Querido irmão(ã),a paz,

Hoje refletiremos um pouco sobre o Sacramento do Matrimônio: e me pergunto, porque nos casamos? É somente para termos um companheiro(a) ao nosso lado? Vemos hoje um mundo que está sendo descristianizado de forma programada e com isso não conhece, e, portanto não valoriza o matrimônio. A você jovem ou até mesmo você que já é casado ou vive sem o sacramento, quero te convidar a conhecer melhor o Sacramento do Matrimônio, pois você se casa para viver em harmonia com o seu companheiro em corpo, alma e espírito; e esse viver em harmonia diz de um viver de santidade, e viver santidade é viver feliz, é ser melhor e fazer o outro melhor, sua família melhor.

Queira viver e construir a sociedade a partir deste alicerce tão importante que é  a família, e a família se inicia no Sacramento do Matrimônio

Termino dizendo: o casamento foi feito para a santidade dos cônjuges.

Uanderson Viana Santos (Comunidade Canção Nova)

 

 

A finalidade de todas as nossas obras é o amor.” Santo Agostinho

As virtudes são as disposições habitual e firme de fazer o bem. São desejos de nossa inteligência e vontades que comandam nossos atos, ordenam nossas paixões, e nos guiam segundo a razão e a fé.

A caridade é a virtude teologal (dada por Deus) que nos leva a amar a Deus sobre todas as coisas, por si mesmo, e a nosso próximo como a nós mesmos, por amor de Deus. (cf. Cat. n. 1822). Amar o próximo sem ser por amor a Deus é filantropia, mas não caridade.

Jesus fez da caridade “o novo mandamento”. “Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim” (Jo 13,1). Assim, manifestou o amor do Pai que Ele recebe. Amando-se uns aos outros, os discípulos imitam o amor de Jesus que eles também recebem.

Por isso disse Jesus: “Assim como o Pai me amou, também eu vos amei. Permanecei em meu amor” (Jo 15,9). E ainda: “Este é o meu preceito: Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo 15,12). Jesus insistiu com os discípulos: “Permanecei em meu amor. São Paulo disse que: Cristo morreu por nosso amor quando éramos ainda “inimigos” (Rm 5,10).

E Jesus exige que amemos, como Ele, mesmo os nossos inimigos, que amemos o próximo como o bom samaritano, e amemos como Ele as crianças e os pobres.

Leia também: A Caridade da Igreja

A verdade e a caridade

O perigo da caridade sem a verdade

A diferença entre a justiça e a caridade

Primeiro Mandamento: “Amar a Deus sobre todas as coisas”

São Paulo traçou um quadro incomparável da caridade:

“A caridade é paciente, a caridade é prestativa, não é invejosa, não se ostenta, não se incha de orgulho. Nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1 Cor 13,4-7).

Diz ainda o Apóstolo: “Se não tivesse a caridade, nada seria…”. E tudo o que é privilégio, serviço e mesmo virtude… “se não tivesse a caridade, isso nada me adiantaria”. A caridade é superior a todas as virtudes. E a primeira das virtudes teologais: “Permanecem fé, esperança, caridade, estas três coisas. A maior delas, porém, é a caridade” (1 Cor 13,13).

Sabemos que o exercício de todas as virtudes é inspirado pela caridade, que é o “vínculo da perfeição” (Cl 3,14). Devemos amar como filhos de Deus e não como escravos por medo, ou como mercenários em busca de recompensa, pois precisamos responder ao amor Daquele “que nos amou primeiro” (1 Jo 4,19).

A caridade tem como frutos a alegria, a paz e a misericórdia; ela exige a bondade e a correção fraterna; tem de ser desinteressada e liberal; é amizade e comunhão. Santo Agostinho disse que: “A finalidade de todas as nossas obras é o amor. Este é o fim, é para alcançá-lo que corremos, é para ele que corremos; uma vez chegados, é nele que repousaremos.” (Comentário ep. João , 10,4).

Prof. Felipe Aquino

 

Caro amigo(a), hoje eu trago essa pergunta, em que consiste a liberdade? E ainda, você é uma pessoa livre?

O Apóstolo Paulo vai nos dizer que foi para a liberdade que Cristo nos libertou(Rm5,1), ora se Cristo se deu por mim e por você uma cruz foi para retirar dos nossos ombros tudo o que nos aprisionava, agora como viver e ser uma pessoa livre? Pois fomos chamados a liberdade.

O próprio São Paulo vai nos dizer que para vivermos a liberdade que Cristo conquistou para nós, se faz necessário nos deixarmos guiar pelo Espírito Santo, vivermos uma vida no espírito, pois se assim vivermos, seremos verdadeiramente livres e experimentaremos a doçura da liberdade que são os frutos do Espírito Santo, seremos pessoas bondosas, cheias de amor e de alegria, pacíficos, mansos.

Por isso quero te convidar a ter uma vida pautada no Espírito e permita que as obras da carne sejam crucificadas na paixão de Jesus e assim você experimente a verdadeira liberdade.

Referências:

– Romanos 5, 13-25

Uanderson Viana Santos (Comunidade Canção Nova)

 

A nossa Consagração a Nossa Senhora começou no Calvário; foi Jesus mesmo quem nos deu essa graça, quando nos entregou a Sua Mãe para ser a nossa Mãe. Quando Jesus se dirige à Sua Mãe e lhe chama de “mulher”, em vez de chamá-la de mãe, em Cana da Galileia (Jo 2) e aos pés da Cruz (Jo 19,25-27), é para nos indicar qual é a “Mulher” a que Deus se referiu no Gênesis. Esta “Mulher” é Sua Mãe. Na cruz, momentos antes de morrer, Jesus nos deu Sua Mãe: “Mulher, eis aí teu filho” (Jo 19, 26). Precisamos dela para a nossa salvação dizem os Santos.

O milagre das bodas de Caná mostra com toda clareza que tudo que a Virgem Maria pedir a Jesus, ele entenderá; e Ela sabe pedir aquilo que está de acordo com a vontade de Deus e o nosso bem. A História da Igreja mostra como Maria atua na vida dos filhos de Jesus e da Igreja. Todos os santuários marianos são repletos de testemunhos de milagres alcançados pela devoção a Maria. Desde o século II nossos irmãos mártires do Império Romano, em Alexandria, norte do Egito, já rezavam aquela famosa oração: “Debaixo da Vossa proteção nos refugiamos Santa Mãe de Deus, não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades, mas livrai-nos sempre de todos os perigos, Virgem gloriosa e Bendita.”salverainha

Maria é a Medianeira de todas as graças de Deus, por ser Mãe de Deus; por meio dela Deus uniu o Céu e a Terra. Isto afirmam os Santos Padres e os Santo doutores. São Bernardo, falecido em 1153, é autor da célebre sentença: “Deus quis que recebamos tudo por Maria”. S. Luiz de Montfort, no seu “Tratado da Verdadeira Devoção a Virgem Santíssima,” resume tudo dizendo:

“Deus Pai ajuntou todas as águas e denominou-as mar; reuniu todas as graças e denominou-as Maria… Deus Filho comunicou a Sua Mãe tudo que adquiriu por Sua vida e morte: Seus méritos infinitos e Suas virtudes admiráveis. Fê-la tesoureira de tudo que Seu Pai Lhe deu em herança; e é por ela que Ele aplica Seus méritos aos membros do corpo Místico, que comunica suas virtudes, e distribui Suas graças é ela o canal misterioso, o aqueduto por que passam abundante e docemente Suas misericórdias. Deus Espírito Santo comunicou a Maria, Sua fiel Esposa, Seus dons inefáveis, escolhendo-a para dispensadora de tudo que Ele possui. Deste modo ela distribui Seus dons e Suas graças a quem quer, quanto quer, como quer e quando quer, e dom nenhum pé concedido aos homens que não passe por suas mãos virginais. Tal é a vontade de Deus, que tudo tenhamos suas mãos virginais. Tal é a vontade de Deus, que tudo tenhamos por Maria, e assim será enriquecida, elevada e honrada pelo Altíssimo aquela que em toda a vida quis ser pobre, humilde, e escondida até o nada” (Tratado da Verdadeira Devoção a Virgem Santíssima,Tvd, n. 23-25).

São Bernardino de Sena disse que: “Todos os dons virtudes e graças do Espírito Santo são distribuídos pelas mãos de Maria, a quem ela quer, quando quer, como quer, e quanto quer” (Tvd, p. 137).

