A Igreja é contra o aborto no plano de saúde americano

Arquivado em: Aborto — Prof. Felipe Aquino at 3:54 pm on terça-feira, fevereiro 9, 2010

 

Igreja Católica bloqueia reforma da saúde nos EUA 

 

 

A Conferência dos Bispos Católicos dos EUA, numa carta endereçada aos congressistas, deixou claro que rejeita o projeto do Senado relativo à questão do aborto, aprovado a duras penas no Natal.

 

A versão do Senado (assim como a aprovada pela Câmara) veta que os novos planos de saúde estabelecidos pela reforma usem fundos públicos para pagar aos segurados pelos procedimentos de aborto. A diferença é que o projeto da Câmara é mais restrito, enquanto os senadores permitiram que Estados decidam sobre o assunto.

 

Agora, os bispos americanos decidiram contestar a primeira versão do Senado, causando um novo revés para Obama.

Na carta, os bispos ressaltam a necessidade de se chegar a um acordo para aprovar a reforma da saúde, “mas os vícios morais e de ordem política que impedem dezenas de milhares de americanos sem acesso à saúde permanecem” no texto aprovado pelo Senado, “cujo texto não atende nossos critérios morais e de consciência”.

 

O drama, para a Casa Branca, é que a questão do aborto está se convertendo num cavalo de batalha na nova correlação de forças no Congresso. Com a eleição extra de um  republicano, Scott Brown, para a cadeira do democrata Ted Kennedy, falecido no ano passado, por Massachussetts, Obama terá dificuldade de repetir os 60 votos necessários no Senado para aprovar o novo  projeto. Na votação da primeira versão, Obama obteve apoio dos 58  senadores democratas e de 2 independentes. Os 40 republicanos votaram contra.

Agora, os republicanos fazem pressão para que a nova versão conjunta do projeto de lei da reforma altere o texto do Senado relativo ao aborto. De quebra, Obama pode perder votos também na Câmara por causa do tema. O site FiveThirtyEight. com  fez uma sondagem e descobriu seis deserções da bancada governista dadas como certas e outras seis possíveis. Para Obama manter a maioria necessária de votos na Câmara, ele só pode perder um voto. A primeira versão na Câmara foi aprovada por 220 votos a 215 – apenas 1 voto além do mínimo necessário. (Slate)

 

link:http://blogs. estadao.com. br/radar- global/igreja- catolica- bloqueia- reforma-da- saude-nos- eua/

 

A Oração de Joe Wright

Arquivado em: Sem Categoria — Prof. Felipe Aquino at 2:28 am on terça-feira, fevereiro 9, 2010

 Oração de Joe Wright

 

No dia 23 de janeiro de 1996 realizou-se a cerimônia de abertura dos

trabalhos da Casa Legislativa do Estado do Kansas (EUA), na cidade de

Topeka. Por lá estava o capelão substituto Joe Wright, o qual foi

convidado a dizer algumas palavras em reverência ao momento. Eis que, para

espanto geral, ele sacou da memória uma *oração de autoria do pai de Bob

Russell, da Igreja Cristã de Louisville, Kentucky (EUA), iniciando uma

das maiores polêmicas que aquele lugar já tinha visto! Transcrevo, a seguir,

suas palavras:

 

“Ó, Senhor, sabemos o que diz Sua palavra, ‘maldição aos que chamam o mal de

bem’, mas é exatamente o que temos feito. Nós temos perdido o equilíbrio

espiritual e  invertido nossos valores. Nós confessamos que temos

ridicularizado a verdade absoluta da Sua palavra e chamado a isto pluralismo

moral. Nós temos adorado outros deuses  e chamado a isto diversidade

cultural e espiritualidade dos novos tempos. Nós temos cometido adultério e

chamado a isto um caso. Nós temos aprovado a perversão e  chamado a isto

estilo de vida alternativo.” E prosseguiu ele: “Nós temos explorado os

pobres e chamado a isto destino. Nós temos negligenciado os necessitados, e

chamado  a isto gestão econômica. Nós temos recompensado a inércia e chamado

a isto bem-estar social. Nós temos assassinado nossos filhos que ainda não

nasceram, e chamado  a isto escolha. Nós temos sido negligentes ao

disciplinar nossos filhos, e chamado a isto desenvolvimento de autoestima”.

