A VITÓRIA DA VIDA

Arquivado em: Aborto — Prof. Felipe Aquino at 10:08 pm on domingo, janeiro 14, 2007

 

 

A Revista “Veja” de  27 dez 2006 publicou uma reportagem que mostra que a cada dia se torna maior a possibilidade de salvar a vida de uma criança que nasceu prematura. O menino Arthur Teixeira nasceu em 3 de dezembro, com 32 semanas (7 meses) e 575 gramas – 190 gramas a mais do que pesava o menor bebê já nascido no Brasil . Ele e sua irmã gêmea, Giovana, estão em franca recuperação. O pequeno Arthur, filho da carioca Ana Paula, nasceu com apenas  25 semanas (5 meses e meio) de gestação; pesava apenas 385 gramas, um décimo do peso de um recém-nascido normal, 23 centímetros e cabia na palma da mão; todo o seu sangue caberia em um xícara de café. O pé de um bebê normal mede cerca de 9 centímetros. O de Arthur tinha 3,7 centímetros, coisa de um clipe de papel, um pouco maior que uma moeda de um real. Era o menor bebê já nascido vivo no Brasil e o quinto menor do mundo. Ele saiu do parto sem respirar, e foi ressuscitado em seguida pela junta médica com massagens cardíacas. Depois disso, foi encaminhado a uma UTI neonatal, onde chegou a pesar míseros 282 gramas. Quatro meses e três dias mais tarde, o bebê recebia alta com 2 quilos, 110 gramas e uma vida normal pela frente. Antes de Arthur, o menor bebê do Brasil era Carlos Flores, o Carlinhos, que nasceu pesando 450 gramas no ano de 1995. Prematuro de seis meses de gestação, o bebê passou 43 dias na UTI, teve de operar a retina, que ainda estava malformada, e ficou com uma miopia de 10 graus. Mas, depois do sufoco, o bebê se desenvolveu como uma criança normal. Hoje, com 11 anos e pesando 44 quilos, tem um apelido novo: Carlão. “Ele nunca teve problema de saúde, nem dor de barriga. Sempre foi um menino muito esperto e inteligente”, afirma Ivonete, a mãe do garoto. “Era um verdadeiro palito até os 5 anos de idade, não engordava de jeito nenhum. Hoje, nem ele acredita que foi prematuro.” O menor bebe do mundo é uma menina que nasceu nos Estados Unidos com 26 semanas de gestação, Rumaisa Rahman, em 2004, pesando apenas 244 gramas e medindo 20 centímetros. No aniversário de um ano já pesava 5,9 quilos. Isto acontece porque a medicina evoluiu bastante neste campo. A cardiologia neonatal hoje permite operar o coração de um bebê em uma cirurgia de apenas 45 minutos. Antes disso, prematuros que não estavam com o coração totalmente pronto para funcionar não tinham chance de sobreviver. A partir da década de 80 foi possível produzir em laboratório uma substância chamada surfactante, secretada pelo organismo e que permite a expansão dos pulmões. Pela falta dela, a grande maioria dos prematuros morria asfixiada.  Houve uma grande evolução nos equipamentos; as modernas incubadoras são capazes de detectar alterações mínimas nos sinais vitais do bebê. Aparelhos para exames e cirurgias foram se miniaturizando – hoje, sondas, cateteres e agulhas são do diâmetro de um fio de cabelo, desenhados para impingir o menor sofrimento aos pequeninos.Há quinze anos, bebês que nasciam com peso abaixo de 1 quilo só em raros casos podiam ser salvos pela medicina. No fim da década de 90, o limite caiu para 750 gramas. Hoje, bebês com menos de 500 gramas, como Arthur, já têm chance de sobreviver sem complicações posteriores. O mesmo é válido para o tempo de gestação. Se no passado sete meses era o limite da prematuridade, atualmente é justificável investir num ser humano que nasça com até cinco meses e três semanas. Duas décadas atrás, apenas 20% dos bebês que nasciam com menos de 600 gramas sobreviviam. Hoje, nas melhores clínicas, esse índice é de pelo menos 40%. Para bebês entre 750 gramas e 1 quilo, a taxa de sobrevivência salta para 90%. Ana Paula, a mãe de Arthur dá o seu testemunho: “Foi um período muito difícil, principalmente por ter de conviver com o drama dos outros. Nesse tempo deparamos com cinco ou seis falecimentos na UTI”. “Além da tristeza, havia o cansaço de enfrentar aquela rotina diariamente. Às vezes eu saía da sala e chorava de desespero. Mas nunca perdemos a esperança.” Vinicius nasceu prematuro, filho de Daniela Martins; ela diz: “Meu filho nasceu com 31 semanas e o médico não deu esperanças. Disse que ele não tinha tamanho, peso nem pulmão para viver fora do útero. Foram dias de sofrimento, preocupação e muita ansiedade. Vinícius ficou na UTI e doía muito o fato de não levá-lo para casa com a gente. Era uma agonia visitá-lo sem saber como estaria. Um dia estava melhor, no outro piorava. Mas a essa altura eu não conseguia mais imaginar o que seria da minha vida sem ele. Graças a Deus, aos médicos, enfermeiras e auxiliares, ele teve alta depois de 43 dias. Foi o dia mais feliz da minha vida.” Hoje Vinicius está com três anos. Fica agora aqui um pergunta: se um bebe de até cinco meses e meio de gestação já pode sobreviver fora do ventre da mãe, como então, em muitos paises o aborto é aprovado até seis meses de gestação? E não há duvida que esse prazo de gestação poderá diminuir ainda mais com o avanço constante da medicina.O aborto é crime, é uma covardia, um atentado contra a criatura mais fraca e indefesa que existe, a criança no ventre da mãe. É uma gravíssima ofensa a Deus; um pecado que clama aos céus. Antes o útero materno era o lugar mais seguro do mundo… hoje se tornou zona de fogo livre. Chega de tanto sangue inocente derramado barbaramente! 

