{"id":6649,"date":"2009-12-02T06:12:59","date_gmt":"2009-12-02T09:12:59","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cancaonova.com\/vocacional\/?p=6649"},"modified":"2013-05-27T14:41:42","modified_gmt":"2013-05-27T17:41:42","slug":"carta-aos-sacerdotes-sobre-a-obediencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/vocacional\/carta-aos-sacerdotes-sobre-a-obediencia\/","title":{"rendered":"Carta aos sacerdotes sobre a obedi\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\"><a href=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/vocacional\/files\/2009\/12\/ratzinger16.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-6650 alignleft\" src=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/vocacional\/files\/2009\/12\/ratzinger16.jpg\" alt=\"\" width=\"206\" height=\"274\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">&#8220;Prometes filial respeito e obedi\u00eancia a mim e aos meus sucessores?&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">(Pontificale Romanum De Ordinatione Episcopi, presbyterorum et diaconorum,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">editio typica altera, Typis Polyglottis Vaticanis 1990).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Car\u00edssimos irm\u00e3os no sacerd\u00f3cio<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Ainda que n\u00e3o estejam vinculados pelo voto solene de obedi\u00eancia, os ordinandos fazem a promessa de &#8220;filial respeito e obedi\u00eancia&#8221; ao pr\u00f3prio Bispo e aos seus sucessores. Se, por um lado, \u00e9 diferente o estatuto teol\u00f3gico entre um voto e uma promessa, id\u00eantico \u00e9 o compromisso moral definitivo e total, id\u00eantica \u00e9 a oferta da pr\u00f3pria vontade \u00e0 vontade de um Outro: \u00e0 vontade Divina, eclesialmente mediada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Num tempo como o nosso, fortemente marcado pelo relativismo e pelo democratismo, com v\u00e1rios autonomismos e libertarismos, parece ser sempre mais incompreens\u00edvel uma tal promessa de obedi\u00eancia. Normalmente \u00e9 concebida como uma diminutio da liberdade humana, como um perseverar em formas obsoletas, t\u00edpicas de uma sociedade incapaz da aut\u00eantica emancipa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">N\u00f3s, que vivemos a obedi\u00eancia aut\u00eantica, bem sabemos que n\u00e3o \u00e9 assim. A obedi\u00eancia na Igreja n\u00e3o \u00e9 contr\u00e1ria \u00e0 dignidade e ao respeito da pessoa e n\u00e3o deve ser concebida como uma subtra\u00e7\u00e3o de responsabilidade ou como uma aliena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Ritual latino utiliza um adjetivo fundamental para a justa compreens\u00e3o de tal promessa. Define a obedi\u00eancia somente depois de ter inserido o &#8220;respeito&#8221;, devidamente adjetivado com &#8220;filial&#8221;. Ora, o termo &#8220;filho&#8221; em todas as l\u00ednguas \u00e9 um nome relativo, que implica a rela\u00e7\u00e3o entre o pai e o filho. Justamente neste contexto relacional deve ser compreendida a obedi\u00eancia que um dia prometemos. O pai, neste contexto, \u00e9 chamado a ser realmente pai, e o filho, a reconhecer a pr\u00f3pria filia\u00e7\u00e3o e a beleza da paternidade que lhe \u00e9 doada. Tal como informa a lei natural, ningu\u00e9m escolhe o pr\u00f3prio pai e, da mesma forma, ningu\u00e9m escolhe os pr\u00f3prios filhos. Somos, portanto, todos chamados &#8211; pais e filhos &#8211; a ter uma vis\u00e3o sobrenatural, de grande miseric\u00f3rdia rec\u00edproca e de grande respeito. Trata-se de ter a capacidade de olhar ao outro tendo presente o Mist\u00e9rio bom que o gerou e que sempre, ultimamente, o constitui. O respeito \u00e9, em linha de m\u00e1xima, simplesmente este: olhar a algu\u00e9m tendo presente a um Outro!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">S\u00f3 em um contexto de &#8220;respeito filial&#8221; \u00e9 que se torna poss\u00edvel uma aut\u00eantica obedi\u00eancia, que n\u00e3o ser\u00e1 apenas formal, mera execu\u00e7\u00e3o de ordens, mas apaixonada, completa, atenta e capaz de gerar frutos de convers\u00e3o e de &#8220;vida nova&#8221; naquele que a vive.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A promessa \u00e9 feita ao Bispo do tempo da Ordena\u00e7\u00e3o e aos seus &#8220;sucessores&#8221;, justamente porque a Igreja procura evitar os excessos personalistas. Coloca no centro a pessoa, mas n\u00e3o os subjetivismos que desvinculam da for\u00e7a e da beleza &#8211; hist\u00f3rica e teol\u00f3gica &#8211; da Institui\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m na Institui\u00e7\u00e3o, que \u00e9 de origem divina, habita o Esp\u00edrito Santo. A institui\u00e7\u00e3o \u00e9, por sua pr\u00f3pria natureza, carism\u00e1tica e, neste sentido, estar livremente ligada a ela, no tempo (sucessores) significa poder &#8220;permanecer na verdade&#8221;, permanecer n&#8217;Ele, presente e operante no seu corpo vivo que \u00e9 a Igreja, na beleza da continuidade temporal, no passar dos s\u00e9culos, que nos une indivisivelmente a Cristo e aos Ap\u00f3stolos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Pe\u00e7amos \u00e0 Ancilla Domini &#8211; que \u00e9 a obedi\u00eancia por excel\u00eancia, Aquela que tamb\u00e9m na fatiga exultou dizendo: &#8220;Eis-me aqui a escrava do Senhor, fa\u00e7a-se em mim segundo a vossa palavra&#8221; &#8211; a gra\u00e7a de uma obedi\u00eancia filial, plena, alegre e pronta; uma obedi\u00eancia que nos livre de todo protagonismo e que possa mostrar ao mundo que \u00e9 realmente poss\u00edvel doar tudo a Cristo e ser plenamente realizados e autenticamente homens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">X Mauro Piacenza<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Arcebispo tit. de Victoriana<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Secret\u00e1rio<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\n<p style=\"text-align: justify\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Prometes filial respeito e obedi\u00eancia a mim e aos meus sucessores?&#8221; (Pontificale Romanum De Ordinatione Episcopi, presbyterorum et diaconorum, editio typica altera, Typis Polyglottis Vaticanis 1990). 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