{"id":187,"date":"2020-05-29T16:45:18","date_gmt":"2020-05-29T19:45:18","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cancaonova.com\/versolalto\/?p=187"},"modified":"2020-05-29T16:47:57","modified_gmt":"2020-05-29T19:47:57","slug":"castelo-interior-moradas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/versolalto\/2020\/05\/29\/castelo-interior-moradas\/","title":{"rendered":"Castelo Interior - Mapa para o Caminho Espiritual"},"content":{"rendered":"<div class=\"mceTemp\">O artigo abaixo, focado nas Moradas do Castelo Interior de Santa Teresa de Jesus, foi apresentado como trabalho de conclus\u00e3o de curso para a obten\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo de Bacharel em Teologia. Mant\u00e9m, por isso, sua extens\u00e3o, sua constru\u00e7\u00e3o e refer\u00eancias de artigo cient\u00edfico, embora tenha perdido a formata\u00e7\u00e3o segundo as regras da ABNT. Ele pode ser citado livremente desde que a fonte seja creditada.<\/div>\n<h2 style=\"text-align: center\"><b><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-188 alignleft\" src=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/versolalto\/files\/2020\/05\/carmelo-245x300.jpg\" alt=\"\" width=\"245\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/blog.cancaonova.com\/versolalto\/files\/2020\/05\/carmelo-245x300.jpg 245w, https:\/\/blog.cancaonova.com\/versolalto\/files\/2020\/05\/carmelo-768x939.jpg 768w, https:\/\/blog.cancaonova.com\/versolalto\/files\/2020\/05\/carmelo.jpg 1262w\" sizes=\"(max-width: 245px) 100vw, 245px\" \/><\/b><\/h2>\n<h2>&nbsp;<\/h2>\n<h2>&nbsp;<\/h2>\n<h2 style=\"text-align: center\"><b>O \u201cLivro das Moradas ou Castelo Interior\u201d de Santa Teresa de Jesus como mapa did\u00e1tico para o percurso espiritual do crist\u00e3o<\/b><\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: right\">CREPALDI, Flavio Luiz<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>RESUMO<\/b><\/p>\n<p>Este artigo analisa o percurso de santifica\u00e7\u00e3o, ou crescente intimidade com Deus, tal como estabeleceu Santa Teresa de Jesus em sua obra magna \u201cO Livro das Moradas ou Castelo Interior\u201d, sintetizando-o e verificando sua conformidade com o pensamento de outros doutores da Igreja. Tal an\u00e1lise teve como objetivo investigar sua posi\u00e7\u00e3o como refer\u00eancia universal no caminho de santidade e, para a teologia espiritual, como um mapa did\u00e1tico para o crescimento espiritual do crist\u00e3o. Isso porque, embora a Igreja exorte a necessidade da santifica\u00e7\u00e3o pessoal, existem poucas dire\u00e7\u00f5es claras para este fim. Para tanto, utilizou-se de uma pesquisa qualitativa, de revis\u00e3o bibliogr\u00e1fica, analisando-se a obra da autora e daqueles que puderam complementar ou explicitar melhor seu pensamento. Estabeleceu-se, a partir deste m\u00e9todo, a convic\u00e7\u00e3o de que a obra oferece um padr\u00e3o comparativo seguro para a an\u00e1lise de espiritualidades ou experi\u00eancias espirituais, determinando sua correspond\u00eancia ou n\u00e3o com os ensinamentos da Igreja Cat\u00f3lica (em suas teologias dogm\u00e1tica, moral e espiritual), bem como do seu grau de desenvolvimento ou posicionamento quanto ao percurso espiritual rumo \u00e0 intimidade plena com Deus.<\/p>\n<p><b>Palavras-chave<\/b>: Moradas. Castelo Interior. Santifica\u00e7\u00e3o. Teologia Espiritual.<\/p>\n<p><b>1. INTRODU\u00c7\u00c3O<\/b><\/p>\n<p>Segundo o Papa Francisco,<span class=\"Apple-converted-space\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;<em>[\u2026] para um crist\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel imaginar a pr\u00f3pria miss\u00e3o na terra, sem a conceber como um caminho de santidade, porque \u00abesta \u00e9, na verdade, a vontade de Deus: a [nossa] santifica\u00e7\u00e3o\u00bb (1 Ts 4, 3). Cada santo \u00e9 uma miss\u00e3o; \u00e9 um projeto do Pai que visa refletir e encarnar, num momento determinado da hist\u00f3ria, um aspeto do Evangelho. Esta miss\u00e3o tem o seu sentido pleno em Cristo e s\u00f3 se compreende a partir d\u2019Ele<\/em> (FRANCISCO, 2018, p.10).<\/p>\n<p>\u00c9 dever do crist\u00e3o, portanto, a santifica\u00e7\u00e3o pessoal, buscando-a a partir da inspira\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Deus e do exemplo daqueles que j\u00e1 cumpriram suas miss\u00f5es pessoais de santifica\u00e7\u00e3o. Dentre essas miss\u00f5es de santifica\u00e7\u00e3o pessoal, que se desenvolveram em resposta ou adequando-se \u00e0s realidades do seu tempo, destacamos, para o objetivo deste artigo, a espiritualidade carmelita. Esta espiritualidade foi consolidada pelos doutores da Igreja: Santa Teresa de Jesus (1515-1582), S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz (1542-1591) e Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face (1873-1897); mas, ainda recebe novas luzes e esclarecimentos de novos santos e santas da Ordem do Carmelo, como Santa Elizabete da Trindade (1880-1906), Santa Benedita da Cruz (1891-1942) e o Beato Maria-Eug\u00eanio do Menino Jesus (1894-1967).<\/p>\n<p>Ao estudo sistem\u00e1tico das espiritualidades crist\u00e3s, conhecido no s\u00e9culo XX como Teologia Asc\u00e9tico-M\u00edstica, hoje denominamos Teologia Espiritual. Segundo Luiz Balsan,<\/p>\n<p>A Teologia Espiritual estuda as experi\u00eancias espirituais, de modo particular, daquelas pessoas reconhecidas na Igreja pela sua santidade. Dessas experi\u00eancias, que poder\u00edamos denominar <i>significativas<\/i> ou <i>qualificadas<\/i>, tira conclus\u00f5es e estabelece princ\u00edpios que podem orientar a vida crist\u00e3 dos demais (BALSAN, 2019, p.27).<\/p>\n<p>Embora a tradi\u00e7\u00e3o da Igreja seja riqu\u00edssima nessas experi\u00eancias qualificadas, o s\u00e9culo XXI trouxe \u00e0 tona muitas outras formas de espiritualidades, promovidas por te\u00f3logos de tradi\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica ou protestante e, at\u00e9 mesmo, de outras religi\u00f5es e culturas. Grande parte delas em total desacordo com a revela\u00e7\u00e3o ou a Teologia Sistem\u00e1tica Cat\u00f3lica, composta pelas Teologias Dogm\u00e1tica e Moral. Estas vis\u00f5es distorcidas do espiritual e da espiritualidade geram verdadeiras correntes denominadas <i>espiritualismos<\/i>. O<span class=\"Apple-converted-space\">&nbsp; <\/span>espiritualismo, segundo Albuquerque (2006, p.320),<span class=\"Apple-converted-space\">&nbsp; <\/span>\u201c\u00e9<span class=\"Apple-converted-space\">&nbsp; <\/span>uma<span class=\"Apple-converted-space\">&nbsp; <\/span>malforma\u00e7\u00e3o<span class=\"Apple-converted-space\">&nbsp; <\/span>da<span class=\"Apple-converted-space\">&nbsp; <\/span>espiritualidade<span class=\"Apple-converted-space\">&nbsp; <\/span>que<span class=\"Apple-converted-space\">&nbsp; <\/span>o<span class=\"Apple-converted-space\">&nbsp; <\/span>torna<span class=\"Apple-converted-space\">&nbsp; <\/span>incapaz<span class=\"Apple-converted-space\">&nbsp; <\/span>de<span class=\"Apple-converted-space\">&nbsp; <\/span>qualquer<span class=\"Apple-converted-space\">&nbsp; <\/span>rela\u00e7\u00e3o<span class=\"Apple-converted-space\">&nbsp; <\/span>com<span class=\"Apple-converted-space\">&nbsp; <\/span>a<span class=\"Apple-converted-space\">&nbsp; <\/span>teologia\u201d. Permanece, portanto, sendo uma experi\u00eancia espiritual pessoal, mas desprendida dos ensinamentos da Igreja Cat\u00f3lica. Ressalta-se tamb\u00e9m que, mesmo espiritualidades origin\u00e1rias no seio da Igreja Cat\u00f3lica, podem carecer do car\u00e1ter de <i>qualificado<\/i> \u00e0 medida que n\u00e3o foram propostos por pessoas que tiveram sua santidade de vida reconhecida oficialmente pela Igreja, ap\u00f3s as necess\u00e1rias investiga\u00e7\u00f5es da causa dos santos.