Vejamos o que os Santos doutores disseram sobre isso, em todos os tempos, como se pode ver:

SANTO EFRÉM (†373), doutor: “Minha Santíssima Senhora, Santa Mãe de Deus, cheia de graças e favores divinos, Distribuidora de todos os bens! Vós sois, depois da Santíssima Trindade, a Soberana de todos; depois do Medianeiro, a Medianeira do Universo, Ponte do mundo inteiro para o céu.” (Vamos todos a Maria Medianeira, VtMM, p. 97).

SANTO AGOSTINHO (354-430), doutor, afirma que as orações de Maria junto a Deus têm mais poder junto da Majestade divina que as preces e intercessão de todos os anjos e santos do céu e da terra (Tvd, n. 27). Maria Santíssima é de fato a Medianeira de Todas as Graças como inúmeras vezes afirmou o Papa Pio XI: “É a Rainha de todas as graças, a Medianeira de Todas as Graças” (VtMM, p. 68). Santo Agostinho põe nos lábios de Nossa Senhora estas palavras: “Deus me constituiu porta do Céu, um lugar de passagem para o Filho do Altíssimo” (MM, p. 73). Por isso a Ladainha a chama de “Porta do Céu”.

SÃO JOÃO CRISÓSTOMO (349-407), doutor de Constantinopla, disse que: “Maria foi feita Mãe de Deus também para que, por sua poderosa intercessão e doce misericórdia, se salvem os infelizes que por sua vida má não se poderiam salvar segundo a justiça divina”.

SÃO JOÃO DAMASCENO (650-749) dizia: “Ser vosso devoto, ó Virgem Santíssima, é uma arma de salvação que Deus dá àqueles que quer salvar” (Tvd n. 40 e 41).

Leia também: A mediação de Maria

Como Maria pode ouvir as nossas preces?

A Virgem Maria e os Santos são oniscientes?

Aquele que recorre à Virgem Maria não deve se desesperar

Tudo por Jesus, nada sem Maria!

SÃO BERNARDO (1090-1153), doutor, assim diz: “Tal é a vontade de Deus que quis que tenhamos tudo por Maria. Se, portanto, temos alguma esperança, alguma graça, algum dom salutar, saibamos que isto nos vem por suas mãos”. “Eras indigno de receber as graças divinas: por isso foram dadas a Maria a fim de que por ela recebesses tudo o que terias” (idem).

SÃO BOAVENTURA (1218-1274), bispo e doutor da Igreja: “Deus depositou a plenitude de todo o bem em Maria, para que nisto conhecêssemos que tudo que temos de esperança, graça e salvação, dela deriva até nós” (idem, p. 101). “Só Maria achou graça diante de Deus (Lc 1,30), sem auxílio de qualquer outra criatura E todos, depois dela, que acharam graça diante de Deus acharam-na por intermédio dela, e é só por ela que acharão graça os que ainda virão” (Tvd, n. 44). Maria é a Mãe de misericórdia; isto é, resgata os pecadores e os leva de volta a Deus. Como diz a Ladainha, ela é o “refúgio dos pecadores” e a “consoladora dos aflitos”. “Tal como a lua paira entre a terra e o céu, coloca-se Maria continuamente entre Deus e os pecadores para Lhe aplacar a ira contra eles e iluminá-los para que voltem a Deus” (GM, p. 146).

SANTO ALBERTO MAGNO (1206-1280), doutor: “É anunciada à Santíssima Virgem tal plenitude de graça, que se tornou por isso a fonte e o canal de transmissão de toda a graça a todo o gênero humano” (ibidem).

O Senhor revelou a SANTA CATARINA DE SENA (1347-1380) ,doutora, que sua intenção, ao criar Maria, era conquistar por sua doçura os corações dos homens, sobretudo dos pecadores, e atraí-los a si” (GM, p. 147).

SÃO PEDRO CANÍSIO (1521-1597), doutor da Igreja: “O Filho atenderá Sua Mãe e o eterno Pai ouvirá Seu próprio Filho: eis o fundamento de toda nossa esperança” (ibidem).

SÃO ROBERTO BELARMINO (1542-1621), bispo e doutor da Igreja:

“Todos os dons, todas as graças espirituais que por Cristo, como cabeça, descem para o corpo, passam por Maria que é como o colo desse corpo místico” (ibidem, p. 102).

SANTO AFONSO DE LIGÓRIO(1696-1787), doutor da Igreja, afirma: “Deus quer que pelas mãos de Maria nos cheguem todas as graças… A ninguém isso pareça contrário à sã teologia. Pois Santo Agostinho, autor dessa proposição, estabelece que Maria tem cooperado por sua caridade para o nascimento espiritual de todos os membros da Igreja” (Glórias de Maria, p. 15). E Santo Afonso pergunta: “É lícito a um pecador desesperar de sua salvação quando a própria Mãe do Juiz se lhe ofereceu por Mãe e advogada?” (idem). Agradece, portanto ao Senhor que te deu uma tão grande medianeira, nos exorta S. Bernardo.

Esta mesma doutrina foi confirmada pelo Papa Pio XI na Encíclica sobre o Santo Rosário, de 29 de setembro de 1937: “Convidamos a todos os fiéis para conosco agradecerem a Deus por termos recuperado a saúde. Como em outra parte já havemos dito, atribuímos essa graça à intercessão de Santa Teresinha do Menino Jesus, mas sabemos também que tudo quanto nos vem de Deus, o recebemos das mãos de Maria Santíssima” (idem, p. 70).osocorrodemaria

LEÃO XIII, na mesma Encíclica “Octobri mense”, de 22 de setembro de 1891, faz suas as palavras de São Bernardo:“Toda a graça concedida ao mundo segue esta tríplice gradação: de Deus a Jesus Cristo, de Jesus Cristo à Santíssima Virgem, da Santíssima Virgem aos homens: tal é a ordem maravilhosa de sua disposição” (ibidem, p. 74).

A Virgem Maria, como Mãe da Igreja, sempre a protegeu contra os ataques do inferno, das heresias e das guerras. Foi assim, por exemplo, em 1571, em Lepanto, na Grécia, quando os turcos otomanos muçulmanos se preparavam para destruir o cristianismo na Europa. No dia da vitória (07/10/1571) das forças cristãs, que levavam também o Rosário como arma, o Papa S. Pio V estabeleceu o Dia de Nossa Senhora do Santo Rosário.

Por tudo isso, o povo de Deus aprendeu: “Pede à Mãe que o Filho atende!”. “Tudo por Jesus, mas nada sem Maria!”.

Prof. Felipe Aquino

papa_misericordiaNa catequese dessa quarta-feira, dia 9, o Papa Francisco nos ensinou sobre o Ano Santo

Queridos irmãos e irmãs, bom dia.

Ontem abri aqui, na Basílica de São Pedro, a Porta Santa do Jubileu da Misericórdia, depois de tê-la aberto já na Catedral de Bangui, na República Centro-Africana. Hoje gostaria de refletir junto com vocês sobre o significado desse Ano Santo, respondendo à pergunta: por que um Jubileu da Misericórdia? O que significa isso?

A Igreja precisa desse momento extraordinário. Não digo: é bom para a Igreja este momento extraordinário. Digo: a Igreja precisa deste momento extraordinário. Na nossa época de profundas mudanças, a Igreja é chamada a oferecer a sua contribuição peculiar, tornando visíveis os sinais da presença e da proximidade de Deus. E o Jubileu é um tempo favorável para todos nós, para que contemplando a Divina Misericórdia, que supera todo limite humano e resplandece sobre a obscuridade do pecado, possamos nos tornar testemunhas mais confiantes e eficazes.

Dirigir o olhar a Deus, Pai misericordioso, e aos irmãos necessitados de misericórdia, significa concentrar a atenção sobre o conteúdo essencial do Evangelho: Jesus, a Misericórdia feita carne, que torna visível aos nossos olhos o grande mistério do Amor trinitário de Deus. Celebrar um Jubileu da Misericórdia equivale a colocar de novo no centro da nossa vida pessoal e das nossas comunidades o específico da fé cristã, isso é, Jesus Cristo, o Deus misericordioso.

Um Ano Santo, portanto, para viver a misericórdia. Sim, queridos irmãos e irmãs, este Ano Santo nos é oferecido para experimentarmos na nossa vida o toque doce e suave do perdão de Deus, a sua presença próximo a nós e a sua proximidade sobretudo nos momentos de maior necessidade.