Diante de uma já agitada platéia, a oração  continuou: “Nós temos deixado de

executar a justiça rapidamente, conforme Seu comando, e chamamos a isto de

devido processo legal. Nós temos encarcerado ofensores  não-violentos ao

invés de darlhes a oportunidade de uma reparação, e chamado a isto proteger

a sociedade. Nós temos deixado estupradores e assassinos livres para

escárnio dos inocentes e chamado  a isto justiça”.

 

A esta altura, segundo consta, algumas pessoas já haviam se retirado da sala

em protesto. Mas ele prosseguiu:

 

 “Nós temos falhado em amar nosso vizinho por conta da cor de sua pele, e

chamado a isto manutenção da pureza racial. Nós temos abusado do poder, e

chamado a isto  política. Nós temos cobiçado as coisas de nossos vizinhos, e

chamado a isto ambição. Nós temos poluído o ar com profanações e

pornografia, e chamado a isto liberdade de expressão. Nós temos feito do Dia

do Senhor o maior dia de compras da semana, e chamado a isto livre empresa.

Nós temos ridicularizado os honrados valores de nossos  ancestrais, e

chamado a isto iluminação”.

 

Como podemos facilmente imaginar, iniciou-se ali uma polêmica daquelas

acirradas. Alguns acusaram o capelão Joe Wright de intolerante, enquanto

outros enalteceram sua coragem. Poucos meses depois, quando o assunto já

estava meio que esquecido, deram a palavra a um parlamentar de nome  Mark

Paschall, em uma cerimônia acontecida na Casa Legislativa do Colorado. E

eis que o dito cujo repetiu, letra por letra, aquela que acabou sendo

conhecida como “a oração de Joe Wright ”. Também lá, segundo apurei,

muitas pessoas se retiraram do recinto em protesto, enquanto outras

aplaudiam vivamente. Uns bons 14 anos se  passaram desde aquela manhã na

cidade de Topeka, mas a polêmica continua, aqui e ali. E tenho que

continuará por muito tempo. Afinal, como dizia Mark Twain, “nada  precisa de

tantas reformas quanto os hábitos dos outros”

 

Fonte: Jornal A Tribuna, de 31 de janeiro de 2010, página 26.

 

 

 

 

 

 

73,5 dos brasileiros são contra o aborto

Arquivado em: Aborto — Prof. Felipe Aquino at 1:38 am on terça-feira, fevereiro 9, 2010

Pesquisa revela que 73,5% da população brasileira é contrária à legalização do aborto

 

SÃO PAULO, 04 Fev. 10 (ACI) .- Apesar do lobby abortista no Brasil, o país com a maior quantidade de católicos no mundo, e da recente tentativa do governo Lula através do 3º PNDH, a 100ª Pesquisa CNT/Sensus confirma que a maioria do povo brasileiro segue sendo contrária à legalização do aborto no país.  A pesquisa de opinião pública, foi realizada pela SENSUS a pedido da Confederação Nacional do Transporte no período de 25 a 29 de Janeiro de 2010, foi publicada na segunda-feira, 1 de fevereiro, e afirma que 73,5% dos pesquisados são contra a legalização do aborto e 22,7%, a favor.

 

Em nota enviada pelo grupo pró-vida brasileiro MDV (Movimento em defesa da vida), informou-se que em 2003 o Ibope divulgou pesquisa específica sobre a questão aborto. Do total de 2.000 entrevistados, 34% afirmou ser favorável a total proibição do aborto no Brasil, em qualquer circunstância. Apenas 10% do total afirmou ser desejável ampliações permissivas na prática do aborto, entre essas permissões estaria a não-punição da mulher e do médico no caso de aborto por má formação fetal.

 

A mesma pesquisa informa também que o porcentual de brasileiros favoráveis tanto à legalização do aborto quanto à pena de morte cresceu na última década. Segundo a pesquisa da CNT/Sensus, divulgada esta semana, entre janeiro de 2001 e janeiro de 2010, subiu de 39,4% para 41,2% a taxa dos brasileiros à favor da pena de morte. Em relação à legalização do aborto os números da investigação apontam que 17,7% eram favoráveis em janeiro de 2001, enquanto no 2010 o porcentual subiu para 22,7%.

