No mundo das relações humanas, a base fundamental é conhecer-se e, conhecendo, estabelecer relacionamentos verdadeiros. Muitas vezes, prevalece o medo de entrar em nosso interior e tomar posse do que realmente somos e cremos, sem criar máscaras de proteção, que escondem nossa verdadeira imagem. A busca de conhecimento do outro, passa necessariamente pelo conhecimento de nós mesmos. O desconhecido em nós, faz com que não tenhamos a força suficiente para ir ao encontro do outro, como somos. Tomar posse do meu eu, para possuir o eu do outro.
Anselm Grün, monge escritor alemão afirma: “Quanto mais o medo me leva a evitar um olhar para o meu interior, mais forte torna-se o medo do desconhecido em mim”. Jesus fala desse medo do desconhecido quando dirige suas palavras aos doze que escolhera: “Não tenhais medo deles, porque não há nada encoberto que não venha a ser revelado, nem escondido que não venha a ser conhecido”.
Dizei à luz do dia o que vos digo na escuridão e proclamai de cima dos telhados o que vos digo ao pé do ouvido”(MT 10,26). Certamente, Jesus estava falando aos seus colaboradores em circunstências bem diferentes à nossa, porém, penso que essas palavras podem ser referidas ao medo que existe em nós.
A capacidade de parar e encarar o positivo e o negativo que existe em nós, muitas vezes é abafada pelo medo de nos surpreender com uma explosão do que realmente somos. O medo é fruto de uma atitude muito pessimista em relação a nós mesmos. Na medida em que revelamos, a nós, o nosso interior e assumimos a realidade pessoal do jeito que ela é, passamos a viver uma liberdade jamais vivida.
Não temos nada a esconder e muito menos a guardar sob sete chaves. A transparência é o espelho da alma que acredita ser o que ela é para conhecer e amar o outro como ele é. Vivemos tão pouco, porque não estabelecer relacionamentos sinceros e verdadeiros sem medo de nós e do outro? Na medida que amo em mim, a riqueza e a pobreza com que Deus me fez, serei capaz de amar a riqueza e a pobreza do outro.
“Para Deus nada fica no escuro. Já o Salmo 139, assim se expressa: “ Se eu disser: As trevas, ao menos, vão me envolver e a luz, à minha volta, se fará noite, nem sequer as trevas são bastante escuras para ti, e a noite é tão clara como o dia, tanto faz a luz como as trevas. Pois tu plasmaste meus rins, tu me tecestes no seio de minha mãe. Graças te dou pela maneira espantosa como fui feito tão maravilhosamente”(Sl 139,11-14). A escuridão não é o lugar do afastamento de Deus, mas de sua especial proximidade. Lá ele fala ao meu coração e ilumina tudo em mim com a luz de seu amor. Ele sabe o que existe dentro de mim. Ele o desvenda para mim. Por isso não preciso mais encobri-lo de mim nem dos outros. Tudo o que há em mim é perpassado pela luz de Jesus. O próprio Jesus desceu para esta escuridão a fim de iluminá-la com sua luz”.(Anselm Gün).
No caminho da realização pessoal, o passo fundamental para ser feliz está no abandono do medo de nós mesmos, para mergulhar no nosso interior conhecendo o mais profundo de nossos sentimentos e emoções, iluminados pela luz de Jesus. Assim seremos capazes de mergulhar no conhecimento dos outros e estabelecer relacionamentos verdadeiros, sem preconceitos ou julgamentos indevidos. Nossa convivência em casa, no trabalho, no lazer, na comunidade será agradavelmente prazerosa, quando amarmos o que conhecemos em nós, para poder amar o que conhecemos no outro.
Dom Anuar Batisti
Arcebispo Metropolitano de Maringa-PR
Dom Moacir Silva, fala ao nosso blog, sobre as orientações contidas no “decreto” emitido aos diocesanos, a fim de evitar situações e circunstâncias que facilitem a transmissão do vírus da “gripe suína”, nas celebrações.
Ouça a entrevista:[audio:http://www.podcast1.com.br/canais/canal3335/Dom_Moacir_blog1.mp3]
Temos tudo em Jesus. Ele é tudo para nós. Queres curar tuas feridas? -Ele é o Médico. Acalmar o ardor da febre? – Ele é a Fonte da água viva. Punir a iniqüidade? – Ele é a Justiça. Precisas de socorro? – Ele é a Força. Receias a morte? – Ele é a Vida. Procuras o céu? – Ele é o Caminho. Se foges das trevas – Ele é a Luz. Se tens fome – Ele é o Alimento.
