{"id":6945,"date":"2010-04-11T16:45:50","date_gmt":"2010-04-11T13:45:50","guid":{"rendered":"http:\/\/blog.cancaonova.com\/vocacional\/?p=6945"},"modified":"2010-04-10T16:54:45","modified_gmt":"2010-04-10T13:54:45","slug":"pascoa-cristo-a-arvore-da-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/vocacional\/pascoa-cristo-a-arvore-da-vida\/","title":{"rendered":"P\u00e1scoa - Cristo, a \u00e1rvore da Vida!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/vocacional\/files\/2010\/04\/bento_xvi_papa.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-6946 aligncenter\" title=\"bento_xvi_papa\" src=\"http:\/\/blog.cancaonova.com\/vocacional\/files\/2010\/04\/bento_xvi_papa-258x300.jpg\" alt=\"\" width=\"258\" height=\"300\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Amados irm\u00e3os e irm\u00e3s,<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma antiga lenda judaica, tirada do livro ap\u00f3crifo &#8220;A vida de Ad\u00e3o e Eva&#8221;, conta que Ad\u00e3o, durante a sua \u00faltima enfermidade, teria mandado o filho Set juntamente com Eva \u00e0 na regi\u00e3o do Para\u00edso buscar o \u00f3leo da miseric\u00f3rdia, para ser ungido com este e assim ficar curado. Aos dois, depois de muito rezar e chorar \u00e0 procura da \u00e1rvore da vida, aparece o Arcanjo Miguel para dizer que n\u00e3o conseguiriam obter o \u00f3leo da \u00e1rvore da miseric\u00f3rdia e que Ad\u00e3o deveria morrer. Em seguida, os leitores crist\u00e3os adicionaram a esta comunica\u00e7\u00e3o do arcanjo, uma palavra de consola\u00e7\u00e3o. O Arcanjo teria dito que, depois de 5.500 anos, viria o ben\u00e9volo Rei Cristo, o Filho de Deus, e ungiria com o \u00f3leo da sua miseric\u00f3rdia todos aqueles que acreditassem nele. &#8220;O \u00f3leo da miseric\u00f3rdia para toda a eternidade ser\u00e1 dado a quantos dever\u00e3o renascer da \u00e1gua e do Esp\u00edrito Santo. Ent\u00e3o, o Filho de Deus rico de amor, Cristo, descer\u00e1 \u00e0s profundezas da terra e conduzir\u00e1 o teu pai ao Para\u00edso, para junto da \u00e1rvore da miseric\u00f3rdia&#8221;. Nesta lenda, faz-se palp\u00e1vel toda a afli\u00e7\u00e3o do homem diante do destino de enfermidade, dor e morte que nos foi imposto. Torna-se evidente a resist\u00eancia que o homem oferece \u00e0 morte: em algum lugar &#8211; repetidamente pensaram os homens &#8211; deveria existir a erva medicinal contra a morte. Mais cedo ou mais tarde, deveria ser poss\u00edvel encontrar o rem\u00e9dio n\u00e3o somente contra as diversas doen\u00e7as, mas contra a verdadeira fatalidade &#8211; contra a morte. Deveria, em suma, existir o rem\u00e9dio da imortalidade. Tamb\u00e9m hoje, os homens andam \u00e0 procura de tal subst\u00e2ncia curativa. A ci\u00eancia m\u00e9dica atual, incapaz de excluir a morte, procura, contudo, eliminar o maior n\u00famero poss\u00edvel das suas causas, adiando-a sempre mais; procura uma vida sempre melhor e mais longa. Mas, pensemos um pouco: caso se conseguisse qui\u00e7\u00e1 n\u00e3o excluir totalmente a morte mas adi\u00e1-la indefinidamente, como seria chegar a uma idade de v\u00e1rias centenas de anos? Isto seria bom? A humanidade envelheceria numa medida extraordin\u00e1ria; n\u00e3o haveria lugar para a juventude. A capacidade de inova\u00e7\u00e3o se apagaria e uma vida intermin\u00e1vel n\u00e3o seria um para\u00edso, mas uma condena\u00e7\u00e3o. A verdadeira erva medicinal contra a morte deveria ser diversa. N\u00e3o deveria levar simplesmente a uma prolonga\u00e7\u00e3o indefinida desta vida atual. Deveria transformar a nossa vida a partir do interior. Deveria criar em n\u00f3s uma vida nova, verdadeiramente capaz de eternidade: deveria transformar-nos de tal modo que n\u00e3o terminasse com a morte, mas com ela iniciasse em plenitude. A novidade impressionante da mensagem crist\u00e3, do Evangelho de Jesus Cristo era, e ainda \u00e9, dizer-nos isto: sim, esta erva medicinal contra a morte, este aut\u00eantico rem\u00e9dio da imortalidade existe. Foi encontrado. \u00c9 acess\u00edvel. No Batismo, este medicamento nos \u00e9 dado. Uma vida nova come\u00e7a em n\u00f3s, uma vida nova que amadurece na f\u00e9 e n\u00e3o \u00e9 cancelada pela morte da vida velha, mas s\u00f3 ent\u00e3o se tornar\u00e1 plenamente vis\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ouvindo isto alguns, qui\u00e7\u00e1 muitos, responder\u00e3o: a mensagem sim, eu escuto, mas falta-me a