 

Essa pesquisa, mais detalhada, foi encomendada pela Comissão de Cidadania e Reprodução (CCR), uma ONG pró-aborto e também está disponível na internet no link: http://www.ipas.org.br/arquivos/CCR_Resumo_Ibope.doc

O relatório síntese da pesquisa – que compara os dados de 2010 com 2001 – pode ser lido em formato PDF no site da CNT/Sensus: http://www.cnt.org.br/portal/img/arquivos/Relatorio Sntese.pdf

Mesmo considerando a margem de erro da pesquisa (3%), observa-se que os índices se mantém estáveis pela rejeição à legalização do aborto no Brasil.

 

Deputado rejeita o Plano de Direitos Humanos do governo

Arquivado em: Aborto — Prof. Felipe Aquino at 1:07 am on terça-feira, fevereiro 9, 2010

No apagar das luzes de 2009, enquanto os brasileiros se preparavam para comemorar o Natal, o Presidente Lula assinou um decreto, que estarreceu o Brasil pela radicalidade contra as instituições, principalmente à família.
O Deputado Federal Paes de Lira registrou, da tribuna da Câmara, o lançamento do Plano Nacional de Direitos Humanos (versão III). O parlamentar afirmou que o documento VIOLA os fundamentos da família e instiga ao aborto indiscriminado.
Vale a pena assistir o pronunciamento do deputado e passar para os seus amigos.
Favor clicar aqui <http://www.youtube.com/watch?v=mLZdZQxE4zk
>Secretário Geral do Brasil pela Vida

http://www.youtube.com/watch?v=mLZdZQxE4zk

http://www.youtube.com/watch?v=mLZdZQxE4zk

Brasilpelavida.org

Programa de Direitos Humanos é “desumano”, afirma jurista

Arquivado em: Laicismo — Prof. Felipe Aquino at 12:26 am on domingo, fevereiro 7, 2010

Programa de Direitos Humanos é “desumano”, afirma jurista

Programa de Direitos Humanos é “desumano”, afirma jurista

 

Quinta-feira, 28 de janeiro de 2010, 10h25

http://noticias.cancaonova.com/noticia.php?id=275347

 

O Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3) contém uma série de diretrizes inconstitucionais que pode desestabilizar o equilíbrio de Poderes no Brasil.

 

O alerta é lançado pelo jurista Ives Gandra Martins, doutor em Direito com reconhecimento internacional e mais de 40 livros publicados e traduzidos em mais de dez línguas em 17 países. “É um programa de direitos desumanos, o que menos tem é dignidade humana”, salienta.

 

Entre as propostas polêmicas contidas no Programa, ações que pretendem descriminalizar o aborto, reconhecer a união civil entre pessoas do mesmo sexo, garantir o direito de adoção por casais homoafetivos, impedir a ostentação de símbolos religiosos em estabelecimentos públicos da União, desestabilizar o direito à propriedade privada (com a criação de câmaras de conciliação dos conflitos, sejam agrários ou urbanos), bem como a regulamentação profissional da prostituição.

 

Nesta entrevista exclusiva ao noticias.cancaonova.com, o jurista explica os pontos cruciais do PNDH-3 e aponta a inconstitucionalidade das propostas.

 

noticias.cancaonova.com: Como o senhor avalia o Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3)?

 

Ives Gandra Martins: Na minha opinião, o decreto que institui o PNDH-3 é inteiramente inconstitucional. Ele é editado pelo Poder Executivo, mas atinge aspetos que dizem respeito às prerrogativas próprias do Poder Legislativo, contra o artigo 49 da Constituição Federal (CF): “É da competência exclusiva do Congresso Nacional: [...] V - sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa”.

 

O pior é que tudo isso é uma escarrada repetição da Constituição Venezuelana. Em outras palavras, é o regime marxista que temos na Venezuela que nossos aprendizes de ditadores, aprendizes de revolução chavóide [Hugo Chávez, presidente da Venezuela] estão pretendendo colocar no Brasil. O que se pretende é dar um novo status jurídico ao Brasil, a caminho da ditadura, em que o Poder Executivo é tudo e os outros poderes são nada.

 

É um programa de direitos desumanos, o que menos tem é dignidade humana, através do qual só pode falar nesse país quem for materialista, ateu, não acreditar em Deus e se pautar pela cartilha desses cidadãos.