<\/p>\n<p>Diante dessa realidade plural e, em muitos momentos, ca\u00f3tica, \u00e9 necess\u00e1rio estabelecer caminhos seguros que promovam a intimidade com Deus, mas que, ao mesmo tempo, estejam em perfeita conson\u00e2ncia com a doutrina da Igreja Cat\u00f3lica. Estes novos caminhos espirituais que continuar\u00e3o a surgir devem, necessariamente, serem capazes de reprodu\u00e7\u00e3o por outros crist\u00e3os, sob pena de n\u00e3o serem uma verdadeira espiritualidade promovida pelo Esp\u00edrito Santo. Tamb\u00e9m devem estar em conformidade com os ensinamentos teol\u00f3gicos da Igreja, que \u00e9 uma tradu\u00e7\u00e3o fiel da pr\u00f3pria revela\u00e7\u00e3o de Deus, afastando, assim, o risco de serem somente espiritualismos. N\u00e3o se trata de impedir novas formas de espiritualidade propostas pelo pr\u00f3prio Esp\u00edrito, mas de encontrar um par\u00e2metro que seja universal, atemporal e forne\u00e7a bases comparativas para validar outras experi\u00eancias particulares. Isto mostrar\u00e1 quais espiritualidades possuem bases s\u00f3lidas ou n\u00e3o, antes mesmo de um reconhecimento oficial eclesi\u00e1stico sobre a santidade de vida do seu autor.<\/p>\n<p>Este artigo \u00e9, portanto, um estudo explicativo do \u201cLivro das Moradas ou Castelo Interior\u201d, de Santa Teresa de Jesus, identificando-o como um modelo ou mapa do percurso espiritual do crist\u00e3o da convers\u00e3o (ou batismo) \u00e0 santidade plena e oferecendo-o como base comparativa segura para a valida\u00e7\u00e3o de novas formas de espiritualidade cat\u00f3lica, muito al\u00e9m da espiritualidade carmelita.<\/p>\n<p>Para este fim, descreveu-se esta obra de Santa Teresa, mestra da ora\u00e7\u00e3o e doutora da Igreja, identificando-a como um percurso espiritual universal e atemporal. Elaborou-se uma s\u00edntese dos principais pontos deste caminho, utilizando-se dos diversos est\u00e1gios propostos pela pr\u00f3pria autora, fornecendo um mapa das <i>moradas<\/i>, como ela mesma denomina cada grupo dos sete n\u00edveis de uni\u00e3o com Deus.<\/p>\n<p>Embora os t\u00edtulos de \u201cSanta\u201d e \u201cDoutora\u201d conferidos \u00e0 autora, qualifiquem imediatamente seus escritos pela Igreja, como em perfeita conson\u00e2ncia com a<span class=\"Apple-converted-space\">&nbsp; <\/span>Revela\u00e7\u00e3o Crist\u00e3, identificou-se na doutrina dogm\u00e1tica, bases que corroborem e expliquem os principais pontos defendidos por Santa Teresa. Do mesmo modo, buscou-se na literatura espiritual crist\u00e3, percursos que se assemelharam e confirmaram o caminho das Moradas de Santa Teresa, estabelecendo compara\u00e7\u00e3o e di\u00e1logo entre eles e ressaltando, assim, o apoio referencial e universal que a obra pode oferecer numa an\u00e1lise de antigos e novos percursos espirituais.<\/p>\n<p><b>2. A CONSTRU\u00c7\u00c3O DA SANTIDADE<\/b><\/p>\n<p>O Conc\u00edlio Vaticano II (1963-1968) encerrou, definitivamente, uma discuss\u00e3o aberta a muitos s\u00e9culos entre te\u00f3logos, santos e m\u00edsticos sobre a necessidade da santifica\u00e7\u00e3o pessoal de todo crist\u00e3o. A Constitui\u00e7\u00e3o Dogm\u00e1tica <i>Lumen Gentium<\/i> (CONC\u00cdLIO VATICANO II, 1964) assegura que todos os homens e mulheres, sem exce\u00e7\u00e3o, s\u00e3o chamados \u00e0 santidade. Mais recentemente, atrav\u00e9s de uma Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica, o Papa Francisco (2018, p.7) retomou o tema e o reafirmou dizendo que \u201co que quero recordar com esta Exorta\u00e7\u00e3o \u00e9 sobretudo a chamada \u00e0 santidade que o Senhor faz a cada um de n\u00f3s\u201d.<\/p>\n<p>No entanto, se a santifica\u00e7\u00e3o pessoal \u00e9 um imperativo, por que t\u00e3o poucos se santificam? Antonio Royo Marin argumenta que<\/p>\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; <em>&nbsp;[\u2026] a raz\u00e3o fundamental que explica tantos fracassos no caminho rumo \u00e0 santidade daqueles que j\u00e1 o tentaram alguma vez, consiste em n\u00e3o ter empregado suficientemente os meios necess\u00e1rios e adequados para consegui-la<\/em> (ROYO MARIN, 2016, p.39).<\/p>\n<p>V\u00ea-se, portanto, que, al\u00e9m de um esfor\u00e7o pessoal, devem existir meios indispens\u00e1veis ou adequados. \u00c9 not\u00e1vel tamb\u00e9m que, alguns s\u00e9culos antes, o Doutor da Igreja, S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz j\u00e1 fizera o mesmo diagn\u00f3stico, em sua obra Subida do Monte Carmelo, dizendo que<\/p>\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;<em>causa l\u00e1stima ver muitas almas \u00e0s quais Deus d\u00e1 talento e gra\u00e7as para irem adiante e, &#8211; se quisessem ter \u00e2nimo, &#8211; chegariam a esse alto estado de perfei\u00e7\u00e3o; e ficam paradas, sem progredir, no seu modo de tratar com Deus, n\u00e3o querendo ou n\u00e3o sabendo, por falta de orienta\u00e7\u00e3o, desapegar-se daqueles princ\u00edpios<\/em> (JO\u00c3O DA CRUZ, 1996, p.137).<\/p>\n<p>Embora plenamente de acordo com a explica\u00e7\u00e3o de Royo Marin, o doutor carmelita acrescenta uma causa a mais \u00e0 dificuldade de santifica\u00e7\u00e3o: a falta de orienta\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se trata de uma falta de modelos, pois, segundo Balsan (2018, p.40-41), a espiritualidade crist\u00e3 \u00e9 extremamente multifacetada, manifestando-se de formas diversificadas na hist\u00f3ria e lugares. Isso n\u00e3o \u00e9 fortuito mas, necess\u00e1rio, porque uma \u00fanica forma de espiritualidade crist\u00e3 n\u00e3o conseguiria exprimir toda a riqueza da vida de Deus em Jesus, nem estaria sempre ajustada \u00e0s grandes e constantes mudan\u00e7as hist\u00f3ricas que o mundo atravessa.<\/p>\n<p>Sendo o pr\u00f3prio Deus princ\u00edpio e finalidade de toda espiritualidade crist\u00e3, o beato Maria-Eug\u00eanio do Menino Jesus (2015, p.297) frisa que o estudo das escolas de espiritualidade \u00e9 necess\u00e1rio para encontrar um caminho e avan\u00e7ar por ele, mas, em \u00faltima an\u00e1lise, \u00e9 o pr\u00f3prio Esp\u00edrito Santo quem guia para Deus por este caminho que \u00e9 o pr\u00f3prio Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Se um \u00fanico Esp\u00edrito conduz por um \u00fanico caminho, \u00e9 poss\u00edvel buscar uma s\u00edntese, mesmo nas mais diversas formas de espiritualidade. Caso contr\u00e1rio, ter\u00edamos uma multiplicidade sem unidade.<span class=\"Apple-converted-space\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p>Em busca de uma \u201cdoutrina em comum\u201d sobre a santidade e o percurso de santifica\u00e7\u00e3o, foi que o Pe. Graci\u00e1n pediu a Santa Teresa de Jesus a reda\u00e7\u00e3o de sua obra \u201cCastelo Interior ou Livro das Moradas\u201d (TERESA DE JESUS, 2018, p.614). Esse car\u00e1ter universal da obra, logo ap\u00f3s conclu\u00edda, foi imediatamente testemunhado por um de seus primeiros censores, o Pe. Rodrigo Alvarez, relatando que<\/p>\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;<em>o que sinto e julgo disso \u00e9 que tudo isto que leu para mim s\u00e3o verdades cat\u00f3licas segundo as divinas letras e doutrinas dos santos. Quem for lido na doutrina dos santos, como \u00e9 o livro de Santa Gertrudes, e nas obras de Santa Catarina de Sena e Santa Br\u00edgida e outros santos e livros espirituais, entender\u00e1 claramente ser este esp\u00edrito da madre Teresa de Jesus muito verdadeiro, pois que passam neles os mesmos efeitos que passaram nos santos<\/em> (TERESA DE JESUS, 2018, p.619).<\/p>\n<p>Contemporaneamente \u00e0 sua reda\u00e7\u00e3o, j\u00e1 era percept\u00edvel que o livro atendia \u00e0 universalidade necess\u00e1ria a um caminho espiritual, constatando-se suas semelhan\u00e7as de princ\u00edpios com os escritos de outras santas da Igreja.