O drama da história humana tocada pelo pecado é apresentado com uma lucidez viva na mensagem de Fátima. O drama do pecado é ali profeticamente denunciado, traduzido nas visões do inferno e da cidade em ruínas e nas inúmeras referências aos pecadores, sobre quem recai a atenção da misericórdia de Deus. O pecado transparece como génese da tragédia humana, face à qual surge a urgência da conversão. Do fundo do desamor, a conversão é adesão ao amor de Deus. O apelo à conversão é nuclear na mensagem de Fátima e evoca o drama da redenção.

Face à visão do inferno, a pequena Jacinta pergunta: «que pecados são os que essa gente faz para ir para o Inferno?» E a prima Lúcia, na inocência da sua infância, tenta uma resposta: «Não sei. Talvez o pecado de não ir à missa ao Domingo, de roubar, de dizer palavras feias, rogar pragas, jurar.» A dimensão pessoal da conversão é central na mensagem de Fátima. E, no entanto, o apelo à conversão feito em Fátima não se esgota na sua dimensão pessoal: ele é também convocação ao dom de si pela conversão dos outros e pela conversão dos dinamismos da história, na certeza de que a comunidade dos crentes, no discipulado de Cristo, tem um ministério de conversão. Logo na primeira oração do Anjo, o drama do mal está presente: «Peço-vos perdão para os que não creem, não adoram, não esperam e não vos amam.» Os sacrifícios pela conversão dos pecadores serão expressão da oferta sacrificial que os pastorinhos fazem de si mesmos em prol dos demais.

(Fonte: santuario.pt)

O Segredo, dividido em três partes, está incluído na Mensagem de Fátima, mas Nossa Senhora pediu para que a terceira parte fosse revelada num tempo específico .

No entanto, o conteúdo da terceira parte, não foge ao que tivera sido revelado até então, ou seja, a exortação à oração como caminho para a salvação das almas, e no mesmo sentido o apelo à penitência e à conversão.

1ª parte – Visão do Inferno

2ª parte – Para a salvação das almas, estabelecer no mundo a devoção ao Imaculado Coração de Maria e a comunhão reparadora nos primeiros sábados.

3ª parte

1943

Lúcia adoece gravemente e D. José Alves Correia da Silva pede que ela escreva a ultima parte do segredo, para que caso ela morresse, nada ficasse por revelar.

1944

3 janeiro: Lúcia escreve e coloca o envelope lacrado dentro de um outro envelope com a indicação “por ordem expressa de Nossa Senhora” o envelope só podia ser aberto em 1960 pelo Cardeal Patriarca de Lisboa ou pelo Bispo de Leiria.

1957

A partir desta data o envelope sai de Portugal para ficar no Vaticano sob a guarda da atual Congregação da Doutrina da Fé.

1959

O Papa João XXIII leu mas não revelou.

1965

O Papa João Paulo VI leu mas também não revelou.

1981

O Papa João Paulo II leu mas também não revelou.

2000

13 maio: Anunciada em Fátima a terceira parte do Segredo pelo Cardeal Angelo Sodano, Secretário de Estado do Vaticano.

Revelada a visão dos Pastorinhos da Igreja Peregrina e Mártir. Uma Via Sacra de cristãos liderada pelo Papa que sofria um atentado e morria. Esta revelação fez alusão à bala desviada, pela intercessão de Nossa Senhora, no atentado de 13 de maio de 1981 em Roma, ao Papa João Paulo II.

«E vimos n’uma luz imensa que é Deus: “algo semelhante a como se veem as pessoas n’um espelho quando lhe passam por diante” um Bispo vestido de Branco “tivemos o pressentimento de que era o Santo Padre”. Vários outros Bispos, Sacerdotes, religiosos e religiosas subir uma escabrosa montanha, no cimo da qual estava uma grande Cruz de troncos toscos como se fora de sobreiro com a casca; o Santo Padre, antes de chegar aí, atravessou uma grande cidade meia em ruínas, e meio trémulo com andar vacilante, acabrunhado de dor e pena, ia orando pelas almas dos cadáveres que encontrava pelo caminho; chegado ao cimo do monte, prostrado de joelhos aos pés da grande Cruz foi morto por um grupo de soldados que lhe dispararam vários tiros e setas, e assim mesmo foram morrendo uns trás outros os Bispos Sacerdotes, religiosos e religiosas e varias pessoas seculares, cavalheiros e senhoras de varias classes e posições (…)», segundo o relato na mesma Memória.