Este Jubileu, em suma, é um momento privilegiado para que a Igreja aprenda a escolher unicamente “aquilo que a Deus mais agrada”. E o que é aquilo que “a Deus mais agrada”? Perdoar os seus filhos, ter misericórdia deles, a fim de que esses possam, por sua vez, perdoar os irmãos, brilhando como tochas da misericórdia de Deus no mundo. Isso é o que agrada mais a Deus. Sant’Ambrogio em um livro de teologia que tinha escrito sobre Adão, toma a história da criação do mundo e diz que Deus, todos os dias, depois de ter feito uma coisa – a lua, o sol ou os animais – diz: “E Deus viu que isso era bom”. Mas quando fez o homem e a mulher, a Bíblia diz: “Viu que isso era muito bom”. Sant’Ambrogio se pergunta: “Mas por que diz ‘muito bom’? Por que Deus ficou tão contente depois da criação do homem e da mulher?”. Porque no fim tinha alguém para perdoar. É belo isso: a alegria de Deus é perdoar, o ser de Deus é misericórdia. Por isso neste ano devemos abrir os corações, para que este amor, esta alegria de Deus nos preencha desta misericórdia. O Jubileu será um “tempo favorável” para a Igreja se aprendermos a escolher “aquilo que a Deus agrada mais”, sem cair na tentação de pensar que haja algo mais importante ou prioritário. Nada é mais importante que escolher “aquilo que a Deus agrada mais”, isso é, a sua misericórdia, o seu amor, a sua ternura, o seu abraço, as suas carícias!

Também a necessária obra de renovação das instituições e das estruturas da Igreja é um meio que deve nos conduzir a fazer a experiência viva e vivificante da misericórdia de Deus que, sozinha, pode garantir à Igreja ser aquela cidade colocada sobre um monte que não pode permanecer escondida (cfr Mt 5, 14). Brilha somente uma Igreja misericordiosa! Se esquecêssemos, mesmo que por um só momento, que a misericórdia é “aquilo que mais agrada Deus”, todo esforço nosso seria em vão, porque nos tornaríamos escravos das nossas instituições e das nossas estruturas, por mais renovadas que possam ser. Mas seríamos sempre escravos.

“Sentir forte em nós a alegria de termos sido renovados por Jesus, que como Bom Pastor veio nos buscar porque estávamos perdidos” (Homilia nas Primeiras Vésperas do Domingo da Divina Misericórdia, 11 de abril de 2015): este é o objetivo que a Igreja se coloca neste Ano Santo. Assim reforçaremos em nós a certeza de que a misericórdia pode contribuir realmente para a edificação de um mundo mais humano. Especialmente nestes nossos tempos, em que o perdão é um convidado raro nos âmbitos da vida humana, o chamado à misericórdia se faz mais urgente e isso em todo lugar: na sociedade, nas instituições, no trabalho e também na família.

Certo, alguém poderia fazer essa objeção: “Mas, Padre, a Igreja, nesse Ano, não deveria fazer algo a mais? É certo contemplar a misericórdia de Deus, mas há muitas necessidades urgentes!”. É verdade, há muito a fazer, e eu primeiro não me canso de recordar isso. Mas é necessário considerar que, na raiz da falta de misericórdia, há sempre o amor próprio. No mundo, isso toma a forma da busca exclusiva dos próprios interesses, dos prazeres e honras unidos à vontade de acumular riquezas, enquanto na vida dos cristãos se reveste muitas vezes de hipocrisia e de mundanidade. Todas essas coisas são contrárias à misericórdia. As investidas do amor próprio, que tornam a misericórdia estrangeira no mundo, são tantas e numerosas que muitas vezes nem somos capazes de reconhecê-las como limites e como pecado. Eis porque é necessário reconhecer ser pecador, para reforçar em nós a certeza da misericórdia divina. “Senhor, eu sou um pecador; Senhor, eu sou uma pecadora: venha com a tua misericórdia”. Essa é uma oração belíssima. É uma oração fácil de dizer todos os dias: “Senhor, eu sou um pecador; Senhor, eu sou uma pecadora: venha com a tua misericórdia”.

Queridos irmãos e irmãs, desejo que, neste Ano Santo, cada um de nós faça experiência da misericórdia de Deus, para ser testemunhas daquilo “que agrada mais a Ele”. É ingênuo acreditar que isso possa mudar o mundo? Sim, humanamente falando é tolice, mas “aquilo que é loucura de Deus é mais sábio que os homens e aquilo que é fraqueza de Deus é mais forte que os homens” (1 Cor 1, 25).

Fonte: papa.cancaonova.com

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Saiba como acontecerá a abertura do Ano da Misericórdia no dia 8 de Dezembro

Em coletiva nesta sexta-feira, 4, o Vaticano deu detalhes sobre a abertura do Ano da Misericórdia na próxima terça-feira, 8. Segundo o presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, Dom Rino Fisichella, será uma experiência de misericórdia que permitirá a todos sentir o amor de Deus.

O Ano Santo começa com a abertura da Porta Santa na Basília de São Pedro. Segundo Dom Rino, será uma celebração muito simples na Praça São Pedro. A data – 8 de dezembro – coincide com o 50º aniversário da conclusão do Concílio Vaticano II.

Nesse contexto, serão lidos alguns trechos das quatro constituições conciliares: Dei Verbum, sobre a Palavra de Deus, Lumen Gentium, sobre a Igreja, Sacrosantum Concilium, sobre liturgia, e Gaudium et Spes, sobre a Igreja no mundo contemporâneo. Também serão lidos trechos do decreto sobre ecumenismo, Unitatis Redintegratio, e sobre liberdade religiosa, Dignitatis Humanae.

Evangeliário do Jubileu

Na celebração eucarística haverá a procissão do Evangeliário criado para este evento. Trata-se do livro com os Evangelhos dominicais e festivos do Jubileu da Misericórdia, ilustrados por mosaicos do sacerdote jesuíta, padre Marko Ivan Rupnik.

“O Evangeliário será colocado no mesmo trono que, durante as sessões do Concílio, era colocado no altar da Basílica de São Pedro para tornar evidente a todos o primado da Palavra de Deus. Então, também com este pequeno sinal queremos recordar os 50 anos do Concílio”, informou Dom Rino.

Abertura da Porta Santa

Para a abertura da Porta Santa, a recitação das palavras do Salmo, que permanecem sempre as mesmas: “Aperite mihi Porta Iustitiæ”, “Abra-me a Porta da Justiça”. Depois do Papa, atravessam a Porta os cardeais, bispos, sacerdotes, religiosos, religiosas e leigos. A procissão chegará ao túmulo do apóstolo Pedro onde haverá o rito conclusivo da Santa Eucaristia.

Depois, o Papa recitará, como de costume, o Angelus da janela do Palácio Apostólico. Todos os fiéis presentes poderão atravessar a Porta Santa. E a partir do dia 8 de dezembro, todos os dias será rezado o Rosário na estátua de São Pedro.

A projeção de fotos

Às 19h (hora local) do dia 8 de dezembro, haverá um evento que Dom Rino classificou como “único” e “sugestivo”: a projeção de fotos na fachada da Basílica e na cúpula.

“Tal evento é inspirado na última encíclica do Papa Francisco, ‘Laudato sì’. Quer propor a beleza da Criação, também em ocasião da 21ª Conferência sobre o Clima das Nações Unidas iniciada em Paris no último dia 30 de novembro e que terminará em 11 de dezembro”.

Gestos do Papa às sextas-feiras

No dia 18 de dezembro, o Papa Francisco fará um gesto simbólico abrindo a “Porta da Misericórdia” no albergue da Caritas romana Don Luigi di Liegro, na via Marsala.

“Esse gesto será o primeiro com o qual o Papa dará início aos sinais que uma sexta-feira por mês pretende oferecer como expressão das obras de misericórdia”. Dom Fisichella observou que cada encontro terá o caráter de uma visita privada para exprimir proximidade e solidariedade.

Ecumenismo e catequeses do Papa

Sobre a importância do significado do Jubileu para as outras religiões e o ecumenismo, Dom Rino recordou que no dia 25 de janeiro o Papa estará na Basílica de São Paulo Fora dos Muros para uma celebração jubilar em nível ecumênico. Também foi confirmada a presença do Papa, um sábado ao mês, para a audiência geral, a tradicional catequese.

