nunciatura de Honduras. Ao mesmo tempo, Dom<br \/>\nPietro Sambi era Adjunto em Nicar\u00e1gua.<br \/>\nDividia meu trabalho da nunciatura de Honduras com o trabalho de<br \/>\ncolabora\u00e7\u00e3o \u00e0 par\u00f3quia mais pobre do pa\u00eds, no entanto, muito bonita.<br \/>\nLembro-me de minha primeira missa em espanhol: foi um pouco desastrada<br \/>\ndevido ao idioma. Quando a terminei uma senhora idosa veio me perguntar:<br \/>\n&#8220;Voc\u00ea \u00e9 turco?\u201d &#8221; N\u00e3o, n\u00e3o, eu sou \u00e1rabe.\u201d &#8220;Com efeito, na<br \/>\nAm\u00e9rica Central, todos os \u00e1rabes do Oriente M\u00e9dio, s\u00e3o chamados de<br \/>\n&#8220;Turcos &#8220;, certamente porque nos velhos tempos eles chegaram com documentos<br \/>\notomanos. Tamb\u00e9m acompanhei a comunidade \u00e1rabe de origem palestina,<br \/>\ncelebrando batismos, casamentos e funerais. Apesar da fun\u00e7\u00e3o<br \/>\ndiplom\u00e1tica, nunca me separei da vida pastoral. Gosto de estar com as<br \/>\npessoas.<\/p>\n<p><strong>E depois de Honduras?<\/strong><\/p>\n<p>Regressei ao Vaticano, para a Secretaria de Estado de 1982 a 1985, onde me<br \/>\nfoi confiado assuntos de 19 pa\u00edses africanos franc\u00f3fonos. A Secretaria<br \/>\nde Estado foi para mim uma maravilhosa experiencia da universalidade da<br \/>\nIgreja. Ali se encontrava problemas de todo o mundo. A Santa S\u00e9 tenta dar<br \/>\nrespostas e encontrar solu\u00e7\u00f5es. Durante estes tr\u00eas anos eu era capaz de<br \/>\nexperimentar a sabedoria da Santa S\u00e9 e a sua paci\u00eancia. Nada \u00e9 urgente.<br \/>\nNada. Os documentos poder ter o carimbo de &#8220;Urgente&#8221;, mas s\u00e3o estudados<br \/>\ncom calma e em profundidade. Pude conhecer pessoas de todo o mundo, de<br \/>\n\u00c1frica, e \u00e9 claro, tamb\u00e9m dos pa\u00edses \u00e1rabes. Encontrei-me com<br \/>\npresidentes estrangeiros. Isto realmente foi para mim uma experiencia viva<br \/>\nda dimens\u00e3o mundial e universal da Igreja. De l\u00e1 fui nomeado para o<br \/>\nCairo. O Vaticano via o Cairo como a capital capaz de unir o mundo \u00e1rabe,<br \/>\no continente Africano e a Europa. Mas, estav\u00e1mos em 1985, e devido \u00e0<br \/>\nvisita de Sadat a Israel (em 1977), quase todos os pa\u00edses \u00e1rabes<br \/>\nboicotam, ainda hoje, mais ou menos, o Egito. Esta situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica<br \/>\nn\u00e3o permitiu que a nunciatura do Cairo desempenhasse o papel que a Santa<br \/>\nS\u00e9 esperava em rela\u00e7\u00e3o aos pa\u00edses \u00e1rabes.<\/p>\n<p><strong>Desta maneira, o senhor regressa ao mundo \u00e1rabe?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o, pois, fui nomeado para a Alemanha em 1988. Neste pa\u00eds descobri uma<br \/>\nIgreja forte, verdadeiramente forte, rica e consciente de seus valores; ao<br \/>\nmesmo tempo extremamente generosa. Pude colocar em pratica meu alem\u00e3o<br \/>\ncolaborando com a vida pastoral de uma pequena par\u00f3quia perto da<br \/>\nnunciatura. Ap\u00f3s dois anos e meio, em 1990, surge uma nova viagem para a<br \/>\nAm\u00e9rica Latina, desta vez para o Peru. Em Lima havia milhares e milhares<br \/>\nde \u00e1rabes palestinos de Beit Jala, Beit Sahur, Bel\u00e9m. E