Hoje em dia, as mulheres estão bem mais interessadas em carreiras profissionais e menos desejosas do

 papel no lar. Porém cada um desses papéis tem a sua importância. Atualmente é comum a mulher se perguntar, qual é o meu papel de mulher cristã na sociedade? Refletiremos essas realidades por meio do cenário da vida de Rute que realizou o papel da mulher no lar, na igreja pela fé e na sociedade. Rute como heroína nos convida a  olhar para dentro de cada  mulher que luta todos os dias pela manutenção de sua vida e daqueles que ama,  trabalhando incansave

lmente para isto e fazendo o que for necessário para  consegui-lo seja no serviço doméstico ou não. Rute traduz em sua vida o que é fidelidade, amor, submissão, força, valor e fé.

Nesta série “VIRTUOSAS RUTE” vou apresentar Rute como uma heroína da Antiguidade,  considerando seu contexto histórico,  sua aliança de fidelidade e obediência em amor à Noemi, ao seu povo e ao seu Deus. Rute é uma mulher coerente diante da opção de vida que ela fez e sofre todas as consequências desta fidelidade. Nela nós mulheres, solteiras, casadas, leigas, consagradas, religiosas, celibatárias, viúva

s, cristãs; somos convidadas a refletirmos a nossa coerência de vida diante das nossas escolhas e compromissos afirmados.

Em uma visão literária, podemos afirmar que Rute é uma típica mulher-heroína de seu tempo. Neste sentido, a segunda parte do livro estuda a obra  no universo literário e verifica que os heróis e as heroínas  são, de fato, modelos de homens e mulheres extremamente reais que saem em  busca de uma nova aventura cheia de desafios e tornam-se mais fortes à medida  que os vencem e, cheios de força e bondade, continuam a trilhar o seu caminho de santidade.

É verdade que muitas vezes nas literaturas buscamos heróis e heroínas que nos apresentem o  maravilhoso e o fantástico, sendo até seres superiores, mas na literatura cristã, encontramos pessoas simples que pelo processo de humanização e fidelidade a Deus, nos ensina a sermos pessoas melhores, verdadeiros construtores de uma aliança de fidelidade para com Deus e o seu reino.

A beleza da natureza de mulher de Rute, supera seu aspecto físico, pois ela ganhou o destaque na história do povo Israelita por meio das suas virtudes. Ela é uma mulher estrangeira no meio de um povo que  não é o seu. Povo que deveria desprezá-la, mas que a percebe como alguém cheia  de virtude.  Rute é tipicamente uma mulher pobre e viúva, que tem uma sogra, Noemi, que não tem de onde tirar seu  sustento, apesar desta ter um campo para vender. Campo que deixara quando foi  para Moab acompanhar o marido e os filhos em busca de pão. Rute diante da realidade em que ela e a sua sogra se encontravam, era incansável no trabalho, e seu trabalho foi obter para si e  para a sua  sogra o que conseguira respigar até o fim da colheita da cevada e do trigo  nos campos de Booz.

Cinco mulheres foram citadas na genealogia de Jesus (Mt 1:1-17): Tamar, Raabe, Rute, mulher de Urias (Bate-Seba) e Maria. Dentre elas, vamos adentrar na vida de Rute, que de pagã por sua conversão e fidelidade a Deus, fez parte da genealogia de Jesus, nosso salvador, a atitude de Rute deixar Moabe possibilitou sua participação na descendência de Jesus, mesmo que ela não tivesse consciência disso.

É interessante refletir onde o livro de Rute está inserido na bíblia, entre Juízes e 1 Samuel. O Livro de Juízes mostra uma situação de caos do povo que estava distante de Deus e o primeiro Livro de Samuel mostra o início de uma nova fase do povo, a era dos Reis. O Livro de Rute é a transição do caos para uma nova era! Dessa mesma forma, esse é o objetivo deste livro: retirar em especial você mulher do caos e da distância de Deus e levá-la para a vontade do Senhor em sua vida, por isso além de um estudo bíblico, analítico e semiótico do arquétipo feminino de Rute, vamos buscar nos conhecermos e reconhecermos como mulheres de Deus que tem sua importância para a sociedade.

Huanna Cruz – CN