Foi o Papa João Paulo II que nos alertou para esta grande e extraordinária dimensão: “Depois dos sacramentos, a maior e a mais útil devoção é a devoção eucarística”, o culto a Jesus Eucarístia fora da celebração da Missa. É Ele que está em cada sacrário. O sacrário deve ser um pólo de atracção, como um íman divino a atrair-nos para a adoração, para a contemplação, para a reparação, para o louvor, para a presença amorosa e agradecida junto de Jesus.Se Jesus está lá, não podemos deixar de lá ir, para estar com Ele, com amizade, com o coração cheio de fé, com devoção, com muita gratidão por Ele ter ficado connosco. Que se passa na nossa fé e na nossa vida de cristãos, pastores e fiéis, tão pouco centrados na Eucarístia, desenvolvendo tão pouco o culto eucarístico fora da Missa? Quanto bem viria para nós, para as nossas famílias, para as nossas paróquias, para as nossas dioceses…. Saibamos retribuir com amor eucarístico a paixão que Jesus tem por nós. E as nossas vidas serão diferentes, as nossas famílias renovadas, as nossas paróquias revitalizadas.
Hoje é dia de São Joaquim e de Santa Ana, pais de Nossa Senhora, e também se comemora o Dia Nacional dos Avós.
“(…) Num mundo apressado, com amnésia generalizada sobre o seu passado, angustiada quanto ao futuro e à deriva na atualidade, os Avós são, ou devem ser, como que bússolas que apontam rumos, ou âncoras de estabilidade, na discrição que se impõe na sua atuação junto dos filhos e dos netos.
Os Avós, como elos de uma longa cadeia de gerações que é cada Família, são figuras importantíssimas e a quem a sociedade deve respeitar e amar.
Não sendo nem devendo ser “pais duas vezes”, os Avós são não raras vezes referências estruturantes no seio da Família, sobretudo quando a saúde, a disponibilidade e a proximidade proporcionam o contato com os netos. Esta relação, quando efetiva e carregada de afeto, pode favorecer um desenvolvimento equilibrado de cada criança. A falta dos Avós no processo do crescimento das novas gerações é, sem dúvida, um fator de empobrecimento cultural, social e espiritual. (…)
Por isso, faz sentido celebrarmos os Avós e, com o crescente aumento de esperança de vida, talvez começarmos a pensar nos Bisavós que são cada vez mais e a quem nem sempre se dá a devida atenção já que, não raras vezes, vivem já com severas limitações, mas carecendo sempre de ser amados.
Neste Dia Nacional dos Avós, não deixaremos de recordar os que já partiram. Eles também não devem ser esquecidos!”
O Papa Bento XVI reconheceu que os avós «podem ser -e são tantas vezes- os responsáveis pelo afeto e ternura que todo ser humano necessita dar e receber».
«Eles dão aos pequenos a perspectiva do tempo, são memória e riqueza das famílias», seguiu dizendo.
«Deus permita que, sob nenhum pretexto, sejam excluídos do círculo familiar», disse o pontífice.
«São um tesouro que não podemos arrebatar das novas gerações, sobretudo quando dão testemunho de fé diante da proximidade da morte», ressaltou.
Padre Tequinho – Paróquia Bom Jesus em Tremenbé -SP, participa do Programa “ Clube do Ouvinte”, com a locutora Gleiciane de Castro, na Rádio Canção Nova do Grande Vale – 1250 AM.
Ouça o convite do Pe.Téquinho, para a festa do Senhor Bom Jesus.
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Pelo dom e pela unção do batismo, cada batizado é sacerdote com Cristo, participa no sacerdócio comum dos fiéis. Todos os batizados, de qualquer raça, condição, idade, são sacerdotes com Cristo e, por isso, devem exercer o tríplice múnus que o próprio Jesus exerceu, devem ser profetas, sacerdotes e pastores (reis).
Profetas para anunciar as riquezas inesgotáveis de Cristo, evangelizar, proclamar com a boca e com a vida as verdades da fé. Sacerdotes para ajudar a santificar o Povo de Deus, sobretudo através da oração e dos sacramentos. Pastores, exercendo a sua função real, cuidando das ovelhas do Rebanho do Senhor, sobretudo as mais doentes, mais pobres, mais abandonadas e tresmalhadas, mais pecadoras.