fiquei muito<br \/>\nfeliz de ser o pastor deles. Realmente me agradava o trabalho pastoral com<br \/>\neles, estar junto deles, tanto na Igreja como no \u201cCentro Palestino\u201d<br \/>\nonde acontecia v\u00e1rias atividades esportivas, cultarais, etc. Mantenho<br \/>\ncontato com deles e, quando v\u00eam \u00e0 Palestina para visitar suas fam\u00edlias,<br \/>\naproveiram para me cumprimentar. O bispo de Lima me dizia: &#8220;O que ser\u00e1<br \/>\ndessa comunidade quando o senhor sair?&#8221; Na verdade, eu j\u00e1 era o<br \/>\nconselheiro da nunciatura.<\/p>\n<p><strong> O senhor esperava ser nomeado N\u00fancio?<\/strong><\/p>\n<p>Efetivamente essa seria a pr\u00f3xima etapa. Por\u00e9m em 1992 chega esta not\u00edcia de Roma: o Santo Pai me nomeou bispo de Tunis. Me nomeou por\u00e9m, ao mesmo tempo, pediu meu parecer. Eu n\u00e3o entendia. Estava a ponto de ser nomeado n\u00fancio. Meu nome estava indicado para a nunciatura do Kuwait, que devia separar-se da nunciatura do Iraque, durante a guerra do Golfo. N\u00e3o entendia porque depois de todos esses anos no servi\u00e7o diplom\u00e1tico, se me fazia retornar ao servi\u00e7o pastoral, por\u00e9m disse a mim mesmo que meu dever era o de aceitar, n\u00e3o o de entender, e disse que sim. Mais tarde entendi o projeto da Santa S\u00e9: pastoral e pol\u00edtico. Pastoral: havia em T\u00fanis uma sede vacante h\u00e1 tr\u00eas anos e uma diocese necessita ter um bispo; pol\u00edtico: porque a Santa S\u00e9 queria um bispo \u00e1rabe em uma sede na qual houve uma sucess\u00e3o de v\u00e1rios bispos franceses. Al\u00e9m do mais, a prelazia de T\u00fanes formava parte da Igreja francesa al\u00e9m mar, aun habiendo el pa\u00eds conseguido sua independ\u00eancia em 1956. A Santa S\u00e9 desejava nomear um bispo \u00e1rabe, que falasse \u00e1rabe e fosse da mesma tradi\u00e7\u00e3o cultural. Me haviam falado de uma miss\u00e3o de tr\u00eas ou quatro anos e foram treze. Fiz vir oito comunidades religiosas que trouxeram sangue novo. Trabalhamos muito na restaura\u00e7\u00e3o da Catedral, de todas as igrejas, conventos e casas. Antes de minha sa\u00edda, o governo restituiu, para poder utilizar ao servi\u00e7o dos fi\u00e9is, a igreja de Djerba, da qual havia tomado posse durante a guerra da independ\u00eancia.<\/p>\n<p><strong> Excel\u00eancia, se sabe que o regime pol\u00edtico da Tun\u00edsia nem sempre foi f\u00e1cil. Durante seu episcopado, isto foi presente? Foi algo significativo?<\/strong><\/p>\n<p>Foi uma presen\u00e7a forte. Por\u00e9m \u00e9 preciso saber trabalhar com os regimes \u00e1rabes. No mundo \u00e1rabe mantemos rela\u00e7\u00f5es de cercania e finalmente, cheguei a estar bem visto. At\u00e9 o ponto de que meia hora antes de deixar T\u00fanis, me telefonaram dizendo: \u201co presidente Ben Ali quer v\u00ea-lo antes de sua sa\u00edda\u201d. Tive que mudar de v\u00f4o para poder encontr\u00e1-lo. Em T\u00fanis pude dar-me conta da oposi\u00e7\u00e3o ao terrorismo que existe nos pa\u00edses \u00e1rabes. Cada seis meses, os ministros do interior dos pa\u00edses membros da Liga \u00c1rabe se re\u00fanem em T\u00fanis para coordenar seu trabalho e lutar contra o fanatismo. Este trabalho enquanto a seguridade es, sobre todo, o que permitiu a T\u00fanis desenvolver, como o fez, o turismo. Tenho uma boa lembran\u00e7a de T\u00fanis e de suas autoridades.