A juventude do Ressuscitado ilumina a nossa juventude

Somos chamados a reconhecer em nós a juventude do Cristo

O segundo capítulo da Exortação Apostólica “Christus Vivit” traz como tema central o rosto jovem de Jesus entre nós. Somos chamados a contemplar o Cristo como o Jovem que atrai jovens a seguirem o Caminho que leva para a eternidade.

Os Evangelhos não nos relatam muitos fatos da infância e da adolescência de Jesus, senão alguns que marcaram o seu nascimento, os primeiros meses de sua vida na fuga para o Egito e o dia em que se perdeu dos seus pais aos 12 anos. Foram mais ou menos 30 anos vivendo com simplicidade na pequena Nazaré no seio da Sagrada Família e entre seus amigos e parentes.

“As primeiras imagens de Jesus, jovem adulto, são as que no-Lo apresentam na multidão ao pé do rio Jordão, para ser batizado pelo primo João Batista, como qualquer um do seu povo (cf. Mt 3, 13-17). Aquele batismo não era como o nosso, que nos introduz na vida da graça, mas foi uma consagração antes de começar a grande missão da sua vida. O Evangelho diz que o seu batismo foi motivo de júbilo e comprazimento do Pai: «Tu és o meu Filho muito amado» (Lc 3, 22). Imediatamente Jesus apareceu cheio do Espírito Santo e foi levado pelo Espírito ao deserto. Assim, estava pronto para ir pregar e fazer prodígios, libertar e curar (cf. Lc 4, 1-14). Cada jovem, quando se sente chamado a cumprir uma missão nesta terra, é convidado a reconhecer dentro de si as mesmas palavras que Deus Pai dissera a Jesus: «Tu és o meu filho muito amado». (Art 24 e 25 – Christus Vivit)

Aqui a Igreja nos chama a atenção para o relacionamento profundo que o Eternamente Jovem, Jesus, tinha com o Pai; Dele vinha sua sabedoria e autoridade capaz de confundir até mesmo aqueles que conviviam com Ele.  Esse relacionamento não aconteceu do dia para a noite, mas foi cultivado no anonimato do dia-a-dia da Família de Nazaré.

juventude

Foto: pixelfit by Getty Images

Uma juventude iluminada por Jesus

Você já parou para contemplar as atitudes, o comportamento, o jeito de ser de Jesus quando anunciava o Reino de Deus, quando ensinava, quando curava os doentes, quando estava entre seus discípulos e amigos? Não é perceptível, vibrante e plena a Sua jovialidade?

Nestes dias que celebramos as oitavas da Páscoa do Cordeiro de Deus,  a liturgia nos convida a tocar em Jesus que ressuscitou e quer fazer-nos participantes da novidade da sua ressurreição. Ele é a verdadeira juventude dum mundo envelhecido, e é também a juventude dum universo que espera, por entre «dores de parto» (Rm 8, 22), ser revestido com a sua luz e com a sua vida. Junto d’Ele, podemos beber da verdadeira fonte que mantém vivos os nossos sonhos, projetos e grandes ideais, lançando-nos no anúncio da vida que vale a pena viver” (Art 32 – Christus Vivit)

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O segredo para a juventude da Igreja

“Ser jovem, mais do que uma idade, é um estado do coração. Assim, uma instituição antiga como é a Igreja pode renovar-se e voltar a ser jovem em cada uma das várias fases da sua longa história”. (Art 34 – Christus Vivit)

A Igreja é jovem e se renova constantemente quando não tem medo de “ser ela mesma, quando recebe a força sempre nova da Palavra de Deus, da Eucaristia, da presença de Cristo e da força do seu Espírito em cada dia. É jovem quando consegue voltar continuamente à sua fonte”. (Art 35 – Christus Vivit)

Somos muitas vezes tentados a olhar para a Igreja, com seus mais de dois mil anos de fundação, e dar a ela o rótulo de envelhecida. Pelo contrário, ela é como aquela rocha que ferida pelo cajado de Moisés no deserto jorra água sempre viva e nova.  Está firmada no Cristo, Fonte de Água Viva, que ainda hoje sacia a sede de muitos à beira dos poços de nossas comunidades.

Jovem, convido-te a voltar à Fonte! Volte ao teu primeiro amor! Amor que é teu por primeiro, por ser Ele o primeiro a te amar. Não fique de braços cruzados, tome a iniciativa de ir e estender a tua vasilha. Pois, “os jovens podem conferir à Igreja a beleza da juventude, quando estimulam a capacidade «de se alegrar com o que começa, de se dar sem nada exigir, de se renovar e de partir para novas conquistas».  Quantos de nós já não são jovens e precisam de ocasiões em que tenham próxima a voz e o estímulo dos jovens, e «a proximidade cria as condições para que a Igreja seja espaço de diálogo e testemunho de fraternidade que fascina” (Art 37-38 – Christus Vivit)

 

Patrícia Coêlho Costa

Comunidade Canção Nova