É razoável crer?

Arquivado em: Meditação — Prof. Felipe Aquino at 6:41 pm on terça-feira, março 20, 2007

 

Histórias importantes 

                                                                   

 

Alfonso Aguiló no seu livro “É razoável crer?” conta histórias que nos ensinam grandes verdades. 

1.    Sobre o Relativismo 

O relativismo  significa que não podemos conhecer a verdade como tal ou em sentido pleno: cada um tem a sua “verdade”. É um grande e perigoso engano: 

“Conta Peter Kreeft que, um dia, ao dar uma das suas aulas de ética, um aluno lhe disse que a Moral era uma coisa relativa e que ele, como professor, não tinha o direito de “impor-lhe os seus valores”.“Bem – respondeu Kreeft, para iniciar um debate sobre a questão- vou aplicar à classe os seus valores e não os meus. Você diz que não há valores absolutos, e que os valores morais são subjetivos e relativos. Como acontece que as minhas idéias pessoais são um tanto singulares sob alguns aspectos, a partir deste momento vou aplicar esta: toda as alunas estão reprovadas”.O rapaz mostrou-se surpreendido e protestou dizendo que aquilo não era justo. Kreeft argumentou-lhe:“Que significa para você ser justo? Porque, se a justiça é apenas o “meu” valor ou o “seu” valor, então não há nenhuma autoridade comum a  nós dois. Eu não tenho o direito de impor-lhe o meu sentido de justiça, mas você também não pode impor-me o seu…Portanto, só se existe um valor universal chamado justiça, que prevaleça sobre nós, você pode invocá-lo para considerar injusto que eu reprove todas as alunas. Mas, se não há valores absolutos e objetivos fora de nós, você só pode dizer que os seus valores subjetivos são diferentes dos meus, e nada mais.No entanto, você não diz que não gosta do que eu faço, mas que é injusto. Ou seja, quando desce à prática, acredita sem a menor dúvida nos valores absolutos”…Os relativistas e os céticos consideram que aceitar qualquer crença é servilismo, uma torpe escravidão que inibe a liberdade de pensamento e impede uma forma de pensar elevada e independente.No entanto – como dizia C. S. Lewis -, ainda que um homem afirme não acreditar que haja bem e mal, vê-lo-emos contradizer-se imediatamente na vida prática. Por exemplo, uma pessoa pode não cumprir a palavra ou não respeitar o combinado, argumentando que isso não tem importância e que cada qual deve organizar a sua vida sem pensar
em teorias. Mas o mais provável é que não tarde muito em dizer, referindo-se a outra pessoa, que é indigno que essa pessoa lhe tenha faltado à palavra…”.
Por não ter um ponto de referência claro a respeito da verdade, o relativismo leva à confusão global entre o bem e o mal. Se se analisam com um pouco de detalhe as suas argumentações, é fácil observar – como explica Peter Kreeft – que quase todas costumam refutar-se a si próprias: 

·                “A verdade não é universal” (exceto esta verdade que você acaba de afirmar?).·                “Ninguém pode conhecer a verdade” (a não ser você, segundo parece).·                “A verdade é incerta” (então também é incerto o que você diz!).·                “Todas as generalizações são falsas” (esta também?).·                “Você não pode ser dogmático” (com essa mesma afirmação, você mostra que é bastante dogmático).·                Não me imponha a sua verdade” (o que significa que neste momento você me está impondo as suas verdades).·                “Não existem absolutos” (absolutamente…?).·                “A verdade é apenas uma opinião” (a sua opinião, pelo que vejo). 

E assim por diante. 

2.    A graça de Deus e a liberdade do homem 

Eis outra historieta significativa (pp. 55s):“Um indivíduo desalinhado e sujo pôs-se de pé, no meio de um buliçoso grupo de pessoas que escutavam um pregador no Hyde Park de Londres. Dirigiu-se ao orador e com voz potente fez-lhe uma pergunta que era antes um grito de indignação: “O senhor diz que Deus veio ao mundo faz dois mil anos… Como é possível então que o mundo continue cheio de ladrões, adúlteros e assassinos?”. 

Fez-se um silêncio muito grande. Todos os que estavam presentes acharam que era uma objeção irretorquível. Mas o pregador olhou-o serenamente e respondeu: “Tem toda a razão. Mas a água também existe há milhões de anos, e, no entanto…, repare como você está sujo!” 

