Como Deus revela Seus planos para nossa vida?

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De uma coisa você pode ter certeza: você nasceu para cumprir uma missão! Você existe para realizar um plano de Deus! É o que afirma a Sagrada Escritura: “Quando Deus criou suas obras, desde o princípio, quando as formou, distinguiu suas partes, determinou para sempre suas tarefas e o domínio de cada uma em suas gerações” (Eclo 16, 26-27). Ou seja, desde a criação do mundo, o Senhor pensou em você para esse tempo de agora, para nesta geração você assumir sua parte, sua tarefa e aquilo que lhe compete. E para não ficar nenhuma dúvida sobre esta certeza de fé, a Bíblia ainda confirma “pois tudo foi criado segundo sua finalidade” (Eclo 39, 26).

Mas como descobrir a razão para a qual você foi criado? Como é que Deus revela Seus planos para nossa vida? Bem, se a gente pensar que o Pai que nos criou com um desígnio de vida, é razoável que Ele tenha depositado em nós capacidades e habilidades para realizar esse projeto. Portanto, naturalmente, ao longo da nossa vida, inseridos em várias atividades, ciências, pensamentos e modos de vida, vamos percebendo afinidades com algumas dessas coisas, mais do que com outras. Não só afinidades, mas também destreza maior em algumas coisas, mais do que com outras.

Nisso vamos percebendo nossa vocação. Por exemplo: a pessoa vocacionada a medicina, começa já desde criança na escola, a ter mais interesse e facilidade de aprendizado com o estudo do corpo humano, com a matéria de biologia. O futuro engenheiro ou mestre de obras, já se encanta quando antes de qualquer curso, passa por uma construção e vê o pedreiro assentando tijolos, quando o profissional faz a instalação hidráulica, se interessa pela composição estrutural da edificação. E quando o vocacionado se dispõe a “pôr a mão na massa”, começar a realizar aquela atividade, ele percebe uma certa facilidade, aptidão para isso que se propôs a fazer. Deus já está revelando nessas coisas, qual a sua vocação!

Em que você percebe um talento? Desenho, canto, música, exatas, humanas? Será que você tem uma habilidade em comunicar ou em lidar com as pessoas? Quem sabe você tenha uma inclinação a refletir questões da alma e do coração humano. Contudo, isso se faz através de tempo, de um processo de descoberta! Não adiante ter pressa! Não é de uma hora para a outra!

Depois que descobrimos nossas aptidões, geralmente começamos a sonhar. Imaginamos um modo de vida e de realização pessoal a partir dos nossos talentos. Mas é importante frisarmos: as pessoas vivem correndo atrás de realização, mas, a verdadeira realização não está em fazer nada para si mesmo, mas para os outros. Veja! Deus nos dá uma vocação, e apesar de, em muitos casos esta vocação nos manter materialmente, ao fazermos dela a nossa profissão, ela não será para beneficiarmos a nós mesmos, mas a outros. O pedreiro, o engenheiro, o médico, o mecânico, o gari, o chef de cozinha, o missionário, e até mesmo o voluntário… Todos trabalham para outros.

Ou seja, nossa vocação existe para os outros. Ser feliz não tem nada a ver com realizar sonhos, fazer nossas vontades, pois estas não se esgotam. “quando deres um banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos, os cegos! Então serás feliz, pois estes não têm como te retribuir!” (Lc 14, 13-14). Deus te criou com uma vocação (as iguarias do banquete), e a sua vocação existe para servir. Embora seja justo o trabalhador ter seu salário, seu sustento, quanto mais trabalharmos e buscarmos desenvolver nossos talentos só para benefício próprio mais infelizes seremos.

Este é um modo de Deus purificar nossas aspirações e assim indicar onde está a vontade Dele na sua vida. Quando você descobrir que gosta de fazer algo simplesmente pelo bem do outro, e não para você, aí está a vontade do Senhor para sua vida. Aqui também você irá se descobrir aos poucos, vai tomar coragem de ir renunciando a você mesmo, porque sente sua alma atraída pelo bem que pode proporcionar ao outro, ou se sentirá chamado a algo pela necessidade dos filhos de Deus, como foi Madre Teresa que se compadecia dos doentes.
Outro ponto importante que temos que mencionar é que, quando falamos em vocação, logo pensamos numa profissão ou consagração religiosa, mas essas não são as únicas. Todos nós temos que nos perceber também em outras áreas que Deus nos designou:

  • Afetividade: Você é chamado a constituir família ou a viver o celibato?
  • Pastoral: Onde você pode atuar na Paróquia? Catequese, liturgia, ministério extraordinário da eucaristia?
  • Dons espirituais: Cura, profecia, palavra de ciência, milagres, libertação?

Aqui também o discernimento é o mesmo de antes. Onde você se sente inclinado a trabalhar para o bem dos outros? Não para seu sucesso, seu status, reconhecimento, mas para doar de si aos outros.

Chegado a este ponto – renunciar o bem próprio pelo bem dos outros e da humanidade –, Deus nos lança num terceiro estágio: Você está disposto a permanecer, firmar um compromisso definitivo de serviço através dessa sua vocação? Com certeza haverão provações, situações que não favorecerão seu ministério, seu serviço. Aqui só fica aquele que tem certeza que foi Deus quem o chamou. Qual dos membros da Canção Nova não enfrentou alguma dificuldade em seu caminho vocacional? Humilhação, privação, tentação… Saiba que o inimigo de Deus pedirá conta de sua vocação! Aqui só os violentos consigo mesmos permanecem. Depois de tanto tempo e trabalho em se perceber, quanto vale sua vocação agora? De que material você é feito?

Jacó lutou com Deus (Gn 32, 23-33). Jó era ridicularizado por todos por causa de sua fé (cf. Jo 4, 6). Davi, depois de beneficiar a todos enfrentando o gigante Golias, foi perseguido por seu rei Saul (cf. I Sm 20). Não é raro a gente ver pessoas decepcionadas com outras pessoas na pastoral, revoltados com a estrutura organizacional da instituição que entraram, os desistentes de sua vocação por uma critica ou dificuldade em exercê-la. Quanto você está disposto acreditar e lutar por aquilo que Deus depositou em você? E lutar não significa se revoltar, as armas de Deus são a obediência e o “faça diferente você!”, como o fez São Francisco de Assis.

Em tudo isso, Deus nos coloca num caminho de santificação, toda vocação não é só um trabalho para o Reino do Senhor, mas um meio necessário para nos elevarmos até Ele, para irmos ao Pai. Ele vai nos tornando perfeitos através de nossa vocação. É por amor que o Senhor nos coloca neste mundo para sermos seus eleitos, seus servos e seus filhos. “Na verdade, é Deus quem produz em vós tanto o querer como o fazer, conforme o seu agrado” (Fl 2, 13).

Sandro Arquejada
Missionário – Comunidade Canção Nova

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