No comentário teológico, o então Cardeal Joseph Ratzinger (Papa Emérito Bento XVI) sublinha que a palavra-chave desta terceira parte é o grito do anjo com a espada de fogo na mão esquerda: “Penitência, penitência, penitência!”. O apelo à conversão, mensagem de esperança de que o mal é vencido, a morte não tem a última palavra porque nenhum sofrimento é vão, como vemos no amor de Jesus na cruz e Sua ressurreição e pelo amor de Maria por nós: “Por fim o meu Imaculado Coração Triunfará”.

Fica do Céu a promessa.

No mundo tereis aflições, mas tende confiança! Eu venci o mundo” – Jo 16, 33

Na sua primeira aparição, o Anjo apresenta-se com um convite à adoração a Deus. De joelhos, curvado até ao chão, convida as três crianças à adoração que transforma a fé em esperança e amor: «Meu Deus eu creio, adoro, espero e amo-vos. Peço-vos perdão para os que não creem, não adoram, não esperam e não vos amam.» Este espírito de adoração na fé, que se abre em espírito reparador na esperança e no amor, é concretizado na oração que o Anjo ensina aos pastorinhos na sua última aparição: «Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, adoro-vos profundamente e ofereço-vos o Preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os Sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do Seu Sacratíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-vos a conversão dos pobres pecadores.»

Fátima recorda a centralidade da adoração, enquanto disposição interior que nos situa diante de Deus, mistério de graça e misericórdia. A gramática da adoração é a entrega humilde da existência nas mãos de Deus, o reconhecimento de Deus enquanto Deus e de si mesmo enquanto filho amado. E, nesse processo, purifica-se o crente, o seu olhar e o seu agir, à luz do amor com que o próprio Deus o ama.

Os pastorinhos foram pródigos no espírito de adoração. Surpreende o jeito contemplativo com que o Francisco procurava o recolhimento e o silêncio para «pensar em Deus» e para o consolar. 

(Fonte: santuario.pt)

Foi em 1916 que Deus enviou pela primeira vez o Seu Anjo, com uma mensagem de paz e oração para a montanha de Fátima, introduzindo os três Pastorinhos no clima do sobrenatural, dizendo-lhes: «Não temais, sou o Anjo da paz. Orai comigo: Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam e não Vos amam.»

Na segunda Aparição, o Anjo suscitou nos pastorinhos o espírito de sacrifício e, na terceira, trouxe consigo a Hóstia e o Cálice apresentado assim uma dimensão Eucarística da sua mensagem, com a oração trinitária e com a comunhão dos Pastorinhos, e dando assim pela oração ensinada a toda a sua mensagem uma finalidade reparadora: «Santíssima Trindade, Pai, Filho, Espírito Santo, adoro-vos profundamente e ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, presente em todos os Sacrários da terra, em reparação dos ultrages, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelos méritos infinitos do Seu Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos a conversão dos pobres pecadores.»

E quando chegou o dia 13 de Maio de 1917, veio também a Celeste Mensageira, a Santissima Virgem Maria, reforçando os pedidos do Anjo: «Oferecei a Deus todos os sofrimentos que Ele vos enviar, em acto de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores.»

Os três pastorinhos entregaram-se a esta sua grande missão, principalmente pela recitação diária do terço e com a prática de sacrifícios, de tal modo, que já em 1919 e 1920 Francisco e Jacinta foram levados para o Céu. Depois de a Santa Igreja ter reconhecido as suas virtudes heróicas e um milagre por sua intercessão, o Papa João Paulo II a 13 de Maio de 2000 declarou-os como Beatos, reconhecendo assim o cumprimento heróico da sua missão que receberam do Anjo e de Nossa Senhora.