Cada cristão, pelo dom do batismo, tem estas três funções a desempenhar. Deve fazê-lo com o coração em Cristo, Único e Eterno Sacerdote, imitando a maneira como Ele viveu e exerceu o seu sacerdócio. Isso exige do cristão a consciência de que participa do sacerdócio comum dos fiéis, de que é sacerdote com Cristo, de que tem de exercer a sua “função sacerdotal”.
Como vive cada um de nós, cada uma destas funções? Sentimo-nos profetas, sacerdotes, pastores? Como podemos intensificar este exercício, este dom e esta graça?
A primeira dimensão do casal é crescer. A mulher tem que crescer por causa do marido, tem que ser mais feliz por causa dele, e o marido precisa crescer por causa da esposa, precisa ser feliz por causa dela. O casamento começa a fracassar quando um não é fermento de crescimento para o outro. Eu tenho certeza que na eternidade Deus vai dizer a muitas mulheres: “muito obrigado porque eu te dei um homem difícil, sem fé, mas você mudou a vida desse meu filho, você o fez crescer, entra para a glória”. E Deus também vai dizer para muitos homens: “eu te dei uma mulher complicada, mas você a fez crescer”. Essa é a beleza do casamento, você vê o outro crescer.
Quando um casal se ama de verdade a educação dos filhos é muito fácil, o exemplo transborda para os filhos, a gente educa os filhos pela vida. Se esse casal vive brigando, não reza, será difícil educar os filhos.
Hoje muitos jovens não querem casar por causa do exemplo de seus pais. Não podemos passar para os filhos essa imagem negativa do casamento. O casamento é obra de Deus, não separe o homem o que Deus uniu, diz Jesus. Por amor aos filhos temos que viver bem, eles têm que ser motivação para que nós casais superemos as dificuldades.
Reze pela pessoa antes de apontar um defeito, aponte primeiro a qualidade, escolha a hora certa para falar, não corrija na frente do outros, corrija com carinho com palavras doces, não humilhando na frente dos outros, não desenterre os erros do passado, todos temos erros, as vezes, numa briga jogamos erros do passado que machuca os outros. Não seja displicente com a pessoa amada. Quando o marido chega, você tem que parar o que está fazendo e recebê-lo. Regue teu casamento. Saiba pedir perdão, perdoe: “eu errei, não vou mais fazer isso”. Todos nós erramos e temos direito de ser perdoados, mas devemos pedir perdão. Quando um não quer, dois não brigam, católico não briga. A melhor educação que damos para os filhos é a nossa vida, filho de peixe é peixinho.
Os pais que amam seus filhos os corrigem. Deus deu autoridade aos pais para a correção, é uma autoridade que Deus lhe dá, pois toda paternidade vem de Deus, diz o apóstolo. Não precisa usar de violência, palavras ofensivas. Corrija com amor, senão mais tarde você não conseguirá educar seu filho.
Meu pai sempre dizia: ”não façam nada contra sua consciência, não compensa”. Quando a gente estava numa situação difícil ele dizia: “sustenta o fogo, a vitoria será nossa”. Eu tive um pai maravilhoso.
Para que os pais deem ensinamentos aos seus filhos é preciso que eles conquistem seus filhos. Se você não conquistá-lo, ele não vai te ouvir. Como conquistar um filho? É você fazer o filho ter orgulho de você, um santo orgulho. Dando para ele todo o dinheiro que ele quer? Não! Se assim for o pobre não vai poder conquistar os filhos. Você conquista seu filho não é dando coisas a ele, mas conquista quando você se dá a ele. É claro que a gente pode dar algumas coisas, dentro do equilíbrio, dentro da condição financeira, mas não é isso que vai conquistar.
Você precisa ter tempo para seu filho, gaste seu tempo com seu filho, principalmente quando criança até adolescência. “Ah! Mas tenho as coisas da Igreja”. A Igreja precisa vir em segundo lugar, pois você é pai não é padre. Deus nos dá o tempo suficiente, não somos padres e freiras, somos pais e mães, não podemos deixar nossos filhos carentes de pai e mãe. Deus quer que cuidemos de nossos filhos.
