Como poderá o perdão traduzir a reparação? Que tem uma realidade que ver com a outra? Mais uma vez, poderemos olhar esta relação nas duas direções que a compõem, e igualmente nos atores. Se reparar supõe parar para refazer algo que foi desfeito, a reparação então começa no reparado enquanto reparador. Tenho de parar para olhar para mim mesmo, para reparar em mim. Só nessa altura estarei disposto e aberto ao olhar do Outro que desde sempre repara em mim e me quer reparar. Neste contexto é possível então falar de duas direções no processo de reparação, como foi afirmado, o que pressupõe dois pontos de partida: um de nós para Deus e outro de Deus para nós. No fundo, reabilitamos aqui todo o processo de mediação sacerdotal no Antigo Testamento e na vida cristã.

O mediador é aquele que está no meio, que leva o mundo até Deus e que traz Deus para habitar o mundo. Nestas duas direções podemos parar para olhar para Deus ou contemplar a paragem de Deus que olha, que repara em nós para reparar a nossa vida com a sua graça. Nestas duas direções é delineado um percurso de reconhecimento do pecado como condição de perdão, porque ao reparar na nossa condição de pecado abro caminho para a reparação do mesmo através do perdão. Nesse momento desejo buscar um perdão que é constante e que repara a minha relação ao mundo e a Deus. Sendo assim, também podemos então contemplar o perdão de Deus sempre prévio ao pecador para o reparar, para o reconstruir, pelo que podemos aí contemplar essa mesma condição que repara o meu pecado. Desta forma poderemos falar em duas direções delineadas neste percurso de reconhecimento: uma de nós que se inicia quando nos damos conta do nosso pecado, e outra da parte de Deus que desde sempre (re)conhece que somos pecadores e indigentes da sua misericórdia que repara o nosso pecado.

Nestas duas direções, para ser reparado, para ser notado por Deus tenho de deixar que Ele me repare, é necessário reconhecer o mal cometido para, com essa consciência, construir um caminho outro. Isto supõe a anuência da liberdade, o consentimento, o reconhecimento da nossa condição de pecadores. Só então o perdão de Deus será reparador, isto é, eficaz pois ao perdoar, ao dar por esse gesto de graça (gratuito) a sua graça e uma nova chance, está a reparar uma relação dilacerada, pelo que em última instância o Reparador acaba por ser Aquele que inicia e conclui o processo. Nós continuamos no meio como mediadores, e Deus só pode perdoar se efetivamente vir que nos arrependemos e que queremos mudar de vida, refazer as contas da história, recompor o que destruímos. É o que acontece também com os sacramentos que só são eficazes se não impusermos óbice, se a nossa liberdade consentir. Sem mostrarmos que queremos reconstruir o que desfizemos não há perdão eficaz. Ele existe em Deus mas a nossa liberdade impede-o de se tornar eficaz, é contumaz quando quer deixar tudo como estava antes. Este processo que acontece na relação cristã entre o crente e Deus replica-se na relação fraterna e replica-se agora na reciprocidade das direções das relações interpessoais, pois se existe a violação de um dos mandamentos da lei de Deus, sobretudo a partir do quarto, só conseguimos manter a relação com base na confiança e na gratuidade. Isto acontece mesmo ao nível social. O mundo só funciona por causa da gratuidade nossa e de todos, que permanentemente está a “olear a máquina”, a reparar os atropelos e as injustiças.

Para que a sociedade sobreviva é necessário o perdão para reparar as relações interpessoais, o que faz então com que o reconhecimento da necessidade de reparação seja a condição para o perdão e para a própria sobrevivência. Individual, comunitária e socialmente é necessário refazer o que foi desfeito, é necessária a reparação do pecado cometido para que aconteça o perdão e para que consigamos continuar a viver em sociedade, não na base da violência e da competição como pensaram os ideólogos do estado moderno como Hobbes (1588-1679). Esta é a condição de perdão, perdão que permanece sempre gratuito, mas que como gratuito que é precisa sempre do consentimento da liberdade. Isto abre sempre então o lugar à esperança, e deixa o futuro nas nossas mãos. Podemos mudar o caminho dos acontecimentos, o que torna a vida muito mais bela e livre, pois não há fatalismos nem destinos, mas graça e liberdade. Este é o jogo da vida, e este jogo torna a vida humana sempre reparável e sempre perdoável, primeiro por Deus e depois pelos irmãos.