<\/p>\n<p><b>3. O CASTELO INTERIOR<\/b><\/p>\n<p>Este \u201cLivro das Moradas ou Castelo Interior\u201d, escrito em 1577 por Santa Teresa, \u00e9 uma s\u00edntese de seu caminho espiritual enquanto a mesma era reconhecida por seus pares como exemplo de uma intimidade ardente com Deus. Descreve o percurso que a alma desenvolve desde o momento de sua convers\u00e3o pessoal e rompimento total com o pecado mortal, at\u00e9 a plena uni\u00e3o com Deus nesta vida, que, segundo os graus estabelecidos pela Santa em seu Castelo, trata-se da s\u00e9tima morada.<\/p>\n<p>Com uma caracter\u00edstica did\u00e1tica, o livro estabelece sete est\u00e1gios na vida de uni\u00e3o com Deus ou santidade, as sete moradas do Castelo Interior. Segundo o beato Maria-Eug\u00eanio,<\/p>\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; <em>Santa Teresa penetra sucessivamente em cada morada para descrever, narrar e aconselhar, como mestra j\u00e1 familiarizada com tais lugares. [\u2026] Distinguiu sete moradas e, por conseguinte, seu tratado ter\u00e1 sete partes, cada uma delas dividida em v\u00e1rios cap\u00edtulos<\/em> (MARIA-EUG\u00caNIO DO MENINO JESUS, 2015, p.47).<\/p>\n<p>Esse castelo, que n\u00e3o \u00e9 nada mais que a pr\u00f3pria alma, possui uma dignidade \u00edmpar \u00e0 medida que \u00e9 habitado pelo pr\u00f3prio Deus, o Senhor do Castelo. Segundo Santa Teresa de Jesus (2018, p.631), Deus mesmo sustenta o castelo da alma, habitando na s\u00e9tima morada, e procura atrair o homem ao seu conv\u00edvio pr\u00f3ximo. Embora se viva sob e com tamanha dignidade, continuamente este contato \u00edntimo \u00e9 perdido ao se preocupar n\u00e3o com o interior do castelo, ou o conhecimento da pr\u00f3pria alma, mas com suas cercanias, com as muralhas deste castelo que s\u00e3o o corpo, as viv\u00eancias sociais e preocupa\u00e7\u00f5es com o mundo \u00e0 volta.<\/p>\n<p>Romper com o que h\u00e1 de desvirtuado e pecaminoso no mundo, permanecendo em estado de gra\u00e7a, \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o b\u00e1sica para penetrar neste castelo interior em busca dAquele que \u00c9. Santa Teresa esclarece que o estado de pecado, ou aus\u00eancia da gra\u00e7a santificante, \u00e9 impedimento do processo de santifica\u00e7\u00e3o visto que, estando em pecado, \u201cnenhuma coisa se lhe aproveita; e daqui vem que todas as boas obras que fizer, [\u2026] s\u00e3o de nenhum fruto para alcan\u00e7ar a gl\u00f3ria\u201d (TERESA DE JESUS, 2018, p.635). Neste caminho, os motores que impulsionam a alma rumo \u00e0 sua morada central, s\u00e3o a reflex\u00e3o e a ora\u00e7\u00e3o. Atrav\u00e9s da reflex\u00e3o, toma-se conhecimento de si mesmo, das dificuldades e mis\u00e9rias, corrigindo-as atrav\u00e9s da nega\u00e7\u00e3o do ego\u00edsmo e da autossufici\u00eancia. Pela ora\u00e7\u00e3o, abandona-se sob as inspira\u00e7\u00f5es de Deus, aumentando a intimidade com seu h\u00f3spede e criador, at\u00e9 conseguir, finalmente, a uni\u00e3o das vontades, onde n\u00e3o existe mais diferen\u00e7a entre o querer do homem e de Deus.<\/p>\n<p><b>3.1 AS SETE MORADAS<\/b><\/p>\n<p>Seguindo o percurso delineado pela doutora da Igreja, as primeiras moradas s\u00e3o aquelas em que os que se dispuseram a erradicar o pecado mortal, entram no caminho do conhecimento de si mesmo e da intimidade com Deus. No entanto, \u201ccomo ainda est\u00e3o embebidas no mundo e engolfadas em seus contentos e desvanecidas em suas honras e pretens\u00f5es, [\u2026] facilmente estas almas s\u00e3o vencidas, ainda que andem com desejos de n\u00e3o ofender a Deus\u201d (TERESA DE JESUS, 2018, p.640-641). Faz-se necess\u00e1rio, segundo Teresa de Jesus (2018, p.641), desvencilhar-se de tudo aquilo que n\u00e3o seja essencial para a sobreviv\u00eancia ou que provoque a perda de foco da vida espiritual.<\/p>\n<p>Para Santa Teresa de Jesus (2018, p.643) \u00e9 fundamental, nestas moradas, a lembran\u00e7a da viv\u00eancia do amor a Deus e ao pr\u00f3ximo com cada vez mais perfei\u00e7\u00e3o,<span class=\"Apple-converted-space\">&nbsp; <\/span>evitando-se o julgamento e a murmura\u00e7\u00e3o, sob pena de se perder a paz e causar tormentos a si mesmo e aos que o rodeiam.<\/p>\n<p>As segundas moradas, \u201c\u00e9 dos que t\u00eam j\u00e1 come\u00e7ado a ter ora\u00e7\u00e3o\u201d (TERESA DE JESUS, 2018, p.646) e em compara\u00e7\u00e3o \u00e0s anteriores, para Santa Teresa de Jesus (2018, p.647), a alma que antes estava muda e surda, come\u00e7a a possuir os sentidos e o entendimento mais preparados, embora as virtudes ainda sejam incipientes e incapazes de fornecer sustenta\u00e7\u00e3o para as lutas di\u00e1rias. Motivada por esta constata\u00e7\u00e3o, a doutora reafirma que imaginar \u201cque havemos de entrar no c\u00e9u e n\u00e3o entrar em n\u00f3s, conhecendo-nos e considerando nossa mis\u00e9ria [\u2026] \u00e9 desatino\u201d (TERESA DE JESUS, 2018, p.651-652) e que \u00e9 grande a necessidade nesse momento de se aproximar de Cristo meditando sua vida, sua paix\u00e3o e todo o mist\u00e9rio da reden\u00e7\u00e3o humana que toca cada crist\u00e3o particularmente.<\/p>\n<p>Aquelas almas que avan\u00e7am para as terceiras moradas,<\/p>\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; <em>&nbsp;s\u00e3o muito desejosas de n\u00e3o ofender Sua Majestade, ainda dos pecados veniais se guardam, e amigas de fazer penit\u00eancia, suas horas de recolhimento, gastam bem o tempo, exercitam-se em obras de caridade com os pr\u00f3ximos, muito concertadas em seu falar e vestir e governo da casa, os que as t\u00eam<\/em> (TERESA DE JESUS, 2018, p.657).<\/p>\n<p>Por outro lado, pela pr\u00f3pria ci\u00eancia dessas virtudes, Santa Teresa de Jesus (2018, p.657) constata que os que frequentam estas moradas acabam por se achar com um certo direito \u00e0 intimidade com Deus. Recorda, portanto, a imperativa necessidade de humildade, perseveran\u00e7a e desapego pois, a aus\u00eancia destas disposi\u00e7\u00f5es, causam securas e prova\u00e7\u00f5es. As dificuldades na ora\u00e7\u00e3o, nestas moradas, para Santa Teresa de Jesus (2018, p.659) s\u00e3o pedagogia de Deus para promover a humildade e estabelecer uma paz interior mais s\u00f3lida. Aqui, deve-se \u201cn\u00e3o fazer em nada a sua vontade\u201d (TERESA DE JESUS, 2018, p.664), mas a de Deus, em concentrar-se mais em corrigir suas pr\u00f3prias faltas do que as alheias.<\/p>\n<p>As quartas moradas s\u00e3o de transi\u00e7\u00e3o, ou seja, \u201ctamb\u00e9m natural junto com o sobrenatural\u201d (TERESA DE JESUS, 2018, p.688). Isso quer dizer que, \u00e0 dedica\u00e7\u00e3o do homem em buscar viver as virtudes e a ora\u00e7\u00e3o em sua vida, une-se, agora, a iniciativa do pr\u00f3prio Deus atuando na alma. Santa Teresa de Jesus (2018, p.670) diferencia aqui os <i>contentos<\/i> que nascem no ser humano e o elevam para Deus e os <i>gostos<\/i> que s\u00e3o movimentos vindos diretamente de Deus e que repercutem no natural. Os <i>contentos<\/i> \u201cse obt\u00eam pela medita\u00e7\u00e3o [\u2026] [vindo] enfim com nossas dilig\u00eancias\u201d (TERESA DE JESUS, 2018, p.677), por isso a alegria e satisfa\u00e7\u00e3o que causam, embora recebidos pelo contato com Deus, s\u00e3o originados na opera\u00e7\u00e3o natural da intelig\u00eancia. Os <i>gostos<\/i> s\u00e3o gerados pelo pr\u00f3prio Deus, que o \u201cproduz com grand\u00edssima paz e quietude e suavidade do muito interior de n\u00f3s mesmos\u201d (TERESA DE JESUS, 2018, p.677) e \u201cparece que se vai dilatando e alargando todo o nosso interior e produzindo uns bens que n\u00e3o podem ser ditos, nem a alma sabe entender o que \u00e9 que lhe \u00e9 dado ali\u201d (TERESA DE JESUS, 2018, p.678). Sendo, portanto, uma iniciativa sobrenatural que atua e repercute no natural.