Há sempre alguém do seu lado precisando de uma palavra amiga, de um consolo, e até mesmo de uma motivação para ser melhor e viver feliz.
Pe Léo S.C.J. , fundador da Comunidade Bethânia, considerado um dos maiores pregadores da Renovação Carismática Católica , traz em suas palestras, recheadas de sabedoria e bom humor, reais motivos para uma mudança de vida a partir do encontro com Cristo.
“Coletânea de palestras do Pe. Léo”: 7 bons motivos para você levar a Palavra de Deus a quem você ama.
Um box com 7 cd´s com as palestras: 1- A necessidade da cura interior
2- Como bambus no getsêmani
3- Família: lugar da benção de Deus
4- Família restaurada
5- O segredo de um casamento feliz
6- Casa sobre a rocha
7- Cristãos light
Jesus vai sempre falar que vai enviar o Espírito Santo e diz que quando Ele for, vai mandar o Defensor. O Senhor afirma que rogará ao Pai e nos dará outro Paráclito, que ficaria conosco eternamente. Veja essa promessa que Cristo nos faz!
Agora o Senhor define que o Paráclito é o Espírito Santo. Se Jesus está falando isso é porque o Paráclito tem uma importância muito grande porque é Ele quem vai nos dar forças.
Quem dá testemunho de Deus o faz porque o Espírito Santo está dentro dele desde o começo; Jesus também fala que quem seguir a Deus vai ser perseguido.
Vai haver situações na nossa vida em que vamos ter de passar por dificuldades. E não pense que, por aceitar a Deus em sua vida, você não irá passar por provações, porque talvez você comungue toda a semana, faça adoração diariamente, etc.. Mesmo passando por provações, não devemos abandonar a Deus e quando passarmos por elas não vamos nos decepcionar com Ele porque Jesus já nos explicou que quem está com Ele iria passar por dificuldades.
Existem muitas pessoas decepcionadas com Deus porque pensavam que nada de mau iria lhes acontecer. Mas quando algo ruim acontecer o Senhor vai nos dar forças para continuarmos, pois Ele já sofreu por nós, já morreu por nós!
Só a força do Alto para nos dar força, também aqui na terra, para podermos continuar, por exemplo, no casamento, porque as pessoas hoje só querem estar na hora da felicidade ao lado da pessoa com quem se casaram. Mas é preciso lembrar que foi prometido estar na tristeza e na doença também ao lado do outro [na celebração matrimonial]. Durante as dificuldades é hora de pedir forças para Deus para conseguirem continuar unidos; o mesmo vale para várias outras situações. Porque o mal procura cada chance mínima para entrar na nossa vida e estragar tudo. Por essa razão, devemos ter mais fé para não permitir isso. Fazemos isso pedindo força e confiando em Deus e assim o mal vê que você pertence ao Senhor.
E nunca esqueçam que existe sempre um lugar melhor e o lugar melhor é do lado de Deus quando vencemos as dificuldades e chegamos lá.
Vinde Espírito Santo / E dai-nos o Dom da Sabedoria / Para que possamos avaliar todas as coisas à luz do Evangelho / E ler nos acontecimentos da vida os projetos de amor do Pai / Dai-nos o Entendimento / Uma compreensão mais profunda da verdade / A fim de anunciar a salvação com maior firmeza e convicção / Dai-nos o Dom do Conselho / Que ilumina a nossa vida / E orientai a nossa ação segundo vossa Divina Providência / Dai-nos o Dom da Fortaleza / Sustentai-nos no meio de tantas dificuldades / Com vossa coragem para que possamos anunciar o Evangelho / Dai-nos o Dom da Ciência / Para distinguir o Único Necessário / Das coisas meramente importantes / Dai-nos Piedade / Para reanimar sempre mais nossa íntima comunhão convosco / E, finalmente, dai-nos vosso santo Temor / Para que, conscientes de nossas fragilidades, / Reconhecermos a força da vossa graça./ Vinde Espírito Santo / E dai-nos um novo coração. Amém.
(Inspirada na Carta de João Paulo II aos sacerdotes do mundo inteiro por ocasião da quinta-feira santa de 1998)
A grande mística e a primeira Doutora da Igreja Santa Teresa de Ávila dizia: “Quando penso nos
sofrimentos que o Senhor suportou sendo inteiramente inocente, não sei onde vem à cabeça lamentar-se dos meus sofrimentos. O mérito consiste no sofrer e amar”.