Texto – José Carlos Carvalho

A reparação na Mensagem de Fátima

O convite à reparação atravessa os três ciclos de aparições marianas na mensagem de Fátima. Nas duas primeiras aparições angélicas da primavera e verão de 1916 o Anjo de Portugal pedia já a reparação no registo linguístico do sacrifício e da petição de perdão: «não temais, sou o Anjo de Portugal, orai comigo… fez-nos repetir três vezes estas palavras: –“meu Deus! Eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os que não creem, não adoram, não esperam e Vos não amam”».

Na segunda aparição no verão no poço chamado Arneiro acrescenta a este registo linguístico o vocabulário do sacrifício, da suportação e da súplica, próprios da piedade popular daquela época: «De tudo o que puderdes oferecei a Deus sacrifício em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e súplica pela conversão dos pecadores. Atraí, assim, sobre a vossa pátria, a paz. Eu sou o Anjo da sua guarda, o Anjo de Portugal. Sobretudo, aceitai e suportai, com submissão, o sofrimento que o Senhor vos enviar».

Na terceira aparição angélica no outono de 1916, o Anjo continua o convite à reparação, desviando sempre os Pastorinhos de «uma busca direta do sofrimento e do sacrifício, insistindo na aceitação dos aspetos aflitivos da vida», e lê a eucaristia como um sacrifício reparador, como que uma recompensa pelos ultrajes infligidos a Jesus: «… e faz–nos repetir três vezes: – Santíssima Trindade, Pai, Filho, Espí- rito Santo, ofereço-Vos o preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que Ele mesmo é ofendido… tomai e bebei o Corpo e Sangue de Jesus Cristo, horrivelmente ultrajado pelos homens ingratos. Reparai os seus crimes e consolai o vosso Deus».

Na primeira aparição mariana de 13 de maio de 1917, Nossa Senhora pergunta aos Pastorinhos se querem oferecer-se a Deus «para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-[lhes], em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores?».

Na terceira aparição do dia 13 de julho desse mesmo ano, Nossa Senhora anunciou em Fátima que «para impedir a guerra [viria] pedir a consagração da Rússia ao [seu] Imaculado Coração e a Comunhão reparadora nos Primeiros Sábados».

Na aparição de 19 de agosto pedia o sacrifício reparador da oração: «rezai, rezai muito e fazei sacrifícios por os pecadores, que vão muitas almas para o inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas». A frase inspiradora para este ano de preparação do centenário é precisamente tirada da segunda memória da Irmã Lúcia onde relata o que a Senhora lhe pediu na terceira aparição de julho: «Ó Jesus, é por vosso amor, pela conversão dos pecadores e em reparação pelos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria». Esta última devoção veio pedi-la depois no ciclo cordimariano, aparecendo à Irmã Lúcia a 10-12-1925 em Tuy, Espanha. Nessa altura concretizou-a em práticas muito simples e pedagógicas como a consagração dos cinco primeiros sábados e a recitação do terço: «Olha, minha filha, o meu coração cercado de espinhos que os homens ingratos a todos os momentos me cravam com blasfêmias e ingratidões. Tu, ao menos, procura consolar-me e diz que prometo assistir na hora da morte, com todas as graças necessárias para a salvação, a todos os que, no Primeiro Sábado de cinco meses seguidos, se confessarem, receberem a Sagrada Comunhão, rezarem um terço e me fizerem companhia durante quinze minutos, meditando nos quinze mistérios do Rosário com o fim de me desagravar». Estas práticas devocionais são reafirmadas nas visões de Jesus nos dois anos seguintes a 15 de fevereiro de 1926 e de 17 de dezembro de 1927. A 13 de junho de 1929 Maria pede a Lúcia: «são tantas as almas que a justiça de Deus condena por pecados contra mim cometidos, que venho pedir reparação: sacrifica-te por esta intenção e ora».