Fonte: noticias.cancaonova.com

vtdDeixe deus dirigir os seus passos

Como administrador, tenho facilidade em planejar e criar estratégias para desenvolver os trabalhos e assim também planejo o que preciso fazer em minha vida pessoal.

Mas, hoje, depois de todos esses anos de vida missionária, posso dizer: “Ao ser humano cabem os projetos, mas a resposta pertence ao Senhor”(Provérbios 16, 1).

É preciso planejar, se organizar, mas faz-se necessário um coração dócil para deixar Deus conduzir nossos passos. Muitas vezes sofremos porque o que planejamos não aconteceu, mas um coração abandonado a vontade de Deus, acolhe seus planos com amor.

Hoje, quero convidar você, a abandonar seus projetos no coração de Deus, e estar disponível para receber os planos Dele, porque é Ele quem dirige nossos passos, é Ele quem conhece o caminho que nos levará ao Céu.

Seu irmão,

Wellington Silva Jardim (Eto)
Cofundador da Comunidade Canção Nova e Administrador da Fundação João Paulo II

Fonte: eto.cancaonova.com

 

papa_joao_XXIII

“A humildade é o espaço do amor.”

São João XXIII, chamado de “O Papa bom”, conquistou a todos com sua mansidão, atenção, simplicidade e cordialidade em seu papado de 1958 à 1963. Um coração bom, como o do Bom Pastor.

Por isso confira 10 conselhos do Papa João XXIII para manter a serenidade:

1. Só por hoje, tentarei viver exclusivamente este dia, sem querer resolver de uma só vez o problema da minha vida.

2. Só por hoje, serei cortês, não criticarei ninguém e não buscarei melhorar nem disciplinar ninguém, salvo a mim mesmo.

3. Só por hoje, eu me adaptarei às circunstâncias, sem pretender que as circunstâncias se adaptem à minha vontade.

4. Só por hoje, dedicarei dez minutos do meu tempo a uma boa leitura, recordando que, como o alimento é necessário para a vida do corpo, uma boa leitura é necessária para a vida da alma.

5. Só por hoje, farei uma boa ação sem contar a ninguém.

6. Só por hoje, farei pelo menos uma coisa que não queira fazer; e, se me sentir ofendido, buscarei que ninguém perceba isso.

7. Só por hoje, serei feliz, com a certeza de que fui criado para a felicidade, não só neste mundo, mas também no outro.

8. Só por hoje, seguirei uma programação detalhada. Talvez não consiga cumpri-la cabalmente, mas a redigirei. E me protegerei de duas calamidades: a pressa e a indecisão.

9. Só por hoje, terei uma fé firme, ainda que as circunstâncias demonstrem o contrário. Vou acreditar que a boa providência de Deus se ocupa de mim como se não existisse mais ninguém no mundo.

10. Só por hoje, não terei medo. De maneira particular, não terei medo de aproveitar o que é belo e de acreditar na bondade.

Posso fazer o bem durante um dia. Pensar em ter de fazê-lo durante toda a minha vida pode me desanimar.

Fonte: aleteia.org

tempNão podemos julgar alguém apenas por ter um temperamento forte. Nenhuma pessoa pode ser rotulada pela característica mais evidente.

Quando pensamos em determinados comportamentos e situações, logo nos lembramos dos momentos nos quais não conseguimos lidar com determinados tipos de pessoas pelas características que elas possuem.
Pessoas consideradas “difíceis” encontraremos em todos os lugares: no trabalho, na escola, na família, na comunidade, entre nossos amigos, enfim, no convívio social sempre encontraremos pessoas com as quais teremos algumas ou muitas dificuldades.

O que popularmente chamam de “temperamento forte”, pode revelar uma pessoa determinada, firme em seus propósitos, mas também alguém que pode dificultar relacionamentos, ser dura em seus pensamentos e, muitas vezes, alguém que pode ter barreiras nos seus relacionamentos em grupo. Nosso temperamento traz características herdadas de nossos pais. Se este “nosso tempero” é forte, logo lembramos que pode ter uma dose de “pimenta”, de “sal” e outros tantos sabores.

Nenhuma pessoa pode ser taxada pela característica mais evidente, ou seja, eu não posso julgar alguém apenas por ter um temperamento forte. Mas como ajudar e ser ajudado nestes casos?

Nos relacionamentos cotidianos, vamos aprendendo a perceber as pessoas e a lidar com seus comportamentos. O primeiro ponto que podemos pensar é: “Será que esta pessoa tem algum comportamento que me irrita, pois se parece em algo comigo?”. Será que você também é uma pessoa difícil? Procure, então, perceber-se, deixe de lado as acusações e passe a observar-se melhor. Ao perceber seus valores, sua forma de agir e perceber o mundo, muitas coisas poderão ser clareadas.

Claro que pessoas mal humoradas, de atitudes negativas, que apenas criticam ou para as quais o mundo sempre é ruim, pouco colaboram quando estão convivendo com os demais.

Com uma pessoa assim, é importante que sejamos assertivos, ou seja, que sejamos claros ao dizer, de forma adequada, os comportamentos dela que prejudicam aquele ambiente. Quando deixamos o fato de lado, eles podem “crescer” e quando percebemos todo o relacionamento pode ser perdido. Não “caia no jogo”. Você pode ter um temperamento também forte e facilmente irritar-se e até alimentar aquela situação constrangedora. Acalme-se, olhe para a situação de forma racional e dê uma resposta diferente.

Compreender a forma da outra pessoa pensar também ajuda bastante. Procure pensar antes de dizer, não reaja de forma impulsiva. Quando uma situação está muito difícil, às vezes é melhor recuar e conversar quando ambos estiverem mais calmos.

Gosto muito de uma citação do Padre Joãozinho que diz assim: “Nós precisamos viver como patos e não como esponjas. Os patos têm uma glândula que distribui óleo em suas penas para torná-las impermeáveis. Depois que eles mergulham, sacodem as penas e já estão prontos para outra. Tudo fica por fora deles, nem a água nem a sujeira os atingem. Por outro lado, quando vivemos como esponja, absorvemos tudo que as pessoas nos dizem e acabamos nos tornando complexos, cheios de ressentimento”.

Paciência e benevolência são poderosos instrumentos dos quais precisamos nos lembrar para um bom relacionamento com nossa família, filhos, amigos, trabalho, comunidade, escola. Pensemos nisso!

Fonte: cancaonova.com

estrada-sinuosaO caminho de Deus pode não ser o mais fácil ou o mais curto, mas com certeza Ele nos leva pelos caminhos mais acertados

Infelizmente, muitas vezes, nos perdemos pelos muitos caminhos deste mundo, porque, por orgulho ou por teimosia, insistimos em andar por onde queremos e não pelo caminho que Deus quer que sigamos. O caminho de Deus pode não ser o mais fácil, ou o mais curto, mas com certeza, Ele nos leva pelos caminhos mais acertados. Como é desagradável em uma longa viagem errarmos o caminho! Incrível, como o lugar desejado nunca parece chegar.

A nossa vida na fé também é assim. Se não nos deixamos guiar por Deus, erramos o caminho, e nos atrasamos para alcançar o que tanto desejamos: a verdadeira felicidade.

É muito fácil rezar com o salmista o salmo 22:

“O Senhor é meu pastor, nada me faltará.
Em verdes prados ele me faz repousar.
Conduz-me junto às águas refrescantes,
restaura as forças de minha alma.
Pelos caminhos retos ele me leva,
por amor do seu nome.
Ainda que eu atravesse o vale escuro,
nada temerei, pois estais comigo.
Vosso bordão e vosso báculo são o meu amparo.
Preparais para mim a mesa à vista de meus inimigos.
Derramais o perfume sobre minha cabeça,
e transborda minha taça.
A vossa bondade e misericórdia hão de seguir-me
por todos os dias de minha vida.
E habitarei na casa do Senhor por longos dias”.