 

noticias.cancaonova.com: Mas um dos principais argumentos do governo é exatamente o pluralismo do plano, que incorpora resoluções da 11ª Conferência Nacional de Direitos Humanos (realizada em Brasília entre 15 e 18 de dezembro de 2008), bem como propostas aprovadas em mais de 50 conferências nacionais temáticas promovidas desde 2003. Em sua nota de esclarecimento, a Secretaria Especial dos Direitos Humanos (Sedh) explica que mais de 14 mil pessoas estiveram envolvidas diretamente na elaboração do programa, além de consulta pública.

 

Ives Gandra: Uma sociedade de 190 milhões de habitantes não é representada por 14 mil amigos do rei. Por outro lado, quando eles colocam esses números, evidentemente nós sabemos que essas ONG’s e outras organizações são quase todas montadas, monitoradas, organizadas por eles mesmos.

 

E eu não acredito que haja um número em que todos tenham opinado com consciência. Eu posso formar um grupo maior e apenas uns poucos decidirem por todos, como em uma reunião de uma sociedade em que ninguém vai mas a diretoria publica as decisões em nome de todos. Tenho minhas sérias dúvidas se essas 14 mil pessoas estiveram presentes para dizer que eram favoráveis a essa tomada de posição.

 

Na verdade, eu lembraria o que disse Agripino Grieco quando lhe deram um livro de um mau poeta. Ele leu e disse: “Eu aconselho a queimar a edição e, em caso de reincidência, a queimar o autor”. Eu não sou tão cáustico à reincidência de queimar o autor, mas que vale a pena queimar a edição desse programa, vale.

 

noticias.cancaonova.com: Esse Programa deveria ser elaborado com base no modelo da democracia deliberativa, em que o peso dos argumentos de grupos distintos é o que importa, e não sua representatividade?

 

Ives Gandra: Um plano de Direitos Humanos tem que ser elaborado pelos representantes do povo. Não existe, a meu ver, uma democracia deliberativa que possa decidir independentemente dos verdadeiros representantes do povo.

 

Eu só acredito em democracia em que haja equilíbrio de poderes. Toda democracia que elimina o Legislativo, elimina o Judiciário, mesmo com consultas populares, é uma ditadura, é permitir que o povo seja manipulado permanentemente por plebiscitos e referendos em que, na verdade, não se discute nada com profundidade. Eu pergunto sim e não para o povo, mas não discuto todos os meandros que só podem ser discutidos efetivamente pelo Poder Legislativo. Então, isso significa dizer que faço um plano sobre determinados direitos e excluo aqueles que estão vinculados a esses direitos.

 

 

noticias.cancaonova.com: O senhor poderia citar exemplos da inconstitucionalidade do decreto?

 

Ives Gandra: O decreto em si também fere por inteiro a Constituição. Direitos que eles consideram humanos são tratados de modo distinto na Constituição Federal (CF).

 

Por exemplo, a CF garante que é inviolável o direito à vida do ser humano. Logo, o aborto, o homicídio uterino, a morte de nascituros entra em choque com o que garante o Artigo 2º do Código Civil: “A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro”. Com o PNDH-3, o homicídio uterino como “direito humano” fica consagrado.

 

A prostituição é uma chaga para a sociedade. Não se pode dizer que, como direito humano, o governo federal valorizará a prostituição, o lenocínio, o meretrício. Deve-se trabalhar para que essas mulheres encontrem uma profissão digna. Um decreto que valorize isso é evidentemente algo que afeta a dignidade humana, que está na essência dos direitos humanos.

 

O cidadão tem uma casa, é invadida por alguém, a partir desse momento, o invasor tem mais direito que o proprietário, pois se ele pretender uma reintegração de posse, o Poder Judiciário deixa de estar habilitado para fazê-lo. Uma comissão, formada pelo invasor, decide se o Poder Judiciário poderá, ou não, executar a reintegração. Ora, a CF declara, no artigo 5º: “XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”.

 

No PNDH-3, por exemplo, defende-se que sindicatos e centrais de trabalhadores terão mais força que os parlamentares na definição de programas, fazendo com que plebiscitos e referendos, como acontece na Constituição Venezuelana, tenham muito mais importância que a própria representação do Parlamento ou Poder Judiciário, que é aquele que faz respeitar a lei. Isso faz com que se adote aquele modelo que prevalece hoje na Venezuela, isto é, Poder Executivo e povo consultado e manipulado por esse Poder, sendo os outros Poderes secundários, sem nenhum valor.