Por José Carlos Carvalho

(Fonte: Santuário de Fátima Portugal)

Poucas coisas motivaram mais teorias da conspiração à volta da Igreja do que a terceira parte do segredo de Fátima, ou o “terceiro segredo”, como ficou conhecido.

A terceira parte da visão foi mantida em segredo, conhecido apenas pelo bispo de Leiria-Fátima e o Papa, até ao ano 2000, altura em que João Paulo II a mandou revelar.

Esta parte da visão é descrita da seguinte forma por Lúcia: “E vimos numa luz imensa, que é Deus, algo semelhante a como se vêem as pessoas no espelho, quando lhe diante passa um bispo vestido de branco. Tivemos o pressentimento de que era o Santo Padre. Vimos vários outros bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas subir uma escabrosa montanha, no cimo da qual estava uma grande cruz, de tronco tosco, como se fora de sobreiro como a casca. O Santo Padre, antes de chegar aí, atravessou uma grande cidade, meio em ruínas e meio trêmulo, com andar vacilante, acabrunhado de dor e pena. Ia orando pelas almas dos cadáveres que encontrava pelo caminho.”

E continua: “Chegando ao cimo do monte, prostrado, de joelhos, aos pés da cruz, foi morto por um grupo de soldados que lhe disparavam vários tiros e setas e assim mesmo foram morrendo uns após os outros, os bispos, os sacerdotes, religiosos, religiosas e várias pessoas seculares. Cavalheiros e senhoras de várias classes e posições. Sob os dois braços da cruz, estavam dois anjos. Cada um com um regador de cristal nas mãos recolhendo neles o sangue dos mártires e com eles irrigando as almas que se aproximavam de Deus.”

João Paulo II identificou este “bispo vestido de branco” como sendo ele próprio, e os tiros como o atentado que sofreu em 1981, precisamente no dia 13 de Maio. Nessa altura considerou que foi salvo da morte por intervenção de Nossa Senhora, dizendo mesmo que “uma mão disparou a arma, outra guiou a bala”.

O segredo foi lido, sem que isso tivesse sido previamente anunciado, no final da missa de beatificação de Francisco e Jacinta no ano 2000, em Fátima, presidida pelo Papa João Paulo II.

Para muitos o assunto foi dado como encerrado, mas na oração que preparou para ser rezada na capelinha das aparições na sexta-feira, quando chegar a Portugal, Francisco surpreendeu ao descrever-se a si mesmo como um “bispo vestido de branco”, parecendo com isso dizer que a mensagem de Fátima, mais do que estar ligada diretamente a um Papa, está ligado ao papado em si e que mantém toda a sua relevância nos dias atuais.

(fonte: radio renascença)

Depois de ter mostrado o inferno e a sorte sofrida pelas almas que lá vão parar, Nossa Senhora disse-lhes qual o remédio para salvar as almas de se perderem.

Deus quer estabelecer no mundo a devoção a meu Imaculado Coração. Se fizerem o que eu disser salvar-se-ão muitas almas e terão paz. A guerra vai acabar, mas se não deixarem de ofender a Deus, no reinado de Pio XI começará outra pior.”

Esta parte do segundo segredo tem sido alvo de alguma polêmica e os cépticos sublinham que ela só foi revelada nas memórias da irmã Lúcia, publicadas já na década de 40, depois do início da II Guerra Mundial. Também não é claro se Nossa Senhora terá mencionado explicitamente Pio XI – o que na prática significaria profetizar o nome escolhido por esse Papa, eleito apenas em 1922, cinco anos depois das aparições.

Há ainda o facto de a data comumente indicada como o começo da II Guerra Mundial, 1 de Setembro de 1939 com a invasão da Polônia por parte da Alemanha, ter ocorrido já no reinado de Pio XII, que foi eleito precisamente em 1939. Contudo, essa data diz respeito apenas ao começo da guerra na Europa e não tem em conta a anexação da Áustria, por exemplo, que se deu em 1938 ainda no reinado de Pio XI, nem a guerra entre o Japão e a China, que começou em 1937 e também fez parte da Segunda Guerra Mundial.