 

“Tu és a alegria do Senhor teu Deus” (Is 62,5)

Arquivado em: Meditação — Prof. Felipe Aquino at 5:20 pm on domingo, janeiro 14, 2007

Que verdade maravilhosa esta que o Profeta Isaias nos comunica: somos a alegria de Deus.O grande Padre da Igreja Santo Irineu já tinha dito por volta do ano 160, que “o homem é a glória de Deus”. Esta criatura tão frágil e tão grande é a glória e a alegria do Todo – Poderoso.Mas como podemos ter certeza disso? Será que somos mesmo tão importantes para Deus? Será que a nossa existência pode mesmo afetar a sua alegria?Sim, é a resposta. Vamos meditar. São diz na Carta aos Efésios “que do alto do céu o Pai nos abençoou com toda a bênção espiritual em Cristo e  nos escolheu Nele antes da criação do mundo” (Ef 1, 3). Então, não viemos ao mundo por acaso, não, o Senhor “nos desejou desde antes da criação do mundo”, e, sem violentar a liberdade de nossos pais terrenos, nos deu a vida. Deus é o grande “amigo da Vida”, e se rejubila quando uma criança nasce, porque é mais uma criatura gerada à sua imagem e semelhança que vem a este mundo para enriquece-lo. Lamentavelmente perdemos esta percepção. O que mais vale no mundo é a vida; nada tem tanto valor como uma criança; é por isso que a Igreja costuma dizer que o sorriso de uma criança veio do céu. Aqui a gente entende porque a Igreja não quer um controle irracional da natalidade como acontece hoje, onde a maioria dos países já não consegue repor a população, e por isso, começa a diminuir os seus habitantes. É a desvalorização da vida.  Disse Henry Daniel Rops, um dos maiores historiadores católicos do século XX, que “um povo que não quer mais se reproduzir é um povo doente”. É verdade, se a civilização despreza o maior valor, a vida, se tem medo dela, então, há algo de muito errado com esta civilização que já não está mais disposta a defender o que há de mais sagrado. A frase que João Paulo II mais repetiu aos casais no Jubileu do Ano 2000 foi esta: “Não tenham medo da vida!”São Paulo continua a nos dizer na Carta aos Efésios que: “No seu amor nos predestinou para sermos adotados como filhos seus por Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua livre vontade” (v. 5). Somos filhos de Deus e somos de fato, diz também S. João: “Considerai com que amor nos amou o Pai, para que sejamos chamados filhos de Deus. E nós o somos de fato” (1Jo 3,1). Ora, qual é a grande alegria dos pais; não são os seus filhos? Então, o Profeta Isaías está certo: “Tu és a alegria do teu Deus”.Cada um de nós, tão pequenino, toca o Coração de Deus. São Paulo ainda disse aos efésios que fomos criados “para celebrar a glória de Deus”:“Nele é que fomos escolhidos, predestinados segundo o desígnio daquele que tudo realiza por um ato deliberado de sua vontade, “para servirmos à celebração de sua glória” (v. 11-12)”.Era exatamente isto que Santo Irineu queria dizer ao falar que “o  homem é a glória de Deus”. A vida do homem “celebra