<\/p>\n<p><strong> O senhor encontrou em T\u00fanis com uma comunidade crist\u00e3 palestina?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o, nem palestina, nem \u00e1rabe. Todos os nossos fi\u00e9is eram estrangeiros. Alguns, por motivos de neg\u00f3cios, procediam do Oriente M\u00e9dio. Por\u00e9m n\u00e3o podemos falar de uma comunidade crist\u00e3 \u00e1rabe local.<br \/>\nEm 2005 chega a noticia de sua nomea\u00e7\u00e3o como bispo coadjutor de Jerusal\u00e9m.<br \/>\nSim. Diante desta not\u00edcia, a \u00fanica pergunta que me ocorreu foi: por que t\u00e3o r\u00e1pido? A miss\u00e3o de Dom Michel Sabah devia durar ainda dois anos e meio. \u00c9 muito tempo. Por\u00e9m me foram \u00fateis, me ajudaram para melhorar meu conhecimento sobre a comunidade local, da situa\u00e7\u00e3o. Pude descobrir os aspectos fortes e os pontos fr\u00e1geis, me preparar espiritualmente e pastoralmente em encontros com sacerdotes, bispos, par\u00f3quias etc&#8230;<\/p>\n<p><strong> O senhor esteve muito tempo fora do pa\u00eds e disse que estes dois anos e meio foram \u00fateis para avaliar a situa\u00e7\u00e3o. O que o senhor descobriu de novo no aspecto religioso e pol\u00edtico?<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p>No ponto de vista religioso me alegrei quando soube da quantidade de comunidades religiosas: cerca de trinta de religiosos e setenta de religiosas. Doze comunidades contemplativas, isto \u00e9 algo admir\u00e1vel, sup\u00f5e uma for\u00e7a espiritual na qual me apoio e me apoiarei fortemente. O aspecto pastoral e espiritual demonstram uma grande riqueza.<br \/>\nMe alegrei tamb\u00e9m, constatando que os sacerdotes do patriarcado e os franciscanos com cargos paroquiais fazem juntos seu retiro mensal. \u00c9 algo novo. Como comentou o Cust\u00f3dio, \u00e9 muito bonito o fato de que todos os sacerdotes, comprometidos com a mesma pastoral, se unam desta maneira. Desta forma, os sacerdotes do Patriarcado tem a cada ano um retiro com os sacerdotes melquitas e maronitas. \u00c9 um belo testemunho de unidade, na diversidade de cultos, na Igreja.<br \/>\nNo aspecto pol\u00edtico me chamou aten\u00e7\u00e3o, o muro da separa\u00e7\u00e3o que vi construir. Quando servi na Jord\u00e2nia e tamb\u00e9m em Ramala, n\u00e3o existia esta tens\u00e3o. \u00c9 certo que est\u00e3o os judeus por um lado e os \u00e1rabes de outro, mas n\u00e3o havia esta tens\u00e3o.<br \/>\nN\u00e3o estive presente durante os dois levantamentos conhecidos como \u201cIntifada\u201d, por\u00e9m, em minha volta vi as conseq\u00fc\u00eancias. Vi tamb\u00e9m os esfor\u00e7os que foram feitos por todos os lados. No Patriarcado recebi visitas de cidad\u00e3os dos territ\u00f3rios, assim como de autoridades locais, dirigentes pol\u00edticos&#8230;Observo que se pronunciam muitos discursos, se fazem muitas promessas e declara\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, por\u00e9m ao mesmo tempo vejo que n\u00e3o avan\u00e7amos muito. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 mais ou menos a mesma.