<\/p>\n<p>S\u00e3o nessas moradas que a concentra\u00e7\u00e3o almejada na ora\u00e7\u00e3o recebe uma infus\u00e3o da gra\u00e7a divina, gerando um recolhimento intenso que a santa define como sobrenatural, porque n\u00e3o equivale a uma interioriza\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria do esfor\u00e7o humano (TERESA DE JESUS, 2018, p.681). Esse recolhimento faz Santa Teresa de Jesus (2018, p.679) ter certeza de que a vontade do homem passa a ter uma primeira e incipiente uni\u00e3o com a vontade de Deus. Ele gera, tamb\u00e9m, a ora\u00e7\u00e3o de quietude, definida como onde os sentidos \u201cabandonam as coisas exteriores em que estavam alienados e se metem no castelo\u201d (TERESA DE JESUS, 2018, p.682). Embora a iniciativa seja de Deus, Santa Teresa de Jesus (2018, p.683) manifesta o firme parecer que Ele s\u00f3 promove este tipo de intimidade com aqueles que procuraram ativamente se afastar dos \u201cneg\u00f3cios\u201d e preocupa\u00e7\u00f5es do mundo.<\/p>\n<p>Por isso, neste in\u00edcio de vida m\u00edstica das quartas moradas, deve-se \u201csen\u00e3o deixar a alma nas m\u00e3os de Deus, fa\u00e7a o que quiser dela, com o maior descuido de seu proveito que puder e maior resigna\u00e7\u00e3o \u00e0 vontade de Deus\u201d (TERESA DE JESUS, 2018, p.684). A meta desta intimidade crescente \u00e9 que a alma,<\/p>\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; <em>Como vai conhecendo mais sua grandeza [de Deus], tem-se j\u00e1 por mais miser\u00e1vel; como tem provado j\u00e1 os gostos de Deus, v\u00ea que \u00e9 um lixo os do mundo, vai pouco a pouco se apartando deles e \u00e9 mais senhora de si para faz\u00ea-lo<\/em> (TERESA DE JESUS, 2018, p.686).<\/p>\n<p>As quintas moradas se caracterizam pelo momento onde o crist\u00e3o, alimentado pela gra\u00e7a, pela viv\u00eancia dos sacramentos e pela viv\u00eancia concreta das virtudes, alcan\u00e7a uma uni\u00e3o mais \u00edntima com Deus. Santa Teresa de Jesus (2018, p.697-698) utiliza aqui a compara\u00e7\u00e3o da alma com o bicho da seda e do modo como ela precisa criar um casulo para se transformar em borboleta, ou seja, nova criatura. O crist\u00e3o tece esse casulo \u00e0 medida que utiliza os sacramentos da Igreja, l\u00ea bons livros, escuta boas prega\u00e7\u00f5es e, deste modo, come\u00e7a um inv\u00f3lucro, que \u00e9 o pr\u00f3prio Cristo, onde ir\u00e1 morrer para o mundo e nascer para uma nova vida. Este pequeno servi\u00e7o de se dispor \u00e0 a\u00e7\u00e3o de Deus, vivendo em gra\u00e7a santificante, tem como grande pr\u00eamio a pr\u00f3pria uni\u00e3o com Ele pelos m\u00e9ritos de Jesus Cristo e \u201cassim juntar nossos trabalhinhos com os grandes que padeceu Sua Majestade e que tudo seja uma coisa\u201d (TERESA DE JESUS, 2018, p.699). O protagonismo, no entanto, permanece sendo de Deus \u201cporque verdadeiramente a alma ali n\u00e3o faz mais que a cera quando outro imprime o selo, que a cera n\u00e3o imprime a si, s\u00f3 est\u00e1 disposta\u201d (TERESA DE JESUS, 2018, p.702).<\/p>\n<p>Nesta fase, esta uni\u00e3o na ora\u00e7\u00e3o, por breve que seja, produz efeito tal<\/p>\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;<em> [\u2026] que a mesma alma n\u00e3o se conhece a si; [\u2026] N\u00e3o sabe de onde p\u00f4de merecer tanto bem, [mas, exteriormente] logo lhe come\u00e7a a ter de padecer grandes trabalhos, sem poder fazer outra coisa, [enquanto interiormente tem] desejos de penit\u00eancia grand\u00edssimos, o de solid\u00e3o, o de que todos conhecessem a Deus<\/em> (TERESA DE JESUS, 2018, p.699).<\/p>\n<p>Santa Teresa de Jesus (2018, p.700) esclarece que, nestas quintas moradas, o crist\u00e3o tem por pouca conta todo o servi\u00e7o que prestou \u00e0 Igreja at\u00e9 ali e, ao mesmo tempo, come\u00e7a a compreender como os santos constru\u00edram as grandes obras no mundo como instrumentos de Deus. Tamb\u00e9m salienta o cansa\u00e7o que o lidar com as coisas do mundo provoca naqueles que j\u00e1 come\u00e7am a experimentar o verdadeiro repouso do Senhor.<\/p>\n<p>Embora, at\u00e9 aqui, havia tratado de favores sobrenaturais, argumenta que \u201ca verdadeira uni\u00e3o se pode muito bem alcan\u00e7ar, com o favor de nosso Senhor, se n\u00f3s nos esfor\u00e7amos por procur\u00e1-la\u201d (TERESA DE JESUS, 2018, p.705). Abre-se, portanto, uma possibilidade de um protagonismo do homem, tamb\u00e9m nestas moradas, porque se, pelo caminho anteriormente tratado, a gra\u00e7a da uni\u00e3o foi matando \u201co bicho da seda\u201d, nesta segunda via \u201c\u00e9 preciso que, vivendo nesta [morada], o matemos n\u00f3s\u201d (TERESA DE JESUS, 2018, p.706). \u00c9 essencial, neste momento, muito mais generosidade e amor ativo para se estar unido com a vontade de Deus, amando-o e amando ao pr\u00f3ximo. Santa Teresa De Jesus (2018, p.707) frisa que, entre esses dois amores, \u00e9 o amor ao pr\u00f3ximo que demonstra realmente a exist\u00eancia do amor a Deus. Al\u00e9m disso, nestas moradas, \u00e9 fundamental para se auto avaliar,<\/p>\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;<em> [\u2026] andar com particular cuidado e aviso, olhando como vamos nas virtudes: se vamos melhorando ou diminuindo em algo, em especial no amor umas com as outras e no desejo de ser tida como a menor e em coisas ordin\u00e1rias; que se olharmos nisso e pedirmos ao Senhor que nos d\u00ea luz, logo veremos o lucro ou a perda<\/em> (TERESA DE JESUS, 2018, p.714).<\/p>\n<p>S\u00e3o as sextas moradas onde Santa Teresa de Jesus (2018, p.718) coloca a alma com um grande amor a Deus, querendo em tudo e de forma imediata unir-se a Ele, seu esposo. Deus, no entanto, aproveita-se desta disposi\u00e7\u00e3o ardente para purific\u00e1-la e, por isso, \u00e9 a hora de enfrentar \u201cos trabalhos interiores e exteriores que padece at\u00e9 que entra na s\u00e9tima morada!\u201d (TERESA DE JESUS, 2018, p.718). O crist\u00e3o das sextas moradas, embora realize grandes obras para Deus, \u00e9, exteriormente, duramente combatido por amigos e inimigos, que fazem de tudo para difam\u00e1-lo e impedir os projetos que conduz, e, interiormente, sofre o que S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz definiu como sendo a \u201cnoite escura da alma\u201d: uma aparente aus\u00eancia total de Deus. Ou, pela pena da santa de \u00c1vila,<\/p>\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;<em> [\u2026] s\u00e3o muitas as coisas que a combatem com um aperto interior de maneira t\u00e3o sens\u00edvel e intoler\u00e1vel, que eu n\u00e3o sei a que pode ser comparado, sen\u00e3o aos que padecem no inferno; porque nenhum consolo se admite nesta tempestade<\/em> (TERESA DE JESUS, 2018, p.722).<\/p>\n<p>Este estado, que pode ser intermitente para n\u00e3o ser por demais insuport\u00e1vel \u00e0 alma, deve ser vivido pacientemente porque,<\/p>\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; <em>Enfim, que nenhum rem\u00e9dio h\u00e1 nesta tempestade, sen\u00e3o aguardar a miseric\u00f3rdia de Deus, que de repente, com uma s\u00f3 palavra sua ou uma ocasi\u00e3o que acaso sucedeu, tira tudo t\u00e3o depressa, que parece que n\u00e3o houve nuvem naquela alma, segundo fica cheia de sol e de muito mais consolo<\/em> (TERESA DE JESUS, 2018, p.722-723).<\/p>\n<p>Nesta dif\u00edcil transi\u00e7\u00e3o para as \u00faltimas moradas, Santa Teresa de Jesus (2018, p.724-725) recomenda que, enquanto aguarda, o melhor rem\u00e9dio \u00e9 se dedicar aos trabalhos exteriores, notadamente os de caridade para com os pr\u00f3ximos, entendendo que s\u00e3o justamente estes combates exteriores e interiores que lhe permitem crescer no amor a Deus, purificando suas inten\u00e7\u00f5es e elevando-se cada vez mais pr\u00f3ximo ao seu objetivo. Deus, portanto, n\u00e3o est\u00e1 mais longe e, por vezes, a alma sente seu toque interior, embora Ele ainda n\u00e3o queira se manifestar plenamente. Esta uni\u00e3o mais perfeita que as anteriormente alcan\u00e7adas, aproxima<span class=\"Apple-converted-space\">&nbsp; <\/span>estreitamente a alma a Deus, de modo que \u201caqui est\u00e3o todos os sentidos e pot\u00eancias sem nenhum embevecimento, mirando o que poder\u00e1 ser, sem estorvar nada nem poder acrescentar aquela pena deleitosa nem tir\u00e1-la\u201d (TERESA DE JESUS, 2018, p.727).