Assim como aquele homem podia servir-se ou não das benéficas possibilidade higiênicas da água, nós, os homens, temos a possibilidade de usar bem ou mal da nossa liberdade. Mas quem é responsável por essa decisão somos nós, não Deus. Deus foi o primeiro a “apostar” no homem, o primeiro a querer “correr o risco” da nossa liberdade, e isso a ponto de permitir que o homem pudesse empregar essa liberdade precisamente para se por ao seu Criador”. 

É de notar que, mesmo antes de Cristo, Deus sempre esteve presente ao homem, chamando-o para o consórcio de sua vida. E isto de duas maneiras:1) mediante a consciência moral que existe no íntimo de todo ser humano e clama: “Pratica o bem e evita o mal”. Tal é a chamada “lei natural”;2) mediante o testemunho das criaturas que cercam o homem e atestam a sabedoria do Criador “Não há relógio sem relojoeiro”. 

 

3.    Lei natural (de Deus) e lei dos homens 

Retrocedamos ao século V a.C. 

“Sófocles conta numa das suas tragédias a história de Polinice, um jovem que morre na rebelião contra Creonte, o tirano de Tebas. Para dar uma lição pública. Creonte ordena que se abandone o cadáver do rebelde no campo, a fim de que seja devorado pelas feras. E, se alguém se atrever a dar-lhe sepultura, morrerá. 

Mas Antígona, a irmã de Polinice, desafia a ordem do tirano e enterra o irmão. É denunciada e Creonte acusa-a de desprezar a lei. Ela responde corajosamente: “Não acreditava que os teus decretos tivessem tanta força que pudessem passar por cima das leis não escritas, imutáveis, dos deuses; dessas leis que vigoram não desde ontem, mas desde sempre,  e ninguém sabe quando apareceram”. 

O diálogo continua, faiscante, e é um bom reflexo de como a sociedade grega de há vinte séculos reconhecia a existência de leis naturais imutáveis. Porque, se o fundamento da Moral fosse a vontade dos povos, ou ainda as decisões dos seus chefes ou as sentenças dos seus juízes, então tudo o que se aprovasse legalmente se converteria num bem, mesmo que autorizasse a mentir, roubar ou matar. 

A lei moral deve surgir de alguma coisa impressa na natureza humana, a que chamamos lei natural. É uma lei que obriga todos os homens e quem nem sempre coincide com os gostos do momento de cada governante, de cada sociedade, de cada pessoa” (p. 118). 

O texto de Sófocles atesta a prática da objeção de consciência já em época anterior a Cristo. O súdito não pode ser obrigado a cumprir uma lei que fira os justos ditames de sua consciência. (N.d.R.). 

 

4.    “A Igreja quer impor à sociedade civil os seus valores religiosos” 

As palavras acima retornam com freqüência quando se considera a firme atitude negativa da Igreja frente ao divórcio, ao aborto, à manipulação de embriões, casamentos de homossexuais, eutanásia… Muitos alegam que a Igreja deveria restringir suas rejeições ao âmbito dos seus fiéis, sem se importar com os pronunciamentos da Lei civil. 

1) “A Igreja não pretende impor a ninguém uma religião ou umas crenças. O Concílio Vaticano II recordou com clareza o esmero que a Igreja e os católicos devem respeitar a liberdade religiosa de todos os homens. A Igreja Católica exprime com liberdade a sua mensagem, dirigida a todos os fiéis católicos e a todos os homens de boa vontade que queiram escutá-la. Não seria sensato dizer que, pelo simples fato de falar, pretende impor os seus valores à sociedade civil. Quando a Igreja fala, repito, faz uso da liberdade de expressão, à qual, felizmente, todos temos direito. 

Uma das missões da Igreja Católica é despertar a sensibilidade do homem para a verdade, para o sentido de Deus e a consciência moral.  A Igreja procura infundir coragem e ânimo para que se viva e se atue com coerência, de acordo com convicções que possam constituir um fundamento sólido” (p. 149). 

2) Quando a Igreja reprova certos procedimentos da ordem civil (divórcio, aborto, manipulação de embriões…), ela não o faz unicamente em nome do Evangelho, mas também em nome da lei natural, à qual todo ser humano está sujeito, mesmo que não tenha fé. O respeito à lei natural é condição indispensável para que haja ordem na sociedade e esta não fique entregue ao alvitre pessoal ou partidário do(s) governante(s). O legislador não é “dono da Ética” nem é a fonte da moralidade; ele está sujeito à lei básica que é a lei natural; cabe-lhe explicitar essa lei natural e jamais contrariá-la. 