<\/p>\n<p><strong> Excel\u00eancia, a prop\u00f3sito da pol\u00edtica, qual dimens\u00e3o esta ter\u00e1 em sua miss\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Antes de tudo eu quero ser bispo. Quero subrayar o aspecto pastoral e espiritual de nosso Patriarcado, de nossas par\u00f3quias, de nossas comunidades religiosas e dos peregrinos que chegam.<br \/>\nTamb\u00e9m \u00e9 certo que n\u00e3o posso esquecer-me de que tudo o que afeta a pessoa ata\u00f1e na Igreja. Me concierne a pol\u00edtica na medida em que afeta a vida das pessoas, sua dignidade e seguran\u00e7a. Por\u00e9m deverei estar muito atento. Temos entre n\u00f3s tr\u00eas ou quatro grupos de credentes. Crist\u00e3os e n\u00e3o crist\u00e3os, judeus e mu\u00e7ulmanos. Entre os crist\u00e3os, h\u00e1 crist\u00e3os jordaneses e palestinos (os que mais sofrem), crist\u00e3os europeus, que est\u00e3o aqui para colaborar, trabalhar ou estudar o peregrinar e h\u00e1 tamb\u00e9m, crist\u00e3os israelitas, \u00e1rabes ou de origem judia. Estes grupos n\u00e3o compartilham a mesma sensibilidade nem possuem o mesmo ponto de vista sobre o conflito. Aqui est\u00e1 a raiz de se dizer uma palavra adequada. Porque o bispo \u00e9 o bispo de todos, absolutamente de todos. Ou queremos que nossa palavra chegue a todo o mundo, ou privilegiamos a um grupo \u2013 coisa que, facilmente pode acontecer \u2013 ou fazemos tantos discursos como grupos, o qual \u00e9 imposs\u00edvel. Se queremos chegar aos judeus, mu\u00e7ulmanos e aos crist\u00e3os da Jord\u00e2nia, Palestina, Europa etc.. \u00e9 preciso pensar em cada v\u00edrgula. Percebo a complexidade de cada interven\u00e7\u00e3o, seja um discurso ou um serm\u00e3o.<\/p>\n<p><strong> E como o senhor se posiciona diante desta dificuldade?<\/strong><\/p>\n<p>Espiritualmente! Voc\u00ea poderia dizer que isso \u00e9 o mais f\u00e1cil, por\u00e9m a miss\u00e3o da Igreja \u00e9 encaminhar os homens para o alto.<\/p>\n<p><strong>Mas se o senhor \u00e9 interrogado no campo pol\u00edtico, os jornalistas n\u00e3o se conformam com o espiritual&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Ah, os jornalistas\u2026 Quando eu era o bispo de T\u00fanis, eles me perguntaram sobre o Isl\u00e3. Um dia eu disse a eles: &#8220;Espero que algu\u00e9m me pergunte sobre Cristo&#8221;. Estou verdadeiramente \u00e0 espera que me perguntem sobre Cristo, a Igreja, sobre a ess\u00eancia da nossa vida crist\u00e3, sobre nossa presen\u00e7a na Terra Santa. Talvez vou decepcionar os jornalistas quanto a pol\u00edtica, por\u00e9m digo mais uma vez, a pol\u00edtica nos compete enquanto se refere as pessoas. Desta maneira, existe uma outra dimens\u00e3o. Tudo o que vivemos, incluindo as dificuldades que surgem do conflito deve nos levar ao Evangelho. Devemos tomar o evangelho \u00e0 letra quando nos fala da Cruz, do sofrimento, quando vemos Jesus cair e se levantar. Precisamos pensar que o disc\u00edpulo n\u00e3o ser\u00e1 tratado melhor do que o Mestre. Seguimos pelo mesmo caminho que ele percorreu antes de n\u00f3s. Quando por\u00e9m, apesar de tudo, avan\u00e7amos; encontramos a for\u00e7a e a alegria de viver, a alegria de pregar, a alegria de anunciar o Evangelho. Ele n\u00e3o \u00e9 mut\u00e1vel como as condi\u00e7\u00f5es geopol\u00edticas que nos rodeiam, as quais por natureza s\u00e3o mut\u00e1veis: um dia s\u00e3o favor\u00e1veis, outro dia desfavor\u00e1veis. N\u00e3o \u00e9 esta a alegria que nos d\u00e1 o Evangelho, que chega at\u00e9 n\u00f3s desde aquele que nos disse: \u201cN\u00e3o temas, eu estou convosco, eu vos dou a minha paz, a minha paz\u201d. Esta paz que \u00e9 serenidade interior, alegria interior, alegria de viver, alegria do reencontro, alegria de acolher os outros, a todos os outros, tais como s\u00e3o, com suas limita\u00e7\u00f5es, com minhas limita\u00e7\u00f5es. A raz\u00e3o da nossa alegria n\u00e3o est\u00e1 na melhora da situa\u00e7\u00e3o. O motivo da nossa alegria est\u00e1 no encontro com Cristo atrav\u00e9s da ora\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m no encontro solid\u00e1rio com os demais.<br \/>\nSe n\u00e3o ser\u00e3o os jornalistas, haver\u00e3o outros que o buscar\u00e3o no campo da pol\u00edtica&#8230;<br \/>\nEstou disposto a me encontrar com todo o mundo, a receber a todos. N\u00e3o tenho nenhum complexo. Lhe recordo que passei 18 anos na vida diplom\u00e1tica. Estes anos me ensinaram algumas pequenas coisas, sobretudo me ensinaram a abrir o esp\u00edrito, o cora\u00e7\u00e3o. Nem minha f\u00e9, nem meu esp\u00edrito, nem meu cora\u00e7\u00e3o, nem minha caridade, nem meu amor se limitam \u00e0 fronteira da Diocese. Amar o mundo inteiro: todos os cidad\u00e3os que se encontram dentro de minha diocese s\u00e3o meus cidad\u00e3os. De certo modo todos os habitantes da Terra Santa me pertencem, diante de Deus, diante da hist\u00f3ria me sinto respons\u00e1vel por todo o mundo. E ao mesmo tempo, conhe\u00e7o meus limites aos 100%. Sei que n\u00e3o farei milagres, por\u00e9m quero semear, quero trabalhar com os meus irm\u00e3os bispos, com os sacerdotes, com os religiosos, com os leigos, deixando os resultados nas m\u00e3os do bom Deus; como ele quiser, quando ele quiser. Na situa\u00e7\u00e3o atual, que \u00e9 t\u00e3o complicada, \u00e9 prefer\u00edvel amar mais, orar mais e falar menos, mesmo que isto n\u00e3o satisfa\u00e7a nossos amigos, os jornalistas.<\/p>\n<p><strong> O senhor falou sobre semear. O que o senhor ir\u00e1 semear?<\/strong><\/p>\n<p>A alegria de viver. A alegria de viver como crist\u00e3o. A terra Santa \u00e9 um pa\u00eds que nos ensina a ser paciente. E lhe disse que quando a Secretaria de Estado do Vaticano chegava um documento com o selo \u201cUrgente\u201d, sempre nos tomava nosso tempo. A Igreja n\u00e3o vive na urg\u00eancia, tem diante dela a eternidade inteira. Nos servi\u00e7os diplom\u00e1ticos se ouve, as vezes, reprova\u00e7\u00f5es por haver falado demasiado, ou por uma r\u00e1pida decis\u00e3o; nunca uma houve uma reprova\u00e7\u00e3o por ter-se feito sil\u00eancio. Tamb\u00e9m \u00e9 verdade que um excesso de prud\u00eancia poderia nos fazer correr o risco da paralisia e tampouco quero isso. Ao falar \u00e9 necess\u00e1rio conjugar a prud\u00eancia com a valentia e reconhecer os limites. Diante da complexidade das situa\u00e7\u00f5es, \u00e9 preciso acolher, escutar, semear, conhecer os pontos de vista, sobretudo \u00e9 necess\u00e1rio confiar tudo isto a Deus pela ora\u00e7\u00e3o e sil\u00eancio.<\/p>\n<p><strong> E no campo da pastoral, o que o senhor vai semear?