<\/p>\n<p>As manifesta\u00e7\u00f5es sobrenaturais recebidas pela alma nestas moradas s\u00e3o largamente tratadas pela santa carmelita. Por vezes Deus se comunica atrav\u00e9s de \u201cuma inflama\u00e7\u00e3o deleitosa\u201d (TERESA DE JESUS, 2018, p.728); por meio de palavras interiores e exteriores (TERESA DE JESUS, 2018, p.730-732); vis\u00f5es intelectuais (TERESA DE JESUS, 2018, p.765); vis\u00f5es imagin\u00e1rias (TERESA DE JESUS, 2018, p.738-739 e p.768-772); arroubamentos ou \u00eaxtases (TERESA DE JESUS, 2018, p.737-738 e p.750) e raptos (TERESA DE JESUS, 2018, p.748). Santa Teresa de Jesus (2018, p.756) informa que Deus vai instruindo e preparando a alma para a uni\u00e3o definitiva das s\u00e9timas moradas enquanto provoca a humildade ao dar-lhe uma consci\u00eancia cada vez mais clara de suas limita\u00e7\u00f5es e pecados.<\/p>\n<p>Finalmente, as s\u00e9timas moradas, s\u00e3o onde \u201cquase nunca h\u00e1 securas nem alvoro\u00e7os interiores dos que tinha em todas as outras \u00e0s vezes, sen\u00e3o que est\u00e1 a alma em quietude quase sempre\u201d (TERESA DE JESUS, 2018, p.801). Isso ocorre porque esta \u00e9 a morada onde Deus habita e,<span class=\"Apple-converted-space\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;<em>Assim neste templo de Deus, nesta morada sua, s\u00f3 Ele e a alma se gozam com grand\u00edssimo sil\u00eancio. N\u00e3o h\u00e1 para que bulir nem buscar nada o entendimento, que o Senhor que o criou quer sosseg\u00e1-lo aqui, e que por uma fresta pequena olhe o que se passa<\/em> (TERESA DE JESUS, 2018, p.802).<\/p>\n<p>A entrada neste grau superior de uni\u00e3o com Deus, o maior durante a presente vida, \u00e9 determinada<\/p>\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; <em>&nbsp;[\u2026] por certa maneira de representa\u00e7\u00e3o da verdade, [onde] se mostra a ela a Sant\u00edssima Trindade, todas as tr\u00eas pessoas, com uma inflama\u00e7\u00e3o que primeiro vem a seu esp\u00edrito \u00e0 maneira de uma nuvem de grand\u00edssima claridade, e estas Pessoas distintas, e por uma not\u00edcia admir\u00e1vel que \u00e9 dada \u00e0 alma, entende com grand\u00edssima verdade ser todas as tr\u00eas Pessoas uma subst\u00e2ncia e um poder e um saber e um s\u00f3 Deus<\/em> (TERESA DE JESUS, 2018, p.789).<span class=\"Apple-converted-space\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p>Este contato com o Deus Uno e Trino, \u00e9 constante ap\u00f3s esta primeira revela\u00e7\u00e3o e nunca desaparece. Santa Teresa de Jesus (2018, p.790) traz, como efeito dessa uni\u00e3o, que denomina \u201cmatrim\u00f4nio espiritual\u201d, uma paz constante na alma e grande disposi\u00e7\u00e3o; um \u201cesquecimento de si\u201d (TERESA DE JESUS, 2018, p.798); um desejo \u201cde que se fa\u00e7a a vontade de Deus nelas\u201d (TERESA DE JESUS, 2018, p.799); \u201cum grande gozo interior quando s\u00e3o perseguidas, com muita mais paz [\u2026], e sem nenhuma inimizade com os que lhes fazem mal ou desejam fazer\u201d (TERESA DE JESUS, 2018, p.799); \u201cum desapego grande de tudo e desejo de estar sempre ou sozinhas ou ocupadas em coisa que seja proveito de alguma alma\u201d (TERESA DE JESUS, 2018, p.800) e<span class=\"Apple-converted-space\">&nbsp;<\/span><\/p>\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;<em>[\u2026] se soubessem com certeza que ao sair a alma do corpo h\u00e1 de gozar de Deus, n\u00e3o fazem caso, nem pensar na gl\u00f3ria que t\u00eam os santos; n\u00e3o desejam por ent\u00e3o ver-se nela: sua gl\u00f3ria t\u00eam posta em se puderem ajudar em algo o Crucificado, em especial quando veem que \u00e9 t\u00e3o ofendido<\/em> (TERESA DE JESUS, 2018, p.799).<\/p>\n<p>Mesmo que a uni\u00e3o da alma com Deus seja plena, a doutora salienta \u201cque n\u00e3o lhes falta cruz, salvo que n\u00e3o as inquieta nem faz perder a paz, sen\u00e3o passam depressa, como uma onda, algumas tempestades, e torna a bonan\u00e7a\u201d (TERESA DE JESUS, 2018, p.803). Para Santa Teresa de Jesus (2018, p.805), essas dificuldades exteriores e interiores s\u00e3o verdadeiras gra\u00e7as que v\u00eam para fortalecer a alma e ajud\u00e1-la a imitar a Cristo em seu sofrimento e muitos trabalhos. Ou seja, como esclarece bem a fundadora para suas carmelitas, \u201cpara isto \u00e9 a ora\u00e7\u00e3o, filhas minhas; para isto serve este matrim\u00f4nio espiritual: para que nas\u00e7am sempre obras, obras\u201d (TERESA DE JESUS, 2018, p.806).<\/p>\n<p>Segundo Santa Teresa de Jesus (2018, p.807-808), portanto, o objetivo da contempla\u00e7\u00e3o espiritual desenvolvida at\u00e9 a s\u00e9tima morada \u00e9 o servi\u00e7o \u00e0 Igreja e ao pr\u00f3ximo, pois a paz conquistada no interior atrav\u00e9s da ora\u00e7\u00e3o \u00e9 para enfrentar as tempestades exteriores. Salienta que a ora\u00e7\u00e3o e a contempla\u00e7\u00e3o n\u00e3o devem ser buscadas para uma satisfa\u00e7\u00e3o interior, mas para a viv\u00eancia das virtudes e o exerc\u00edcio das mesmas no mundo e em prol dos outros. \u00c9 urgente aqui a uni\u00e3o de Marta e Maria, da vida ativa e contemplativa, onde a ora\u00e7\u00e3o promover\u00e1 contato com Deus e for\u00e7as para servir ao pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p><b>3.2 BASES SISTEM\u00c1TICAS DO CASTELO INTERIOR<\/b><\/p>\n<p>Santa Teresa de Jesus, por viver em um momento de intensa atividade da inquisi\u00e7\u00e3o espanhola, preocupou-se constantemente com a perfeita adequa\u00e7\u00e3o de suas obras \u00e0s verdades defendidas pela Igreja Cat\u00f3lica. No livro tratado, tanto no pr\u00f3logo quanto no ep\u00edlogo (TERESA DE JESUS, 2018, p.627; p.812), a autora afirma que o erro doutrin\u00e1rio, se houvesse, n\u00e3o seria proposital, e que a mesma se submeteria a qualquer corre\u00e7\u00e3o que fosse necess\u00e1ria por parte da Igreja.<\/p>\n<p>Por seu car\u00e1ter trinit\u00e1rio e cristoc\u00eantrico, no entanto, n\u00e3o h\u00e1 o que corrigir na obra. O beato Maria-Eug\u00eanio do Menino Jesus (2015, p.125-127) louva a doutora n\u00e3o s\u00f3 por revelar a Trindade atrav\u00e9s de Cristo mas, por meio de suas moradas, fornecer uma doutrina pormenorizada desta aproxima\u00e7\u00e3o da alma ao seu redentor e consequente transforma\u00e7\u00e3o at\u00e9 a uni\u00e3o plena com Deus.<\/p>\n<p>As experi\u00eancias e relatos da doutora tamb\u00e9m vieram a traduzir na pr\u00e1tica o que antes era acess\u00edvel somente na an\u00e1lise da Teologia Dogm\u00e1tica. Essa converg\u00eancia, n\u00e3o s\u00f3 beneficia a pr\u00e1xis teresiana, mas d\u00e1 comprova\u00e7\u00e3o emp\u00edrica \u00e0s reflex\u00f5es de, principalmente, Santo Tom\u00e1s de Aquino.