A revelação de Nossa Senhora continuou: “Quando virdes uma noite, alumiada por uma luz desconhecida, sabei que é o grande sinal que Deus vos dá de que vai punir o mundo pelos seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre.” Lúcia interpretou este sinal como sendo a Aurora Boreal que foi vista em muitos pontos do mundo em Janeiro de 1938, causando pânico entre as populações.

Para a impedir virei pedir a consagração da Rússia a meu Imaculado Coração e a Comunhão Reparadora nos Primeiros Sábados. Se atenderem a meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz, se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja, os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas, por fim o meu Imaculado Coração triunfará.”

Numa explicação teológica dos segredos de Fátima, publicada pelo Vaticanodepois de ter sido revelada a terceira parte do segredo, o então cardeal Joseph Ratzinger referiu-se à noção de “Imaculado coração”, admitindo que esta pode soar estranha sobretudo a pessoas de mentalidade não-latina. “O termo ‘coração’, na linguagem da Bíblia, significa o centro da existência humana, uma confluência da razão, vontade, temperamento e sensibilidade, onde a pessoa encontra a sua unidade e orientação interior. O ‘coração imaculado’ é, segundo o evangelho de Mateus, um coração que a partir de Deus chegou a uma perfeita unidade interior e, consequentemente, ‘vê a Deus’. Portanto, ‘devoção’ ao Imaculado Coração de Maria é aproximar-se desta atitude do coração, na qual o “fiat” – ‘seja feita a vossa vontade’ – se torna o centro conformador de toda a existência.”

A referência à Rússia diz naturalmente respeito ao regime comunista que seria implantado alguns meses depois da revelação, mas no final desta segunda parte do segredo Maria apresentava uma solução: “O Santo Padre consagrar-me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz.”

A consagração da Rússia levaria, porém, muitos anos a ser concluída. Sucessivos Papas fizeram algo aproximado, mas a irmã Lúcia foi-lhes dizendo que os seus gestos não correspondiam aos desejos de Nossa Senhora, ora porque não referiam a Rússia pelo nome, ora porque não tinham sido feitos em união com todos os bispos do mundo.

Quando finalmente João Paulo II o fez de forma satisfatória em 1984 os efeitos, segundo os devotos de Fátima, foram quase imediatos. A consagração foi feita em 25 de Março e menos de dois meses depois um acidente numa base naval na Rússia destruiu dois terços dos mísseis da Frota do Norte da União Soviética, incapacitando-a numa altura em que Moscovo se preparava para a usar para atacar a Europa Ocidental por ter aceite a presença de um sistema de defesa americano. O acidente de Severomorsk aconteceu precisamente no dia 13 de Maio. No espaço de um ano foi eleito Gorbatchev, que espoletaria a reforma do regime comunista, levando à rápida dissolução de todo o bloco soviético.

(fonte: radio renascença)

Nossa Senhora, na Terceira Aparição, em 13 de julho, pede a prática dos cinco primeiros sábados e, após alguns anos, aparece à Ir. Lúcia, reforçando o pedido e explicando como praticá-lo. 

No dia 10 de dezembro de 1925, Nossa Senhora apareceu à Ir. Lúcia, juntamente com o menino Jesus, e ensinou-lhe a prática dos cinco primeiros sábados do mês em desagravo às ofensas cometidas contra a sua dignidade.

“Dia 10 de dezembro de 1925, apareceu-lhe a SS. Virgem e, ao lado, suspenso em uma nuvem luminosa, um Menino. A SS. Virgem, pondo-lhe no ombro a mão e mostrando, ao mesmo tempo, um coração que tinha na outra mão, cercado de espinhos.

Ao mesmo tempo, disse o Menino:

– Tem pena do Coração de tua SS. Mãe que está coberto de espinhos que os homens ingratos a todos os momentos Lhe cravam, sem haver quem faça um ato de reparação para tirá-los.

Em seguida, disse a SS. Virgem: – Olha, minha filha, o Meu Coração cercado de espinhos que os homens ingratos a todos os momentos Me cravam, com blasfêmias e ingratidões. Tu, ao menos, vês de Me consolar e diz a todos aqueles que, durante cinco meses, ao primeiro sábado, para se confessarem, recebendo a Sagrada Comunhão, rezarem um Terço e Me fizerem quinze minutos de companhia, meditando nos quinze mistérios do Rosário, com o fim de Me desagravar. Eu prometo assisti-los na hora da morte, com todas as graças necessárias para a salvação dessas almas.”