Na 3.ª Aparição, Lúcia recebeu de Nossa Senhora uma missão específica: «Jesus quer servir-Se de ti, para Me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção a Meu Imaculado Coração.»

O ciclo das Aparições em Fátima fechou-se no dia 13 de Outubro de 1917, pondo-lhe Deus o selo de Suas obras com o estupendo milagre do sol historicamente certo. Diante deste sinal de Deus, o bispo D. José nomeou em Maio de 1922 uma Comissão Canónica para o processo Diocesano das Aparições e em 13 de Outubro de 1930 declarou como dignas de crédito as visões das crianças na Cova da Iria permitindo oficialmente o culto de Nossa Senhora de Fátima.

A Mensagem de Fátima foi-nos transmitida pelo espírito da Irmã Lúcia, da sua alma cândida e profunda, admiravelmente simples. O seu conteúdo essencial é chamar a atenção dos homens para as verdades eternas da salvação, o núcleo da sua exigência é a reparação das ofensas cometidas contra Deus, contra Jesus Cristo, contra o Coração Imaculado de Maria. Reparação não só dos próprios pecados, mas também a reparação dos pecados em representação de todos os homens.

Durante os seus 90 anos, a Mensagem de Fátima tornou-se cada vez mais imperativo para a Igreja e para todo o mundo. Ao publicar pela primeira vez os relatos da Irmã Lúcia, dizia profeticamente o Senhor Cardeal Cerejeira já em 1942: «…foi uma nova revelação de Fátima…

Fátima fala já não só a Portugal, mas ao mundo todo. Cremos que as Aparições de Fátima abrem um período novo: o do Coração Imaculado de Maria. O que se tem passado em Portugal é o prenúncio do que o Imaculado Coração prepara para o mundo.

+ Pe Luis Kondor – SVD

Em todas estas quatro práticas deve-se ter a intenção de desagravar o Imaculado Coração de Maria.

Esta devoção deve ser feita durante 5 meses seguidos.

1. Confissão. Para cada Primeiro Sábado é preciso uma confissão com intenção reparadora. A 15 de fevereiro de 1926, Nosso Senhor explicou que a Confissão não tem necessariamente de ser no primeiro sábado, mas pode ser 8 dias antes ou depois, contando que a Comunhão seja feita na Graça de Deus e com desejo de reparação.

A vidente perguntou: – “Meu Jesus, as (pessoas) que se esquecerem de formar essa intenção (reparadora)? Jesus respondeu – Podem formá-la na confissão seguinte, aproveitando a primeira ocasião que tiverem para se confessar”.

As outras três condições devem cumprir-se no próprio Primeiro Sábado, a não ser que algum sacerdote, por justos motivos, conceda que se possam fazer no domingo a seguir.

2. A Comunhão Reparadora: oferecer a sagrada comunhão em ato de reparação.

3. O Terço: O Terço é sempre meditado, pois sem meditação dos Mistérios não há Terço do Rosário;

4. A meditação, durante 15 minutos, de um só mistério, de vários ou de todos. Também vale uma meditação ou explicação de 3 minutos antes de cada um dos 5 mistérios do terço que se está a rezar.

Durante essa meditação há a promessa duma Presença especial de Maria no nosso coração. Diretamente, Ela exprimiu-a assim: “Quem Me fizer companhia durante 15 minutos”. Por tal motivo, estes 15 minutos são dos mais ricos de todo o mês. 

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Livro Mistica de Fátima

Como mais ninguém, a Virgem Maria experimentou a misericórdia divina e participou na sua revelação aos homens através de Jesus, lembra o Papa João Paulo II. Ela, que conhece profundamente o mistério da misericórdia divina, “foi chamada de modo especial para tornar próximo dos homens o amor que o Filho tinha vindo revelar: amor que encontra a sua mais concreta manifestação para com os que sofrem, os pobres, os que estão privados de liberdade, os cegos, os oprimidos e os pecadores, conforme Cristo explicou referindo-se à profecia de Isaías, ao falar na sinagoga de Nazaré (Lc 4,18) e, depois, ao responder à pergunta dos enviados de João Batista (Lc 7,22)” (DM 9).