<\/p>\n<p>Como exemplo de sua corre\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica, tomemos uma de suas principais afirma\u00e7\u00f5es no Castelo Interior (TERESA DE JESUS, 2018, p.796): Deus realmente habita no interior de cada alma humana como um rei em seu castelo. O beato Maria-Eug\u00eanio do Menino Jesus (2015, p.57-60) considera essa premissa como a base de toda a doutrina espiritual de Santa Teresa e a explica justificando a presen\u00e7a de Deus na alma justa de duas maneiras que se completam e que se denominam \u201cpresen\u00e7a ativa de imensidade\u201d e \u201cpresen\u00e7a objetiva\u201d. A primeira destas presen\u00e7as \u00e9 gerada pela necessidade de Deus sustentar, por seu poder, tudo aquilo que criou, sob pena da criatura simplesmente deixar de existir se Ele deixar de atuar com sua a\u00e7\u00e3o conservadora (tamb\u00e9m denominada cria\u00e7\u00e3o cont\u00ednua). Esta primeira presen\u00e7a de Deus age em todo universo criado, mas n\u00e3o explica, por si s\u00f3, as rela\u00e7\u00f5es de intimidade do ser humano com Deus. \u00c9, com efeito, a \u201cpresen\u00e7a objetiva\u201d de Deus, gerada pela gra\u00e7a santificante, que o inclui na vida trinit\u00e1ria, estabelecendo rela\u00e7\u00f5es novas e distintas. A gra\u00e7a adquirida pelo batismo, e mantida pela vig\u00edlia contra o pecado mortal, d\u00e1 poder \u00e0 alma de desabrochar perante os dons de Deus. Assim, se pelo primeiro modo de presen\u00e7a, Deus preenchia a alma, mas morava nela como um estranho, agora Ele pode se entregar a ela como um amigo e um pai. Pela compreens\u00e3o do Beato Maria-Eug\u00eanio do Menino Jesus (2015, p.61), \u00e9 a sobreposi\u00e7\u00e3o destas duas presen\u00e7as que faz com que Deus habite na alma como em seu templo preferido nesta terra.<\/p>\n<p>Deve-se destacar, que esta doutrina n\u00e3o surgiu nos escritos de Santa Teresa, mas possui ampla base na Teologia Tomista, anterior ao pensamento teresiano em tr\u00eas s\u00e9culos. Em sua Suma Teol\u00f3gica, na quest\u00e3o sobre a presen\u00e7a de Deus nas coisas, Santo Tom\u00e1s de Aquino pontua que<\/p>\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; <em>Deus est\u00e1 em tudo por seu poder, porque tudo est\u00e1 submetido a seu dom\u00ednio. Ele est\u00e1 em tudo por sua presen\u00e7a, porque tudo est\u00e1 descoberto e \u00e0 mostra de seus olhos. Ele est\u00e1 em tudo por sua ess\u00eancia, porque est\u00e1 presente em todas as coisas como causa do ser de todas elas<\/em> (Tom\u00e1s de Aquino, 2016,<span class=\"Apple-converted-space\">&nbsp; <\/span>v. 1, p.226).<\/p>\n<p>Existem, portanto, tr\u00eas formas distintas da presen\u00e7a de Deus na alma: por poder, por presen\u00e7a e por ess\u00eancia. Entretanto, posteriormente, na quest\u00e3o sobre a miss\u00e3o das pessoas divinas, Santo Tom\u00e1s de Aquino (2016, v.1, p.687-688) determina um quarto modo da presen\u00e7a de Deus que s\u00f3 conv\u00e9m \u00e0 criatura racional, a qual nomeia \u201cgra\u00e7a santificante\u201d. \u00c9 atrav\u00e9s dela que Deus n\u00e3o somente se encontra na criatura racional, mas nela habita como em seu templo. Essa gra\u00e7a santificante \u00e9 o pr\u00f3prio Esp\u00edrito Santo dado em miss\u00e3o e passando, por isso, a habitar o homem real e objetivamente, tal qual determina a vis\u00e3o teresiana.<\/p>\n<p>Outra faceta fundamental na obra de Santa Teresa de Jesus (2018, p.651-652) \u00e9 a determina\u00e7\u00e3o de se alcan\u00e7ar a uni\u00e3o plena com Deus atrav\u00e9s da reflex\u00e3o e da ora\u00e7\u00e3o, ou seja, atrav\u00e9s da atividade racional da alma em contato com seu criador e consigo mesma. Novamente a teologia tomista corrobora essa vis\u00e3o quando trata do que consiste a bem-aventuran\u00e7a do homem. Segundo Santo Tom\u00e1s de Aquino (2016, v.3, p.59-61) o homem s\u00f3 pode conseguir a felicidade plena, ou bem-aventuran\u00e7a, atrav\u00e9s da atividade da alma e ao se dirigir \u00c0quele que \u00e9 o pr\u00f3prio bem universal. Entendendo que o espec\u00edfico da alma \u00e9 sua capacidade racional, v\u00ea-se que a reflex\u00e3o sobre si mesmo e a rela\u00e7\u00e3o intelectual com Deus atrav\u00e9s da f\u00e9 que se concretiza na ora\u00e7\u00e3o, propostos por Santa Teresa, s\u00e3o perfeitamente harm\u00f4nicos com a doutrina de Santo Tom\u00e1s.<\/p>\n<p>Fica claro, portanto, que a certeza de Santa Teresa sobre a presen\u00e7a de Deus na alma e a possibilidade do homem dirigir-se a Ele e viver uma vida de intimidade plena a partir de seu pr\u00f3prio interior, n\u00e3o s\u00f3 corresponde \u00e0 doutrina aceita pela Igreja Cat\u00f3lica, bem como \u00e9 apenas a ponta do iceberg da teologia desenvolvida mais a fundo e extensamente por Santo Tom\u00e1s de Aquino, principalmente em sua Suma Teol\u00f3gica.<\/p>\n<p><b>3.3 PARALELOS COM A DOUTRINA TERESIANA<\/b><\/p>\n<p>O livro \u201cCastelo Interior\u201d de Santa Teresa \u00e9, segundo Adolphe Tanquerey (1961, p.686), \u201ca coroa e s\u00edntese de todas as suas Obras, onde a Santa descreve com clareza e precis\u00e3o os sete graus principais de ora\u00e7\u00e3o correspondentes aos sete estados da vida espiritual\u201d. Ou seja, consegue unir uma correta teologia sobre a ascens\u00e3o da alma at\u00e9 Deus, a partir da ora\u00e7\u00e3o, com uma orienta\u00e7\u00e3o voltada essencialmente para a vida cotidiana. Esta vis\u00e3o \u00e9 refor\u00e7ada pelo te\u00f3logo e padre Juan Arintero ao esclarecer que o desenvolvimento das moradas de Santa Teresa<\/p>\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; <em>[\u2026] ilumina vivissimamente o que parecia um caos, e assim veio a servir de norma e de base a quase todos os autores que posteriormente trataram de penetrar nos \u00edntimos segredos da psicologia sobrenatural e declarar os verdadeiros progressos da vida m\u00edstica, que antes pareciam enigmas indecifr\u00e1veis<\/em> (ARINTERO, 2017, p.69).<\/p>\n<p>Dentre estes autores que se serviram da doutrina de Santa Teresa e ajudaram-na a ser melhor compreendida, deve-se dar especial relev\u00e2ncia \u00e0 seu contempor\u00e2neo e auxiliar na implementa\u00e7\u00e3o da reforma carmelita, S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz. Suas contribui\u00e7\u00f5es, principalmente na fase contemplativa da vida espiritual, que come\u00e7a a partir das quartas moradas, renderam-lhe o t\u00edtulo de Doutor M\u00edstico da Igreja. Embora o escopo deste artigo n\u00e3o permita aprofundar e pormenorizar o paralelismo entre as obras destes dois doutores, salienta-se, a t\u00edtulo de exemplo, a correspond\u00eancia entre a evolu\u00e7\u00e3o m\u00edstica das moradas teresianas e as <i>tr\u00eas noites da alma<\/i> propostas por S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz.<\/p>\n<p>Se Santa Teresa de Jesus (2018, p.657-664) ressalta, nas terceiras moradas, as dificuldades da ora\u00e7\u00e3o, a necessidade de se promover a humildade e a busca incessante de se fazer a vontade de Deus, S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz esclarece que esta se trata da primeira noite, a <i>noite passiva dos sentidos<\/i>, onde os principiantes da contempla\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>J\u00e1 percorreram, durante algum tempo, o caminho da virtude, perseverando em medita\u00e7\u00e3o e ora\u00e7\u00e3o; pelo sabor e gosto que a\u00ed achavam, aos poucos se foram desapegando das coisas do mundo e adquiriram algumas for\u00e7as espirituais em Deus. (\u2026) Eis que de repente os mergulha Nosso Senhor em tanta escurid\u00e3o que ficam sem saber por onde andar, nem como agir pelo sentido, com a imagina\u00e7\u00e3o e o discurso (JO\u00c3O DA CRUZ, 1996, p.460-461).<\/p>\n<p>Esse momento de aridez, a princ\u00edpio gerado pela pr\u00f3pria soberba adquirida pelo progresso espiritual, como bem nota Santa Teresa de Jesus (2018, p.657) e S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz (1996, p.443), deve ser aceito como parte do processo natural de assenhoramento divino da alma, reduzindo-a \u00e0 passividade e a preparando para a vida m\u00edstica. Santa Teresa (TERESA DE JESUS, 2018, p.664) direciona para a busca de uma completa nega\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria vontade nestas moradas. S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz, por outro lado, dedica dois cap\u00edtulos de seu segundo livro intitulado \u201cSubida do Monte Carmelo\u201d (JO\u00c3O DA CRUZ, 1996, p.228-238) e seis cap\u00edtulos de seu livro \u201cNoite Escura\u201d<i> <\/i>(JO\u00c3O DA CRUZ, 1996, p.462-485) para explicar em detalhes o desnudamento espiritual promovido por Deus que precede e acompanha a entrada na vida m\u00edstica.