 

Com relação à família, a CF, no artigo 226, diz: “A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado. § 3º - Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento”. Fica claro que ela deve ser constituída por um homem e uma mulher, bem como o homem e a mulher e seus decendentes em caso de separação e viuvez. Mesmo assim, a família sempre tem origem na união entre o homem e a mulher.

 

Quando se busca dar o mesmo status de família para casais homoafetivos, pode-se dizer que a CF nada vale, pois se quer mudar uma cláusula pétrea, dizendo que é família a união entre dois homens ou duas mulheres que não podem gerar filhos. Se a família tem o sentido de garantir perpetuação da espécie, criação da prole, educação, formação da sociedade, casais de homens e mulheres não tem, até por questões biológicas, condições de gerar filhos. Isso fere, portanto, a meu ver, uma cláusula pétrea.

 

noticias.cancaonova.com: O que caracteriza uma cláusula pétrea?

 

Ives Gandra: Na cláusula pétrea, os direitos individuais não podem ser modificados. Se o artigo 226 coloca a família como base da sociedade, vale dizer que toda a CF é formada para a sociedade, que só existe com base na família. Se eu não posso modificar dispositivos como o direito à privacidade, com muito mais razão aquilo que é a própria essência da sociedade também não pode ser modificado. Qualquer mudança nesse sentido é inconstitucional, pois cláusula pétrea nem uma emenda constitucional pode alterar.

 

noticias.cancaonova.com: Em nota emitida pela Secretaria Especial de Direitos Humanos, afirma-se que: “Ao apoiar projeto de lei que dispõe sobre a união civil entre pessoas do mesmo sexo e ao prever ações voltadas à garantia do direito de adoção por casais homoafetivos, o PNDH-3 tem como premissa o artigo 5º da Constituição (Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade…). Considera ainda as resoluções da 1ª Conferência Nacional LGBT, realizada em junho de 2008, marco histórico no tema. O programa também está em consonância com tendência recente da própria jurisprudência, que vem reconhecendo o direito de adoção por casais homoparentais”.

 

Ives Gandra: Eles mesmos dizem que a união entre duas pessoas do mesmo sexo é uma opção sexual. A opção sexual só pode acontecer depois de se ter, enfim, crescido e adotado essa opção. A opção natural é de um homem gostar de uma mulher. Essa opção natural, biológica, aquela que permite a geração de filhos, é da união entre um homem e uma mulher, como a CF previu.

 

Ora, se é uma opção, como se permitir a adoção de uma criança, que primeiro teria que ter sua opção biológica, se ela já começar a ser trabalhada por um casal que já fez sua opção sexual e preparará a criança no sentido de ter a mesma opção, contra a natural?

 

É evidente que para o cidadão que queira viver com outro cidadão, existem mecanismos na lei, de contratos, de direitos obrigacionais, mas não como uma família. O que se está pretendendo é transformar a família, contra a natureza biológica e contra aquilo que a própria CF diz e não pode ser mudado.

 

Logo, isso de dizer que todos são iguais, não podem ser iguais contra a CF, que elenca as hipóteses em que ela, através de cláusulas pétreas, diferencia aquelas desigualdades que fazem com que o princípio da igualdade seja observado. Uma das formas, efetivamente, de preservar o princípio da igualdade é permitir que ele se realize no limite das desigualdades das pessoas.

 

noticias.cancaonova.com: Uma das ações do PNDH-3 prevê mecanismos que impeçam a ostentação de símbolos religiosos em estabelecimentos públicos da União. A Sedh explica: “O PNDH-3 tem como diretriz a garantia da igualdade na diversidade, com respeito às diferentes crenças, liberdade de culto e garantia da laicidade do Estado brasileiro, prevista na Constituição Federal”.

 

 

Ives Gandra: No momento em que o próprio decreto prevê que símbolos religiosos devem ser afastados, em um país que 97% das pessoas acreditam em Deus [citando dados de uma pesquisa do DataFolha], é como se dissessem: “Há uma ditadura de 3% da sociedade e vamos impor aos outros a obrigação de não ter nas repartições públicas símbolos religiosos”.