Fonte: Revista Pergunte e Responderemos D. Estevão Bettencourt  535  - Ano :  2007  - Pág. 11 

 

Senador Crivela critica o projeto gay totalitário

Arquivado em: Homossexualidade — Prof. Felipe Aquino at 4:16 pm on terça-feira, março 20, 2007

 

 O senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) se manifestou contrário ao projeto de lei que inventa o crime de “homofobia”, estabelece censura e viola liberdade de expressão e religião.  Crivella se manifesta contrário a projeto que criminaliza manifestação crítica ao homossexualismo 

 O senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) criticou em Plenário, nesta segunda-feira (19), substitutivo ao projeto de Lei da Câmara (PLC 122/06) que criminaliza - na forma de delito de opinião - qualquer tipo de crítica ao homossexualismo. O projeto tramita no Senado desde dezembro passado e atualmente encontra-se em exame na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) e tem como relatora a senadora Fátima Cleide (PT-RO).  

Para o parlamentar, tal comportamento sexual “é claramente antinatural” e tanto os pais quanto os religiosos não podem prescindir do direito de orientar seus filhos e fiéis sobre o que seria correto no que se refere à escolha sexual. - Suspeito que possa ter escapado aos senhores deputados a completa extensão da decisão que tomaram, pois ela acabou confundindo o respeito devido a uma opção individual da pessoa com o uso do poder do Estado, através do seu corpo de leis, para impor a todos os cidadãos um comportamento que é claramente antinatural - afirmou o senador.  

O parlamentar manifestou seu respeito pelos homossexuais, quanto aos direitos humanos e à cidadania, porém insistiu no direito à manifestação de pensamento crítico contra o homossexualismo.  

Crivella acredita que, da mesma forma que o homossexual deve ser respeitado em seus direitos de ir e vir e em sua opção sexual, um pai teria o direito de educar seus filhos de acordo com sua consciência, ensinando a eles que o homossexualismo “é errado”. O sacerdote no púlpito também deve poder fazer o mesmo, segundo Crivella.  

O senador recorreu a uma frase da Bíblia - Levítico, capítulo 18, versículo 22 - para fundamentar seu argumento: “o homem que deita com homem como se mulher fosse comete abominação aos olhos de Deus.” 

Cristina Vidigal / Repórter da Agência Senado(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)61827 http://www.senado.gov.br/agencia/verNoticia.aspx?codNoticia=61827&codAplicativo=2 

TESTEMUNHO ELOQÜENTE

Arquivado em: Papa João Paulo II — Prof. Felipe Aquino at 3:14 pm on terça-feira, março 20, 2007

 

 

 

Quando eu e alguns amigos nos dirigíamos à Basílica de São Pedro, mal podíamos prever o que ali se passaria. Eu pensava comigo: “Bem, serão três ou quatro horas de fila no máximo, por isso nem vou levar comida ou bebida”. Quanta ilusão…! 

Quando chegamos na Praça de São Pedro, era por volta das 5:00 h. Estava ainda escuro e relativamente frio. Muitos guardas estavam ali controlando a multidão e organizando as pessoas que ansiosamente aguardavam para dar seu último adeus a João Paulo II, este homem de Deus que o Coração Imaculado de Maria nos presenteou em nossos tempos de aflição e temores, tanto para a Igreja como para o mundo. 

Chegando lá, qual não foi nossa surpresa ao ver a imensidão da fila. Recordo-me somente do guarda dizendo: “Avanti, avanti”. A interminável fila era dividida em grupos para melhor organizar tudo. E fomos andando, andando, andando até dar uma volta imensa por entre os edifícios que rodeiam o Vaticano. Foi quando pensei comigo: “É, acho que não será tão rápido assim”. Mas, nós não ligávamos, pois tudo era movido pela fé e por amor e de um grande desejo de retribuir ao Papa tudo aquilo que ele tinha feito especialmente por nós, jovens, durante todo o seu longo pontificado. Era uma beleza ver aquela multidão de pessoas caminhando, rezando e cantando. Sim, o clima de fé e amor era contagiante. Pessoas nas sacadas também participavam, acenando lenços, rezando e cantando juntos. A grande maioria dos que ali se encontravam era jovens, oriundos de todos os continentes. Devo confessar que sentia um “santo orgulho” de ser católico, de pertencer à Igreja de Nosso Senhor, que abriga em seu seio todas as línguas, raças, culturas, povos! Uma das notas que constituem a Igreja de Cristo é, sabemos, sua “catolicidade”, e isso pude ver bem presente ali. Nos sentíamos como em uma grande família, todos unidos pelo poder da fé, da mesma fé católica, isso é muito belo. 