Os textos evangélicos testemunham algumas intervenções de Maria em favor dos homens, nas suas necessidades. Esta ajuda não parou, quando ela deixou de viver no mundo, como ensina o Concílio Vaticano II. “Com a sua multiforme intercessão, continua a alcançar-nos os dons da salvação eterna”; e, ao longo dos séculos, “cuida, com amor materno, dos irmãos de seu Filho que entre perigos e angústias, caminham ainda na terra até chegarem à Pátria bem-aventurada” (LG 62).

É para manifestar, uma vez mais, este amor materno aos seus filhos que a Virgem Maria realiza as suas aparições como as de Fátima. Esta é uma das formas de continuar a cooperar para que os homens conheçam, implorem e acolham a misericórdia divina. Como Deus, também Maria se comove com as misérias humanas e compadece-se oferecendo a sua ajuda materna.

Tendo experimentado a misericórdia divina, os pastorinhos procurarão pô-la em prática em relação aos seus próximos, segundo os ensinamentos que receberam tanto nas aparições como pelos conselhos de alguns sacerdotes ou em resposta às solicitações de pessoas em aflição. Na sua aparição, o Anjo ensina-os a adorar e a pedirem “perdão para os que não crêem, não adoram, não esperam” e não amam a Deus. O mesmo mensageiro celeste disse-lhes que “os corações de Jesus e Maria estavam atentos à voz da súplica deles pelos pecadores (Memórias, 62). Em consequência, sugere-lhes, como forma para praticar o sacrifício, que aceitem e suportem, com submissão, o sofrimento que o Senhor lhes enviasse (Memórias, 62). Também na oração trinitária de adoração, o Anjo ensina-lhes a pedir a “conversão do pobres pecadores”, pela graça da misericórdia divina (Memórias, 63).Eles assim fazem, nada regateando para obterem o arrependimento e a emenda de vida dos pecadores. Tornam-se incansáveis nessa oração misericordiosa.

Curiosamente, também aprendem a viver a misericórdia para com Deus, consolando-o e reparando os ultrajes e pecados com que ele é ofendido por parte dos homens ingratos. A oração, os repetidos atos de oferecimento pessoal e os sacrifícios vividos eram as formas que usavam para com Ele. Eles tinha aceitado esse compromisso sob proposta da Virgem Maria (Memórias, 65).

As crianças exercem também a misericórdia entre si, especialmente nos momentos em que alguma delas passa por sofrimentos: consolam-se, lembram as palavras dos mensageiros divinos e ajudam-se a aceitar e a oferecer o que estão a viver. (cf Memórias, 67-70).

Em relação ao próximo em aflição, a sua misericórdia é notável, sobretudo na figura dos pecadores, dos doentes, dos aflitos e dos pobres. A estes, sempre que os encontram no caminho, dão-lhes a sua merenda. Visitam alguns doentes, conforme lhes pedem, e rezam. Pelos pecadores, oferecem um sem número de sacrifícios que a vida lhes traz e, não contentes com isso, procuram ainda outras formas de se sacrificar. Algumas vezes sentem-se incomodadas e sem saber o que fazer perante os doentes e pessoas em aflição. O que lhes podem oferecer é a sua oração, partilhando da sua dor e intercedendo por eles junto de Deus e de Nossa Senhora. Manifestam verdadeira compaixão pelos necessitados e sofredores.

O que os pastorinhos vivem é um amor à medida das suas capacidades infantis, mas vivido com uma generosidade que vai para além delas. Por vezes, torna-se um amor criativo, que inventa a maneira de agradar àqueles a quem amam, como quando escolhem os sacrifícios de sua iniciativa ou se ajoelham com as pessoas, oferecendo-se para rezar com e por elas. Uma das formas para exprimir o seu grande amor é o acolhimento e a aceitação do sofrimento, em todas as formas com que lhes aparece na sua vida (cf J Guarda, O carisma, 134-135).