<\/strong><\/p>\n<p>Desejo multiplicar os contatos com os sacerdotes, as par\u00f3quias, os fi\u00e9is e as comunidades religiosas. Quero estar presente na Diocese. Como Patriarca de Jerusal\u00e9m se \u00e9 muito solicitado para confer\u00eancias, celebra\u00e7\u00f5es e toda classe de encontros no exterior. Deixarei muitos convites para poder estar aqui, para cumprir minha tarefa de bispo do lugar, para poder estar com meus fi\u00e9is. Ser\u00e1 necess\u00e1rio encontrar o valor de dizer n\u00e3o, agradecer os convites e pedir a ora\u00e7\u00e3o de todos. Dizer n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil. Por\u00e9m as necessidades do momento devem ser prioridade. Tenho a inten\u00e7\u00e3o de dedicar tempo a Jord\u00e2nia tanto como a Palestina e Israel. Jord\u00e2nia \u00e9 a base do Patriarcado latino, nela est\u00e1 dois ter\u00e7os de nossos fi\u00e9is, dos quais mais da metade s\u00e3o de origem palestina, e 80% dos seminaristas da Diocese. Apesar de sua estabilidade, esta parte da Diocese atraversa por uma crise, sobretudo no econ\u00f4mico, devido a aflu\u00eancia de refugiados iraquianos. Tamb\u00e9m a emigra\u00e7\u00e3o de crist\u00e3os come\u00e7a a afetar fortemente a popula\u00e7\u00e3o jordana; ali como aqui, devemos trabalhar infundindo esperan\u00e7a, raz\u00f5es para esperar, para seguir sendo crist\u00e3os no Oriente M\u00e9dio. Por outro lado, \u00e9 normal conceder uma aten\u00e7\u00e3o particular ao membro mais ferido de nossa Diocese: a Palestina. Por\u00e9m a Diocese patriarcal de Jerusal\u00e9m \u00e9 Palestina, Israel, Chipre e Jord\u00e2nia e em todas as partes existem necessidades. Todos tem os mesmo direitos a nossas ora\u00e7\u00f5es, a nosso amor, a nossos projetos; por exemplo, a constru\u00e7\u00e3o de resid\u00eancias para os casais jovens. Em toda a Diocese, devemos prevenir, cuidar mais que curar. No meu contato, dois anos e meio, com os sacerdotes e fi\u00e9is, surge uma necessidade de reformar um pouco a administra\u00e7\u00e3o da Diocese. Meu predecessor fez muito bem. Por\u00e9m o sangue novo trar\u00e1 novas id\u00e9ias. Na Igreja n\u00e3o existe clonagem. A diversidade \u00e9 uma riqueza. Conversa recolhida por Marie Armelle Beaulieu<\/p>\n<p>De bedu\u00edno sedent\u00e1rio a pastor n\u00f5made<\/p>\n<p><strong> Excel\u00eancia, lemos que o senhor foi um bedu\u00edno. Isso \u00e9 verdade?<\/strong><\/p>\n<p>Sim e n\u00e3o. Minha tribu era crist\u00e3 bedu\u00edna e, gra\u00e7as a uma mission\u00e1rio italiano, Manfredi, que os acompanhou em sua travessia no deserto h\u00e1 uns 120 anos atr\u00e1s, abra\u00e7aram o rito latino. \u00c9ramos n\u00f4mades, depois passamos a ser semi-n\u00f4mades. Por\u00e9m quando nasci j\u00e1 nos hav\u00edamos sedentarizado, de maneira que eu nasci em uma casa com teto. Minha m\u00e3e, que me via mudar de miss\u00e3o e ir de um continente a outro quando estava no servi\u00e7o diplom\u00e1tico da Santa S\u00e9, dizia: \u201cEste menino nasceu n\u00f4made e n\u00f4made continuar\u00e1\u201d. Por\u00e9m agora regressou a grande tenda do Patriarcado que cobre a todos.<\/p>\n<p>Sobre as comunidades religiosas<\/p>\n<p><strong> As comunidades religiosas est\u00e3o, em sua maioria, compostas por extrangeiros. O senhor cr\u00ea que est\u00e3o suficientemente integradas na Diocese?