f\u00e9. E, mesmo quem quer acreditar perguntar\u00e1: mas, \u00e9 verdadeiramente assim? Como devemos imagin\u00e1-la? Como se realiza esta transforma\u00e7\u00e3o da vida velha, de tal modo que nela se forme a vida nova que n\u00e3o conhece a morte? Mais uma vez, um antigo escrito judaico pode nos ajudar a ter uma id\u00e9ia daquele processo misterioso que tem in\u00edcio em n\u00f3s no Batismo. Neste escrito se conta que o patriarca Henoc foi arrebatado at\u00e9 ao trono de Deus. Mas, ele se atemorizou \u00e0 vista das gloriosas potestades ang\u00e9licas e, na sua fraqueza humana, n\u00e3o p\u00f4de contemplar a Face de Deus. &#8220;Ent\u00e3o Deus disse a Miguel &#8211; assim continua o livro de Henoc &#8211; &#8216;Toma Henoc e tira-lhe as vestes terrenas. Unge-o com o \u00f3leo suave e reviste-o com vestes de gl\u00f3ria! &#8216; E, Miguel tirou as minhas vestes, ungiu-me com \u00f3leo suave; este \u00f3leo possu\u00eda algo mais que uma luz radiosa&#8230; O seu esplendor era semelhante aos raios do sol. Quando me vi, eis que eu era como um dos seres gloriosos&#8221; (Ph. Rech, Inbild des Kosmos, II 524).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isto mesmo &#8211; ser revestidos com a nova veste de Deus &#8211; verivica-se Batismo; assim nos ensina a f\u00e9 crist\u00e3. \u00c9 verdade que esta mudan\u00e7a das vestes \u00e9 um percurso que dura toda a vida. Aquilo que acontece no Batismo \u00e9 o in\u00edcio de um processo que abarca toda a nossa vida -torna-nos capazes de eternidade, de tal modo que, na veste de luz de Jesus Cristo, podemos aparecer diante de Deus e viver com Ele para sempre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No rito do Batismo, h\u00e1 dois elementos nos quais este evento se expressa e torna vis\u00edvel, tamb\u00e9m como exig\u00eancia para o resto da nossa vida. Em primeiro lugar, temos o rito das ren\u00fancias e das promessas. Na Igreja Antiga, o batizando virava-se para ocidente, s\u00edmbolo das trevas, do p\u00f4r do sol, da morte e, portanto, do dom\u00ednio do pecado. O batizando virava-se para aquela dire\u00e7\u00e3o e pronunciava um tr\u00edplice &#8220;n\u00e3o&#8221;: ao diabo, \u00e0s suas pompas e ao pecado. Com a estranha palavra &#8220;pompas&#8221;, ou seja, o fausto do diabo, indicava-se o esplendor do antigo culto dos deuses e do antigo teatro, onde a divers\u00e3o era ver pessoas vivas sendo dilaceradas pelas feras. Portanto, isto era o rep\u00fadio de um tipo de cultura que acorrentava o homem \u00e0 adora\u00e7\u00e3o do poder, ao mundo da cobi\u00e7a, \u00e0 mentira, \u00e0 crueldade. Era um ato de liberta\u00e7\u00e3o da imposi\u00e7\u00e3o de uma forma de vida que se apresentava como prazer e, contudo, levava \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o daquilo que no homem s\u00e3o as suas qualidades melhores. Esta ren\u00fancia &#8211; com um comportamento menos dram\u00e1tico &#8211; constitui ainda hoje uma parte essencial do Batismo. Assim removemos as &#8220;vestes velhas&#8221;, com as quais n\u00e3o se pode estar diante de Deus. Melhor dito: come\u00e7amos a dep\u00f4-las. Com efeito, esta ren\u00fancia \u00e9 uma promessa na qual damos a m\u00e3o a Cristo, para que Ele nos guie e revista. Quais sejam as &#8220;vestes&#8221; que depomos e qual seja a promessa que pronunciamos fica claro quando lemos, no quinto cap\u00edtulo da Carta aos G\u00e1latas, aquilo que Paulo denomina &#8220;obras da carne&#8221; &#8211; termo que significa precisamente as vestes velhas que devem ser depostas. Paulo as designa assim: &#8220;fornica\u00e7\u00e3o, libertinagem, devassid\u00e3o, idolatria, feiti\u00e7aria, inimizades, contendas, ci\u00fames, iras, intrigas, disc\u00f3rdias, fac\u00e7\u00f5es, invejas, bebedeiras, orgias e coisas semelhantes a essas&#8221; (Gal 5, 19ss). S\u00e3o estas as vestes que depomos; s\u00e3o vestes da morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seguida, o batizando na Igreja Antiga se virava para oriente &#8211; s\u00edmbolo da luz, s\u00edmbolo do novo sol da hist\u00f3ria, novo sol que se levanta, s\u00edmbolo de Cristo. O batizando determina a nova dire\u00e7\u00e3o da sua vida: a f\u00e9 em Deus trino, a quem ele se oferece. Assim, o pr\u00f3prio Deus nos veste com o traje de luz, com a veste da vida. Paulo chama a estas novas &#8220;vestes&#8221; &#8220;fruto do Esp\u00edrito&#8221; e as descreve com as seguintes palavras: &#8220;caridade, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, lealdade, mansid\u00e3o, contin\u00eancia&#8221; (Gal 5, 22).