<\/p>\n<p>A segunda noite, ou <i>noite ativa dos sentidos<\/i>, ocorre nas quintas moradas, onde a a\u00e7\u00e3o de Deus \u00e9 sentida e mais docilmente recebida pela alma, quando esta j\u00e1 tem for\u00e7as suficientes para tamb\u00e9m colaborar em sua purifica\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz (1996, p.736) relata que cabe \u00e0 alma um duplo dever: ao mesmo tempo respeitar a a\u00e7\u00e3o de Deus e sua primazia, enquanto favorece essa a\u00e7\u00e3o por um abandono pac\u00edfico e silencioso. Fica patente o paralelo entre o bicho da seda teresiano das quintas moradas (TERESA DE JESUS, 2018, p.698), que se isola para se transformar; sua met\u00e1fora da alma como a cera que recebe a marca do anel (TERESA DE JESUS, 2018, p.702) e as indica\u00e7\u00f5es de S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz nesta noite ativa de se esvaziar e de negar todas as apreens\u00f5es naturais e sobrenaturais (JO\u00c3O DA CRUZ, 1996, p.327-328), ou seja, enquanto se acolhe passivamente as a\u00e7\u00f5es de Deus, busca-se, ativamente, negar os sentidos, para que estes n\u00e3o retomem a primazia do movimento da alma.<\/p>\n<p>Finalmente, a terceira noite de S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz, tamb\u00e9m conhecida como <i>noite escura da alma<\/i>, por causar trevas, pena e tormento (JO\u00c3O DA CRUZ, 1996, p.494), relaciona-se com a dif\u00edcil transi\u00e7\u00e3o das sextas moradas de Santa Teresa (TERESA DE JESUS, 2018, p.722). Correspond\u00eancia esta que j\u00e1 foi ilustrada neste artigo quando se sintetizou as moradas teresianas e ser\u00e1 mais uma vez tratado logo abaixo quando se analisar a correspond\u00eancia com Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face.<\/p>\n<p>De fato, outro paralelo importante que, ao mesmo tempo, valida o conte\u00fado do livro de Santa Teresa e o esclarece, encontra-se na obra desta outra santa e doutora carmelita. Sua pequena via<i> <\/i>(TERESA DO MENINO JESUS, 2015, p.223), como ficou conhecida, comp\u00f5em-se de ensinamentos pr\u00e1ticos perfeitamente alinhados com o final das quintas moradas de Santa Teresa e passagem para as sextas moradas. A t\u00edtulo de exemplo, compare-se a segunda via ou modo de se avan\u00e7ar nas quintas moradas \u201cmatando o bicho da seda\u201d (TERESA DE JESUS, 2018, p.706) e buscando amar ao pr\u00f3ximo vivamente (TERESA DE JESUS, 2018, p.707) com as orienta\u00e7\u00f5es de Santa Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face (2015, p.233-240) para se viver a perfeita caridade no dia a dia, nas m\u00ednimas coisas, com aqueles que compartilham as atividades di\u00e1rias. Santa Teresinha faz eco \u00e0 sua fundadora demonstrando o caminho de se crescer no amor a Deus atrav\u00e9s da viv\u00eancia pr\u00e1tica do amor ao irm\u00e3o. V\u00ea-se uma perfeita conflu\u00eancia entre a <i>segunda via<\/i> de Santa Teresa nas quintas moradas e a <i>pequena via<\/i> de Santa Teresinha em seu caderno aut\u00f3grafo conhecido como \u201cManuscrito C&#8221;: ambos caminhos levam \u00e0s sextas moradas.<\/p>\n<p>\u00c0 grande tribula\u00e7\u00e3o externa e interna das sextas moradas, citada por Santa Teresa e chamada por <i>noite escura<\/i> por S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz, Santa Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face (2015, p.216-218) responde em seu caderno aut\u00f3grafo registrado como \u201cManuscrito B\u201d, com sua met\u00e1fora do pequeno passarinho. A alma, na agita\u00e7\u00e3o das sextas moradas, \u00e9 como um pequeno p\u00e1ssaro assolado por in\u00fameras tempestades. Ele percebe sua meta, o Sol que \u00e9 Jesus, mas n\u00e3o tem for\u00e7as para levantar v\u00f4o; sofre com o abandono, o frio, as asas molhadas e sua pr\u00f3pria debilidade que, por vezes, o faz esquecer de sua meta e distrair-se com as ninharias da terra. Mas, novamente aqui, existe um pequeno caminho, uma pequena via para a alma atrav\u00e9s dessas moradas: o abandono confiante na onipot\u00eancia e miseric\u00f3rdia divinas. Diante de todas as suas incapacidades<\/p>\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;<em> [\u2026] o passarinho nem vai ficar aflito. Com audaz abandono, quer ficar fitando seu divino Sol; nada poder\u00e1 assust\u00e1-lo, nem o vento nem a chuva, e se nuvens escuras vierem esconder o Astro de Amor o passarinho n\u00e3o trocar\u00e1 de lugar. \u00c0s vezes, \u00e9 verdade, o cora\u00e7\u00e3o do passarinho \u00e9 investido pela tempestade, parece n\u00e3o acreditar que existem outras coisas al\u00e9m das nuvens que o envolvem. Esse \u00e9 o momento da felicidade perfeita para o pobre serzinho fr\u00e1gil. Que felicidade para ele ficar a\u00ed, assim mesmo; fixar a luz invis\u00edvel que foge \u00e0 sua f\u00e9!!!<\/em> (TERESA DO MENINO JESUS, 2015, p.216).<\/p>\n<p>V\u00ea-se, al\u00e9m de uma perfeita descri\u00e7\u00e3o da noite escura das sextas moradas, um caminho pr\u00e1tico e brilhante para atravess\u00e1-lo, o da confian\u00e7a em Deus. Esta vis\u00e3o est\u00e1 plenamente alicer\u00e7ada em Santa Teresa de Jesus (2018, p.805), que cita esse momento como gra\u00e7a e n\u00e3o castigo, e S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz (1996, p.522-523) que chama essas penas de \u201cobscuras e amorosas\u201d pois, fazem padecer, ao mesmo tempo que inflamam o amor, produzindo deleite.<\/p>\n<p><b>4. METODOLOGIA<\/b><\/p>\n<p>A metodologia empregada para a constru\u00e7\u00e3o deste artigo foi a pesquisa de revis\u00e3o bibliogr\u00e1fica, qualitativa, dedutiva e indutiva. Analisou-se os referenciais te\u00f3ricos e fontes bibliogr\u00e1ficas para ampliar o entendimento sobre o tema da teologia espiritual e a santifica\u00e7\u00e3o do crist\u00e3o, a partir dos principais te\u00f3logos que se tornaram refer\u00eancias no tema: Pe. Juan Arintero, Pe. Adolphe Tanquerey, Pe. Antonio Royo Mar\u00edn e Pe. Reginald Garrigou-Lagrange. Aprofundou-se a compreens\u00e3o do texto de Santa Teresa de Jesus e das obras de S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz, Santa Teresinha do Menino Jesus, Santa Elisabete da Trindade e do Beato Maria-Eug\u00eanio do Menino Jesus, buscando correspond\u00eancias entre elas e com os te\u00f3logos anteriormente citados. A partir desta an\u00e1lise, promoveu-se uma s\u00edntese e estrutura\u00e7\u00e3o conceitual a respeito do caminho espiritual proposto por Santa Teresa.<\/p>\n<p>A pesquisa foi dedutiva, pois averiguou a aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica das proposi\u00e7\u00f5es levantadas pela autora ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o da obra e seu car\u00e1ter eficiente e universal. Tamb\u00e9m prosseguiu de forma indutiva, utilizando-se das experi\u00eancias dos outros santos citados para se determinar a equival\u00eancia de suas espiritualidades com as proposi\u00e7\u00f5es de Santa Teresa de Jesus. Tal confrontamento e valida\u00e7\u00e3o, serviu para acentuar a universalidade da obra, dirimindo quaisquer interpreta\u00e7\u00f5es personalistas e psicologizantes que busquem frisar somente o car\u00e1ter de experi\u00eancia pessoal do relato de Santa Teresa. Finalmente, a obra \u201cSuma Teol\u00f3gica\u201d de Santo Tom\u00e1s de Aquino foi utilizada para a valida\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica das proposi\u00e7\u00f5es e direcionamentos da autora.<\/p>\n<p>Devido \u00e0 brevidade do artigo, foram descartadas as observa\u00e7\u00f5es e apontamentos similares entre os autores consultados, bem como as contribui\u00e7\u00f5es de Santa Elisabete para a compreens\u00e3o das moradas mais \u00edntimas. Pelo mesmo motivo, para fins de valida\u00e7\u00e3o dogm\u00e1tica com a obra de Santo Tom\u00e1s, escolheu-se somente os dois pontos de principal pol\u00eamica na aceita\u00e7\u00e3o do \u201cLivro das Moradas ou Castelo Interior\u201d, explicados mais acima no corpo do artigo.