Mas por que cinco sábados? Anos mais tarde, Ir. Lúcia explicou que são cinco os sábados dessa devoção porque são também cinco as principais ofensas cometidas contra a dignidade de Nossa Senhora: primeiro, as cometidas contra a sua Imaculada Conceição; segundo, as cometidas contra a sua virgindade; terceiro, as cometidas contra a sua maternidade divina; quarto, as ofensas de quem ensina crianças a desprezar e ter ódio da Virgem; e, quinto, as ofensas feitas a ícones de Nossa Senhora.

Nilza e Gilberto Maia – Comunidade Canção Nova

Embora se fale muito no terceiro segredo de Fátima, a verdade é que houve apenas um segredo, dividido em três partes. Conheça aqui o texto e as interpretações que lhe têm sido dadas.

No dia 13 de Julho de 1917 os três pastorinhos de Fátima, Lúcia, Francisco e Jacinta viram Nossa Senhora pela terceira vez em Fátima. Nessa altura ela revelou-lhes o que viria a ser conhecido como o segredo de Fátima.

O segredo é composto por três partes distintas, o que levou à ideia generalizada de que se tratava de três segredos, sobretudo porque a terceira parte ficou muitos anos por revelar e tornou-se conhecido precisamente como o terceiro segredo de Fátima.

1.ª PARTE: A VISÃO DO INFERNO

As três crianças viram “um grande mar de fogo que parecia estar debaixo da terra. Mergulhados neste fogo os demônios e as almas, como se fossem brasas transparentes e negras ou bronzeadas com forma humana, que flutuavam no incêndio levadas pelas chamas que delas mesmas saíam, juntamente com nuvens de fumo, caindo para todos os lados, semelhante ao cair das faúlhas em os grandes incêndios, sem peso nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e desespero que horrorizava e fazia estremecer de pavor. Os demônios distinguiam-se por formas horríveis e asquerosas de animais espantosos e desconhecidos, mas transparentes e negros.”

Importa dizer que a Igreja reconhece a existência de visões sobrenaturais, mas diz que estas devem sempre ser interpretadas pelo contexto social e pessoal dos videntes. Assim, o Catecismo da Igreja Católica reconhece a existência real do inferno: “Morrer em pecado mortal sem arrependimento e sem dar acolhimento ao amor misericordioso de Deus, significa permanecer separado d’Ele para sempre, por nossa própria livre escolha. E é este estado de auto-exclusão definitiva da comunhão com Deus e com os bem-aventurados que se designa pela palavra ‘Inferno’”, mas a visão que os pastorinhos tiveram não significa que no inferno existam literalmente chamas, pois essa poderá ter sido apenas a forma como elas, enquanto crianças, compreendiam o conceito. Assim, a Igreja sempre reconheceu nessa visão mais do que uma imagem literal, um sério aviso para a conversão e o arrependimento.

(Fonte: radio renascença)

Em 26 de dezembro de 1957, a vidente das aparições de Fátima, Irmã Lúcia dos Santos, assegurou em uma entrevista que “o Rosário é a arma de combate das batalhas espirituais dos últimos tempos”.

Irmã Lúcia manifestou que a Santíssima Virgem disse, tanto a seus primos como a ela, que dois eram os últimos remédios que deus dava ao mundo: o Santo Rosário e o Imaculado Coração de Maria.

A religiosa, que faleceu em 2005, destacou que com o Santo Rosário nos salvaremos, nos santificaremos, consolaremos Nosso Senhor e obteremos a salvação de muitas almas.

Por isso, o demônio fará todo o possível para nos distrair desta devoção; nos colocará muitos pretextos: cansaço, ocupações etc., para que não rezemos o Santo Rosário”, advertiu.

Neste sentido, ressaltou que o programa de salvação é brevíssimo e fácil, porque com o Santo Rosário “praticaremos os Santos Mandamentos, aproveitaremos a frequência dos Sacramentos, procuraremos cumprir perfeitamente nossos deveres de estado e fazer o que Deus quer de cada um de nós”.

