A Santíssima Virgem apareceu neste lugar faz agora cem anos, não somente para exortar os homens à conversão e à oração, como sucedeu noutras aparições, mas com um propósito explicitamente profético, indicando aos homens acontecimentos do futuro, a fim de que eles possam lê-los prudentemente, preparar-se, reconhecê-los e converter-se. Eis aqui a excecionalidade de Fátima! Maria, em Fátima, profetizou, e a Igreja reconheceu a verdade das aparições, e com essas, a das próprias profecias.

Podemos mesmo dizer que estaria em erro quem pensasse que a missão profética de Fátima já está concluída; Fátima não terminou! Fátima está ainda por completar, porque o Coração Imaculado de Maria ainda não triunfou plenamente.

Toda a Igreja, Una, na ininterrupta Tradição apostólica, tende ao anúncio de Cristo aos irmãos, para que se realize a Vontade de Deus, que escutámos na Segunda Leitura. É verdade: Deus quer que «todos os homens se salvem e alcancem o conhecimento da verdade»; mas, para que a Vontade de Deus se cumpra, por uma escolha soberana e imperscrutável do mesmo Senhor, é necessário o concurso da nossa liberdade.

É certo que a salvação é oferecida a todos os homens, e Deus quer que todos se salvem; ora, este oferecimento passa através da indispensável mediação da Igreja e do testemunho dado pelos cristãos; passa através daquilo que a doutrina chama de “substituição vicária”, ou seja, o reviver no Corpo da Igreja, que somos nós, daquele oferecimento que Cristo faz de Si por toda a humanidade.

A Vontade salvífica universal realiza-se com o necessário abrir-se a Deus por parte da liberdade pessoal de cada um. Por esta razão, a Segunda Carta a Timóteo afirma o imprescindível binômio que junta o ser-se salvo e o alcançar-se o conhecimento da verdade: ordinariamente, não se pode realizar a salvação prescindindo do conhecimento da verdade, isto é, o conhecimento do próprio Cristo. Certamente, Deus tem as Suas vias para salvar os homens, mas foi uma delas que Ele nos revelou, e é essa que devemos percorrer e dar a conhecer.

Card. Mauro Piacenza

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