<\/strong><\/p>\n<p>Como lhe disse encontro um grande bem nessas comunidades. Sendo assim, posso dizer que foram as mais comprometidas com o trabalho pastoral da pr\u00f3pria Diocese. \u00c9 preciso reconhecer que no passado que, no passado, muitos trabalharam e semearam. Penso sobretudo, nos Padres de Betarram, que formaram o clero do patriarcado, gra\u00e7as a seu trabalho, surgiram voca\u00e7\u00f5es diocesanas locais. Desde modo, ter comunidades compostas por extrangeiros n\u00e3o h\u00e1 problemas. Jerusal\u00e9m \u00e9 para a Igreja universal. Aqui est\u00e3o as ra\u00edzes de todos n\u00f3s, crist\u00e3os do mundo inteiro. Por\u00e9m fa\u00e7o um chamado a outras comunidades para uma integra\u00e7\u00e3o a pastoral da Diocese.<\/p>\n<p>Jerusal\u00e9m; Igreja local e Igreja universal.<\/p>\n<p><strong> Existe uma tens\u00e3o entre a dupla realidade de Jerusal\u00e9m: Igreja local e Igreja universal?<\/strong><\/p>\n<p>Penso que se trata de uma mesma realidade. A Igreja local n\u00e3o \u00e9 estranha a Igreja universal e vice-versa, a igreja universal se sente muito bem na Igreja local, com os membros que a constituem, com os membros do clero extrangeiro, no seio da Custodia e nas demais comunidades religiosas que s\u00e3o parte integrante da Igreja local e da Igreja universal. N\u00e3o vejo antagonismo; ao contr\u00e1rio, h\u00e1 uma complementariedade. \u00c9 uma riqueza. A Igreja universal se encontra bem em n\u00f3s e n\u00f3s nos encontramos bem na Igreja universal. Assim, quando viajo pela Europa ou para outros lugares, tampouco me sinto extrangeiro. Espero que aqueles que vir\u00e3o ver-me se sintam em sua pr\u00f3pria casa, em sua Igreja. Resulta chocante para os crist\u00e3os ocidentais rezar nossa f\u00e9 crist\u00e3 em \u00e1rabe&#8230; \u00c9 bom que aconte\u00e7a esse choque. Fico contente. Eu gostaria que houvesse mais choques como este para que se abram as mentalidades e os cora\u00e7\u00f5es. Me parece bonito que chame aten\u00e7\u00e3o encontrar um bispo, um patriarca \u00e1rabe e jordano. E \u00e9 bonito podermos nos comunicar com todo o mundo.<\/p>\n<p>As rela\u00e7\u00f5es com a Cust\u00f3dia<\/p>\n<p><strong> O senhor tem uma mensagem para a Cust\u00f3dia da Terra Santa?<\/strong><\/p>\n<p>Quero, antes de tudo, expressar minha gratid\u00e3o \u00e0 Cust\u00f3dia e a cada um de seus membros por tudo o que fazem. Durante estes dois anos, cada vez que tive ocasi\u00e3o de ser acompanhado pelos Franciscanos que me \u201cprotegiam\u201d, fiquei muito contente em conhece-los. Por\u00e9m gostaria que houvesse mais rela\u00e7\u00f5es e comunica\u00e7\u00e3o. J\u00e1 tive encontros com seus respons\u00e1veis. Fazem um trabalho indispens\u00e1vel, que admiro; os animo e agrade\u00e7o de todo o cora\u00e7\u00e3o. Na verdade, desejo mais colabora\u00e7\u00e3o e, incluindo, uma maior amizade. Eles s\u00e3o muito simp\u00e1ticos os sacerdotes \u00e1rabes da Cust\u00f3dia. Me rodeiam de aten\u00e7\u00e3o e eu, os rodeio com meu afeto pessoal.<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cQuero semear a alegria de viver\u201d Dom Fouad Twal \u00e9 o novo Patriarca Latino de Jerusal\u00e9m. 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