Passadas algumas boas horas, eu já estava com fome e sede. Eram distribuídas gratuitamente garrafas de água para a multidão. Mas e a comida? Pessoas que nunca tinha visto, vinham oferecer-me bolacha, pão, sanduíche e outras coisas para comer, tudo em um clima muito cristão, muito fraterno. “Vede como se amam”, era o que os pagãos diziam a respeito dos primeiros cristãos. E o tempo foi passando e nós rezando, cantando e conversando também, conhecendo pessoas no meio daquela multidão, partilhando experiências. Outra coisa que muito me impressionou, foi perceber que não se viam empurrões, brigas, ou palavras de ofensa, desentendimento, o que seria até compreensível nestas circunstâncias. Tudo transcorria na paz, apesar do cansaço que acometia sempre mais a todos. 

Recordo-me de uma jovem que, após 8 horas na filha, se sentou e parecia não agüentar mais. Começou a chorar e sua amiga abaixou-se e com a mão em seu ombro disse: “É pelo Papa, vamos, ele merece”. As duas se levantaram e continuaram, uma ajudando a outra. Foi uma cena que muito me comoveu, confesso. Realmente não sei também como as pessoas de idade conseguiram percorrer todo o caminho. Havia pessoa de 60 e até 70 anos! Somente a graça de Deus mesmo ajudando. 

Quando estava já na entrada da porta da Basílica, não agüentava mais, tinha que ir ao banheiro, como fazer? Pedi ao guarda para dar uma “escapadinha”. Voltei e então entrei na Basílica. Puxa, a emoção tomava  conta, não por entrar na Basílica, pois isso já o fizera tantas e tantas vezes, mas então se tratava de um momento todo especial. Em poucos minutos estaria dando último adeus ao nosso querido Papa. Em minha mente e coração trazia meus pais, meus amigos e todas as pessoas de que me lembrava, os doentes,  aqueles que pediam orações. Queria fazer uma prece por todos e pedir a Deus por intercessão desse Papa, pois tinha a certeza de que já estava no Céu intercedendo por nós. Considerava-me um privilegiado por estar ali e agradecia a Deus por isso, afinal quantos milhões não gostariam de estar em nosso lugar naquele momento. 

Quando cheguei na frente do corpo, fiz minha oração. Breve, pois os guardas não nos deixavam permanecer parados; era uma questão de segundos. Depois, quem quisesse podia ficar mais afastado rezando por mais tempo. Ao final fui saindo exausto, mas com o coração alegre por este momento inesquecível que sei jamais sairá de meu coração, de minha mente. Aí olhei no relógio e só então fui-me dar conta de que tinha passado 12 horas na fila! Eram 17:00 h quando descia as escadas da Basílica para retornar para casa. Na saída me impressionava ver aquela multidão em Roma, parecia “sei lá o quê”, não cabia mais ninguém. Era um “formigueiro”. Bem, tanto que foi proibida a entrada de mais estrangeiros na cidade por motivos de segurança e ordem pública, Roma não suportava mais ninguém. E, em meio a uma sociedade cada vez mais secularizada e hostil ao Cristianismo, me vinham em mente as promessas de Cristo ao primeiro Papa, São Pedro: “Eu te declaro: tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16,18). Como não ver neste evento um sinal claro do cumprimento das promessas do Senhor? 

Irmãos na fé, amigos: Espero que este testemunho possa ajudar mais jovens a sentir a alegria de ser católicos, de valorizar mais sua fé, de conhecer mais sua beleza. E também possa este testemunho ajudar todos nós a amar mais o Papa e estar unidos a ele, a seus ensinamentos, conscientes de que em torno dele formamos a Igreja de Cristo, uma, santa, católica e apostólica. Um abraço a todos e que Nossa Senhora nos guarde e abençoe! 

 

Diogo Hoefel (diogohefel@yahoo.com.br)26 anos – Universitário 

Fonte: Publicado na Revista Pergunte e ResponderemosNº 535   - Ano : 2007  - Pág. 42