“Partilha e transparência são realidades-chaves na conquista da fraternidade. Na convivência do dia a dia e nas reuniões de comunidade e serviço, precisamos avançar na transparência uns para com os outros. É essencial partilhar o que pensamos e sentimos, nossas aspirações e desejos, nossas motivações, nossos projetos, nossas dificuldades. Nada deve ficar escondido, entulhado no coração.

É assim que conquistamos relacionamentos profundos: Nos damos a conhecer e conhecemos os outros em profundidade. Esse viver na luz pela transparência e partilha é tão importante quanto a oração. Quando se descuida de uma coisa ou de outra, a vida se complica: as tensões crescem, surgem os julgamentos, as murmurações, os conflitos”.

Pode-se correr o risco de pensar assim: “Para quê viver a partilha? As pessoas vão querer usar os meus segredos…”. Claro que não é possível partilhar tudo com todas as pessoas, mas é necessário partilhar. Existem realidades que só podemos partilhar com o nosso formador, e há coisas que só partilhamos com o nosso confessor. Mas é importantíssimo partilhar, não fique com nada entulhado. Temos a graça de ser comunidade e não podemos perder esta chance maravilhosa que Deus nos dá.

O diálogo aberto e sincero entre irmãos é um instrumento maravilhoso para esclarecer e orientar e, além disso, é uma poderosa arma para quebrar as barreiras que o inimigo não quer que venham à luz, mas permaneçam na obscuridade.

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O trazer à luz é o grande segredo para encontrar as soluções necessárias. Aqui se aplica plenamente o que Jesus nos deixou: “a verdade vos libertará! E se Cristo vos libertar, sereis verdadeiramente livres!”(Jo 8,31.36).

 É sempre o princípio da transparência e partilha que está na base. É ele que faz com que tudo venha à luz e na luz encontre a solução.

 

Monsenhor Jonas Abib

Fundador da Comunidade Canção Nova

Toda Autoridade vem de Deus, e, para existir submissão, é preciso haver autoridade. A verdadeira submissão é o sair de si mesmo para fazer aquilo que Deus quer. – Ele usa das pessoas para manifestar o Seu querer.

Com a entrada do pecado no mundo, uma das feridas que combatemos, nos dias de hoje, é a rebelião. Satanás não quis submeter-se à autoridade de Deus, ficar sob a tutela d’Ele, e sim de si mesmo. Não se submeter é colocar-se sob a tutela de Satanás, o insubmisso, o rebelde. A obediência traz bênção, a insubmissão traz maldição!

Jesus foi o obediente por excelência, por isso, lhe foi conferida toda a autoridade. Sua autoridade ficou caracterizada pela obediência (Cf. Fl 2,8). Ele nunca precisou dizer que era autoridade, Sua vida era uma demonstração, tudo era exercício no amor. Jesus, por obediência ao Pai, aceitou morrer numa cruz. E o preço dessa obediência foi a morte, mas junto veio a ressurreição (Cf. Mt 21,23-27).

Deus se manifesta a nós, Canção Nova, através das autoridades constituídas. De quem exerce autoridade, maior responsabilidade se exige. A autoridade vinda de Deus é diferente da autoridade vinda do mundo, porque a sabedoria de Deus é loucura para o mundo: no Reino dos Céus, é maior aquele que serve.

Aceitar e obedecer às pessoas constituídas pelo Senhor é obedecer ao próprio Deus, e toda autoridade deve ser exercida e obedecida dentro de uma liberdade. Quando a autoridade é exercida humanamente e com imposição, causa nas pessoas a obediência por medo ou por conveniência, não por submissão em amor (estar submisso = estar sob a missão de…).

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A obediência é, na verdade, um fardo leve, um instrumento eficaz de libertação. Jesus, pela obediência, libertou-nos da desobediência; tornou-nos capazes de realizar a vontade de Deus. A obediência não se faz senão na renúncia de si próprio, na humilhação e no sofrimento. Não existe outro caminho de obediência a não ser o da cruz.

Submissão também é pobreza, mas, para o homem ser submisso a Deus, ele deve, em primeiro lugar, treinar o ser submisso aos que estão ao seu lado. Estar submisso é estar como um escravo, sempre disponível, fazendo a vontade do seu Senhor.