É do sofrimento que nasce a sabedoria e o heroísmo. Os gregos já diziam que “sofrimento é escola“. E o ínclito sábio Santo Agostinho afirmava: “A cruz é uma escola”.
O sofrimento é uma experiência bastante dolorosa é inesquecível e deixa profundas marcas na alma. Não importa que seja curto ou prolixo.
Muitas das vezes o sofrimento é causado pela doença, enfermidade, falta de caridade de certas pessoas, ingratidão, injustiça, abandono, rompimento de uma paixão, saudade, solidão, tristeza, desemprego, miséria, fome, separação conjugal, angústia profunda, envelhecimento e a perda de um ente querido.
O pensador latino Publílio Siro disse: “A dor da alma é muito mais penosa que a do corpo”. Aqui entra o contexto psicológico do sofrimento na alma, causado pela depressão, traumas, recalque, melancolia, fobias, frustrações e vários tipos de complexos.
Muita gente não agüenta a dura realidade da vida. Não suporta viver gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Brandam contra este desterro de dor e infortúnio.
O vale de lágrimas, vale tenebroso ou vale da sombra da morte, contém as mazelas da vida: traição, covardia, calúnia, difamação, cobiça, soberba, avareza, luxúria, ira, gula, inveja, preguiça e boçalidade.
Como viver com tudo isso? De maneira aguerrida. “Nenhum mal temerei, pois Deus está junto a
mim” (Salmo 23,4).
Do Calvário ao Paraíso, resta a fé, a paciência e a esperança. Enquanto isso, diz a sentença latina: “Opus divinum est sedáre dolórem – É obra divina aliviar a
dor alheia”.
Pe. Inácio José do Vale Pároco da Paróquia São Paulo Apóstolo
Professor de História da Igreja
Faculdade de Teologia de Volta Redonda
Semana passada encontrei um líder da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), com o qual tenho relação de amizade e de confiança mútua. E me lembrei: nossas Igrejas levaram 400 anos para superar o conflito e entrar em comunicação dialogal.A Igreja Metodista do Brasil comunicou que em qualquer organização ecumênica, em que participa a Igreja Católica, os metodistas se retiram ou não entram! Os metodistas foram líderes do diálogo e da cooperação ecumênica no Brasil! Todos os membros da Igreja Metodista, com os quais tive contato, são pessoas excelentes. O que torna a comunicação entre nós tão difícil?
Conheço uma comunidade católica, em que os membros mais velhos e mais instruídos excluem os mais jovens e os condenam, porque estão errados! Está estabelecido o conflito, sem comunicação! Vejo parte dos jovens navegar na Internet, sem participar do esforço de transformar o mundo. Também não vejo a juventude atual empenhada numa nova espiritualidade, que ajude a Igreja Católica a ser testemunha da Boa Nova de vida, de liberdade e de comunhão. Ou como diz Casaldáliga, “uma boa nova de misericórdia, de acolhida, de perdão, de ternura, samaritana à beira de todos os caminhos da humanidade”.
E nossas famílias? Quanta falta de diálogo, de comunicação! As novas tecnologias são fantásticas, mas frias. A economia globalizada é cruel para com os miseráveis. Sem solidariedade.
Neste contexto surgiu o “Mutirão de Comunicação da América Latina e Caribe”, para uma cultura solidária. O mutirão aconteceu nos dias 12 a 17 deste mês de julho, na PUC de Porto Alegre.
É hora de as Igrejas, as lideranças pastorais e educacionais, inclusive as organizações juvenis se desinstalarem e entrar em diálogo. A comunicação entre nós deve melhorar! Afinal, estamos todos no mesmo barco.
João Paulo II lembrava que arazão deve ser curada pelo amor. Também a técnica fria deve ser curada pelo amor. Devemos aprender a trabalhar os conflitos, a proteger os fracos, perdoar os culpados, reconstruir amizades e construir um mundo de paz.
Podemos participar do mutirão de comunicação e “promover espaços de diálogo sobre os processos de comunicação, à luz da solidariedade e da construção de uma sociedade comprometida com justiça, liberdade e paz”.
Dom Aloísio Sinésio Bohn
Bispo da Diocese de Santa Cruz do Sul
“Padre, por que eu peço tanto e parece que Jesus não me escuta?”
