Eucaristia: fortaleza dos Santos

É preciso reanimar o nosso zelo pela Eucaristia.

No trecho do livro do Apocalipse abaixo, encontramos uma grande promessa de Jesus: Eu repreendo e educo os que eu amo. Esforça-te, pois, e converte-te. Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir minha voz e abrir a porta, eu entrarei na sua casa e tomaremos a refeição, eu com ele e ele comigo. Ao vencedor farei sentar-se comigo no meu trono, como também eu venci e estou sentado com meu Pai no seu trono. (Ap 3,19-21)

Estamos a caminho dessa vitória. Queremos estar com Jesus na glória, sentar com Ele como Ele está assentado com o Pai no Céu. Mas o próprio Jesus nos diz que para isso há uma condição: Se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. Quem se alimenta com a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. (Jo 6,53-55)

Se queremos ter a vida em nós mesmos, vida plena e eterna, precisamos da Eucaristia: comungar frequentemente e adorar a Jesus no Santíssimo Sacramento, para vencer com Ele e ressuscitar no último dia. Ao participarmos vivamente do sacrifício da missa, quando comungamos com o Corpo e Sangue de Cristo, Ele renova para nós o mesmo sacrifício do calvário.

Foto: Patrícia Coêlho Costa

É mais do que um banquete, é um sacrifício.

A cada missa, Jesus nos faz este convite: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir minha voz e abrir a porta, eu entrarei na sua casa e tomaremos a refeição, eu com ele e ele comigo”. É por isso que nossa presença na celebração eucarística precisa ser profunda e fervorosa, pois é o próprio Jesus que se dá nessa ceia.

No mesmo trecho do Apocalipse já citado, o Senhor nos diz: “Eu repreendo e educo os que eu amo. Esforça-te, pois, e converte-te”. Temos a crença de que a cada missa Jesus renova o seu sacrifício, mas, infelizmente, a nossa fé não tem sido traduzida em atos.

A ordem de Deus, na Palavra, é “Esforça-te, pois, e converte-te”. Estamos muito relaxados. Muitas pessoas vão à missa, mas não participam, não se colocam inteiramente na celebração. Estão somente de corpo presente, por obrigação. Nossa mentalidade precisa ser mudada! Em cada missa o Senhor quer cear e ter um contato íntimo conosco. A missa é um banquete íntimo, no qual Jesus põe sobre a mesa o seu próprio corpo e o seu próprio sangue. É mais do que um banquete, é um sacrifício. 

Eucaristia: união íntima dos fieis com Cristo

A missa é ao mesmo tempo e inseparavelmente o memorial sacrifical no qual se perpetua o sacrifício da cruz e o banquete sagrado da comunhão no Corpo e no Sangue do Senhor. Mas a celebração do Sacrifício Eucarístico está toda orientada para a união íntima dos fiéis com Cristo pela comunhão. Comungar é receber o próprio Cristo que se ofereceu por nós. (Catecismo da Igreja Católica, n. 1382). Temos o privilégio de receber Jesus na Eucaristia. Precisamos valorizar esse tesouro.

Os primeiros cristãos celebravam a Eucaristia até mesmo nos tempos difíceis de perseguição. Faziam isso de forma clandestina, às escondidas. Algumas vezes, a Eucaristia era levada também àqueles que não podiam estar na celebração, porque se encontravam longe e não tinham como chegar, ou estavam na prisão, à espera do martírio. Hoje temos muitos Ministros Extraordinários da Comunhão Eucarística que levam Jesus aos hospitais e asilos, ao encontro com as pessoas impossibilitadas de sair de casa: Ele quer chegar a todos, sem exceção.

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A Eucaristia na Vida de São Tarcísio

São Tarcísio, mártir da Igreja por volta do ano 258, morreu ao tentar levar a Sagrada Comunhão aos cristãos condenados à morte pela perseguição de Valeriano, imperador de Roma. Nas prisões, à espera do martírio, eles desejavam ardentemente fortalecerem-se com Jesus Eucarístico. Esta forma de ministrar a Eucaristia era chamada viático, isto é, “conforto na viagem para a eternidade”. O difícil era entrar nas cadeias, para levá-lo. 

Vejamos o exemplo de São Tarcísio: Na véspera de numerosas execuções de mártires, o papa Sisto II não sabia como levar o Pão dos Fortes a eles. Foi então que o acólito Tarcísio, com doze anos de idade, ofereceu-se para essa piedosa tarefa. Não faltaram objeções sobre sua idade, mas Tarcísio se dizia preparado e afirmava que, pela sua pouca idade, passaria despercebido, como um parente próximo das vítimas. Ele ainda dizia: “Antes morrer que entregar as Sagradas Hóstias aos pagãos”.

Com essa convicção, Tarcísio foi levar a comunhão aos presos. Ao passar pela Via Ápia, a grande estrada ao lado da qual se encontram as catacumbas, alguns rapazes notaram sua estranha atitude e começaram a indagar o que trazia, já suspeitando se tratar da Eucaristia, “o segredo dos cristãos”. Ele porém negou terminantemente. Foi por eles abatido, apedrejado e morto. Depois de morto, revistaram-lhe o corpo, nada achando do Sacramento de Cristo. Tarcísio morreu pela Eucaristia. Ele foi declarado padroeiro dos acólitos, dos coroinhas que servem o altar. Deixou um exemplo forte de acolhimento à sagrada Eucaristia.

Eucaristia: nosso maior presente

É preciso responder ao convite de Jesus em cada Eucaristia: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir minha voz e abrir a porta, eu entrarei na sua casa e tomaremos a refeição, eu com ele e ele comigo”. É preciso reanimar o nosso zelo pela Eucaristia. Arrepender-se e voltar-se com ardor, com fé e com gratidão ao tesouro que nos foi dado. Participar da Santa Missa frequentemente ou pelo menos aos domingos, mas que essa participação seja viva e fervorosa, tendo consciência de que se comunga o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade de Jesus. 

Agradeçamos muito a Jesus por esse grande presente que é a Eucaristia:

Obrigado, Jesus, porque estás dizendo: “Eis que estou à porta, e bato: Se alguém me abrir a porta, porque ouviu minha voz, entrarei em sua casa e cearemos”. Obrigado por esse privilégio, Senhor. Quero ouvir a tua voz e reanimar o meu zelo, a minha fé. Quero intimamente unir-me a ti, Senhor, em cada Eucaristia. Quero participar da Eucaristia como atualização no sacrifício do calvário. Esse é um privilégio maravilhoso. A Eucaristia é um presente para mim, por isso não quero mais participar com relaxamento. Quero ser fervoroso. Reanima-me, Senhor!

(Texto tirado do livro: Eucaristia: nosso tesouro – Monsenhor Jonas Abib)