No entanto, parece que não é tão fácil assim de viver. Será que estamos deixando que Deus nos guie? Qual voz temos escutado? A voz do nosso egoísmo, a voz do mundo ou a voz do nosso pastor?
Jesus disse: “Eu sou o bom Pastor. Conheço as minhas ovelhas e as minhas ovelhas conhecem a mim, como meu Pai me conhece e eu conheço o Pai. Dou a minha vida pelas minhas ovelhas” (Jo 10, 15). Para seguir o Pastor são necessárias duas coisas: Escutar sua voz e confiar, abandonar-se aos seus cuidados.
Será que temos buscado estar com o Senhor? Com que frequência? Como está a nossa vida de oração? Nossos ouvidos e coração estão atentos aos Seus chamados?
Para abandonar-se é preciso acreditar nisso: Deus nos conduz em nossa caminhada para Ele. É Ele mesmo quem realiza em nós a santificação; não temos poder para guiar a nossa santificação. Só Deus sabe o caminho que temos de trilhar para chegar nela; e Ele nos leva por esse caminho quando nos abandonamos confiantes em Suas mãos.
A nós cabe nos entregar dóceis em Suas mãos como o barro nas mãos do oleiro, como ovelhas nos braços do Pastor, como a criança que é leva pelo pai, segurando em sua mão; sem perguntar o que Ele está fazendo conosco. Isso é abandonar-se em Deus. Nós não sabemos o que precisamos, muito menos qual é o caminho melhor a seguir; só Ele sabe por que nos criou e teceu cada fibra de nosso ser no ventre materno, como diz o Salmo 138.

Padre Joseph Schrijvers, autor de um livro fabuloso intitulado “O Dom de si”, insiste nisso: “Viver cada instante o dom de si, é um ato de amor a Jesus a cada momento, acolhendo sem questionamento, o que o Artista divino está fazendo”. Precisamos aprender a nos abandonar nos braços do Pai a cada dia. É um exercício de fé.

Podemos comparar o abandonar-se em Deus com o que Michelangelo fazia com um bloco de pedra. Ele dizia aos seus alunos, ao ensiná-los a trabalhar com arte escultural: “Aí dentro tem um anjo, vamos colocá-lo para fora. Vamos tirar com o cinzel, carinhosamente, o que está sobrando.” E o mármore precisa ficar quietinho e aceitar todas as batidas do Artista. É a obra de Deus em nós. Só um coração que ama a Deus entende e aceita tudo isso.
Engraçado como até na gramática não costumamos usar “abandonar-se” como verbo reflexivo, ou seja, quando o sujeito pratica e recebe uma ação. Não é comum abandonar a si mesmo. No entanto, na caminhada na fé, a linguagem é diferente. A gramática de Deus é outra. Para fazermos a vontade de Deus, e não nos perdemos pelo caminho, é preciso abandonar a nós mesmos para confiar única e exclusivamente nas mãos de Deus que é Pai, é Pastor.
Isso exige de nós atitudes de fé, confiança, humildade e perseverança, para que diante das muitas adversidades que enfrentamos na vida, não esmoreçamos; ao contrário, que possamos sentir a verdadeira paz de quem realmente acredita que Deus está cuidando de tudo. Pois um bom Pastor, jamais deixaria sua ovelha se perder.

Prof. Felipe Aquino

Fonte: pt.aleteia.org

famO Papa Francisco inaugurou neste domingo (dia 4) a XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo cujo tema é a família

A partir desta segunda-feira (5), os padres sinodais vão debater “A vocação e a missão da família na Igreja e no mundo contemporâneo”.
Apresentamos a seguir a íntegra da homilia pronunciada pelo Papa Francisco.
«Se nos amarmos uns aos outros, Deus permanece em nós e o seu amor chegou à perfeição em nós» (1 Jo 4, 12).
As Leituras bíblicas deste Domingo parecem escolhidas de propósito para o evento de graça que a Igreja está a viver, ou seja, a Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos que tem por tema a família e é inaugurada com esta celebração eucarística.
Aquelas estão centradas em três argumentos: o drama da solidão, o amor entre homem-mulher e a família.

A solidão
Como lemos na primeira Leitura, Adão vivia no Paraíso, impunha os nomes às outras criaturas, exercendo um domínio que demonstra a sua indiscutível e incomparável superioridade, e contudo sentia-se só, porque «não encontrou auxiliar semelhante a ele» (Gn 2, 20) e sentia a solidão.
A solidão, o drama que ainda hoje aflige muitos homens e mulheres. Penso nos idosos abandonados até pelos seus entes queridos e pelos próprios filhos; nos viúvos e nas viúvas; em tantos homens e mulheres, deixados pela sua esposa e pelo seu marido; em muitas pessoas que se sentem realmente sozinhas, não compreendidas nem escutadas; nos migrantes e prófugos que escapam de guerras e perseguições; e em tantos jovens vítimas da cultura do consumismo, do «usa e joga fora» e da cultura do descarte.
Hoje vive-se o paradoxo dum mundo globalizado onde vemos tantas habitações de luxo e arranha-céus, mas o calor da casa e da família é cada vez menor; muitos projectos ambiciosos, mas pouco tempo para viver aquilo que foi realizado; muitos meios sofisticados de diversão, mas há um vazio cada vez mais profundo no coração; tantos prazeres, mas pouco amor; tanta liberdade, mas pouca autonomia… Aumenta cada vez mais o número das pessoas que se sentem sozinhas, e também daquelas que se fecham no egoísmo, na melancolia, na violência destrutiva e na escravidão do prazer e do deus-dinheiro.
Em certo sentido, hoje vivemos a mesma experiência de Adão: tanto poder acompanhado por tanta solidão e vulnerabilidade; e ícone disso mesmo é a família. Verifica-se cada vez menos seriedade em levar por diante uma relação sólida e fecunda de amor: na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, na boa e na má sorte. Cada vez mais o amor duradouro, fiel, consciencioso, estável, fecundo é objecto de zombaria e olhado como se fosse uma antiguidade. Parece que as sociedades mais avançadas sejam precisamente aquelas que têm a taxa mais baixa de natalidade e a taxa maior de abortos, de divórcios, de suicídios e de poluição ambiental e social.

O amor entre homem e mulher
Ainda na primeira Leitura, lemos que o coração de Deus, ao ver a solidão de Adão, ficou como que entristecido e disse: «Não é conveniente que o homem esteja só; vou dar-lhe uma auxiliar semelhante a ele» (Gn 2, 18). Estas palavras demonstram que nada torna tão feliz o coração do homem como um coração que lhe seja semelhante, lhe corresponda, o ame e tire da solidão e de sentir-se só. Demonstram também que Deus não criou o ser humano para viver na tristeza ou para estar sozinho, mas para a felicidade, para partilhar o seu caminho com outra pessoa que lhe seja complementar; para viver a experiência maravilhosa do amor, isto é, amar e ser amado; e para ver o seu amor fecundo nos filhos, como diz o salmo que foi proclamado hoje (cf. Sal 128).
Tal é o sonho de Deus para a sua dilecta criatura: vê-la realizada na união de amor entre homem e mulher; feliz no caminho comum, fecunda na doação recíproca. É o mesmo desígnio que Jesus, no Evangelho de hoje, resume com estas palavras: «Desde o princípio da criação, Deus fê-los homem e mulher. Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe para se unir à sua mulher, e serão os dois um só. Portanto, já não são dois, mas um só» (Mc 10, 6-8; cf. Gn 1, 27; 2, 24).
Jesus, perante a pergunta retórica que Lhe puseram (provavelmente como uma cilada, para fazê-Lo sem mais aparecer odioso à multidão que O seguia e que praticava o divórcio, como uma realidade consolidada e intangível), responde de maneira franca e inesperada: leva tudo de volta à origem, à origem da criação, para nos ensinar que Deus abençoa o amor humano, é Ele que une os corações de um homem e de uma mulher que se amam e liga-os na unidade e na indissolubilidade. Isto significa que o objectivo da vida conjugal não é apenas viver juntos para sempre, mas amar-se para sempre. Jesus restabelece assim a ordem originária e originadora.

A família
«Pois bem. O que Deus uniu não o separe o homem» (Mc 10, 9). É uma exortação aos crentes para superar toda a forma de individualismo e de legalismo, que se esconde num egoísmo mesquinho e no medo de aderir ao significado autêntico do casal e da sexualidade humana no projecto de Deus.
Com efeito, só à luz da loucura da gratuidade do amor pascal de Jesus é que aparecerá compreensível a loucura da gratuidade dum amor conjugal único e usque ad mortem.
Para Deus, o matrimónio não é utopia da adolescência, mas um sonho sem o qual a sua criatura estará condenada à solidão. De facto, o medo de aderir a este projecto paralisa o coração humano.
Paradoxalmente, também o homem de hoje – que muitas vezes ridiculariza este desígnio – continua atraído e fascinado por todo o amor autêntico, por todo o amor sólido, por todo o amor fecundo, por todo o amor fiel e perpétuo. Vemo-lo ir atrás dos amores temporários, mas sonha com o amor autêntico; corre atrás dos prazeres carnais, mas deseja a doação total.
De facto, «agora que provámos plenamente as promessas da liberdade ilimitada, começamos de novo a compreender a expressão “a tristeza deste mundo”. Os prazeres proibidos perderam o seu fascínio, logo que deixaram de ser proibidos. Mesmo quando são levados ao extremo e repetidos ao infinito, aparecem insípidos, porque são coisas finitas, e nós, ao contrário, temos sede de infinito» (Joseph Ratzinger, Auf Christus schauen. Einübung in Glaube, Hoffnung, Liebe, Friburgo 1989, p. 73).