Nesses últimos dias recebi uma carta de alguém que me fazia este questionamento. Aliás, não foi a primeira vez que escutei isto. Muitos continuam ainda hoje a se perguntar: “Se Jesus disse que o que pedisse em nome dele, ele faria, por que não faz comigo?”
Entender essa situação não é tarefa fácil, porém podemos tentar um caminho. Olhando a Escritura Sagrada, vamos encontrar algumas possibilidades de resposta. Em João 15, Jesus deixa seu recado e a condição para que a graça aconteça na vida daquele que o ama e o segue: “Permanecei em mim e eu permanecerei em vós”.
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Vivemos numa sociedade que tem como desafio maior a constância, a perseverança nas coisas, uma vez que tudo parece descartável, para uso e prática temporária, experimental apenas. Ora, o que dizer de um Deus que fosse experimental onde hoje eu quero e amanhã ele já não me serve mais? Eis o desafio: permanecer nele, do jeito que um ramo permanece ligado ao tronco. Até que alguém possa podá-lo, o ramo se mantém fiel e ligado à sua raiz. É a nossa situação e desafio frente à exigência de Jesus: como manter-se unido a Ele em meio a um mundo em constantes mudanças?
E então, como fica a questão da prece que não é atendida? Que ligação tem com o pedido de Jesus?
Podemos trilhar um caminho de compreensão a partir de uma simples comparação. Se colocarmos um vasilhame embaixo de uma torneira com água corrente ou de uma bica, certamente este vasilhame encherá e até transbordará, caso não se encontre nele nenhum dano que impeça de assim acontecer. Se o vasilhame, porém, não estiver em bom estado, provavelmente a água passará por ele, sem que ele retenha nenhuma gota. Do mesmo modo podemos entender quando fazemos os pedidos diante de Jesus e exigimos que ele nos atenda.
A água (a graça) vem e virá sempre. Mas precisa que o “depósito” (nós) que vai recebê-la esteja em perfeita condição para isto. E qual a condição para que o nosso “depósito” receba a “água”? Em 1João 3,22 nos diz que “qualquer coisa que pedirmos, dele a receberemos, porque guardamos os seus mandamentos”. Aí esta a chave da questão: recebemos a graça à medida que guardamos os mandamentos. E para não deixar dúvidas em nós, São João diz com clareza que o mandamento de Deus é este: “que creiamos no nome do seu Filho, Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, de acordo com o mandamento que Ele nos deu”.
Aqui chegamos ao ponto alto da questão. Pelo que se vê, são duas as condições para receber a graça: crer em Jesus e amar o próximo.
Quer saber por que a graça não chega, então? Revise a sua vida nesses dois pontos. Pode ser que em um deles, ou até nos dois, você esteja ainda precisando melhorar. Para tanto, é necessário compreender claramente o que significa hoje crer em Jesus, fugindo do perigo de querer transformá-lo em astro, ídolo, idéia, espírito apenas ou coisa parecida. Não cremos num espírito. Cremos numa pessoa que tem nome e identidade: Jesus de Nazaré que, assumindo a condição humana, em tudo se fez igual a nós, menos no pecado.
Portanto, cremos em alguém real que, permanecendo vivo entre nós, caminha conosco. Por isso, somos a Igreja da presença. Afirmamos sempre e a cada momento: Ele está no meio de nós. Crer em Jesus significa, portanto, seguir os seus passos, assumir o seu projeto, fazer-se um com ele, a exemplo da videira e dos ramos que unidos caminham como parte um do outro. E a forma mais bonita de demonstrar essa união com Jesus é quando o reconhecemos vivo e presente no mundo, testemunhando essa presença com sinais e gestos de fraternidade e solidariedade entre nós.
Gente fraterna e solidária é gente merecedora de graças do céu porque crê em Jesus e expressa isso em gestos que fazem o mundo menos descrente.
Portanto, antes de se perguntar: por que Jesus não me atende?, será sempre bom perguntar: quantas vezes a graça chegou e eu deixei passar?
Evento que tem por finalidade fazer Jesus Eucarístico mais conhecido e amado, unir os fiéis num grande louvor a Jesus Eucarístico. Acontece a cada dois anos, organizado pelas Pequenas Missionárias de Maria Imaculada em parceira com a Diocese de São dos Campos.