A Human Life International e o comitê organizador do 2º Congresso Internacional pela Verdade e pela Vida, divulgou nesta quarta-feira, 9 de novembro, uma declaração final que reassume os principais pontos abordados no evento realizado em São Paulo, no Mosteiro São Bento,  na semana passada.

A urgência na aprovação do Estatuto do Nascituro, que reconhece a pessoa desde a fecundação, garantindo-lhe assim todos os seus direitos, é um dos pontos principais ressaltados nesta declaração final.

O congresso destacou muitas iniciativas a favor da vida e que promovem os valores da família, trazendo ainda um impulso ainda maior para diversos trabalhos pastorais neste sentido.

“Reconhecemos que o nosso povo brasileiro é sensível à defesa da vida, porém constatamos a necessidade de uma melhor formação e mais informações sobre as circunstâncias atuais das práticas perversas de muitos organismos transnacionais que influenciam nossos governos para implantar políticas contrárias à cultura da vida e da família”, salientou o documento.

Para a Human Life International, o congresso foi uma demonstração de que é preciso fomentar a unidade e a efetividade nas diversas ações, criar uma rede informativa que contribua para uma maior difusão de estratégias e iniciativas a favor da vida e da formação católica.

Segundo o comitê organizador, esse evento contou com a participação de oito bispos e um grupo de mais de 140 sacerdotes, seminaristas e religiosos de várias partes do Brasil e cerca de 350 leigos.
Rede Internacional pela Vida

Diante da cultura da morte, se faz necessário a implementação de uma rede internacional em defesa da vida. É o que propõe o professor Felipe Nery, representante no Brasil da Human Life International.

Diretor do Colégio São Bento, casado e com 5 filhos, professor Felipe Nery foi o organizador do 2º Congresso internacional pela verdade e pela vida, realizado de 3 a 6 de novembro, em São Paulo.

À primeira pergunta sobre o motivo inspirador do Congresso, o professor Felipe, lembrando o beato João Paulo II, disse: “estamos diante de uma cultura da morte e devemos decidir pela vida”.

A novidade desse Congresso, segundo o professor, foi ter realizado “pela primeira vez em território brasileiro, uma reunião de reflexão de temas tão polêmicos, e com palestrantes tão capacitados e diversificados”;

O professor destacou como muitas pessoas já assimilaram a cultura contrária à vida em diversos setores da sociedade: seja nos livros de texto das crianças, nas escolas, na educação, na ciência…

Citando o mito da Caverna de Platão, desejou que o Congresso tenha iluminado, e que os participantes ali presentes, ou que tenham participado pela internet, tenham recebido a força e a preparação necessárias para apresentar ao mundo a verdadeira luz de Cristo, que ilumina todos os cantos da vida do homem.

O professor Felipe Nery também notou a dificuldade de se enxegar os grandes problemas que a Vida Humana enfrenta hoje. “Hoje em dia, há uma mudança de terminologia”, afirma o professor, “durante largos anos grandes grupos conseguiram semear certa confusão na mente das pessoas com termos e conceitos errados”.

Diz o professor: “O mesmo escritor ateu Beltrand Russell – netamente fora do ambiente cristão – deixou escapar no seu livro, O impacto da ciência na sociedade, uma solução ao problema, na idéia de que a informação é a forma mais rápida para derrubar essa grande maquinária global de instrumentalização da informação, pois nada como o conhecimento e a verdade para liberar o homem dos laços do mal”; e, continuou o professor, “nosso desejo é que as pessoas saibam, conheçam, estudem e tenham o direito de entender as coisas assim como elas são.”

À pergunta sobre as perspectivas do Congresso para o futuro, o professor Felipe Nery disse que no próximo ano se terá outro, com novos pregadores, do mesmo nível dos que vieram nesse ano e com novas temáticas.

Por último, o professor Felipe mostrou o seu desejo de “que as pessoas que participaram desse congresso possam se unir numa rede internacional para a defesa da vida.”
Pastoral da Vida é necessária para Igreja, destaca conferencista

Em sua palestra, o sacerdote equatoriano Juan Carlos Chavez Aguilar abordou o tema “Pastoral da Vida”, durante o II Congresso Internacional pela Verdade e pela Vida, promovido pela Human Life International no Mosteiro de São Bento, em São Paulo.

Para a Pastoral da Vida, os principais objetivos são “as crianças por nascer, as crianças mortas pelo aborto, as mães grávidas, os idosos, os doentes em estado terminal, os embriões congelados, as crianças manchadas pela pornografia, os matrimônios atacados pela cultura antinatalista. Essa pastoral é necessária para a vida da Igreja”, destaca padre Juan Carlos.

Por isso, é preciso trabalhar em conjunto, criando, nas dioceses, Comissões pela Vida, que são um “sinal pastoral muito importante”.

O sacerdote também falou sobre uma “tríade diabólica”, que se concretiza através dos seguintes passos:

1º – imoralidade sexual, ideologia de gênero, pornografia, através dos meios de comunicação social, da pansexualização da cultura, dos chamados “direitos sexuais e reprodutivos”, da informação sexual imoral e de movimentos GLBT;
2º – uso disseminado de anticoncepcionais, preservativos e outros. Os jovens, especialmente, são pressionados a uma imoralidade sexual. Daí surgem a esterilização, a gravidez indesejada, as doenças sexualmente transmissíveis;
3º – aborto, como se fosse uma ideologia de planejamento familiar legal, com a chamada “educação para a saúde sexual e reprodutiva”. Aí entram tanto o aborto cirúrgico quanto o químico, com suas consequências de infertilidade e até mesmo suicídio, por exemplo.