Lúcia aceita contar as Aparições, quebrando o segredo que se tinha imposto, vendo que dessa forma, não seria apenas ela, sozinha, a ter o gosto de saborear os segredos do amor de Deus, mas, no futuro, outros cantariam com ela “as grandezas da misericórdia” divina (Memórias, 50).

A celebração do Centenário das Aparições tem posto em evidência o caráter universal de Fátima: não só a mensagem é universal, como também o Santuário é mundialmente conhecido e procurado. É esta dimensão de universalidade que gostaria de destacar. Antes de mais, é a própria mensagem de Fátima que tem valor universal: trata-se de uma mensagem que se destina a todos e que a todos convida a dar a Deus o lugar que só a Ele é devido na nossa vida. Em Fátima o Coração Imaculado de Maria mostra-se como refúgio e caminho para todos. Os valores da mensagem, como a paz, são igualmente universais. Foi a percepção da importância e atualidade dessa mensagem que levou à sua enorme difusão por todo o mundo e que explica a sua recepção tão alargada. Os meios dessa difusão foram variados, mas apraz-me destacar, antes de mais, a importância das viagens da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima, que, a partir de 1947, passou pelos diferentes territórios, primeiramente da Europa do pós-guerra e, em menos de uma década, um pouco por todo o mundo. Estas peregrinações marianas foram um meio excelente de divulgação da mensagem de Fátima. Também as comunidades portuguesas na diáspora tiveram um papel relevante na difusão de Fátima por todo o mundo e tornaram-se agentes da globalização do Santuário e da devoção a ele associada. Para a transformação de Fátima num Santuário à escala mundial, muito contribuiu igualmente a visita dos mais altos dignitários da Igreja: bispos, cardeais e, sobretudo, os próprios Papas. Não há dúvida que as 6 peregrina- ções papais ao Santuário da Cova da Iria deram a Fátima uma projeção mundial que, de outro modo, dificilmente atingiria, num período tão curto. Trata-se, aqui, de um “círculo virtuoso”: a presença dos Papas em Fátima justifica-se pela importância mundial do Santuário e pela universalidade da mensagem, mas, ao mesmo tempo, potenciam ainda mais a sua difusão universal. Fátima está presente em todo o mundo. Multiplicam-se, por todos os continentes, os santuários, as igrejas, os oratórios ou os simples altares dedicados a Nossa Senhora de Fátima. Várias dioceses pelo mundo escolheram Nossa Senhora, sob esta invocação, como padroeira. Com inspiração na mensagem de Fátima, foram fundados institutos de vida consagrada, confrarias, associações, movimentos, alguns dos quais com dimensão verdadeiramente internacional. Isto tem necessariamente consequência no próprio Santuário, visitado por peregrinos de todo o mundo. A variedade de proveniências de peregrinos que, em cada ano, acorrem a Fátima, comprovam que este é, de facto, um Santuário global. E se isto era claro no passado, no Centenário tem aparecido com especial evidência. Em nenhum outro momento da história centenária de Fátima se percebeu, com tanta evidência, o sentido da designação deste santuário mariano como “Altar do Mundo”.

Por Pe. Carlos Cabecinhas

Perante as dificuldades da conversão do mundo, perante as nossas próprias resistências interiores à ação da graça divina, poderemos ser tentados ao desanimo e ao conformismo, como se já não fora possível realizar a Mensagem transmitida pela Mãe de Deus. Nessa hora da tentação e da dúvida, há que ter presente a admoestação de Jesus aos discípulos perturbados pela tempestade do lago! «Porque temeis, homens de pouca fé?». Não existe realmente motivo para desalento e receio. Nos momentos mais difíceis, nós temos a certeza da vitória da fé que vence o mundo (cfr. 1 Jo. 5, 4).. Temos a confiança inabalável na intercessão eficaz do Coração Imaculado de Maria, tantas vezes claramente demonstrada, a ponto de a piedade cristã poder exclamar: «Nunca se ouviu dizer que algum daqueles que tenha recorrido à Vossa proteção e implorado o Vosso auxílio fosse por Vós desamparado».