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Igreja Antiga, depois o batizando era verdadeiramente despojado das suas vestes. Descia \u00e0 fonte batismal e era imerso por tr\u00eas vezes &#8211; um s\u00edmbolo da morte que significa toda a radicalidade deste despojamento e desta mudan\u00e7a de veste. Esta vida, que em todo o caso j\u00e1 est\u00e1 voltada \u00e0 morte, o batizando a entrega \u00e0 morte, junto com Cristo, e por Ele se deixa arrastar e elevar para a vida nova, que o transforma para a eternidade. Depois subindo das \u00e1guas batismais, os ne\u00f3fitos eram revestidos com a veste branca, a veste luminosa de Deus, e recebiam a vela acesa como sinal da vida nova na luz que Deus mesmo acendera neles. Eles sabiam que tinham obtido o rem\u00e9dio da imortalidade, que agora, no momento de receber a sagrada Comunh\u00e3o, tomava a sua forma plena. Na Comunh\u00e3o, recebemos o Corpo do Senhor ressuscitado e n\u00f3s mesmos somos atra\u00eddos para este Corpo, de tal modo que ficamos j\u00e1 guardados por Aquele que venceu a morte e nos conduz atrav\u00e9s da morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No decorrer dos s\u00e9culos, os s\u00edmbolos tornaram-se mais escassos, mas o acontecimento essencial do Batismo continue sendo o mesmo. Este n\u00e3o \u00e9 apenas um lavacro, e menos ainda uma recep\u00e7\u00e3o um pouco complicada numa nova associa\u00e7\u00e3o. O Batismo \u00e9 morte e ressurrei\u00e7\u00e3o, renascimento para a nova vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sim, a erva medicinal contra a morte existe. Cristo \u00e9 a \u00e1rvore da vida, que se fez novamente acess\u00edvel. Se aderimos a ele, ent\u00e3o estamos na vida. Por isso, nesta noite da ressurrei\u00e7\u00e3o, cantaremos com todo o cora\u00e7\u00e3o o aleluia, o canto da alegria que n\u00e3o tem necessidade de palavras. Por isso Paulo pode dizer aos Filipenses: &#8220;alegrai-vos sempre no Senhor; eu repito, alegrai-vos!&#8221; (Fl 4, 4). N\u00e3o se pode comandar a alegria. Somente pode ser dada. O Senhor ressuscitado nos d\u00e1 a alegria: a verdadeira vida. J\u00e1 estamos protegidos para sempre guardados no amor daquele a quem foi dado todo o poder no c\u00e9u e na terra (cf. Mt 28,18). Assim, seguros de ser escutados, pe\u00e7amos como diz a ora\u00e7\u00e3o sobre as oferendas que a Igreja eleva nesta noite: Acolhei, \u00f3 Deus, com estas oferendas as preces do vosso povo, para que a nova vida, que brota do mist\u00e9rio pascal, seja por vossa gra\u00e7a penhor da eternidade. Am\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">por Papa Bento XVI<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Amados irm\u00e3os e irm\u00e3s, Uma antiga lenda judaica, tirada do livro ap\u00f3crifo &#8220;A vida de Ad\u00e3o e Eva&#8221;, conta que Ad\u00e3o, durante a sua \u00faltima enfermidade, teria mandado o filho Set juntamente com Eva \u00e0 na regi\u00e3o do Para\u00edso buscar&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_mi_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_joinchat":[],"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/vocacional\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6945"}],"collection":[{"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/vocacional\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/vocacional\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/vocacional\/wp-json\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/vocacional\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6945"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/vocacional\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6945\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6947,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/vocacional\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6945\/revisions\/6947"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/vocacional\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6945"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/vocacional\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6945"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blog.cancaonova.com\/vocacional\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6945"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}