 

Monsenhor Jonas Abib

Fundador da Comunidade Canção Nova

 

 

No início do nosso convívio percebemos que tínhamos diferenças muito grandes. Era preciso nos reconciliar. Essa era a única maneira de sobreviver. Percebemos que precisávamos fazer isso praticamente todos os dias, assim como todos os dias tínhamos que tomar banho.

Viver reconciliado é uma disposição de coração que se traduz num modo de vida. É um contínuo perdoar e ser perdoado!

Entre mim e meu irmão está Jesus. Ele continua a defender cada filho Seu, como defendeu a mulher adúltera: “Se você nunca pecou, atire a primeira pedra” (Cf. Jo 8,9). Deus deve estar sempre em primeiro lugar, depois, o irmão; esta é a fonte do verdadeiro perdão: Tudo que passa primeiramente por Deus se santifica, do contrário, é um mero ato humano, que traz simplesmente alívio e acomodação humana; o verdadeiro perdoar e ser perdoado gera vida nova e comunhão de coração.

A comunidade é formada de pessoas humanas, erros e pecados vão ser a realidade com a qual vamos lidar continuamente. Por isso o exercício do perdão é fundamental. Cada um precisa aprender a pedir perdão e a receber perdão. A comunidade sobrevive não quando desaparecem os erros e pecados de uns contra os outros, mas quando cada um aprende a perdoar setenta vezes sete.

Não se ponha o sol sobre o vosso ressentimento (Ef 4, 26b). É preciso terminar o dia reconciliado com todos, pois é o Senhor quem nos diz: “Se te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão” (cf. Mt 5, 23-24). O compromisso de reconciliação diária é fundamental para a nossa vida fraterna: é o viver reconciliado

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A exemplo de Jesus, que vive sempre reconciliado: Ele foi crucificado, mas mesmo assim se reconcilia com o homem. Do alto da cruz Ele diz: “Perdoai-lhes porque não sabem o que fazem” (Lc 23,34).

“Visto que sois eleitos, santificados, amados por Deus, revesti-vos dos sentimentos de compaixão, benevolência, humildade, doçura, paciência. Suportai-vos uns aos outros, e se alguém tiver algum motivo de queixa contra o outro, perdoai-vos mutuamente; assim como o Senhor vos perdoou, fazei o mesmo, também vós. E, acima de tudo, revesti-vos do amor: é o vínculo perfeito” (Cl 3,12-14).

 

Monsenhor Jonas Abib

Fundador da Comunidade Canção Nova

Na Canção Nova, desde o início, Deus nos deu a graça de experimentar a riqueza do masculino e do feminino vividos juntos. Homens e mulheres vivendo juntos, trabalhando juntos, realizando juntos o Carisma, se aventurando juntos na missão. É uma riqueza! O masculino e o feminino vividos juntos numa sadia convivência.

O nosso primeiro chamado é viver em comunidade. Todos têm necessidade do amor puro de seus irmãos para o seu equilíbrio afetivo. Por isso todos os chamados a viver em nossa comunidade são também chamados a viver a castidade dentro do seu próprio estado de vida.

Esta é a razão a mais para que todos vivam a castidade, dom e fruto do Espírito Santo.

Os chamados ao celibato assumem viver a castidade perfeita. Os casados vivem a castidade matrimonial própria da santidade do matrimônio cristão. Ela se apresenta numa dupla dimensão: viver castamente a própria vida sexual e assumir fielmente a fidelidade conjugal. Os jovens assumem viver uma serena e profunda castidade nos pensamentos, nos sentimentos e nas atitudes. Em se tratando de jovens em pleno despertar da sexualidade e de sua vida afetiva torna-se importantíssimo o mútuo respeito.

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:: Livro: A cura da nossa afetividade e sexualidade

:: Livro: Canção Nova, uma obra de Deus – página 81

Os casais da comunidade, porque assumiram uma vida consagrada, se comprometem a seguir fielmente a doutrina da Igreja expressa principalmente nos documentos Humanae Vitae de Paulo VI e Familiaris Consortio de João Paulo II, contrapondo-se assim à mentalidade do mundo sobre a vida sexual e à transmissão da vida.

A pedra preciosa que temos na Canção Nova, carisma especial que nos foi concedido, é  “o masculino e o feminino vividos em sadia convivência: nossa maneira de viver a castidade”.

 

Monsenhor Jonas Abib

Fundador da Comunidade Canção Nova

Assista a pregação: “Vocacionados a castidade”, do Monsenhor Jonas Abib