Não há problema por mais difícil que seja: seja temporal e, sobretudo, espiritual; seja referente à vida pessoal de cada um de nós ou à vida de nossas famílias, do mundo ou comunidades religiosas, ou à vida dos povos e nações; não há problema, repito, por mais difícil que seja, que não possamos resolver agora com a oração do Santo Rosário”, enfatizou a religiosa.

fonte : acidigital

Ter devoção ao Imaculado Coração significa adentrar numa espiritualidade da ternura, numa mística do afeto.

Nossa de Senhora, em Fátima, nos trouxe a mensagem do seu coração. Em seus relatos, Ir. Lúcia explica a vida mística de Francisco e Jacinta enfatizando os reflexos de luz que jorravam das mãos da Virgem Maria. Em seu livro Memórias, Ir. Lucia relata:

Foi ao pronunciar estas últimas palavras que abriu pela primeira vez as mãos, comunicando-nos uma luz tão intensa, como que reflexo que delas expedia, que penetrando-nos no peito e no mais íntimo da alma, fazendo-nos ver a nós mesmos em Deus, que era essa luz, mais claramente que nos vemos no melhor dos espelhos. Então, por um impulso íntimo também comunicado, caímos de joelhos.”

A luz tão intensa que penetrava no peito e no mais íntimo da alma dos Pastorinhos os fez experimentar um Amor de Deus imensurável e inesgotável, levando-os a uma íntima comunhão com Ele. Um mergulho no coração de Deus, indescritível ao entendimento meramente humano, porém possível através da experiência que se faz. É a Trindade – o Pai, o Filho e o Espírito Santo – derramando o Seu amor.

É importante verificar que Maria, ao revelar o seu Imaculado Coração, não comunica a si mesma, mas unicamente o próprio Deus: “Foi então que a celeste Mensageira, abrindo os braços com um gesto de maternal proteção, nos envolveu no reflexo da luz do imenso Ser de Deus. Foi uma graça que nos marcou para sempre na esfera do sobrenatural”. (Livro Ir. Lúcia Memórias)

Francisco, embora parecesse não compreender realmente os fatos, depois perguntava: “Para que estava Nossa Senhora com um coração na mão espalhando pelo mundo essa luz tão grande que é Deus?. Com esta pergunta, ele acaba nos relevando ainda mais o Imaculado Coração de Maria.

Foi desse modo, através de Maria e do seu Imaculado Coração, que Deus quis manifestar, mais uma vez, o Seu Amor ao mundo, através das Aparições em Fátima.

Ir. Lúcia diz no seu livro “Como vejo a Mensagem” que “Deus é amor, por isso, só o amor nos pode levar a mergulhar no imenso Ser de Deus, a ser um com Deus“.

Texto Extraído do livro: Mistica de Fátima

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Em 13 de julho de 1917, Nossa Senhora de Fátima mostrou aos três pastorinhos Lúcia, Francisco e Jacinta, na Cova da Iria (Portugal), uma visão do inferno que mostra as trágicas consequências que traz a falta de arrependimento e o que espera no mundo invisível pelos que não se convertem.

Esta visão, mostrada na terceira aparição de Fátima, forneceu aos pequenos um segredo em três partes. Na primeira parte do segredo, na qual o inferno foi mostrado, Nossa Senhora deu às crianças uma maneira de ajudar os outros para que não se condenem:

Sacrificai-vos pelos pecadores e dizei muitas vezes e em especial quando fizerdes alguns sacrifícios: ‘Ó Jesus, é por Vosso amor, pela conversão dos pecadores e em reparação pelos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria’”.

Uma visão aterradora

No livro “A verdadeira história de Fátima”, do Pe. João de Marchi, relata-se como o pai da pastorinha Jacinta, Manuel Pedro Marto, presenciou o ocorrido na Cova da Iria naquele dia.

Recordou que “Assustados, pálidos e como que a pedir socorro, os pequenos levantaram a vista para Nossa Senhora, enquanto a Lúcia gritou: ‘Ai, Nossa Senhora!’”.