<\/p>\n<p><b>5. CONSIDERA\u00c7\u00d5ES FINAIS<\/b><\/p>\n<p>Atualmente, a espiritualidade crist\u00e3 vive um per\u00edodo \u00edmpar e, por isso, ao mesmo tempo rico e perigoso: se por um lado a Igreja deixou clara a obrigatoriedade de santifica\u00e7\u00e3o pessoal do crist\u00e3o e possui in\u00fameros textos de espiritualidade, por outro lado, n\u00e3o consegue revelar um caminho claro e seguro de santifica\u00e7\u00e3o pessoal para conduzir a grande massa de crentes. Some-se a isso, a dificuldade em se diferenciar com seguran\u00e7a o que s\u00e3o verdadeiras espiritualidades e o que s\u00e3o espiritualismos, al\u00e9m da f\u00e1cil dissemina\u00e7\u00e3o destes \u00faltimos num ambiente global sedento de interioridade e experi\u00eancia do sobrenatural, e temos um problema dif\u00edcil de se resolver.<\/p>\n<p>No entanto, uma an\u00e1lise atenta do \u201cLivro das Moradas ou Castelo Interior\u201d, de Santa Teresa de Jesus, revela seu car\u00e1ter \u00fanico de uma via completa para a santidade, em seus v\u00e1rios n\u00edveis de ora\u00e7\u00e3o e intimidade com Deus. Embora escrito a mais de quatro s\u00e9culos, por se tratar de explicita\u00e7\u00e3o sobre o percurso da vida espiritual, permanece atual e referencial, lan\u00e7ando luzes sobre as mais dif\u00edceis quest\u00f5es da teologia espiritual.<\/p>\n<p>Seu tom pr\u00e1tico e sua linguagem coloquial, \u00e0 primeira vista, escondem suas firmes bases sistem\u00e1ticas, gerando uma falsa impress\u00e3o de se tratar somente de uma vis\u00e3o particular da autora ou uma experi\u00eancia pessoal e irreprodut\u00edvel. Por isso, dando seguimento a este artigo, seria de grande utilidade um estudo que aprofundasse as correspond\u00eancias entre esta obra e a obra de Santo Tom\u00e1s de Aquino para benef\u00edcio da compreens\u00e3o de ambas as teologias. Tal estudo poderia fornecer caminhos pr\u00e1ticos para a viv\u00eancia das verdades de f\u00e9 enunciadas pela teologia sistem\u00e1tica e embasar cientificamente as experi\u00eancias relatadas pela autora, construindo uma verdadeira teologia espiritual.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m salienta-se que, a descri\u00e7\u00e3o de Santa Teresa do percurso espiritual, embora sendo completa, \u00e9 muito sucinta na maioria das vezes. Este pormenor e a diferen\u00e7a lingu\u00edstica gerada pelo passar dos s\u00e9culos, dificultam sua compreens\u00e3o imediata. Um estudo comparativo entre as obras dos doutores e santos carmelitas e Santa Teresa, al\u00e9m dos exemplos expostos aqui, traria in\u00fameros benef\u00edcios para a compreens\u00e3o de todos os autores e para a consolida\u00e7\u00e3o de muitos pontos deste caminho pr\u00e1tico de santidade. Este trabalho j\u00e1 foi parcialmente realizado pelo Beato Maria-Eug\u00eanio do Menino Jesus (2015), mas precisa ser atualizado, pois data da primeira metade do s\u00e9culo XX, e n\u00e3o re\u00fane os escritos de Santa Elisabete da Trindade, fundamentais para uma boa compreens\u00e3o das \u00faltimas moradas. Outros autores tamb\u00e9m seriam bem-vindos, principalmente nas moradas que comp\u00f5e o per\u00edodo pr\u00e9-m\u00edstico ou asc\u00e9tico, da primeira \u00e0 terceira morada, como Santo In\u00e1cio de Loyola, com seus exerc\u00edcios espirituais e S\u00e3o Josemaria Escriv\u00e1, o santo da ascese e da santidade no trabalho cotidiano.<\/p>\n<p>A vis\u00e3o completa sobre a viv\u00eancia e o progresso da vida espiritual que nos apresenta Santa Teresa de Jesus (2018, p.625-812) em seu \u201cCastelo Interior\u201d e sua perfeita corre\u00e7\u00e3o e alinhamento com a doutrina cat\u00f3lica, provocou a percep\u00e7\u00e3o de que a obra pode ser utilizada como par\u00e2metro de an\u00e1lise para outras espiritualidades. Caminhos espirituais que contradizem ou negam aquele explicitado por Santa Teresa em suas moradas deveriam, a priori, serem melhor observados e questionados. Embora o Esp\u00edrito Santo atue de formas sempre novas, segundo o Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica (2017, p.532) existem princ\u00edpios que regem e balizam o progresso espiritual, como a uni\u00e3o sempre mais \u00edntima com Cristo at\u00e9 a passagem pela cruz, a ren\u00fancia e o combate espiritual. Estes princ\u00edpios, enquanto progresso da vida espiritual, foram extensa e completamente desenvolvidos por Santa Teresa de Jesus em seu \u201cCastelo Interior\u201d.<\/p>\n<p>Estabelecer uma base comparativa com o \u201cCastelo Interior\u201d, como uma fiel pedra de roseta, ajudar\u00e1 a desmascarar os espiritualismos ainda disfar\u00e7ados de espiritualidade ou caminhos espirituais que j\u00e1 existam ou possam surgir neste s\u00e9culo t\u00e3o ansioso por \u201cespiritualidades\u201d e \u201cviv\u00eancias espirituais\u201d, mas nem sempre preocupado com a solidez e corre\u00e7\u00e3o de seus ensinamentos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><b>REFER\u00caNCIAS<\/b><\/p>\n<p>ALBUQUERQUE, Francisco das Chagas de. Teologia e Espiritualidade. <b>Perspectiva Teol\u00f3gica<\/b>, Belo Horizonte, v. 38, n. 106, p. 317-321, set.\/dez. 2006.<\/p>\n<p>ARINTERO, Pe. Juan G. <b>Graus da Ora\u00e7\u00e3o<\/b>. 1. ed. Campinas: Ecclesiae, 2017.<\/p>\n<p>BALSAN, Luiz. <b>Teologia Espiritual<\/b>. 1. ed. Curitiba: Intersaberes, 2019.<\/p>\n<p><b>CATECISMO DA IGREJA CAT\u00d3LICA<\/b>. 4. ed. S\u00e3o Paulo: Loyola; Bras\u00edlia: CNBB, 2017.<\/p>\n<p>CONC\u00cdLIO VATICANO II. <b>Constitui\u00e7\u00e3o Dogm\u00e1tica Lumen Gentium<\/b>. Roma, 21 nov. 1964. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_const_19641121_lumen-gentium_po.html\">http:\/\/www.vatican.va\/archive\/hist_councils\/ii_vatican_council\/documents\/vat-ii_const_19641121_lumen-gentium_po.html<\/a>&gt;. Acesso em: 08 out. 2019.<\/p>\n<p>FRANCISCO, Papa. <b>Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica Gaudete et Exsultate<\/b>.<span class=\"Apple-converted-space\">&nbsp; <\/span>Roma, 19 mar. 2018. Dispon\u00edvel em: &lt;<a href=\"https:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/gaudete-et-exultate.pdf\">https:\/\/franciscanos.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/04\/gaudete-et-exultate.pdf<\/a>&gt;. Acesso em: 06 out. 2019.<\/p>\n<p>JO\u00c3O DA CRUZ. <b>Obras Completas<\/b>. 4. ed. Petr\u00f3polis: Vozes, 1996.<\/p>\n<p>MARIA-EUGENIO DO MENINO JESUS. <b>Quero ver a Deus<\/b>. 1. ed. Petr\u00f3polis: Vozes, 2015.<\/p>\n<p>ROYO MARIN, Antonio. <b>Ser ou n\u00e3o ser santo: eis a quest\u00e3o<\/b>. 1. ed. Campinas: Ecclesiae, 2016.<\/p>\n<p>TANQUEREY, Adolphe D. <b>Comp\u00eandio de Teologia Asc\u00e9tica e M\u00edstica<\/b>. 6. ed. Porto, Portugal: Apostolado da Imprensa, 1961.<\/p>\n<p>TERESA DE JESUS. <b>Santa Teresa D\u2019\u00c1vila: Obras Completas<\/b>. 1. ed. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2018.<\/p>\n<p>TERESA DO MENINO JESUS E DA SAGRADA FACE. <b>Obras Completas<\/b>. 3\u00aa ed. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2015.<\/p>\n<p>TOM\u00c1S DE AQUINO. <b>Suma Teol\u00f3gica<\/b>. 2. ed. S\u00e3o Paulo: Loyola, 2016. 9 v.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<!-- AddThis Advanced Settings generic via filter on the_content --><!-- AddThis Share Buttons generic via filter on the_content -->","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O artigo abaixo, focado nas Moradas do Castelo Interior de Santa Teresa de Jesus, foi apresentado como trabalho de conclus\u00e3o de curso para a obten\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo de Bacharel em Teologia. 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