a glória de Deus” porque é a sua mais bela criatura visível; nada se lhe compara. A ninguém o Senhor deu inteligência, liberdade, vontade, consciência, capacidade de amar, de cantar, de sorrir e de chorar… A ninguém ele deu poder de voar nos altos dos céus, de construir as belas catedrais, de tocar o chão da lua, de perscrutar as estrelas…O salmista já rezava admirado: “Que é o homem, digo-me então, para pensardes nele? Que são os filhos de Adão, para que vos ocupeis com eles? Entretanto, vós o fizestes quase igual aos anjos, de glória e honra o coroastes. Destes-lhe poder sobre as obras de vossas mãos, vós lhe submetestes todo o universo”. Sl (8, 5- 6)Fomos criados por amor, como filhos amados, para reinar neste mundo em nome do Criador, e dar-lhe honra e glória pelo que somos e fazemos. Não podemos viver uma vida pequena, mesquinha, desvalorizada, desprezada, simplesmente porque o Criador não nos fez para isso. Ele nos quer grandes, por dentro, não por fora.São Paulo ainda repete uma vez mais aos efésios, que Ele nos “adquiriu para o louvor da sua glória” (v. 14). A beata Elizabeth da Trindade fez dessa verdade o lema de sua vida e assim se santificou. Ele fez de cada instante de sua vida, no Carmelo, um ato de louvor a Deus. Quando a humanidade experimentou o sabor horrendo do pecado, e em conseqüência, o sabor amargo da morte, Cristo se prontificou a se oferecer pelo nosso resgate das mãos cruéis do demônio. São Pedro explica como ninguém:  “Porque vós sabeis que não é por bens perecíveis, como a prata e o ouro, que tendes sido resgatados da vossa vã maneira de viver, recebida por tradição de vossos pais, mas pelo precioso sangue de Cristo, o Cordeiro imaculado e sem defeito algum, aquele que foi predestinado antes da criação do mundo”. (1 Pe 1, 18,19)Fomos criados pelo amor e pelo poder de Deus e fomos resgatados da morte pelo amor de Deus, porque somos filhos de Deus. Isto é, Deus fez por nós o que cada um está disposto a fazer pelo seu próprio filho. “Tu és a alegria do Senhor teu Deus” (Is 62,5)Esta é a razão pela qual Jesus deseja ardentemente ser recebido em nosso coração, na Comunhão sacramental ou mesmo na espiritual, muitas vezes durante o dia. Os santos experimentaram fortemente o quanto Jesus ama vir ao nosso coração. A explicação é esta: nós somos o amor da sua vida! A prova disso é que Ele a sacrificou por nós. Ninguém morre por alguém que não ama.  E o que o amado mais deseja é estar junto, em comunhão, com a sua amada. A nossa alma é esposa do Altíssimo. Santa Teresinha do Menino Jesus disse que Jesus não desceu do Céu na Eucaristia para ficar numa âmbula de ouro, mas para viver em nosso coração. Ele é o refúgio do Coração de Jesus; ele é o travesseiro onde Ele pode reclinar a sua cabeça. Daí a importância de Comungar com freqüência e com devoção, oferecendo ao Amado o amor da sua amada. Não se esqueça jamais: “Tu és a alegria do Senhor teu Deus” (Is 62,5). 