Segundo dados apresentados por padre Juan Carlos, cerca de 400 bebês são sacrificados por minuto no mundo através do aborto cirúrgico, mas o número é três vezes maior nos casos motivados por aborto químico.

No entanto, junto à denúncia, é preciso fazer o anúncio, claro e otimista, da vida. “O núcleo do Evangelho da Vida é o anúncio de um Deus vivo e próximo, que chama a uma profunda comunhão com Ele e nos abre para a esperança segura da vida”, ressalta o sacerdote, elencando, a partir da Encíclica Envagelium Vitae, do beato João Paulo II:

1 – O Evangelho da Vida é uma pessoa: Cristo Jesus;
2 – Toda vida humana é sagrada;
3 – Por ser sagrada, a vida humana é inviolável;
4 – O homem é responsável perante a vida;
5 – O valor incomparável de cada pessoa: a encarnação do Cristo;
6 – O homem adquire dignidade quase divina com a morte de Cristo;
7 – Cristo revela o autêntico sentido da vida humana;
8 – O sangue de Cristo é o maior motivo de esperança;
9 – O que significa não matar e suas implicações éticas concretas;
10 – Em particular sobre o aborto;
11 – Consequências da cultura da morte no âmbito político.

“Por isso, é preciso reforçar a formação da consciência moral dos fiéis, baseada na Lei de Deus e na Doutrina da Igreja. Para o relativismo moral, precisamos de argumentos sólidos e claros. Nossos fiéis não querem nem opiniões, nem ambiguidades, querem certezas, querem a verdade”, afirma padre Juan Carlos.

Algumas das iniciativas pastorais concretas sugeridas são:
– Educação sobre sexualidade humana para crianças e jovens, fomentando a castidade;
– Pregação: denúncia da tríade diabólica da educação sexual imoral, anticoncepção e aborto;
– Criação dos Centros de ajuda para a mulher;
– Divulgação entre famílias e casais cristãos da paternidade responsável, com pessoas capacitadas e treinadas nos métodos naturais. A Pastoral da vida está intimamente relacionada com o grande esforço pela pastoral da família;
– Implementação de centros de acolhida para mulheres grávidas que foram abandonadas;
– É essencial promover uma pastoral sanitária, especialmente com os profissionais da saúde;
– Visita às maternidades e também aos idosos abandonados;
– Formação de voluntários para este trabalho;
– Formação de grupos pró-vida de jovens;
– Dar importância à Pastoral Universitária Católica, que tem grande influência.


Declaração Final

A Human Life International e o comitê organizador do II Congresso Internacional pela Verdade e pela Vida, realizado na cidade de São Paulo entre os dias 03 e 06 de novembro de 2011, agradece a Deus pela conclusão das jornadas de trabalho deste evento, com a participação de 8 bispos e um grupo de mais de 140 sacerdotes, seminaristas e religiosos de várias partes do Brasil e cerca de 350 leigos.

Consideramos importante apresentar-lhes as conclusões adotadas neste congresso, que servirão para uma ação pastoral na linha da defesa da vida:

• Diante da crescente cultura de morte, denunciamos seu avanço na América Latina, especialmente no nosso País, através do abortismo, da anticoncepção, da pornografia, do homossexualismo, da ideologia de gênero, do controle populacional, da manipulação da linguagem e da reengenharia cultural que pretende minar o conteúdo da nossa fé cristã.
• Reconhecemos que devemos intensificar nosso trabalho como Igreja, no campo da defesa da vida e da promoção da família segundo o projeto divino e o magistério da Igreja, que insiste nos princípios inegociáveis enunciados pelo Santo Padre Bento XVI, a quem expressamos gratidão e fidelidade.
• Saudamos o trabalho de muitos grupos pró-vida, que desenvolvem ações louváveis de esclarecimento e instauração da cultura da vida.
• Reconhecemos que o nosso povo brasileiro é sensível à defesa da vida, porém constatamos a necessidade de uma melhor formação e mais informações sobre as circunstâncias atuais das práticas perversas de muitos organismos transnacionais que influenciam nossos governos para implantar políticas contrárias à cultura da vida e da família.
• Propomos, para fomentar a unidade e a efetividade das nossas ações, criar uma rede informativa que contribua para uma maior difusão de estratégias e iniciativas a favor da vida e da formação católica do nosso povo.
• Também propomos incluir dentro da formação inicial e permanente do clero os temas relativos à defesa da vida e da família.
• Urgimos que todos os participantes deste encontro exijam dos seus representantes parlamentares que trabalhem efetivamente para a aprovação do Estatuto do Nascituro reconhecendo-o como pessoa desde a fecundação, garantindo-lhe assim todos os seus direitos.
• Repudiamos as ingerências do Supremo Tribunal Federal em decisões que ferem a Carta Magna em matéria de vida e família, extrapolando as suas competências, invadindo a área de atribuições do legislativo.
• Como uma iniciativa imediata, animamos a que todos colaboremos com as ações necessárias para que a Constituição Paulista inclua em seu texto o reconhecimento do nascituro como pessoa desde o momento da fecundação, servindo de exemplo para o resto do Brasil e do mundo.
• Exortamos os grupos pró-vida a continuar trabalhando com ânimo e com fé no Senhor da Vida, sob o patrocínio da Virgem de Guadalupe, imperatriz das Américas, para que seja instaurada a cultura da vida e cesse a cultura de morte.

São Paulo, 06 de novembro de 2011

Human Life International Comissão organizadora
Fonte: Zenit / Canção Nova

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