Mais tarde, a pedido do Bispo de Leiria, Lúcia descreveu a visão em suas “Memórias”:

Ao dizer estas últimas palavras, abriu de novo as mãos, como nos dois meses passados. O reflexo pareceu penetrar a terra e vimos como que um grande mar de fogo. Mergulhados nesse fogo, os demônios e as almas, como se fossem brasas transparentes e negras ou bronzeadas, com forma humana, que flutuavam no incêndio, levadas pelas chamas que delas mesmas saíam juntamente com nuvens de fumo, caindo para todos os lados, semelhante ao cair das fagulhas nos grandes [incêndios], sem peso nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e desespero que horrorizava e fazia estremecer de pavor (deveu ser ao deparar-me com esta vista que dei esse ai! que dizem ter-me ouvido). Os demônios distinguiam-se por formas horríveis e asquerosas de animais espantosos e desconhecidos, mas transparentes como negros carvões em brasa. Assustados e como que a pedir socorro, levantámos a vista para Nossa Senhora, que nos disse com bondade e tristeza: ‘Vistes o inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores; para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção a Meu Imaculado Coração. Se fizerem o que Eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz’”.

Em seguida, depois da visão, Maria lhes indicou a oração essencial para ajudar os pecadores: “Quando rezais o Terço, dizei depois de cada mistério: ‘Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o Céu, principalmente aquelas que mais precisarem’”.

Pe. de Marchi assinalou que as crianças compreenderam por que a Virgem de Fátima pediu para rezar e fazer sacrifícios pelos pecadores: “Façam isso”, dizia a Senhora. “É uma coisa grandiosa, boa e amorosa e agradará a Deus que é amor”.

Converteram-se, por livre vontade, em corredentores com Cristo. A visão do inferno que haviam tido em julho não se apagou de suas mentes. Rezaram incessantemente. Buscavam novos sacrifícios. Rezando o Terço, nunca se esqueciam de incluir a oração que Nossa Senhora lhes ensinou a dizer depois de cada dezena”, indicou o sacerdote em seu livro.

Além da visão do inferno de 13 de julho de 1917, a mensagem da Virgem de Fátima indica que se deve rezar o Terço todos os dias, fazer sacrifícios e rezar pelos pecadores, praticar a devoção dos cinco primeiros sábados do mês em honra ao Imaculado Coração de Maria e a consagração pessoal também ao seu Imaculado Coração.

(fonte: acidigital)

O acontecimento de Fátima está desde o início centrado em Deus Trindade. A luz e a beleza que irradiavam da presença do Anjo e da Senhora e inundavam as três crianças eram as mãos estendidas de Deus, que na bondade do seu Amor a todos abraça. A presença de Deus, recorda Lúcia, «era tão intensa que nos absorvia e aniquilava quase por completo. Parecia privar-nos até do uso dos sentidos corporais por um grande espaço de tempo. […] A paz e felicidade que sentíamos era grande, mas só íntima, completamente concentrada a alma em Deus».

Esta experiência tão íntima de Deus não deve ser entendida como simples perceção extraordinária do sagrado ou do mistério. Deus não é simplesmente o arquiteto do mundo ou a chave para explicar a realidade. Deus é Pessoa viva que está próxima das suas criaturas. Os pastorinhos foram protagonistas de um encontro pessoal com Alguém que vinha ao seu encontro, desvelando os seus desígnios de misericórdia: foi assim que compreenderam «quem era Deus, como [os] amava queria ser amado». Esse Deus que ama e quer ser amado é a Trindade, «que [os] penetrava no mais íntimo da alma». E por isso à Trindade Santa é dirigida uma das orações mais originárias e genuínas de Fátima: «Santíssima Trindade, Pai, Filho, Espírito Santo, adoro-Vos profundamente…».

O encontro com Deus é vivido pelas três crianças como fonte de profunda felicidade e alegria. A oração brota, por isso, de modo espontâneo na sua intimidade, como uma disposição constante que há de manter vivo um diálogo que transformara definitivamente as suas vidas. E, desde o princípio, sentem que a adoração é o modo de estar diante d’Aquele que está acima de todos os ídolos que pretendem seduzir os seres humanos.

Fonte: Carta Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa no Centenário das Aparições de Nossa Senhora em Fátima