 

É como quem dissesse: “Estado laico é Estado ateu, e somente quem não acredita em Deus e não tem religião pode opinar. Vocês podem, escondidos, sem mostrar para os outros, acreditar em Deus, mas não queremos ter símbolos que representam valores”. Afinal, é evidente: quem quer valorizar a prostituição não pode aceitar valores e símbolos religiosos que objetivam a união e a fraternidade entre os povos.

 

noticias.cancaonova.com: Existe algum dispositivo legal que garanta os crucifixos nestes locais?

 

Ives Gandra: Não existe nenhum dispositivo legal que determine, mas também a criação de um dispositivo que elimine seria, a meu ver, contra aquilo que caracteriza a tradição do país. Considero que a CF percebe a religião como depositária de valores, de valores superiores do ser humano, de valores que elevam a dignidade da pessoa humana, e não a desvalorização da pessoa humana.

 

noticias.cancaonova.com: Outros segmentos religiosos também poderiam evocar a tradição como justificativa para expor seus símbolos em locais públicos?

 

Ives Gandra: Acredito que não, pois são valores que entraram posteriormente. Nos tribunais, sempre foi tradição ter o crucifixo, que tem um aspecto inclusive emblemático, pois representa o símbolo da justiça e, ao mesmo tempo, leva todo o magistrado a pensar permanentemente naquele que foi o julgamento mais injusto da história. O símbolo serve como ponto de reflexão e transcende a própria religião. Isso me parece que, independentemente das religiões, deveria ser sempre mantido.

 

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou que cabe a cada tribunal decidir se deseja ou não manter o crucifixo. Neste particular, se o magistrado for um ateu e não quiser o crucifixo, ele tem o direito de não colocar. Isso vale para toda a magistratura do Brasil e me parece adequado. Agora, impor que mesmo os que queiram ter não possam ter é, evidentemente, fazer a ditadura do agnosticismo, ateia, daqueles que não acreditam.

 

noticias.cancaonova.com: Então, o que se tem é um entendimento errado do que seja Estado Laico? Como viver, de forma sadia, a dimensão pública da religião?

 

Ives Gandra: A Introdução da CF expressa: “Nós, representantes do povo brasileiro, [...] promulgamos, sob a proteção de Deus”. Que Deus é esse? Toda a CF foi promulgada sob a proteção de Deus.

 

Na verdade, o que eu vejo é que todos tem o direito de não acreditar em Deus. Se todos tem essa liberdade, por que tentar impor, dizendo que Estado laico é aquele em que não se pode ter nenhuma demonstração religiosa? Eles confundem Estado laico com Estado ateu. No laico, as deliberações não são tomadas à luz da religião, todos tem liberdade e os valores e tradições são conservados.  Já no ateu, o que se busca é substituir símbolos religiosos pela visão que não quer símbolo nenhum.

 

noticias.cancaonova.com: Qual a sua opinião sobre a criação da Comissão Nacional da Verdade, que investigaria a responsabilidade de atos criminosos praticados durante o período da ditadura militar?

 

Ives Gandra: Nós estamos vivendo um momento em que o Brasil pode se projetar com paz para o futuro, encontrar caminhos novos, discutir em uma eleição programas futuros de crescimento. Não é preciso voltar à década de 60, à realimentação do ódio. Nós temos tortura hoje, nos diversos estados, na polícia, e é isso que tem que ser procurado. Temos que por uma pedra no passado e tentar equacionar o Brasil de hoje.

 

noticias.cancaonova.com: O Governo Federal poderia ter apresentado o Plano dessa forma?

 

Ives Gandra: Tudo isso, de rigor, já ganhou um formato jurídico que não deveria ter; deveria ser, no máximo, uma proposição, que passaria ou não no congresso. Da forma como foi feito, eu acredito que vai haver discussões preliminares no Congresso, quando projetos forem enviados.

O Decreto, embora tenha o contorno de carta de intenções, já tem o formato de comando jurídico.

 

Enfim, é um plano com viés ideológico bem claro, de pessoas que se realimentam do ódio passado, mas que, felizmente, por todas as suas deficiências, não tem chance de passar no Congresso. É nisso que eu acredito.

 

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