Neste contexto social e matrimonial bastante difícil, a Igreja é chamada a viver a sua missão na fidelidade, na verdade e na caridade. A Igreja é chamada a viver a sua missão na fidelidade ao seu Mestre como voz que grita no deserto, para defender o amor fiel e encorajar as inúmeras famílias que vivem o seu matrimónio como um espaço onde se manifesta o amor divino; para defender a sacralidade da vida, de toda a vida; para defender a unidade e a indissolubilidade do vínculo conjugal como sinal da graça de Deus e da capacidade que o homem tem de amar seriamente.

A Igreja é chamada a viver a sua missão na verdade que não se altera segundo as modas passageiras ou as opiniões dominantes. A verdade que protege o homem e a humanidade das tentações da auto-referencialidade e de transformar o amor fecundo em egoísmo estéril, a união fiel em ligações temporárias. «Sem verdade, a caridade cai no sentimentalismo. O amor torna-se um invólucro vazio, que se pode encher arbitrariamente. É o risco fatal do amor numa cultura sem verdade» (Bento XVI, Enc. Caritas in veritate, 3).

E a Igreja é chamada a viver a sua missão na caridade que não aponta o dedo para julgar os outros, mas – fiel à sua natureza de mãe – sente-se no dever de procurar e cuidar dos casais feridos com o óleo da aceitação e da misericórdia; de ser «hospital de campanha», com as portas abertas para acolher todo aquele que bate pedindo ajuda e apoio; e mais, de sair do próprio redil ao encontro dos outros com amor verdadeiro, para caminhar com a humanidade ferida, para a integrar e conduzir à fonte de salvação.

Uma Igreja que ensina e defende os valores fundamentais, sem esquecer que «o sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado» (Mc 2, 27); e sem esquecer que Jesus disse também: «Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os enfermos. Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores» (Mc 2, 17). Uma Igreja que educa para o amor autêntico, capaz de tirar da solidão, sem esquecer a sua missão de bom samaritano da humanidade ferida.

Recordo São João Paulo II, quando dizia: «O erro e o mal devem sempre ser condenados e combatidos; mas o homem que cai ou que erra deve ser compreendido e amado. (…) Devemos amar o nosso tempo e ajudar o homem do nosso tempo» [Discurso à Acção Católica Italiana, 30 de Dezembro de 1978: Insegnamenti (1978), 450]. E a Igreja deve procurá-lo, acolhê-lo e acompanhá-lo, porque uma Igreja com as portas fechadas atraiçoa-se a si mesma e à sua missão e, em vez de ser ponte, torna-se uma barreira: «De facto, tanto o que santifica, como os que são santificados, provêm todos de um só; razão pela qual não se envergonha de lhes chamar irmãos» (Heb 2, 11).

Com este espírito, peçamos ao Senhor que nos acompanhe no Sínodo e guie a sua Igreja pela intercessão da Bem-Aventurada Virgem Maria e de São José, seu castíssimo esposo.

Fonte: zenit.org

ptcA importância da liturgia da Palavra

No mês de setembro a Igreja recorda a importância da Bíblia Sagrada na vida da comunidade cristã. Muitas comunidades preparam dentro da liturgia da Santa Missa maneiras de destacarem e valorizem a Palavra do Senhor. É importante valorizar a Palavra sem desvalorizar o lugar próprio desta mesma Palavra dentro do espaço litúrgico do presbitério. Muitas equipes de liturgia buscando uma maior valorização do lecionário, mas sem conhecimento litúrgico, acabam desvalorizando os espaços próprios do mesmo.

O lugar por excelência do Lecionário, seja ele dominical ou semanal, é no ambão (mesa da Palavra). No entanto este espaço deve ser valorizado pelas equipes de Liturgia. Infelizmente não é raro encontrarmos em muitas Igrejas um espaço preparado para que o Lecionário seja colocado, deixando assim o espaço próprio da Palavra vazio. Inutiliza-se o ambão que é a Mesa da Palavra e cria-se um altar paralelo para que a Palavra receba uma maior valorização.

Retirar o Lecionário do ambão demonstra realmente uma valorização maior do mesmo? O ambão vazio, ajuda a valorizar o espaço próprio da Palavra?

Para que as equipes de liturgia possam melhor valorizar o ambão (mesa da Palavra e o Lecionário) propomos algumas sugestões:

– Não há necessidade de criar um “altar” paralelo para que a Palavra seja valorizada. Já existe um espaço próprio da Palavra: o ambão. Criar um outro espaço desvaloriza-se o espaço próprio da Palavra. Transfere-se um lugar essencial para um secundário: “Na celebração da Missa com o povo, as leituras proclamam-se sempre do ambão.” (Instrução Geral do Missal Romano, 58);

“No recinto da igreja, deve existir um lugar elevado, fixo, adequadamente disposto e com a devida nobreza, que ao mesmo tempo corresponda à dignidade da Palavra de Deus e recorde aos fiéis que na missa se prepara a mesa da Palavra de Deus e do Corpo de Cristo, e que ajude da melhor maneira possível a que os fiéis ouçam bem e estejam atentos durante a liturgia da palavra. Por isso se deve procurar, segundo a estrutura de cada igreja, que haja uma íntima proporção e harmonia entre o ambão e o altar.” (Instrução Geral do Lecionário,32);

– Muitas comunidades enfeitam o “altar” paralelo usado para destacar o lecionário com tamanho decoro, que o ambão fica parecendo um lugar que está sobrando no conjunto do presbitério. Ao invés de investir no secundário porque a cada domingo não confeccionar um arranjo de flor e colocá-lo em frente ao ambão e a mesa do altar procurando assim mergulhar a assembleia no mistério que liga as duas mesas: “Convém que o ambão, de acordo com a sua estrutura, seja adornado com sobriedade, ou de maneira permanente ou, ao menos ocasionalmente, nos dias mais solenes.” (Introdução ao Lecionário, 33)

– Quando retira-se o lecionário do ambão e transfere-o para um altar secundário, automaticamente diz silenciosamente que aquele espaço próprio da proclamação das leituras não está sendo valorizado: “Os livros de onde se tiram as leituras da Palavra de Deus, assim como os ministros, as atitudes, os lugares e demais coisas, lembram os fiéis a presença de Deus que fala a seu povo. Portanto, é preciso procurar que os próprios livros, que são sinais e símbolos das realidades do alto na ação litúrgica, sejam verdadeiramente dignos, decorosos e belos.” (Introdução ao Lecionário, 35);

– As leituras são proclamadas do ambão. Por isso mesmo não se usa uma fotocópia e nem mesmo um subsidio com as leituras do mês. A igreja possui um livro próprio para a leitura. Quando se usa folhetos, subsídios ou xerox desvaloriza-se a Palavra que está no Lecionário: “Os livros das leituras que se utilizam na celebração, pela dignidade que a Palavra de Deus exige, não devem ser substituídos por outros subsídios de ordem pastoral, por exemplo, pelos folhetos que se fazem para que os fiéis preparem as leituras ou as meditem pessoalmente.” (Introdução ao Lecionário, 37)

Que estas dicas ajudem sua comunidade a celebrar melhor o mês da Bíblia.

Padre Flávio Sobreiro
Vigário Paroquial da paróquia Santo Antônio, em Jacutinga – MG
Bacharel em Filosofia pela PUCCAMP e Teólogo pela Faculdade Católica de Pouso Alegre – MG
Fonte: formacao.cancaonova.com

 

BiblewComo ler e rezar com a Palavra de Deus?

Setembro é dedicado à Palavra de Deus e para que a Bíblia faça parte de nossa vida todos os dias é preciso aprender a ler, a meditar e a extrair dessa fonte de vida todo o bem que ela pode nos dar. Há um método que a Igreja já vive há muitos anos e que a Canção Nova, por intermédio do nosso pai fundador, monsenhor Jonas Abib, desde os inícios da comunidade, nos forma pela Palavra de Deus, com um toque todo especial do Carisma Canção Nova. Ele é chamado de “padre Jonas da Bíblia” justamente por ser este homem da Palavra. Vamos aprendê-lo!