Cuba continua a mesma

Arquivado em: Política — Prof. Felipe Aquino at 8:35 am on domingo, janeiro 14, 2007

Infelizmente a situação de Cuba, sem liberdade, continua a mesma com o irmão de Fidel Castro no poder há cinco meses. Sem liberdade o homem perda a identidade e a sua grandeza. É o que mostra este artido do jornal Le Monde de Paris.
Por Paulo A. Paranaguá
Le Monde – 13 jan 2007

A principal referência em matéria de defesa dos direitos humanos em Cuba estima que o governo de Raul Castro “nada fez para melhorar a situação dos direitos cívicos, políticos e econômicos”. A Comissão Cubana para os Direitos Humanos e a Reconciliação Nacional (não reconhecida pelas autoridades) divulgou, na quarta-feira, 10 de janeiro, em Havana, um relatório que analisa os cinco meses que se passaram desde a transmissão de poderes de Fidel Castro para o seu irmão Raul, em 31 de julho de 2006.

 

 
 

“O governo cubano segue violando todos os direitos”, tais como “as liberdades de associação, de opinião, de expressão e de imprensa; a circulação das pessoas, o direito à informação; o direito de reunião ou de manifestação, assim como o direito de trabalhar livremente fora da tutela do Estado (praticamente o único empregador) e de organizar sindicatos ou partidos políticos”, constata a comissão.

O número de prisioneiros políticos que foi levantado pela Comissão é de 283 na data de 31 de dezembro, o que representa uma diminuição de 50 em relação aos 333 detentos recenseados no final de 2005.

“O governo está substituindo a estratégia de repressão política baseada em condenações de longa duração por outras ações repressivas de ‘menor intensidade’”, sublinha o presidente da comissão, Elizardo Sanchez.

Ele cita, entre outros, “detenções curtas, interrogatórios, ameaças, ações de repúdio (ataques violentos contra os dissidentes), violações de domicílio, agressões físicas e verbais, o confisco de publicações e de ferramentas de trabalho, a vigilância e espionagem, além de outras formas de intimidação que atingem também as famílias dos defensores dos direitos humanos”.

No decorrer do segundo semestre de 2006, a Comissão registrou “apenas sete casos de liberação antecipada, ou seja, um número muito reduzido quando se sabe que há uma centena de prisioneiros políticos que teriam o direito de obter a liberdade condicional”, por terem cumprido a metade ou os dois terços da sua pena.

Elizardo Sanchez chama a atenção para o caso de detentos “cujo estado de saúde é incompatível com o encarceramento”. Em 6 de dezembro de 2006, Hector Palacios foi libertado por motivo de saúde. Contudo, existem “dezenas de prisioneiros políticos” na mesma situação. Manuel Valdés Tamayo, um dos 75 opositores condenados em 2003, que foi libertado um ano mais tarde em razão da sua saúde periclitante, morreu na quinta-feira, 11 de janeiro, em Havana, das conseqüências de um enfarte.

Intelectuais preocupados

Além do mais, a homenagem que foi prestada pela televisão cubana a um dos antigos responsáveis da repressão contra os intelectuais está causando preocupação nos meios culturais da Havana. O homenageado, Luis Pavon Tamayo, ocupava a presidência do Conselho Nacional da Cultura durante o “os cinco anos cinzentos” que foram iniciados com “a autocrítica” staliniana infligida ao poeta Heberto Padilla, em 1971. O “caso Padilla” provocou a ruptura de muitos intelectuais ocidentais com o regime castrista.

A homenagem ao antigo inquisidor é atribuída pelos observadores ao retorno ao governo do comandante Ramiro Valdés, o fundador da polícia política, que foi nomeado, em 31 de agosto de 2006, ministro da informática e das comunicações.

Tradução: Jean-Yves de Neufville