E disso é testemunho não só a história das pessoas, mas também a História dos povos. Posso aduzir o exemplo concreto de Portugal. Nos destinos de Portugal, foi manifesta por mais de uma vez a presença protetora da Mãe de Deus. Para aludir apenas a fatos recentes, a consagração feita em Fátima pelos Bispos portugueses ao Imaculado Coração de Maria, no ano de 1931, foi que defendeu Portugal do perigo comunista, então bem próximo das suas fronteiras, na Espanha. Foi a mesma consagração, renovada em 1940, que poupou Portugal aos horrores da última guerra mundial, quando ela espalhava a destruição e a morte em tantos países da Europa. E foi, certamente, a grande devoção do povo português à Virgem Maria, de novo ratificada pela consagração ao Coração Imaculado de Maria, efetuada pelos Bispos em 1975, que deteve o avanço do comunismo ateu, quando ele já se tinha apoderado de muitas estruturas do governo e ameaçava submergir toda a vida pública e privada dos portugueses.

E esta esperança firme e a certeza inabalável na proteção de Maria, que vos convido a celebrar. Façamo-lo em ação de graças e em súplica: em ação de graças, por tudo o que a Virgem nos tem concedido em Portugal; em súplica fervorosa, para que pela intercessão do Seu Coração Imaculado, Deus conceda a grande graça de vos tornardes pedras vivas da Igreja de Jesus Cristo. Façamos também para que, por meio do Coração Imaculado de Maria desça a paz para o mundo inteiro e a conserve nos nossos países.

(+ Pe Kondor, SVD)

Fátima é o convite para reparar os pecados cometidos contra Jesus e Sua Mãe e consolar estes dois Santíssimos Corações. Ao mesmo tempo revela ao mundo a grande promessa da nossa própria salvação.

O sofrimento, desde a entrada do pecado no mundo, é inevitável para os homens. Já outrora, sofreram Cristo e o ladrão, ao mesmo tempo: no entanto, enquanto Cristo rezava, um dos ladrões blasfemava; alma de Jesus manifestava o céu e a outra a escuridão. Hoje também nesta diferença se encontra a solução do problema.

A única causa do sofrimento do mundo é o pecado; e o bom ladrão reconheceu em Jesus o Rei imortal, que pela porta da morte entrava no Seu Reino, e abria o céu outros, para «justificá-los» e levá-los consigo. «Ainda hoje estarás comigo no Paraíso – disse Jesus ao bom ladrão. – Levar-te-ei comigo, tu serás já o fruto doce da minha amarga paixão.»

Junto da Cruz de Jesus encontrava-se ainda Sua Mãe, cujo Coração era traspassado de dor. Toda a Sagrada Escritura apresenta Maria estreitamente unida ao Seu Filho Divino, e sempre participante da sua sorte. Acima de tudo deve recordar-se que, desde o século segundo, a Virgem Maria é apresentada como a nova Eva, estreitamente unida ao novo Adão, embora a Ele sujeita. Mãe e Filho aparecem intimamente unidos na luta contra o inimigo infernal, luta essa que, como foi pré-anunciada no Protoevangelho, havia de terminar na vitória completa sobre o pecado e a morte, que o Apóstolo das gentes sempre associava nos seus escritos. Assim, o amor de Deus que não poupava o Filho, também não poupava a Mãe, e conduzia também a «serva» seguindo o Filho na amargura, infâmia, na vergonha. O Coração Imaculado sofria com O adorável Coração do seu Filho. E Jesus não mandou esculpir esta sua Paixão e morte em pedra ou madeira; os evangelistas descreveram-nas só com poucas palavras. Mas quis que Maria guardasse tudo no seu Coração; Ele confiou as Suas chagas, dores e súplicas ao Coração de Sua Mãe; ele depositou e guardou, e é este Coração que nos pode tudo transmitir; por isso, quem quer aprofundar-se nos sentimentos reparadores de Jesus, tem que procurar Sua Mãe.