“Toda a Sagrada Escritura é inspirada por Deus e é útil para ensinar, para repreender, para corrigir e para formar na justiça. Por ela, o homem de Deus se torna perfeito, capacitado para toda boa obra (cf. II Timóteo 3, 16-17).

Comecemos rezando:

“Ó Deus, torna meu espírito digno de encontrar sua alegria na compreensão do Mistério de Cristo, teu Filho bem-amado, revelado nas Escrituras. Acende tua Santa Luz, no meu coração, a fim de que meu espírito penetre para além das palavras escritas com tinta… Que eu veja, com os olhos iluminados, os sagrados mistérios escondidos na tua Boa Nova. Concede, ó meu Senhor, por tua graça, e tua misericórdia, que tua lembrança nunca desapareça do meu coração, nem de dia nem de noite. Amém.”

1- LER: Escutamos a Palavra de Deus. É a hora de engolir. É uma leitura bem ativa: lemos com lápis ou caneta na mão, sublinhando e destacando elementos essenciais: verbos, sujeitos ativos, ações, atitudes, pensamentos, a situação, os motivos das ações. Mais do que ler, na verdade, relemos várias vezes, fazendo com a caneta todas essas anotações. Podemos recorrer a outras traduções que ajudem a esclarecer; lançar mão de introduções, explicações e notas de rodapé, hoje abundantes em nossas Bíblias. Podemos também comparar com as passagens paralelas, em geral indicadas nas margens das páginas da Bíblia, logo depois dos títulos, etc. Esse é o primeiro estágio do mastigar e engolir. Vamos prestando atenção aos vários pontos indicados e nos deixando levar de uns para os outros a partir do seu próprio movimento interior; isso leva de modo natural a um surpreendente entendimento. É a luz que se faz interior. Esse imperativo interior nos conduz de maneira deveras natural à segunda etapa, que é quando se inicia de fato a “ruminação”.

2- SABOREAR: Poderíamos chamar essa etapa de “meditar”, pois, na verdade, é uma meditação da Palavra mastigada. Não o fazemos, contudo, para não dar a impressão errônea de que se trata de um trabalho puramente intelectual, preferindo denominá-la “saborear”. Tive um professor de ciências que dizia que na hora de a vaca e o boi ruminarem o capim, este fica, por causa da saliva, doce. Brincávamos com ele, perguntando-lhe como ele sabia disso… Na verdade, é chegado o momento de “sentir” a Palavra. O intelecto também participa dele, mas não está sozinho. Entram também os sentimentos, a nossa liberdade movida pelo Espírito, os vários movimentos da vontade. Eis o principal momento em que devemos nos deixar impregnar pelos sentimentos que o Espírito Santo faz surgir em nós por meio da Palavra: alegria, medo, confiança, generosidade, arrependimento, esperança, entusiasmo, entre outros. Os vários sentimentos, os vários impulsos que se misturam uns aos outros…

3- ORAR: Como é de se esperar, esses sentimentos nos levam a dar uma resposta. Não é tanto responder à Palavra quanto ao Senhor que, pela Palavra, infundiu em nós esses impulsos. Brotam naturalmente o louvor, o arrependimento, a súplica, a gratidão, o pedido de perdão, a oferta, a adoração, e assim por diante. Mais do que uma oração por palavras, essa vai ser uma oração de sentimentos e de atitudes interiores. Umas poucas palavras nos prestarão simplesmente ajuda para nos exprimirmos e nos referirmos ora ao Pai, ora a Jesus, ora ao próprio Espírito Santo. É uma oração já bem simples e sobremodo interiorizada.

4- CONTEMPLAR: Pouco a pouco, todos aqueles sentimentos que se misturavam e se multiplicavam em nós, assim como os vários movimentos de oração por eles provocados, vão se simplificando e se unificando em nosso íntimo. É a hora da tranquilidade, da harmonia, do repouso em Deus. Eis o que significa contemplação: entrarmos, mediante a Palavra, no Templo de Deus, que existe em todos nós e aí nos deixamos ficar repousando no Senhor. Vem aqui a simplicidade de todos os nossos movimentos interiores. Trata-se de um movimento privilegiado, um instante de graça. Todos podem chegar a vivenciá-lo; Deus deseja vê-lo em todas as pessoas, sem distinção. Os mais simples podem chegar com mais facilidade a esse ponto; os que mais penam são os intelectuais. É lamentável que se tenha criado tanto mistério, tanta complicação, acerca de algo tão simples como a contemplação, a ponto de parecer que só tem acesso a ela uma minoria, quando o Altíssimo sempre quis vê-la ao alcance de todos. Graças ao Pai isso nos é devolvido hoje, e gratuitamente.

5- ESCREVER: O ponto de chegada é a contemplação. Contudo, depois que a rede está repleta de peixes, não se pode deixar que escapem e vão embora. Apesar do gozo espiritual que a contemplação lhe traz, ponha-se a escrever: é seu Diário Espiritual, feito agora de maneira distinta e certamente muito proveitosa. Não é questão de escrever muito, nem é o momento de narrar ou descrever o que se passou. Agora, temos somente de registrar: O que Deus me falou? O que Ele realizou em mim? O que deixou depositado em meu interior? Isso tudo é muito precioso; é algo que não se pode perder. Você também pode registrar: O que, a partir dessa Palavra, Deus diz hoje de mim? O que Ele diz para mim? Você recolhe o conteúdo depositado em seu ser dos dois lados: “O que diz de mim” e “O que diz para mim”. Não estou fazendo um simples jogo de palavras, são duas maneiras de focalizar a questão. E não é difícil diferenciar.

 

Veja primeiro: O que Deus diz de mim? O que sou? Quem Ele me fez? Quais qualidades que Ele mesmo me deu e quer que eu as assuma e cultive. Da minha vocação e missão, do trabalho específico a mim confiado e para o qual me capacitou com os dons naturais que me deu, com os carismas do Espírito Santo de que me dotou por graça. Segundo: O que Ele diz para mim? O que Ele quer de mim? Que eu seja e que eu realize. Que atitudes quer que eu tome e o que quer que eu cultive. Por quais caminhos Ele quer que eu vá, que rumos me indica, que mudanças quer que eu assuma, o que quer transformar em mim. Convenhamos: não é nada complicado. Apresentei tudo isso apenas para você perceber a diferença e medir a amplitude daquilo que Deus possa estar dizendo a você”.

Fonte: Trecho do livro a “Bíblia foi escrita para você” de monsenhor Jonas Abib

Deus_se_importa_com_vocePara Deus você é importante sim e Ele não exige nada de você para que Ele te ame

Não existe maldição maior do que a de olharmos para nós mesmos e nos vermos muito importantes, diante dos nossos próprios olhos.

Querer ser importante, esta é a fonte da maldição que colhemos em nossa vida. Mas Jesus diz: “não tenha medo!”, pois nós temos muito mais valor que muitos pardais e muitos lírios do campo.

A maldição entrou no mundo no dia em que a serpente se aproximou de Eva no paraíso, no momento em que ela estava sozinha. Não sabemos onde Adão estava, mas ela estava sozinha quando a serpente dela se aproximou. Na revelação bíblica no livro de Gênesis, ao aceitar comer do fruto proibido, podemos perceber o desejo da mulher de ser boa, bonita, importante.

“Importa que me glorie? Na verdade, não convém! Passarei, entretanto, às visões e revelações do Senhor.” (2 Cor 12,1). Quando São Paulo foi para o território da Europa, passou por várias tribulações como açoites, naufrágios, perigo de espada, assalto, sendo até apedrejado. A cidade de Corinto era grande, portuária, era uma cidade de grandes possibilidades, mas com muita prostituição. Foi um grande desafio, para São Paulo, chegar naquele lugar. Ele pregava na sinagoga, mas sua pregação não causava muito impacto. Até que ele investiu na pregação e as pessoas começaram a se converter e, por causa disso, ele começou a ser perseguido. O trabalho de São Paulo foi tremendo, no entanto, quando foi embora, alguns começaram a falar mal dele dizendo que a sua intenção era enganar as pessoas.

Em 2 Cor 11,18 lemos: “Porque muitos se gloriam segundo a carne, também eu me gloriarei” e em 2 Cor 12,7 lemos ainda “Demais, para que a grandeza das revelações não me levasse ao orgulho, foi-me dado um espinho na carne, um anjo de Satanás para me esbofetear e me livrar do perigo da vaidade.” Fazemos de tudo para que as pessoas não vejam nosso espinho na carne, para que não vejam nossos defeitos. Em tudo enganamos para não mostrarmos que não somos perfeitos, queremos que as pessoas olhem para nós como deuses.

Deixa eu te dizer uma coisa, se você precisa de frango, cachaça, farofa para prender um homem a você, você está muito ruim. Tenha amor por você, se olhe e se veja como filha amada de Deus! Deus quer você do jeito que você é. Muitos abrem mão do projeto de Deus para viver uma mediocridade, com o intuito de que os outros a considere importante. Se você não foi importante, por exemplo, na vida de seus pais, você é importante para Deus!

Para se sentir importante para alguém, você acaba abrindo mão do projeto de Deus, do amor Dele por você. Mas Deus está te dizendo, “filho, você vale mais que os pardais!”. A sua salvação depende do Senhor Jesus e de ninguém mais. Você é responsável pelas pessoas, mas não fique mendigando amor dos outros. Muitas pessoas, por não se sentirem valorizadas, abrem mão da sua dignidade.

Deus te ama muito mais do que os pássaros do céu, do que as flores do campo. Há pessoas sendo enganadas em centro espírita, levadas pela saudade de alguém que morreu, porque aquela pessoa te fazia sentir importante. Deixe a pessoa descansar, eu sei que você tem saudade, mas se você ama aquela pessoa, verdadeiramente, saberá que ela está diante de Deus.

Não amarre ninguém a você com simpatia, macumba, porque ele te faz se sentir importante. Deus sim é o importante. Enquanto mendigamos o amor dos homens, esquecemos do amor de Deus. Não fique mendigando o amor dos outros para ser importante. Para Deus sim você é importante e Ele não exige nada de você para que Ele te ame, te queira mais.

Você não precisa se envergonhar dos seus defeitos, por causa do seu espinho na carne. A palavra “importante” significa importar, trazer de fora para dentro. Você é tão importante para Deus que, por meio da Eucaristia, Ele se entrega para estar dentro de você.

Homília do Pe. Fábio Camargos
Acampamento de Oração Livra-nos do Mal em 20/6/2015

sagradocoracaoJesus compreende a nossa fraqueza e nos convida a  entrar no Seu coração

“Vinde a mim  todos vós que estais cansados e aflitos,  e eu vos darei descanso” (Mt., 11, 28). Jesus pronunciou estas palavras no segundo ano da sua atividade apostólica. Depois do discurso na sinagoga de Cafarnaum sobre a instituição da Eucaristia,  Jesus,  num momento de profundo lirismo, nos abriu o seu coração indicando-o  como nosso refúgio.  Este coração foi aberto logo depois da sua morte: “Um soldado golpeou-lhe o lado com uma lança” (Jo. 19, 34) para nos convidar a entrar e saborear as doçuras da ternura de Jesus.

A devoção ao Sagrado Coração é muito antiga, iniciou desde o século XII, no ao de 1672, na França.  O Papa Pio IX a estendeu para toda a Igreja no dia 23 de agosto do ano 1856. Esta celebração é importante: conduz à essência do cristianismo, à pessoa de Jesus  manifestado  no mistério mais íntimo do seu ser.

O coração na antiguidade foi sempre considerado como o centro vivo da pessoa, a sede dos sentimentos, dos afetos, do carinho.

A Sagrada Escritura usou este simbolo para expressar o amor de Deus. Deus tem um coração grande: “Eu te amei com amor eterno, por isso conservei para ti o amor”  (Jer., 31, 3); “Deus é amor. Foi assim que o amor de Deus se manifestou entre nós: Deus enviou o seu Filho único ao  mundo, para que tenhamos a vida por meio dele”  (I Jo, 4, 8-9). Assim Jesus se transforma em sinal, revelação, a presença entre nos do amor de Deus.

Deus, enviando o seu Filho, materializou este seu amor. Jesus se apresenta como a “imagem (visível) do Deus invisível” (Col, 1, 15):  “Ninguém jamais viu a Deus; o Filho único, que é Deus e está na intimidade do Pai, foi quem o deu a conhecer” (Jo., 1, 18).

Se o coração de Jesus é a manifestação do coração de Deus, para compreender Deus a única solução é entrar neste coração aberto de Jesus para descobrir  a ternura de Deus Pai. Este é o convite que nos já apresentou S. Agostinho: “A entrada é acessível: Cristo é a porta.  Também pra você foi aberta a porta quando o lado de Jesus foi aberto com uma lança… Daqui escolhe para onde você possa entrar” (Discurso 311, 3,3).

A ferida era a porta, agora aberta, o coração a meta, o santuário recondito onde encontrar o amor e, por consequência, oferecer-se a ele.

Se os Padres da Igreja (Justino, Ireneu, Cipriano, Ambrósio, Agostinho) nos apresentaram o coração de Jesus como a sede da ternura e do carinho de Deus Pai, Orígenes e outros teólogos  (especialmente Pedro Damiani e Pedro Canisio)  nos apresentaram o mesmo Coração como a fonte da verdade e o santuário  da eterna sabedoria. Não por nada  Jesus no Oriente é  chamado de Sofia,  isto é  ‘a sabedoria eterna de Deus’.

Aproveitando o simbolismo do coração a intenção é prestar o culto à pessoa mesma de Cristo. São João Eudes (1601-1680) foi o primeiro apostolo do culto aos Sagrados corações de Jesus e de Maria.

O convite de Jesus: “Vinde a mim  todos vós que estais cansados e aflitos,  e eu vos darei descanso” manifesta todos os sentimentos de Jesus para conosco.  Jesus compreende a nossa fraqueza e nos convida a  entrar no Seu coração, isto é, a recorrer a Ele, fonte de  misericórdia, para encontrar  um refugio tranquilo e seguro. A religião se transforma em um  ato de amor,  num abandono confiado na ternura de Jesus-Deus.

Assim a devoção ao Sagrado Coração de Jesus se manifesta como a raiz e o fundamento das outras devoções. Jesus nos convida a permanecer no seu amor: “Permanecei em mim… Permanecei no meu amor” (Jo. 15, 4 e 9).  Deste modo os dois corações: o nosso e o de Jesus se encontram e o nosso é transformado  no coração de Jesus.

Para celebrar o centenário  desta festa, o Papa Pio XII escreveu uma Carta Encíclica,  Haurietis Aquas (Sobre o culto do Sagrado Coração de Jesus,  15 de maio de 1956).

Nesta o Papa diz: “À vista de tantos males que, hoje como nunca, transformaram profundamente os  indivíduos, as famílias, as nações e o mundo inteiro, encontramos um remédio eficaz no culto augustíssimo do Coração de Jesus,  para  satisfazer  as necessidades atuais da Igreja e do gênero humano” (n. 70).

O mesmo Pio XII  encorajou  a consagração das famílias ao Sagrado Coração de Jesus. Em um discurso  aos esposos (5 de junho de 1940), ele assim falou: “Nas revelações plenas de amor… Nosso Senhor prometeu que  ‘onde quer que a imagem deste Coração for exposta  para ser honrada, ela ali atrairá toda sorte de bençãos’. Confiantes na palavra divina, vós podeis portanto  conservar em vossa moradia a imagem do Sagrado Coração com as honras que a Ele são devidas… Cumpre portanto  que a imagem do Coração seja exposta e honrada na vossa casa.  Exposta e honrada: isto quer dizer que esta imagem não deve somente velar sobre vosso repouso, em um quarto privado, mas ter tida lealmente em honra… Em uma palavra, o Sagrado Coração é honrado devidamente  em uma casa,  quando aí é por todos e por cada um reconhecido  como Rei de amor; o que se exprime dizendo que a família foi a Ele consagrada. O Coração de Jesus  se empenhou em culminar de graças especiais aqueles que em total modo se derem a Ele. Mas quem se consagra deve também cumprir  as  obrigações que derivam de tal ato.  Longe portanto dela tudo o que contrastaria o Sagrado  Coração: prazeres perigosos, infidelidades, intemperança, revistas, a licença com a lei moral, qualquer forma de injustiça”.

Assim o culto ao Sagrado Coração de Jesus  se transforma em uma benção para as famílias.

Fonte: zenit.org

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